Quinta-feira, Setembro 24, 2009
KK
Sábado, Setembro 12, 2009
Herdeiros
Segunda-feira, Setembro 07, 2009
Calculadora
Sábado, Julho 18, 2009
A Gripe A de Apollo 11
Quarta-feira, Julho 08, 2009
Walter Tarira
Terça-feira, Junho 16, 2009
Pinturas em Portões
Terça-feira, Janeiro 27, 2009
Segunda-feira, Janeiro 26, 2009
Toledo e o Herói Fernando
Polícia manda parar? Anti-terrorismo? Velocidade? Picanço? Área de serviço: encontro com os tipos do picanço? Fuga? Chegada a Toledo?
Sábado, Novembro 22, 2008
Iguais
Quarta-feira, Outubro 29, 2008
Jazz e Tinta
Segunda-feira, Outubro 13, 2008
Crises
Domingo, Outubro 12, 2008
Já Podem!
Sexta-feira, Outubro 10, 2008
Flores
Quinta-feira, Setembro 18, 2008
Dúvida Pueril
Sexta-feira, Setembro 05, 2008
O Perigo!
Sábado, Agosto 30, 2008
Carros e Carrinhos
Quinta-feira, Agosto 28, 2008
Cozinheirices
Quinta-feira, Agosto 21, 2008
Pega de Caras
Quarta-feira, Agosto 20, 2008
A Escolha do Seleccionador
Domingo, Agosto 17, 2008
Olímpicos Recordes
Quinta-feira, Agosto 14, 2008
A Refém de Bancos e o Saquito do Dinheiro
Sexta-feira, Abril 25, 2008
Dia da Liberdade
Quinta-feira, Abril 17, 2008
Carta
"Exmo. Sr. Duque de Cadaval:
Se meu nascimento, embora humilde, mas tão digno e honrado como o da mais alta nobreza, me coloca em circunstância de V. Excia. me tratar por TU,- Caguei para mim que nada valho.
Se o alto cargo que exerço, de Corregedor da Justiça do Reino em Santarém, permite a V. Excia., Corregedor Mor da Justiça do Reino, tratar-me acintosamente por TU,- Caguei para o cargo.
Mas, se nem uma nem outra coisa consentem semelhante linguagem, peço a V.Excia. que·me informe com brevidade sobre estas particularidades, pois quero saber ao certo se- devo ou não Cagar para V.Excia."
Santarém, 22 de Outubro de 1795
Segunda-feira, Abril 07, 2008
Ratos Sedentos
Sexta-feira, Março 21, 2008
Semáforo
Terça-feira, Fevereiro 19, 2008
Gostos
Segunda-feira, Janeiro 21, 2008
Bobby Fischer
Sexta-feira, Janeiro 11, 2008
Olhos
Quinta-feira, Janeiro 10, 2008
Atleta Improvável
Quarta-feira, Dezembro 26, 2007
Gestores e Gestoras
Terça-feira, Dezembro 25, 2007
Domingo, Dezembro 16, 2007
O Corão de Tavares
Segunda-feira, Dezembro 10, 2007
Segunda-feira, Outubro 15, 2007
Clash e Civilization
Sid Meier: Também daria um óptimo presidente do PSD
Domingo, Outubro 14, 2007
Formações
Sábado, Outubro 06, 2007
O Pesadelo Interminável
Sexta-feira, Outubro 05, 2007
Viva a República!
Domingo, Setembro 30, 2007
Santidades
Quarta-feira, Setembro 12, 2007
Bin Laden Falhou
Que disse Osama? Nada! Bin Laden nada disse que prestasse. Umas loas a um barbudo qualquer e pronto. Uma conversa sobre olhos e dentes... Apre! O homem é irritante!
Terça-feira, Setembro 11, 2007
Boa Escolha!
Sexta-feira, Setembro 07, 2007
Financiamentos
Quinta-feira, Setembro 06, 2007
Vigairada
Domingo, Agosto 12, 2007
A Tiro!
Quarta-feira, Agosto 08, 2007
"Hasta Quando?"
Há pouco, no carro, acompanhado por uma qualquer emissora de rádio, ouvia Lionel Ritchie. Mudei prontamente o posto para chegar a Tina Turner. Outro rápido toque no botão e eis o cruel Bryan Adams! Desliguei o rádio e abri os vidros para que o vento da velocidade me lavasse os pobres ouvidos. Enquanto o fazia, lembrava-me dos anos 80 e da lixarada que por aqueles tempos se ouvia: Bryan Adams, Lionel Ritchie e Tina Turner. Até quando os vamos ouvir? Já lá vão quase 30 anos e continua o pobre cidadão a levar com o "Private Dancer" e o "Run to You" e o "Hello!". Irra!
Sábado, Julho 28, 2007
Sábado, Julho 14, 2007
O Resto (Quase) do Debate dos Doze
Terça-feira, Julho 10, 2007
O Debate dos Doze
Sexta-feira, Julho 06, 2007
Bufalhada
Há trinta anos que se não via semelhante ataque vindo do baixo-húmus! Terão os incêndios florestais dos passados anos escorraçado do podre mas quentinho e acolhedor antro da bufalhada os seus mais audazes espécimes? Ou será que todos os 3 000 000 exemplares da espécie "bufus lusitanus chibalhursus", julgada extinta em 74, aí estão, de olhinhos mínusculos e vermelhos, dentinhos amarelos e afiados, cheios de peste e de merda, à coca... à espera de Baltazar que os faça, como fez o outro, uma espécie de exército das trevas constituído por sub-humanos cuja única recompensa é a de poder atacar a luz e o bem (que nada quiseram com eles) e fazer vingar um mundo de medo e mediocridade em que eles se sintam como escaravelho no esterco?
Terça-feira, Julho 03, 2007
Quinta-feira, Junho 28, 2007
Primavera Eterna
Terça-feira, Maio 22, 2007
Mãos e Pés
Segunda-feira, Maio 07, 2007
Domingo, Maio 06, 2007
Mistério
Terça-feira, Maio 01, 2007
Os Reizinhos
Quinta-feira, Abril 26, 2007
Liberdade
Terça-feira, Abril 24, 2007
O Grande Líder Pinto da Costa
Se aos 25 anos que leva Pinto da Costa de presidência do FCP somarmos os 20 que já detinha como dirigente no clube, obtemos o bonito resultado de 45 anos de poder! Poucos homens se comparam ao entronizado Pinto da Costa. Apenas o Grande Português Salazar (1932-1968), o espanhol Franco (1939-1975), o mongol Choibalsan (1921-1952), Mobutu Sese Seko (1965-1997) e o inefável etíope Hailé Selassié "Ras Tafari" (1930-1936 e 1941-1974) se podem medir com Jorge Nuno. Mas para que se faça inteira justiça, nenhum desses nomes iguala em luminosidade o Líder do Norte. Com efeito, em minha opinião, só Kim Il-Sung (1948-1994) conseguiu atingir o nível de unanimidade e prestígio que o Poeta do Futebol e Grande Açambarcador de Títulos Pinto da Costa indiscutivelmente possui.
São notáveis as semelhanças entre Kim Il-Sung e Jorge Nuno Pinto da Costa.
Por tudo isso, deixa o Meia Livraria aqui uma sentida homenagem ao Presidente Iluminado do Futebol Clube do Porto e um alerta: Jorge Nuno! Cuidado com Fidel Castro e Omar Bongo do Gabão. Ainda estão no activo e têm algum avanço. Que Deus lhe dê muita saúde para esta corrida e... continuação!
Domingo, Abril 22, 2007
O Vidal e o Gonçalves
Nada de muito espantoso, pensará o leitor que, das duas uma, ou não conhece o Gonçalves, ou não conhece o Vidal. Aliás, estes dois senhores têm algo em comum: O Vidal não conhece o Gonçalves e o Gonçalves não conhece o Vidal.
Com efeito, um homem que lê o Equador de um fôlego... um homem cujas ideias se encostam à extrema direita salazarenta... nada tem que ver com Gore Vidal. Talvez tenha encontrado a frase num daqueles livros de citações e, como estava em inglês, pô-la no seu blogue. Deve ser isso. Não obstante... pobre Vidal!
Sábado, Abril 21, 2007
Reuniões
Segunda-feira, Abril 16, 2007
Público e Reforços
Domingo, Abril 15, 2007
Uma Questão de Tomates
Kasparov já na ramona. Imagem do site kasparov.ru. Sábado, Abril 14, 2007
Que Raio de Pergunta e que Boa Resposta!
Sexta-feira, Abril 13, 2007
Pedro Mexia
Ao nível das letras do David Fonseca, não? Mais valia, como disse Reininho, rimar Wyona com...
Quarta-feira, Abril 11, 2007
Importâncias
Terça-feira, Abril 10, 2007
O Curso de Sócrates
Deixem-se de pantominas e olhem lá para as maternidades e centros de saude que "eles" andam a encerrar! E para o custo dos remédios: as reformas do magro idoso vão inteirinhas para o bolso do anafado farmacêutico!

(E o resto é paisagem!)
Se querem ser engenheiros, estudem!
Domingo, Abril 08, 2007
Fórmula 1
O Alonso ganhou. O cenário da actual Fórmula 1 torna-se calamitoso para o nosso país. Expulso do circo o Tiago Monteiro, reformado o alemão Schumacher, resta como referência o bi-campeão Fernando Alonso... É certo que o rapaz é Asturiano, de Oviedo, mas ainda assim, espanhol. Não que este blogue tenha o que quer que seja contra Espanha ou espanhóis, mas porque, num país que tem Baltazar como homem mais notável, há que buscar afirmação no lugar do costume: no vizinho. O lugar comum é inevitável e, com o crescente abrutalhamento das nossas gentes, há que dizê-lo: ser português é não ser espanhol.
Esclarecido este ponto, a Fórmula 1, que encantou gerações de portugueses, deixa agora de ter qualquer espécie de interesse para a pátria do Senhor Professor António O. Baltazar. A minha geração dividia-se em senistas e prostistas, havia até manselistas e bergueristas, rendeu-se ao lenitivo consolo da força campeoníssima e irrefutável do alemão Schumacher. Riu-se ainda a minha geração com as divertidas incursões de Lamy e Matos Chaves pelo circo, sofreu com Monteiro e com a sua bonita pêra e inseparável boné e tudo para quê? Para olhar para um tipo chamado Alonso a ganhar aquilo ano após ano?
Ocorre-me agora a tremenda injustiça que caíu sobre os homens que deixaram que o GP de Portugal fugisse. Eles sabíam o que vinha a seguir. Portugal é, afinal de contas, pátria de visionários! Ou não fosse a pátria de Baltazar, dos irmãos Cavaco e do Guarda Abel!
Sábado, Abril 07, 2007
Curiosa e Brava Luta
Terça-feira, Abril 03, 2007
Paulo Bento
Caso o Sporting vença o campeonato penso que o lema do clube deverá ser adaptado para "Esforço, Dedicação, Devoção, Tranquilidade e Glória!"
Segunda-feira, Março 26, 2007
O Baltazar
Sexta-feira, Março 23, 2007
Ajuda
Quarta-feira, Março 21, 2007
O Boné
O que pensará essa malta? Será que gostam daquele ar de cabecinha redonda, do bico de pato, do aspecto com que o cabelinho gorduroso fica quando finalmente tiram o boné: colado ao crâneo!? Será por julgarem fino que entram, e ficam, em locais fechados com o estúpido boné enfiado? Inexplicável! Talvez lhes dê gozo... mas, sinceramente, preferia que tirassem os sapatos... ou que enfiassem o dedo no nariz.
Ainda mais cretino que o uso massivo do boné num país de eterna Primavera (que aproveito para saudar) é o que neles habitualmente se inscreve: SIC, Planta, Morangos com Açúcar, Floribela, Correio da Manhã... Anda um tipo pela rua com um boné a dizer SIC?? Floribela?
O cenário é digno do imaginário Disney... milhões de patos donais e de patetas!
Sexta-feira, Março 02, 2007
OPA Blindada, Berlindada, Belindada?
Imagino os meus concidadãos, vendo a televisão, preocupados com a OPA. Imagino-os, junto à máquina do café, falando de berlindagens e desbelindagens. "O gajo compra a PT se a OPRA estiver desberlindada!", parece-me ouvir o Correia dizer. O Lopes, que compra o "Jornal de Negócios " desde os tempos em que o "Diário Económico" era à borla, chilreia do alto do seu muito saber: "Não é a OPA que é desbelindada: são os ex-tatutos! É claro que o Belmiro não pode comprar uma firma com ex-tatutos belindados. Vê-se logo que não lês o JN. Só lês a Bola!"
A menina Arlete, que ouvira a conversa aos bocados, ainda comentou: "Eu adoro a OPRA, ela já passou por muita coisa na vida e é uma mulher que eu admiro!"
Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007
Zangas
Ou não?
Hoje temos uma nova vaga de zangas, divertidas, mais rápidas mas com o mesmo efeito aglutinador do "eu" português: falo do neurónio avariado de Pacheco e da doença mental de Mourinho. Falo também do ar zangado de Jesualdo e das duras reacções de Paulo Bento aos comentários de Peseiro. Falo da troca de ironias (ainda a temos!) entre Veiga e Pinto da Costa! Falo do livro de Carolina Salgado e das suas amizades com benfiquistas!
Não estamos agora muito melhor?
Domingo, Fevereiro 04, 2007
Extremos
Gosto de extremos... de quase todos eles. Menos dois: O Não e o Simão.
Domingo, Janeiro 21, 2007
Que Tal?
Para o quarto aniversário, fica prometido, coloco uns bonecos bem bonitos algures por aqui!
Terça-feira, Dezembro 26, 2006
Cintos nos Comboios e o Teatrinho do Féria
Aguardo com paciência o tempo, que não tardará, em que os passageiros do cacilheiro tenham de envergar coloridos coletes salva-vidas e galocha pelo joelho! O singelo peão terá de usar, sempre que saia de casa, o colete reflector e não apenas nas santas peregrinações a Fátima! Peregrinações que, por referendo, se tornarão compulsivas: assim o determinará a Santa Inquisição. Aos prevaricadores, ateus, biscaínhos e outros judeus, restar-lhes-á a correcção dos seus ínvios caminhos ou a purificadora e incandescente pira no Terreiro do Paço. Onde se juntarão às mulheres que façam o IVG! Findo o aroma a sardinha assada na falecida Feira Popular, venha o cheirinho a entrecosto na Baixa de Lisboa!
Em breve será La Féria o ministro da cultura e do entretenimento. Ou Berardo. Em breve se decretará ser cultura apenas o que é economicamente viável! Se Brecht tem cinquenta espectadores, se Féria enche casa atrás de casa, que conclusão se pode tirar? Evidentemente, Brecht vale menos que Féria! Ouçam o Rio do Porto e aprendam! Vejam o Féria no seu Politeama, confortavelmente sentados nas suaves cadeiras, com cinto de segurança, livres de fumo, seguros, quentinhos, com coletes reflectores, botas de segurança e bóias salva-vidas. Não vá o Tejo subir e inundar-lhes o teatrinho.
Domingo, Dezembro 17, 2006
Sábado, Dezembro 02, 2006
A Lei e Marques Mendes
Nada disto seria digno de nota... mas Marques Mendes avançou: é pena que a lei (que é tão boa) não seja cumprida! Esta é a opinião do líder do PSD! Destas inteligentes palavras conclui-se que Marques Mendes tenha pena de não ver as criminosas e ímpias mulheres que cometem o hediondo crime de interromper a sua gravidez atrás das grades! Tem pena que os médicos, enfermeiras e restantes cumplices não vejam agora o Sol aos quadradinhos! Tem talvez ainda mais pena de que brigadas pró-vida do puritano e muito nosso Portugal não invadam as sinistras clínicas de Badajoz e Madrid empunhando paus e atirando pedras! Tem muita pena, o nosso Marques Mendes.
Eu tenho muita pena também. Do nosso Marques Mendes. E, mais ainda, do nosso puritano Portugal. Que Deus nos ajude e guarde!
Segunda-feira, Outubro 30, 2006
A Bota Eterna
Hoje, se a conseguir ver, procurarei o elástico. Disso e doutras maravilhosas coisas vos darei conta em breve, caros leitores.
Terça-feira, Outubro 24, 2006
Sabedoria Desportiva
Eis uma pérola da imensa sabedoria deste vosso criado, que, sem qualquer modéstia, incita o leitor a visitar o Alverca-X (blog dedicado ao Xadrez).
Quarta-feira, Outubro 18, 2006
O Desafio da Bota
Terça-feira, Agosto 29, 2006
Quem Quer Ser Invisível?
No título faço uma pergunta a que tu, leitor, poderás tentar responder. Possivelmente viste os filmes ou, na melhor das hipóteses, leste os livros e convenceste-te que seria sobejamente proveitoso deitares as mãos ao anel número um, o da invisibilidade. Falo, claro está, do imaginário Tolkien.
Então, para quê ser invisível? Mesmo as mais evidentes vantagens têm, pelo menos, gosto duvidoso! Poderás levar a cabo pequenos furtos, é certo, com magros riscos corridos. É uma vantagem para alguns, mas não é chávena de chá ao gosto de todos (não te esqueças do estilo asssumido em epígrafe: é suposto usar algumas expressões anglo-saxónicas... por escrúpulo traduzo-as). Talvez um apalpão furtivo a uma nádega distraída, ou a um seio atrevidote, alvitrarás tu, lascivo leitor! Umas viagens à borla no intercidades será sugestão alternativa, menos carnal... Talvez alguém se lembrasse de entrar no cinema ou no teatro de graça... mas, sinceramente, poucas vantagens, para além das já citadas, me ocorrem.
Quanto a desvantagens, há-as a esmo e não são de desprezar: se um tipo se distrai, facilmente é colhido por um camião com as naturalmente nefastas consequências... imagina tu, leitor, que se solta a mão do resto do corpo do portador do anel no processo de esmagamento! Que dirão os transeuntes? Que dirão os bombeiros, de saco plástico em punho, em busca da mão do cadáver? Era maneta, concluirão ao cabo de algumas horas! E o que sucederá à mão que, ainda de anel no dedo, se manterá invisível? Apodrecerá, será comida por um cão que porventura a levará para casa mesmo nas barbas do dono... Os cães vão lá pelo cheiro e raramente são vistos a ler Tolkien!
Há ainda um aspecto social importante. Gastam as pessoas o seu salário em vistosas roupas, em adornos e atavios brilhantes com o fito único de a si chamar as atenções... e tudo para quê? Com o anel, tanto faz trazer fato de treino preto, verde e lilás (indumento vistoso e distinto) como um par de calças de boa fazenda e um pull-over aos losangos bem quentinho!
Segunda-feira, Agosto 28, 2006
Invisibilidades
Por apenas 60,00 € podes aquirir o anel da invisibilidade! O estojo é grátis!Introdução à "Blogue Intimista":
Há dezasseis ou dezassete anos atrás, quando li o "Hobbit" de Tolkien, estava eu de férias na praia com os meus pais, achei que o anel que o hobbit roubara ao bicharoco dava realmente muito jeito. Depois de ler esse livro fiquei, claro, viciado e não descansei enquanto não pus as mãos na triologia "Senhor dos Anéis" que li, acto contínuo, avidamente. Ao devorar essa grande aventura, algo de intrigante me assolou como se de um vento de Mordor se tratasse (lembro-me também de ouvir à data os infames "Running Wild", banda de heavy metal alemã, e a sua potente malha "Mordor"): para que raio se afadigou toda aquela gente em busca de um miserável anel cujo único poder era o de fazer invisível aos olhos dos mortais comuns o seu portador? Nem sequer o escondia do Senhor do Mal! Só dos anões, gnomos, homens e restante bicharada!
Já na altura me encontrava munido de sagaz espírito crítico, passando a minha habitual imodéstia, e achei tudo aquilo demasiado postiço. O aparato literário, muito visual, a criação de ambientes fabulosos e fortemente apelativos mais que compensava, não obstante, a notável fraqueza do argumento e a tibieza da mensagem. Em suma, Tolkien deu demasiada importância à invisibilidade, desequilibrando assim uma obra majestosa e de enorme beleza narrativa. Um portento da imaginação humana, não obstante, e o suporte para um imaginário imperecível de árvores que andam e elfos que são muito poderosos e belos quando lhes apetece.
Consultei para a primeira parte deste "Invisibilidades" a TPTS, a "Sociedade Tolkieniana das Filipinas" por a julgar fonte digna e à altura deste Meia Livraria.
(Em breve: "Quem quer ser invisível?")
Terça-feira, Agosto 22, 2006
Organização da Biblioteca e Cartas de Editoras
Também nessa coluna aparecerão as editoras que me enviaram e-mails com os seus catálogos! Como deves ter reparado, leitor, o endereço electrónico deste espaço é meialivraria@portugalmail.com e, por artes que desconheço, o mesmo foi descoberto pela sagaz gente que faz os livros. Sagaz e sagrada. Se eu pudesse, caríssimos editores, comprava todos os vossos livros. Uns guardava, outros não, claro. Talvez queimasse alguns, como nos bons velhos tempos!
Segunda-feira, Agosto 21, 2006
Exercício Radiofónico
Experimenta, leitor, o seguinte exercício: ao viajares no teu carro, em qualquer ponto do nosso país, tenta descobrir uma estação de rádio em que, no preciso momento em que empreendes este interessante exercício, se ouça a colombiana Shakira. Descobrirás, espantado, que em qualquer que seja a hora, o dia da semana ou a região do país que atravesses, não terás de testar mais que meia dúzia de postos! Tê-la-ás trinando "my hips don't lie!" e também tu, culto leitor, trautearás a doce melodia e gingarás as ancas, escudado na casca metálica que te oculta. Fica ainda sabendo, leitor, que, caso o desejes, podes viajar de Vila Real de Santo António a Caminha sempre acompanhado pela bomba colombiana! Non stop! Basta rodar o botão!
Domingo, Agosto 20, 2006
Técnicas de Atracção
Vou saber junto da equipa dos "Enresinados" se a técnica tem dado frutos! Vejam a lista dos seus "posts em destaque"! Brilhante! Nem as contas do défice lá faltam!
Quarta-feira, Agosto 16, 2006
Batota
A batota chegou ao nobre Jogo! Numa importante prova realizada nos Estados Unidos, houve quem ouvisse bem e usasse um auricular e, num quente dia de verão, vestisse uma pesada camisola. O árbitro, sagaz, pediu ao indivíduo que se deixasse revistar e ele... não deixou! Investigadas as suas partidas, descobriu-se que executou, numa delas, 25 lances que seriam exactamente os que um forte programa de computador jogaria se estivesse no seu lugar. Pelos vistos, estava!
Domingo, Julho 30, 2006
Caricaturas

Sábado, Julho 08, 2006
Até os Incêndios
Foi com pena que assisti a mais uma derrota, desta vez frente à dupla Alemanha e Japão, reedição de vetustas alianças (já não bastava a outra, menos habitaul: Uruguai e França!) e a mais uma injustiça: vi a cerimónia da entrega das medalhas até ao fim e esperava ver no corredor humano de festejos a face risonha de Petit, com medalha ao peito, e a pequenita mas simpática figura do árbitro japonês... mas nada! Só alemães! Que injustiça, meus senhores!
Domingo, Junho 18, 2006
Mundial de Futebol e Audiências
Infelizmente, não disponho de fotos do Cristiano Ronaldo em poses atrevidas, nem do Figo, nem sequer do guarda-redes Ricardo. Sei que esse tipo de imagem teria agora um sucesso brutal na tremenda guerra de audiências, quer televisivas, quer blogosféricas. Aliás, o casal Cristiano Ronaldo e Merche Romero ocupou no coração dos portugueses o lugar de Lili Caneças e José Castelo Branco, dupla de sonhos, vinda de um mundo de coisas bonitas, de um mundo cheio de "glamour" e de bom gosto! Quem não vibrou com a plástica da Lili? Quem não se riu a bom rir da última tropelia do Zé? Mas agora há que dar o lugar às jóias que Cristiano comprou à Merche e aos fabulosos truques que o mágico da Madeira faz nos relvados alemães!
Que bonitos truques, aliás, são os de Ronaldo! Apesar de totalmente inconsequentes, de nada valerem para o resultado da equipa, apesar de ser um jogador a menos, é ele o eleito dos corações da petizada consumidora de Morangos com Açúcar e das senhoras de todas as idades e feitios, encantadas com a carinha laroca e físico atlético do moço! Ainda por cima, é politicamente correcto afirmarem-se dele fãs, mesmo em frente ao marido ou namorado que, cúmplice, não se importava que a patroa o traísse, desde que fosse com a boa rapaziada da Selecção!
No fundo, Ronaldo resume num homem só os dois maiores ícones dos últimos cem anos em Portugal, superando-os: tem a carinha laroca de um Tóni Carreira e o físico de um Tarzan Taborda! Grande Cristiano! Ditosa a pátria que tais filhos tem!
Para finalizar, uma palavrinha de apreço para o Scolari, o homem mais importante de Portugal. Foi graças a ele que Roberto Leal ressuscitou, forte e sadio, imaculado, e, com ele, a esperança renovada numa nação de gloriosos homens que, lá fora, enchem de honra o nosso país! E, acima de tudo, lhe dão, a ele, a Portugal, bom nome! Obrigado Scolari por ter desenterrado Leal! Não esqueceu esse homem o belo serviço que Roberto fez à sua pátria lusitana popularizando no Brasil cantigas tão nossas como "Uma casa portuguesa" e deixando no país irmão uma tão boa impressão de todos nós!
Quinta-feira, Junho 15, 2006
Coletes e Logística Avançada
Os meus parcos conhecimentos de estatística permitiram-me, não obstante, calcular em cerca de meio milhão o número de almas encaixadas em coletes nesta estranha migração sazonal. O meu irrequieto e logístico espírito, sempre ávido pelo entender das coisas, apoquentava-me perguntando insistentemente: e onde fica esta gente aos serões? Caminharão sem parar, ad nausea, haverá oferta hoteleira que baste a este simpático exército à chinesa?
Encontrei a apaziguadora resposta nas minhas forçadas migrações, automobilizadas devo acrescentar, naquele canal cinzento escuro flanqueado pelas linhas verdes de que venho falando: a estrada nacional 1 entre Coimbra e Águeda. Cônscio da parca oferta hoteleira da região vi a luz em forma de carrinhas de 9 lugares, identificadas com papéis impressos ou escritos à mão com redonda caligrafia, onde se pode ler "Apoio a Peregrinos" e coisas quejandas. Pois é! Carregadinhas de sandes e sumos, essas sagradas carrinhas fazem da perigrinação uma espécie de lanche volante, aliviando o peregrino da pesada mochila com casqueiros e chouriçada! Nem o clássico e latiníssimo garrafão de vinho falta nesses abençoados veículos, porque esse tanto caminhar puxa pela pinga: verde tinto porque é Verão ou quase. E NSF não quererá as suas gentes sedentas e sem alegria!
Adivinho agora o resto da operação: munidos de um pau de giz ou de uma lata de tinta de marcação rodoviária, os motoristas em sagrada missão recolhem os seus 8 peregrinos (há que rentabilizar a viatura), escrupulosamente marcando no pavimento o exacto local em que as gentes em moderno auto-de-fé pararam de dar ao pedal, para usar uma engraçada expressão que também adivinho ser usada. Acto contínuo, lá rumarão os 9 em direcção à sua terra natal para regressar, no dia seguinte, ao ponto onde deixaram a santíssima caminhada.
Trata-se de um interessantíssimo exercício de investigação operacional determinar os consumos de gasóleo, os quilómetros percorridos pelas carrinhas, os pneus deixados nas massas betuminosas, os metros cúbicos de CO2 e quejandos gases maléficos largados para a pobre atmosfera! O autor terá, e disso suspeitava já o leitor, a veleidade de alvitrar uns números, em jeito de bitaite.
Assumindo uma distância entre as localidades de origem e o destino de 100 km e que os caminhantes percorram 20 km diários... e que andem no processo um número de carrinhas que se estima em 1/8 do número de peregrinos. Assuma-se que temos 200 000 almas em colete e teremos 25 000 carrinhas (ou viagens de carrinha, o que para o efeito tanto faz). No primeiro dia percorrerão 1 000 000 km (40 km cada), no segundo dia 2 000 000 km, no terceiro, 4 000 000 km e assim sucessivamente até ao quinto dia. Ter-se-á um total de 1 + 2 + 4 + 8 + 16 = 31 000 000 km percorridos. Vá lá que cada carrinha gaste 12 l aos 100 km... e temos 3 720 000 l de gasóleo queimado!
Quase tanto como o volume de cera derretida nos rituais!
Domingo, Maio 28, 2006
Fotos de Canalizadores!
Com isto conto assegurar a chegada às 100 000 visitas neste mês que agora finda!
27 May, Sat, 15:38:28 Google: abanito maria
27 May, Sat, 16:38:36 Google: Curiosidades sobre o Togo
27 May, Sat, 19:20:09 Google: imagens de Togo
27 May, Sat, 20:01:33 Google: cofragem deslizante
27 May, Sat, 20:28:43 Google: historia do galho de barcelos
27 May, Sat, 20:30:28 MSN Search: morra o bispo e morra o papa
27 May, Sat, 20:37:19 Google: curiosidades do togo
27 May, Sat, 20:42:03 Google: Curiosidades de togo
27 May, Sat, 20:43:17 Google Images: sporting clube portugal
27 May, Sat, 22:08:15 Google: duplas famosas
27 May, Sat, 22:51:48 Google: HISTORIA DE TOGO
27 May, Sat, 23:06:24 Google: Um monstro como topalov
27 May, Sat, 23:37:03 Google: Curiosidades de Togo
28 May, Sun, 00:21:20 Google: Curiosidades de togo
28 May, Sun, 00:28:17 Google: resumo do livro as aventuras de Robin Hood
28 May, Sun, 02:34:02 Google: livraria
28 May, Sun, 03:30:38 Google: curiosidades sobre togo
28 May, Sun, 03:32:20 Google: "HOMENS FRANCESES"
28 May, Sun, 10:50:57 Google: IMAGENS OU FOTOS DE CANALIZADORES
Terça-feira, Maio 23, 2006
Bagdad
Já viste isto, Josué? O mundo está perdido! É verdade, Alzira! Estes árabes são maus como tudo, concordou Josué. Ai se esta gente cá chega! Não hão-de chegar! (Josué disse "hadem", mas destruiria o inegável interesse literário do Meia Livraria)
A notícia passou e, com ela, a preocupação naquelas almas. Olha lá, Alzira, já falaste com a tua prima? Já: ela vai a pé desde Sebornelho até Leiria e daí de joelhos até Fátima. Deus queira que lhe saia o euromilhões, concluiu Alzira.
Terça-feira, Maio 16, 2006
MORRA O BISPO E MORRA O PAPA
MORRA O BISPO E MORRA O PAPA
(De "Visão Perpétua")
Morra o bispo e morra o papa.
maila sua clerezia.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
Morram frades, morram freiras.
maila sua virgaria.
Ai rosas de sangue e leite.
que só a terra bebia!
Morra o rei e morra o conde.
maila toda fidalgula.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
Morram meirinho e carrasco.
maila má judicaria.
Ai rosas de sangue e leite.
que só a terra bebia!
Morra quem compra e quem vende,
maila toda a usuraria.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
Morram pais e morram filhos.
maila toda filharia.
Ai rosas de sangue e leite.
que só a terra bebia!
Morram marido e mulher.
maila casamentaria.
Ai rosas de leite e sangue,
que só a terra bebia!
Morra amigo, morra amante.
mailo amor que se perdia.
Ai rosas de sangue e leite,
que só a terra bebia!
Morra tudo, minha gente.
vivam povo e rebeldia.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
(1964)
Sexta-feira, Maio 05, 2006
Bela Safra!
03 May, Wed, 20:23:07 Google: livraria em catu
03 May, Wed, 21:55:45 Google: Platano
03 May, Wed, 22:21:41 Google: "Por Terras de Sabugal"
03 May, Wed, 22:43:30 Google: togo e curiosidades
04 May, Thu, 00:10:25 Google: internel condominio
04 May, Thu, 00:58:03 Google: pedro boucherie mendes
04 May, Thu, 10:30:34 Google: Camus e o sentido da existência - filosofia 11º
04 May, Thu, 11:03:47 Google: malhadinhas
04 May, Thu, 15:12:06 Google: polux lisboa
04 May, Thu, 15:23:37 Google: galho de barcelos mito
04 May, Thu, 15:50:58 Google: curiosidades togo
04 May, Thu, 17:58:22 Google: fatima lopes leiria fucking
04 May, Thu, 19:14:44 Google: Manchester united e seus monumentos
04 May, Thu, 20:39:24 Google: meia livraria
04 May, Thu, 21:15:54 Google: conto o alma-grande de miguel torga análise
04 May, Thu, 21:19:05 Google: Meia
04 May, Thu, 22:44:43 Google: curiosidades sobre Togo
Esperando, ter, de alguma forma, ajudado, obrigado pela vossa visita e inabalável confiança na humilde mas firme sabedoria do Meia Livraria!
Domingo, Abril 30, 2006
Frases
Quarta-feira, Abril 26, 2006
Latinos
Um português, no entanto, sempre tem mais esmero que os espanhóis, que são ainda mais grosseiros que nós, e muito mais graça que os italianos, que não têm qualquer espécie de sentido de humor.
Afinal, ser português não é assim tão mau. Ainda que me lembre sempre de Almada Negreiros: "Eu nunca escolhi ser português..."
Terça-feira, Abril 25, 2006
Dia da Liberdade

Hoje é o dia da Liberdade!
Tal como registado por:
1.Perdido;
2.Abrigo de Pastora;
3.Abaixo de Cão;
4.Chez Maria;
5.Almocreve das Petas;
6.Banzai;
7.A Coluna Vertebral;
8.Fuga para a Vitória...
e tantos, tantos outros blogues que me vejo forçado a desistir da hercúlea tarefa de a todos listar aqui.
Pelo menos na blogosfera, o "25 de Abril Sempre!" ainda faz sentido.
Segunda-feira, Abril 24, 2006
A Escola e o Malhadinhas

Introdução ao Estudo de O Malhadinhas — 10º/11º Anos
De Fernando Ferreira e Júlio Macedo: Leiam "mas é" estes senhores...
Tenho então uma farta comitiva de estudantes em busca de recensões ao "Malhadinhas", cifrando eles, porventura, nas cibernéticas inquirições a esperança de fazer a cadeira sem ler o livro. Alerto-os, no entanto, para a insuficiência desses esforços, recomendando a leitura da obra de Aquilino Ribeiro ou, esteja a vossa alma defesa a tal empresa, a continuação da demanda: O texto que aqui se encontra é inacadémico em sumo grado e não será seguramente ao gosto da vossa stôra. De qualquer forma, apareçam sempre!
Sábado, Abril 15, 2006
Sismo
Sexta-feira, Abril 14, 2006
A Páscoa
Sendo certo que esse tema é pedra basilar deste espaço, há muito que por cá não aparecia. O leitor perguntar-se-ia, intrigado: Será que o Cláudio ficou sem carta? Descanse o leitor, sempre ávido de histórias da A1, que ainda tenho a carta de condução, pesem embora duas contra-ordenações graves por excesso de velocidade, que exibo com orgulho parolo a quem quer que comigo fale de multas e polícias e brigadas e coisas quejandas.
Ombreando com o futebol, o tema "Estrada" é o tipo de conversa que desbloqueia os habitualmente entupidos canais de comunicação verbal entre os homens. "Então o nosso Sporting?" pergunta um. "Uma desgraça!" responde outro. "Não falemos disso então... Olha, sabes que há bocado, ali no nó da A13, estava um gajo encostado à berma! Os tipos da brigada vinham num BMW azul escuro carrinha!". E a conversa segue, trocando-se avistamentos de Audis pretos e radares ocultos em arbustos e rotundas sempre com a guarda à coca de balão em punho. "Quando um gajo bebe uns copos, o melhor é ir pelos cabos de Ávila..."
Não me esqueci do que ia a dizer sobre a mítica A1! Cá vai:
Ontem ao final do dia, ao rumar a Sul vindo de Coimbra, vi a Páscoa. Uma imensa lingua amarela, com centenas de quilómetros de comprimento. Dos pontos altos, vi-a claramente, longa e serpenteante, iluminando a noite que é sempre escura na A1! A língua movia-se silenciosamente levando os que fazem a vida ateia por terras de Lisboa e arrabaldes para a terra que se diz santa e onde a cruz aguarda, nas mãos do padre ou seminarista, pelos lábios, pintados uns, à sombra de bigodes outros, das nossas gentes. E essa língua longa, que se esconde por trás dos lábios que beijam a cruz, é, meus amigos, a Páscoa. É a morte de Cristo que veio para nos salvar.
Terça-feira, Abril 11, 2006
A Peste (Parte I)
PARTE I
Nas primeiras linhas do texto, o autor, escrevendo no tempo presente, introduz a cidade onde se passa o caso que se conta, Orão na Argélia, e explica ao leitor como vai ser contada a história, apresentando a principal personagem, o médico Rieux. Originalmente, apelida-o de narrador e de historiador, acrescentando que, tal como os outros historiadores, este tem as suas fontes que necessariamente o suportarão na tarefa.
Já aos olhos deste narrador, surge o primeiro acontecimento insólito, a morte dos ratos, pressagiando o que aí viria e que o título da obra denuncia: A Peste. É, aliás, assim que termina a primeira parte da obra, com a declaração oficial do estado de peste em Orão. Isso após o surgimento dos primeiros casos em seres humanos e da rápida progressão dessas ocorrências. Na acção toma intensa e relevante parte o narrador Rieux que nos dá a sua visão e alguns juízos de valor, aqui se distanciando do papel “típico” de historiador, assumindo, ao fazê-lo, uma postura de Oliveira Martins que, suspeito, seria totalmente desconhecido para Camus.
Na primeira leitura que fiz do livro, em 1995, não tinha lido ainda “O Estrangeiro” (que li, salvo erro, imediatamente a seguir) e deixei escapar a primeira intertextualidade que detectei nesta segunda, a saber, a referência (na página 68 da minha edição “Livros do Brasil”) a um caso que fazia “barulho” em Argel: O assassinato de um árabe cometido por um jovem empregado de comércio. Sabe quem leu O Estrangeiro que essa é a face visível da obra, pelo menos de Orão. Esse assunto foi comentado por uma empregada da tabacaria, quando por lá passou Grand, um tipo estereotipado, ao jeito das personagens de Kafka: o conhecido amanuense ou mangas-de-alpaca. Com esse Grand, fez Camus trocadilhos à pata galharda, infelizmente perdidos na tradução portuguesa mas adivinháveis no original.
É Kafka quem aparece na segunda intertextualidade que encontrei: Cottard, um tipo suspicaz a quem Grand tirou da forca, lia num restaurante fino da cidade “O Processo”, facilmente identificável pelo enredo resumido com que Cottard explicou a obra a Rieux. Também essa intertextualidade me passou despercebida na leitura de 1995. Assim é a juventude!

Triunfo da Morte (1562), de Peter Bruegel.
Segunda-feira, Abril 10, 2006
Dúvidas e Certezas
Quase todos vós, os que visitam o Meia Livraria, me conhecem pessoalmente e fazem-no (conhecer-me) melhor que eu próprio. Lá saberão porque cá estão. Curiosidade, estima, amor, amizade, o que quer que seja, trá-los cá. Esta é a segunda certeza. Gosto de os ter cá, claro, mas isso é apenas um facto. Como e porquê prosseguir? Pouparia tempo aos que me querem se não mantivesse o Meia Livraria? Terceira dúvida.
Mantendo a atitude dos últimos dois anos perderei a presença dos intelectuais, grupo a que não pertenço; dos sábios do futebol, onde, também me não incluo; dos que fazem da blogosfera um espaço de troca de banalidades de café, onde, já adivinharam, também não me incluo; daqueles que se interessam pelo que ganham os juízes e deputados, eu, confesso, não quero saber; daqueles que têm vidas tão interessantes que se sentem na obrigação de as partilhar com o mundo, não é também o meu caso; dos que escrevem poesia como Pessanha e não querem esperar pela editora, de Pessanha nada tenho... Qual é o meu lugar? Para que raio escrevo eu? Quarta dúvida.
Faz-me, no entanto, falta este espaço. Mesmo escrevendo "post" atrás de "post" sem qualquer comentário... Está lá, à minha espera, fiel e calmo. É uma rede que o meu peso não rompe. Terceira e última certeza. 4-3. Perderam as certezas.
Domingo, Abril 09, 2006
Alguém Sabe?
Sábado, Abril 08, 2006
Ainda Aquilino: Andam Faunos Pelos Bosques

Fauno, aguarela de João Bugalho.
Em "Andam Faunos pelos Bosques" deu-nos Aquilino uma obra erudita, polvilhada com sabedoria clássica, com reflexões ancestrais, nunca concluídas, sempre por resolver. Fala-nos do belo e do divino e, veladamente, de eugenia até. Mas também nos fala da relação entre o homem e o desconhecido, campo verde onde pastam as ovelhas da fé e onde, ao contrário do habitual, pastam também pastores.
Retrata magistralmente um conjunto de sacerdotes da douta igreja, sacudindo-os e analisando-lhes as vidas e a fé. São eles, os padres, que carregam o peso da narrativa. É através deles que Aquilino nos conta a história, passada nas serras da Beira e parcialmente na cidade de Viseu, de um conjunto de estranhas ocorrências.
Micas Olaia, chorosa camponesa, chegou à aldeia relatando o que lhe acontecera: fora desmoçada por alguém, ou algo, que irresistivelmente dela fez mulher. Não lhe batera, não a confinara, não a forçara. Antes a subjugara de forma inexplicável, nada conseguindo o vigilante Eu da pobre menina contra o outro Eu, aquele que, sempre escondido, determina acções e vidas. O caso seria banal não fora a profusão de quejandos episódios nas redondezas, em tempos próximos. A coisa evoluía e a misteriosa criatura deixou o seu rasto imoral pelas pedregosas veigas da serra.
A todos foi tocando o conjunto insólito de eventos. Organizaram-se montarias, acções concertadas entre os valentes aldeões e os sacerdotes, muito se rezou e muita batida pelos ermos se fez. Para nada encontrar ou evitar. Os acontecimentos repetiam-se escolhendo sempre as mais belas moças para vítimas. Todas sucumbiram entre a sensual, irresistível e telúrica força. Às feias, às desengraçadas, a essas só Deus queria.
Numa das montarias organizadas para dar caça à criatura, se apresenta Jirigodes, homem na meia e experiente idade, retornado em glória das Africas que, senhor de grandes qualidades másculas, se encarregou de liderar a operação. Jirigodes estava enamorado por uma belíssima catraia, cheia de sensuais visões da fé, que se decidiu entregar em sacrifício às garras da criatura, após insistente chamamento divino, em sonhos, de que deu conta ao pároco local. Assim o fez uma noite, num dos fortíssimos momentos desta obra, saindo de sua casa em sagrada e sensual missão. Regressada do sacrifício veio mudada: Chegara à Terra o Inefável, que viria plantar a sua semente pura nos ventres das mais belas mulheres. A humanidade apodrecida e desviada, decadente, cheia de aleijões e mostrengos, seria varrida pela onda que se iniciara agora, enchendo-a de beleza.
O tal Jirigodes, homem de grande orgulho e vaidade, não se deixa convencer e vai para a serra, esperar o causador de tamanha afronta. Leva Barnabé, o maluquinho, que se torna na segunda estrela de um dos mais brilhantes firmamentos da nossa literatura: A espera de Jirigodes. Sabe o leitor o desfecho do episódio pelas conversas dos padres que se reunirão, na última parte do livro, em Viseu. Aparece então a teoria clássica que ressuscita a imagem do fauno. Aparece depois a católica teoria demoníaca. O duelo entre as duas "escolas", defendidas cada qual por um punhado de padres, acaba saldado por uma intervenção de um outro padre num discurso absolutamente formidável que constitui uma das mais claras e racionais definições de fé.
É neste último ponto que a obra descola do simples romance para alturas estratosféricas, de ar rarefeito e propícias a toda a sorte de vertigens: a falta de oxigénio e a distância ao solo esmagarão o mais sólido dos leitores.
Quarta-feira, Abril 05, 2006
Provérbios Modernos
2.O polícia nunca põe o radar em subidas.
3.Nunca confies num parquímetro avariado. Pode ter sido o tipo da EMEL a inutilizá-lo temporariamente, para te entalar.
Terça-feira, Abril 04, 2006
A Primeira Pedra
Foi o que apeteceu fazer agora: "cagar umas postas de pescada"!
Quarta-feira, Março 29, 2006
Perseguindo Aquilino: O Malhadinhas
Há um grande debate moral em toda a história. Talvez seja esta a mensagem da obra, a relativização dos conceitos morais e civilizacionais: o gesto bárbaro que, circunstancialmente se torna aceitável (lembro-me da violação daquela que viria a ser a mulher de Malhadinhas), em passos que trazem o cunho da verosimilhança. Excepção feita talvez ao exemplo que deixei entre parentesis: pelo que Aquilino deu da mulher de Malhadinhas antes do episódio do rapto, nada indicaria a conformação da mesma, registada no subsequente enredo, nem, muito menos, o amor que, pelo dado posteriormente, seria de solidez granítica.
Talvez resida aí, nessa excepção, uma intenção do autor em mostrar a vanidade dos conceitos românticos e lamechas: pode ser uma reflexão sobre a ligação entre o idealizado e o real, que por vezes trocam de papéis. Nem sempre é o real caminho para o ideal, transmutar-se-á amiude o que sucede, o real, em pré-sonhado. Assim se convencerão as almas trocadas, assim se acomodarão, naquele movimento eterno da alma humana, entre o sonho e o real, entre o real e o sonho. Talvez seja este episódio o mais significativo da obra, o tema fulcral.
É da Vida que trata a obra, mas dizê-lo é nada dizer. Dos pormenores, das subjectividades, dos valores, da resistência ao determinismo, de tudo isso, em partes distintas, pulsa o texto. A honra será pedra basilar da alma de Malhadinhas, mas a sua concepção do divino, pagã como a terra que é Portugal, fervorosa e beata também, manifesta-se com vulto. O padre, figura omnipresente neste Portugal, amigo de Malhadinhas, o casamento, tudo se espalma pelas páginas soberbas.
Mas resuma-se a acção. Malhadinhas nasce na aldeia do distrito de Viseu, com poucas ou nenhumas letras se faz almocreve. Nos caminhos e com os amigos que são muitos, aprende a lidar com a navalha e com o pau. Avança pelo tempo, e, entre voltas a Aveiro, joga ao pau com um brutamontes, encantando uma cachopa que, por amor a outra, prima direita ajuramentada, deixa ficar com o coraçãozinho em brasa.
Pouco depois, desconfiado da quebra de resistência da prima prometida, acossada pelos ataques de um abade novo e galã, embarca numa brutal aventura, raptando a renitente prima, fugindo a macho pelos campos, em busca do padre amigo que os casaria. Pelo caminho, viola a chorosa moça, marcando-a e isso mesmo revelando ao tio, que dela era pai, ao abade e à chusma que os perseguia assim que encurralado. Por artes de tiro e de manha, galopa até ao cura que lá os casou. E, reza o resto da história, viveram felizes para sempre.
Lá continuou Malhadinhas a sua vida de almocreve violento até que, pelas alminhas lhe pediu a mulher que deixasse a navalha e o pau em paz e que se fizesse homem sério. Já pai do primeiro de dezanove filhos, que era uma menina, penso eu, o homem bravo lá acedeu. Posto à prova por várias vezes, lá se foi amanhando, combatendo entre a jura e a honra, sempre se safando airosamente. Grande Malhadinhas!
Não podiam faltar as grandes amizades e também aqui, por entre aventuras heróicas se deu e recebeu no altar da fraternidade. Sempre crente e justo, sempre honrado e duro, sempre o Malhadinhas. A brutalidade inicial perdeu o seu fulgor com o avanço nas páginas sem nunca desaparecer por completo. Teve ainda fôlego para justiçar uma neta acossada, substituindo o relapso filho no papel de castigador: limpou o sarampo ao sacripanta.
Lidou com histórias de cornos, educou homens que deixavam as calças à porta, levando um tipo a sovar a mulher que, por isso mesmo, o passou a respeitar. Moralizou à sua maneira, envangelizando no são e puro a labregada.
Corajoso até à morte, às portas da qual, não fora a sageza da mulher e, mesmo aí, lhe rebentaria os miolos com uma espingarda para que dela não se gozasse ninguém após a sua ida. Monstruoso no fim como no princípio. Não o quis a sorte porque não morreu após o episódio, para durar mais uns anos em sossego.
No fundo, Aquilino criou um animal selvagem que tentou segurar durante o texto, num genial exercício literário: Soltou a besta Malhadinhas nas primeiras linhas do texto e foi, a custo, segurando-a dentro dos limites aceitáveis nisto do viver dos bons homens, sem a manietar ou fragilizar. Manteve o demónio saltitante e a golpes de asa auto-impostos, conseguiu o mestre contar a história até ao fim, sem solavancos nem buracos na estrada. E fazê-lo está ao alcance de um limitadíssimo grupo de corpos celestes. Onde pontua Aquilino, cintilante, ao lado deste seu Malhadinhas: Afinal de contas, um bom diabo.
Domingo, Março 19, 2006
Aquilino Ribeiro
1885 - Nasce no Carregal (concelho de Sernancelhe) em 13 de Setembro. É baptizado na Igreja Matriz dos Alhais (Concelho de Vila Nova de Paiva).
(Nota: Sendo filho de padre... foi a baptizar longe da paróquia própria.)
1895 - Frequenta o Colégio da Lapa. Faz exame de instrução primária.
1900 - Entra no Colégio Roseira, de Lamego. Estuda Filosofia em Viseu. Entra depois no Seminário de Beja.
1903 - Abandona o Seminário de Beja e fixa-se em Lisboa.
1904 - Regressa a Soutosa.
1906 - Vai para Lisboa. Convive com os meios literários e revolucionários e colabora em jornais.
1907 - É preso e acusado de bombista.
1908 - Evade-se da prisão e foge para Paris.
1910 - Estuda na Faculdade de Letras da Sorbonne. Vem a Portugal e regressa a Paris, onde conhecera Grete Tiedemann.
1912 - Reside alguns meses na Alemanha.
1913 - Casa com Grete Tiedemann e regressa a Paris. Publica o primeiro livro Jardim das Tormentas.
1914 - Nasce o primeiro filho Aníbal. Declarada a guerra Aquilino regressa a Portugal, sem ter terminado a licenciatura.
1915 - É colocado como professor no Liceu Camões.
1918 - Publica A Via Sinuosa.
1919 - Entra para a Biblioteca Nacional, a convite de Raul Proença. Convive com o chamado grupo da Biblioteca onde pontificam Jaime Cortesão e Raul Proença.
Publica Terras do Demo.
1921 - Integra a direcção da revista “Seara Nova”.
1922 - Publica O Malhadinhas integrado no livro Estrada de Santiago.
1927 - Entra na revolta de 7 de Fevereiro, em Lisboa. Exila-se em Paris. No fim do ano regressa a Portugal, clandestinamente. Morre a primeira mulher.
1928 - Entra na revolta de Pinhel. Encarcerado no presídio de Fontelo (Viseu), evade-se e volta a Paris.
1929 - Casa com D. Jerónima Dantas Machado, filha de Bernardino Machado.
Em Lisboa é julgado à revelia em Tribunal Militar, e condenado.
1930 - Nasce-lhe o segundo filho, Aquilino Ribeiro Machado.
1931 - Vai viver para a Galiza.
1932 - Volta a Portugal clandestinamente.
1933 - Recebe o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências de Lisboa, pelo seu livro As Três Mulheres de Sansão.
1935 - É eleito sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.
1946 - Publica Aldeia. Terra, Gente e Bichos.
1951 - Publica Geografia Sentimental.
1952 - Faz uma viagem ao Brasil onde é homenageado por escritores e artistas, na Academia Brasileira.
1957 - Publica A Casa Grande de Romarigães.
1958 - Publica Quando os Lobos Uivam. É nomeado sócio efectivo da Academia das Ciências.
1960 - É proposto para o Prémio Nobel da Literatura.
1961 - Vai a Londres e Paris.
1962 - Nasce-lhe a primeira neta, Mariana, a quem dedica O Livro da Marianinha.
1963 - É homenageado em várias cidades do país por ocasião dos cinquenta anos de vida literária. Morre no dia 27 de Maio. Nessa mesma hora, a Censura comunicava aos jornais não ser mais permitido falar das homenagens que lhe estavam a ser prestadas.
1972 - É publicado o livro de memórias Um Escritor Confessa-se.
Quinta-feira, Março 09, 2006
O Cavalheiro
Assim advertido, o cavalheiro esboçou um sorriso e, ao ver as costas do empregado, provou uma pequena rodela do sumarento fruto. Amarguíssima, concluíu o cavalheiro que pegou sorrateiramente no pacote de açúcar e o espalhou com destreza sobre os discos de laranja.
Concluída a operação, ocultou o pacote vazio e, chamando de novo o empregado, pediu-lhe café. Chegada a chávena de café, que o cavalheiro bebeu sem açúcar, trocou os pacotes, pondo o vazio no pires do café e o cheio junto ao prato da laranja. Pedida a conta, comentou com o empregado: "Era, de facto, dulcíssima, esta laranja!"
Satisfeito, o cavalheiro despediu-se do empregado, que lhe retribuíu o gesto cortês.
Segunda-feira, Março 06, 2006
Procura-se
Graças ao serviço prestado pela "eXTReMe Tracking" descobri que vem rapaziada ao Meia Livraria em busca de:
1. mapa almada velha rua afonso galo
2. livraria natal
3. nuno gomes fumador
4. vasco lourinho
5. efeito laranja nicolau breyner
6. "revista gina"
7. familia Solnado
8. pasteis Mangualde
9. a emigração após o 25 de abril até às decadas de 80
10. polux lisboa baixa
11. toni carreira data nascimento
12. EMBALSAMAR
13. marques dos leitões
14. judeus Angola Granada
15. GREVE DE 1907
16. polux loja
17. jacques brel amsterdam
18. toques para telemovel de morangos com açucar
19. carnaval da malveira da serra
Os meus favoritos são o 18, 19, 11 e, talvez o mais brilhante, o 3. Espero que os leitores que aqui buscaram respostas a estas questões as tenham encontrado neste humilde espaço! Sinto-me honrado por merecer a vossa confiança!
Domingo, Março 05, 2006
Teoria Política Avançada

Richard Greene foi o verdadeiro Robin Hood! Um autêntico Homem de Esquerda.
Sábado, Março 04, 2006
"Manifiesto por la Lectura"
En el sistema educativo, los alumnos que sean malos lectores tendrán dificultades para seguir las asignaturas, y no sólo las humanísticas. El enunciado de un problema de Física, la exposición de un teorema matemático, la descripción de un proceso biológico: todo es texto, texto que exige decodificación, comprensión, asimilación; en una palabra: lectura.
La escritura, en toda su complejidad (ortografía, construcción, puntuación, ...), tiene la mitad del camino recorrido en los alumnos lectores, que habrán absorbido naturalmente en el contacto con los textos los principios que habrán de guiar su producción escrita. La misma expresión oral, que en sus pausas y entonación debe transmitir la estructura del pensamiento, tiene en los buenos lectores una base eficaz: el texto bien leído es el trampolín de la palabra.
Forjar la habilidad de lectura en los ciudadanos del mañana es una responsabilidad compartida entre las familias y el sistema educativo, y de este último allá donde las familias no puedan llegar. Es en la escuela donde los más jóvenes van a tener que forjar sus habilidades lectoras, y los que salgan de ella sin haber adquirido un buen dominio de la lectura arrastrarán esa deficiencia el resto de su vida.
Saber leer bien implica en el adulto no sólo poder disfrutar una obra literaria (como de forma reduccionista suele pensarse) sino también --o sobre todo-- saber extraer la información de la prensa, de un contrato, de un texto técnico, de un manual... Una sociedad que exige de sus miembros la “formación a lo largo de la vida” no puede ignorar cuál es la vía privilegiada por la que van a llegar los conocimientos a sus ciudadanos...
Las tecnologías actuales han vuelto a situar la escritura en el centro de la comunicación: no sólo para la creación y el contacto entre personas (la pluma como “lengua del alma” en Cervantes), sino también para trabajar y colaborar en la distancia. De nuevo, los adultos lectores tendrán una clara ventaja.
Los últimos años han visto un esfuerzo sin precedentes para la democratización de la cultura a través de la Red: ¿tendremos las mejores bibliotecas del mundo a un clic de distancia y los ciudadanos no podrán acceder a ese tesoro?
Queremos escuelas que preparen a los ciudadanos del mañana através de la lectura.
Queremos escuelas donde se aprenda a leer textos de todo tipo: literarios, científicos y técnicos.
Queremos escuelas donde la lectura en voz alta prepare a los alumnos para tomar la palabra como ciudadanos.
Queremos escuelas que suministren en sus bibliotecas los elementos básicos para que todos los alumnos, con independencia de su situación familiar, puedan tomar contacto con los libros.
Amamos la lectura porque creemos, con Emilio Lledó, que “somos palabra, somos lenguaje”, y seremos ciudadanos incompletos si no dominamos la práctica que alimenta nuestra palabra interior y la despliega en el mundo.
Madrid, 30 de noviembre de 2005
(Asociación Nacional de Editores de Libros y Material de Enseñanza)
Terça-feira, Fevereiro 28, 2006
O Carnaval e a Graça de Deus
Com a crescente comunidade brasileira em Portugal, nasce um novo fenómeno: A incansável paródia nos apartamentos onde vivem! A inesgotável energia tropical, ao som de Daniela Mercury e Netinho! Eu, com a Graça de Deus, vivo num prédio que não tem brasileiros! Pude assim deixar passar, suave como água rápida em rio manso, a extraordinária Felicidade que o Carnaval traz.
Terça-feira, Fevereiro 21, 2006
O Capablanca e os Blogues
O Tempo não lhe deu razão. Empata-se hoje menos que nos anos 30, o Xadrez é mais vivo e combativo. Nem os computadores, que seriam o novo canto do cisne do milenar Jogo, fizeram mossa que se visse no Xadrez.
Por isso sinto-me desconfiado sempre que julgo estarem os blogues condenados à mediocridade e desaparecimento. Lembro-me sempre do Capablanca. Nestas, e noutras, ocasiões.
Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006
Ainda o Pina
Outros há ainda que versam o comum, em que os autores partilham a sua visão da coisa pública, dos eventos nacionais e internacionais, com maior ou menor habilidade e aptidão. Há-os bons e maus, também aqui. Pina não teve a sorte de os ler.
Há ainda os outros, que falam de música e de livros, de teatro e de cinema, de arte e cultura em geral. Talvez sejam estes os blogues técnicos a que Pina se refere.
Um outro grande grupo de blogues é aquele que contém a vatalhada: Uns coligem poemas de gente conhecida, em português, inglês ou francês. Raros são os que reproduzem poesia em alemão ou russo. Nesse grupo vive ainda um grupo sinistro de versejadores, com rima emparelhada ou cruzada, quadristas ao gosto popular, que expressam em verso a sua visão da bela e nobre arte da poesia, munidos de boa vontade, mas enfermando de grave falta do mais elementar bom gosto. Entre os blogo-poetas outros há que abordam o verso livre e a nova poesia com vetusta pós-modernice, trilhando os ultrapassados caminhos da violação do cânone, pensando ser nova a sua audácia, mas que cheira, nos melhores casos, a naftalina. No entanto, é o inconfundível cheiro a mofo que, na maior parte das vezes, perfuma a sua poesia.
Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006
O Pina
Num tom jocoso, definiu o bloguista como alguém que conta aos outros que comeu uma sopinha muito saborosa no restaurante tal, que partilha com a blogosfera a dor de cabeça que o apoquentou na noite anterior, etc. Os exemplos que deu não foram estes, foram outros, mas a ideia é esta. Falou ainda dos blogues técnicos, como o dele (que não conheço), algo que se situa próximo da figura maior da "internet", o "site".
Concordo parcialmente com o Pina. Há por aí muito blogue virado para o umbigo, de gente que julga a sua vida particularmente interessante para a humanidade. Concordo até com o tom jocoso de Pina ao referir-se a essa malta que enferma, seguramente, de disfunções na capacidade de auto-posicionamento e que, por ignorância ou deformação do Eu, se considera suficientemente peculiar para que publique a sua vidinha na blogosfera.
Esse é, aliás, o conceito primeiro do blogue: Uma espécie de diário partilhado. Mas, não raro, evoluem as coisas para além do conceito inicial.
Sexta-feira, Fevereiro 10, 2006
Terça-feira, Janeiro 24, 2006
Alegre PRD
Domingo, Janeiro 22, 2006
Comemoração
Quinta-feira, Janeiro 19, 2006
O Regresso
Então porque raio sonhamos todos com o regresso do Marquês de Pombal? E, porque raio nos congratulamos, povo sério e pesado, com o seu anunciado regresso já no próximo domingo?

É para isto que o queremos de volta?
Sábado, Janeiro 14, 2006
Barreiros, Lagartos e Fragateiros
O Lagarto tem a mania que é intelectual, terá pensado Isabel Pires de Lima, o Quim Barreiros é muito caro, talvez nem os 6000 euros lhe chegassem, e há aquele rapaz, o Fragateiro, que é baratucho, trabalha pelo mesmo que Ricardo Pais, e é homem para encher a casa! Afinal de contas, o que importa é isso mesmo: apoiar a dramaturgia nacional e encher os cofres do estado! Ainda hoje Isabel Pires de Lima se interroga: Por que raio estão esses artistas tão revoltados?
Zita sugeriu Barreiros. Ninguém se lembra do La Féria?
"Será que ninguém me compreende?"
Sexta-feira, Janeiro 06, 2006
Pérolas
Agradecido, Loureiro ofereceu-lhe 2% dos eleitores portugueses.
Obrigado Loureiro e obrigado Soares!
Terça-feira, Janeiro 03, 2006
Os Galardões do Almocreve
Equaciono agora a hipótese de criar aqui um "top" de blogues. Nele exluirei, evidentemente, o Meia Livraria, e, magnânimo como sempre, incluirei em lugar de destaque o Almocreve das Petas!

Assim se sentem os excluídos! (Roubado ao próprio Almocreve)
Segunda-feira, Janeiro 02, 2006
Bom 2006!
Sábado, Dezembro 31, 2005
Deixar de Fumar
Como posso deixar (novamente) de fumar?
Pacientemente, aguardo pelo fecho da casa dos frangos para firmar a dura decisão.
Claro.
Sexta-feira, Dezembro 30, 2005
Escritores
Não é fácil entender a teoria literária e o anterior parágrafo é disso prova cabal.
Quarta-feira, Dezembro 28, 2005
Boas e Más Notícias
Saíram as gentes à rua? Dançaram embriagadas nas praças das nossas cidades? Cantaram e pularam? Que fizeram as nossas gentes, tão assustadas no Verão com a Seca, para comemorar os dias de fartura que aí vêm? Quantas velas foram acesas em honra de NS Fátima? Sacrificou-se algum porco, matou-se algum boi? Fizeram-se libações? Não.
Viu-se um pouco de novela, falou-se de futebol, acompanhou-se a "primeira companhia" da TVI, vibrou-se com as vidas das celebridades portuguesas e estrangeiras, comentou-se o nascimento de Leonor, infanta de Espanha, chorou-se e riu-se com as tropelias da nossa juventude nos "Morangos com Açúcar". Comeu-se, bebeu-se, fizeram-se as necessidades básicas da condição humana (para os leitores do 24 horas traduzo: cagou-se e mijou-se).
Pode-se então chegar à triste conclusão: O nosso povo é viciado em desgraça e tristeza. Alimenta-se de fado. Triste, vulgar e feio fado. Seriam más se fossem notícias. Mas não são. É coisa velha.
Quinta-feira, Dezembro 22, 2005
Natais de um Blogue Ateu
Quarta-feira, Dezembro 21, 2005
Toques de Telemóvel
Estivesse o Ribeiro e Castro naquele supermercado e ter-se-ia mandado imediatamente para o chão gritando: "Fujam! Vai explodir! É um atentado terrorista!"
"São eles! Os comunas! Fujam!"
Segunda-feira, Dezembro 19, 2005
Encantos
Águas do rio correndo
Poentes morrendo
P'ras bandas do mar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

O Encantador Zeca Afonso
Sábado, Dezembro 17, 2005
O Rapto do Menino Jesus
Entretanto, os populares, culpando os protestantes anglo-saxónicos, retaliaram de imediato: por diversas varandas da cidade de Portalegre podem ser avistados diversos bonecos representando o Pai Natal pendurados. Um espectáculo sinistro, repetido agora um pouco por todo o país. Esperemos que os nossos aliados ingleses nos perdoem pela ofensa e não nos arrestem a armada nem nos bloqueiem o porto de Xabregas.
Sexta-feira, Dezembro 16, 2005
O Bin Laden é um Malvado
E assim se apresentou no Aeroporto Amílcar Cabral na ilha do Sal, munido de bagagem e de meia dúzia de lagostas. Ao fazer o "check in" teve um dissabor: "As bagagens vão mas as lagostas ficam!", disse-lhe o funcionário do Aeroporto. Desanimado, Josué perguntou porquê para ouvir: "Desde que o Bin Laden rebentou as torres na América, não se pode transportar marisco nos aviões!"
O funcionário do Aeroporto olhou para a geleira, olhou para o avião que levava Josué para Portugal, já longe, e ficou indeciso. Será que a família conseguiria comer mais lagostas? Na dúvida, levou-as. Na pior das hipóteses dava-as ao porco.
Segunda-feira, Dezembro 12, 2005
Anjolas!
Domingo, Dezembro 11, 2005
Pólux
1)Localiza-se numa das mais belas áreas da cidade de Lisboa e, provavelmente, do Mundo inteiro.
2)Não tem site na internet.
3)Não sendo a maior das superfíces comerciais, é a mais alta que conheço: tem 9 pisos.
4)Decorre de 3) que possui, no ultimo piso, uma admirável vista sobre o descrito em 1) ao que se soma no corrente ano o não insignificante bónus da vista sobre a árvore de Natal da Opus Dei.
5)Existem na Pólux almofadas de todas as formas e feitios.
6)Na Pólux rejuvenesce-se 30 anos, pelo menos. Visitá-la é enriquecedor. Visitar o Colombo cretiniza.
7)Faz-se exercício ao subir os 9 lanços de escadas.
Podia enumerar muito mais vantagens da Pólux sobre as suas concorrentes, mas basta-me por ora deitar o adversário por terra. Longe do Meia Livraria está a intenção de acabar com o Colombo e quejandos. Sem eles não poderia fazer as minhas compras nesse lugar mágico que é a Pólux e que é também, fica o leitor a saber, o Natal em-si.
Terça-feira, Dezembro 06, 2005
Debates e o Vieira
Refresque-se a campanha e apoie-se Manuel João Vieira: O verdadeiro Manuel Alegre!

Vamos Embora Manuel!
Sexta-feira, Dezembro 02, 2005
Aumentos
Como Portugal faz parte da dita União Europeia, também por cá se tornará mais caro o dinheiro. Mas onde estão as novas empresas? Onde está a corrida ao dinheiro para carros e casas? No entanto, não há que desanimar: faltam-nos esses pormenores, mas o aumento da taxa já cá canta. Para citar a infinita sabedoria popular: "Uns bebem o vinho, os outros apanham a bubadeira!"
Terça-feira, Novembro 29, 2005
A Indonésia era Nossa!
Aquela rapaziada que nos governou após a Revolução dos Cravos era, com efeito, malta de vistas curtas! Poderíamos ser hoje donos de um império com mais de 200 milhões de habitantes e vêmo-nos reduzidos a este canapé europeu (como lhe chamava D. João VI, o pai do Pedro e do Miguel). De Lisboa governaríamos todo o arquipélago indonésio e tudo isso em troca de quê? De meia dúzia de quilos de pólvora e um punhado de cartuchos!
Não ouviram os americanos e deixaram fugir a oportunidade de encurralar os indonésios! E se a todos parece evidente a superioridade física do soldado português face ao militar indonésio, já causa estranheza a não imposição atempada dessa manifesta força.
Deixámos fugir as Índias, o Brasil, o ouro do Brasil, Angola, o petróleo de Angola, os empréstimos do fomento do fim do século XIX, os fundos da UE, o ouro nazi e agora isto! Segurámos, valha-nos isso, o Euro 2004 e um 8º lugar na Eurovisão.

Indonésia: Província de Portugal?
Sábado, Novembro 26, 2005
Pássaros na Lezíria Grande
Triste seria a vida dos pássaros da Lezíria Grande sem nós! Sem um coelhito atropelado na Estrada do Camarão, o que comeria a águia? E se não deitássemos a sande de torresmos a meio pela janela do carro o que depenicaríam os pobres tordos!
Haverá algo mais belo que a simbiose entre o homem e o animal?
Quinta-feira, Novembro 24, 2005
A Casa dos Couratos
Falo-vos dos melhores couratos que a humanidade consegue extraír do porco: os couratos da tasca "O Túnel" em Vila Franca de Xira, para muitos, o ex libris da cidade! Foi a segunda incursão a este mítico local que efectuei nos passados meses. Na primeira, fiz-me acompanhar pela "Morte em Veneza" de Thomas Mann cujas primeiras páginas devorei segurando o livro com a mão esquerda e o courato escorrendo molho picante com a direita. Lembro-me da sensação inebriante e quase mágica que o gondoleiro bandido me causou quando empurrei um pedaço da pele do porco pela goela abaixo com o auxílio de uma farta golada de "Frutol". E qual não foi o meu espanto quando mirei com Mann a família polaca no hotel não perdendo de vista, pelo canto do olho, a tropa trolha que entrara ululante pela taberna!
Hoje fiz-me acompanhar pelo "meu" encarregado, um tipo bem disposto com quem partilho o amor pelo courato. Somos, por assim dizer, irmãos de alma courateira. Recordou-se da última vez que ali viera, esforçou-se por apurar o ano, 1996 ou 1997, e contou-me com precisão a história desse dia. Lembrei-me também do distante ano de 1991 em que, após a elaboração da prova específica de matemática para acesso à universidade, que por me chamar Cláudio e por começar Cláudio pela letra C me tocou fazer em Vila Franca, ali estive. Chamasse-me eu Xavier e calhar-me-ia Malveira da Serra, ou Cabo da Roca, mas assim não é e assim colmatei a dura prova na casa dos couratos com alguns amigos de nome César, ou Carlos, ou Daniel. Partilhei esta história com o meu irmão de courato e revelei-lhe a nota que tive, os problemas que saíram, o meu método de estudo, enfim, partilhei aquilo que sempre se partilha com um dos nossos. Falando de boca cheia e mão pingada de picante para ouvidos que guardavam, como guardam as asas das aves os seus ovos, uma boca também cheia de divino courato.
Quarta-feira, Novembro 23, 2005
Homossexuais de Fora das Igrejas
O novo papa Bento XVI começa a impôr a sua lei e as vítimas são as do costume: os homossexuais agora, os ciganos depois, os judeus logo a seguir, eslavos em geral, africanos, enfim, o cheiro das fogueiras depressa se fará sentir por todo o mundo católico. Em breve curar-se-ão os males do mundo em autos de fé e churrascos humanos pelas praças das cidades tementes a Deus e respectivo séquito de santinhos.
A polémica medida faz ainda temer pelo contigente sacerdotal da santa igreja! Impedidos de celebrar missa, que farão os padres homossexuais já em funções? Dos 7 e tal percento de desempregados em Portugal, por exemplo, passar-se-á num ápice para os 10 ou 12!
E que pode agora fazer um pobre homossexual de provínicia para esconder as suas tendências naturais? Sem o refúgio do seminário? Será sinistro o seu futuro!
Segunda-feira, Novembro 21, 2005
Arriba Franco!
Uma frase bem disposta que alude ao assassinato de Carrer Blanco que foi pelos ares num atentado à bomba. Terá subido bem alto, esse senhor, e muitos queriam ver o ditador subir mais alto que ele. Infelizmente não subiu tão cedo como deveria e acabou descendo, há 30 anos, ao Inferno, de onde nunca deveria ter saído.
Domingo, Novembro 20, 2005
Presidenciais
Façam também as vossas!
Sexta-feira, Novembro 18, 2005
Aveiras e a Coluna Dorsal
Ao almoço, através de um televisor, soube que na autoestrada A1, em Aveiras, no sentido Sul-Norte, houve um brutal acidente por volta das oito da manhã envolvendo oitenta viaturas e causando a morte a três pessoas. Tivesse o meu lado invertebrado vencido e não teria passado pelo aziago local meia hora antes do acidente, como passei. Talvez os planos revistos não acertassem no eventual atraso admitido, talvez me atrasasse mais um bocado, se lá chegasse de todo.
De vez em quando sabe bem ter coluna dorsal.
Quarta-feira, Novembro 16, 2005
O Tabuleiro na Montra
Termina assim uma bonita história que, por cá, teria contornos bem diversos. Nas lojas onde se vendem tabuleiros de Xadrez em Portugal é costume distribuir-se as peças pelas casas negras do damasquinado, preenchendo todo o tabuleiro que aparenta assim raquitismo e consequente desproporção. Nenhum xadrezista entrará pela porta para corrigir o relapso vendedor, em primeiro lugar pela vergonha que têm sempre os portugueses de ser o que são e, em segundo, pela evidente inutilidade do esforço, dado o grotesco afastamento do exposto à singela realidade. No entanto, estou seguro que entrasse o incauto xadrezista na loja e dela não sairia sem tapete ou candeeiro de pé debaixo do braço.
Terça-feira, Novembro 15, 2005
O Conhecimento
Assustar-se-ão com o estatuto de neófito, de ignorante, de derrotado? Como, se a mim nada me entusiasma mais que descobrir-me numa sala onde sou eu o menos sabedor e logo o que tem mais a aprender? Não rejuvenescemos todos quando começamos algo de novo? Qual será a sinistra razão que senta agora milhões de portugueses em frente ao aparelho de televisão onde apenas lhes é dado o que já sabiam: Que o Francisco José traíu a Jocimara e que a Neide afinal é filha do Coronel?
Segunda-feira, Novembro 14, 2005
Manifestações em Belém
E que terá feito o Presidente, pensará o leitor, para que tantos e tão patuscos se reunam em Belém num ritual dominical? Seria válida essa questão se não estivesse o magote deslocado um bom quarteirão do Palácio Presidencial. Escorrem, fique o leitor sabendo, escorrem luzidios, derramando-se pela rua, vindos de dentro da casa dos pastéis de Belém!
Domingo, Novembro 13, 2005
Deliciosamente Migado
Deixei em itálico a palavra migado por a considerar, acima de todas, um dos mais belos vocábulos da língua portuguesa! Confesso-me até um pouco baralhado, taralhouco, e feliz por se ter o homem safado de boa!
Que bonita é a nossa língua!
Sábado, Novembro 12, 2005
Os Assassinos
Não tenha o leitor a menor dúvida: Daquela turba revoltada poderá recrutar assassinos tão ou mais tenebrosos do que os julgados ali. São os assassinos em botão que agora se indignam e que amanhã desabrocharão em sinistras flores vermelhas de sangue. E negras de ignorância.
Sexta-feira, Novembro 11, 2005
Inveja
O Dr. Soares tem uma fundação, tem um séquito de apoiantes, é famoso e diz o que quer. O maior partido português apoia-o. Ele tem 81 anos e não está no lar sentado numa cadeira mirando de cérebro desligado a parede por trás da televisão que devolve a Praça da Alegria. Soares não espera o Domingo para ver algum dos netos.
Não sei se vou votar no Soares nem isso importa. Nem gosto por aí além do Dr. Soares. Sei apenas que tenho uma profunda inveja antecipada por esse homem de 81 anos. E mais inveja ainda de um homem que manda à merda quem achar que deve mandar. E que mandou à merda o chinelo quentinho e a manta sobre os joelhos.
Dr. Mário Soares.
Quinta-feira, Novembro 10, 2005
"Chess Bitch"
Para os leitores que não dominam inglês, traduzo a palavra que não conhecem: Chess significa Xadrez. Para os bloguistas de direita esclareço: Manhattan é aquilo a que vocês nos vossos blogues chamam, com afecto, "Big Apple".
Para finalizar, deixo esta opinião: "One woman’s fascinating true story of the life of a champion chess player. All women should take up the challenge and pick up a board! Chess anyone?" – Yoko Ono (Alguém se lembrava dela?)

Chess Bitch de Jennifer Shahade.
Quarta-feira, Novembro 09, 2005
TVI
O mais sinistro de tudo é a absoluta veracidade do anterior parágrafo, caro leitor.
Terça-feira, Novembro 08, 2005
A Ponte de Granada
O sistema utilizado, com recurso a uma viga metálica apoiada nos pilares, onde corre uma cofragem deslizante, é bastante complexo e exige um controlo rigoroso de todas as ligações metálicas aparafusadas e soldadas na viga, bem como uma verificação milimétrica do posicionamento das cargas, de forma a poder determinar os esforços actuantes na ligação entre a estrutura do cimbre e o pilar.
Sobre um modelo de cálculo correcto, bastará uma verificação topográfica adequada e um controlo de qualidade apertado aos equipamentos de cimbre (viga e carro) para que as coisas corram bem. Neste caso, o colapso deu-se no apoio da viga metálica sobre o pilar podendo-se questionar de imediato a suficiência das ligações entre a fase já consolidada do tabuleiro e a zona de arranque, bem como o estado das ligações aparafusadas do sistema de asnas que constitui a viga de suporte da cofragem.
Essas ligações aparafusadas são efectuadas com parafusos de aperto controlado com chave dinamométrica que só podem ser utilizados uma vez. Uma das prováveis causas do acidente será a eventual reutilização das asnas que poderiam estar dimensionadas para outro vão, ou a indevida utilização de parafusos já esforçados. Não seriam razões económicas a provocar este tipo de falha, seguramente o custo dos parafusos não pesará nesta empreitada, mas sim a eventual preocupação com prazos a causar algum desleixo neste importantíssimo ponto.
As asnas tinham sido inspeccionadas 3 meses antes do acidente, dizem os jornais. Isso pouco ou nada importa para este caso. Nessas inspecções é provavelmente verificado o estado de cada módulo com especial ênfase dado à corrosão das peças que compõem a estrutura e a eventuais cortes na mesma. A menos que as asnas estivessem quase apodrecidas ou com cortes evidentes, é improvável que seja essa a causa do colapso. Essas estruturas não colapsam na globalidade por ruptura de um dos seus elementos, mal seria de todos se um parafuso partido ou um perfil metálico podre deitasse abaixo o cimbre de uma ponte.
Se foi o modelo de cálculo que falhou, tudo é muito mais estranho. A validação técnica dos modelos é hoje bastante eficaz, com recurso a software apropriado, e, normalmente, este tipo de trabalho é executado por um gabinete de projecto tecnicamente sólido com engenheiros recrutados nas melhores universidades e com formação contínua: mestrados, pós-graduações, doutoramentos, etc. É a vertente mais académica da engenharia civil "práctica". Será, portanto, pouco provável que se trate de uma conta mal feita.
Por Espanha debate-se agora o problema da subcontratação como eventual causa de sinistralidade: é falso. A subcontratação resume-se à execução dos trabalhos e à sua coordenação localizada, e nunca à direcção da obra ou à elaboração dos projectos. Mesmo as normas de segurança devem ser implementadas pelo dono de obra, fiscalização e empreiteiro, cabendo a essas entidades assegurar o seu cumprimento. Não é o operário ou um conjunto de operários (que no fundo é o que significa subcontratação) que planeia o cimbre ou dá as ordens para o avanço da cofragem deslizante. Se o subcontratado falha, é porque toda a cadeia hierárquica falhou já. É porque não está lá ninguém, nem fiscal, nem director de obra, ou se está, falhou. Não foi o Manuel nem o Joaquim. Atribuir as responsabilidades do acidente aos subcontratados é uma falácia xenófoba e que só engana quem não conhece os meandros da construção em obras públicas, que, no fundo, é a larga maioria da população. Em suma, arranja-se um bode espiatório para as massas.
Além disso, não são os tradicionais problemas de segurança que estão por trás deste acidente. Não se trata de falta de guarda-corpos, ou de linhas de vida, ou de equipamento de protecção individual: Nenhum destes equipamentos de protecção valeu às vítimas deste aziago acidente. Neste caso, foi o colapso da estrutura metálica de suporte que causou a tragédia e este é um problema de engenharia e não de segurança e higiene no trabalho. Os protestos dos sindicatos espanhóis sobre a falta de condições de segurança nas obras podem ser muito pertinentes mas não se aplicam neste caso.
Agora pararam todas as obras naquele tramo de autoestrada: Uma medida histérica sem nexo algum que parece questionar de uma assentada toda a engenharia. Uma coisa é certa: Para cair uma estrutura daquele tipo falharam demasiadas coisas. E não é essa a regra, por muito iluminadas que sejam agora todas as almas aflitas. Não há magias nem misticismos, nem sortes nem azares e não se vai agora descobrir que afinal todas as pontes estão a cair.
Acidente em Granada.
Segunda-feira, Novembro 07, 2005
A Linha Maginot

A inviolável Ligne Maginot.
Domingo, Novembro 06, 2005
Limpezas
(Amanhã retomo o tema de ontem.)
Sábado, Novembro 05, 2005
Juventude e Veterania
Confesso que me sinto um pouco irritado quando a canalhada imberbe vinga, ainda que episodicamente, no circuíto internacional de Xadrez. É certo que neste caso se trata de um torneio aberto, onde as hipóteses de surpresa são mais prováveis, mas penso que estes acontecimentos descredibilizam de alguma forma o Nobre Jogo.
Crianças prodígio, máquinas que jogam Xadrez, são números de circo, tal como o torneio Melody Amber jogado anualmente no Mónaco, patrocionado pelo milionário pai de uma menina chamada Melody Amber (!) em que parte da elite mundial joga umas partidas às cegas e umas rápidas. Toda essa parafernália circense contribui para que uma boa parte da Humanidade veja o Jogo como uma excentricidade, deixando de ver a grande contribuição que o Xadrez pode dar, e dá, para o desenvolvimento das capacidades intelectuais e carácter dos seus praticantes.
Aos grandes campeões Gary Kasparov e Anatoly Karpov nunca puderam os euros do Sr. Amber comprar números de circo.
Amanhã desenvolverei o tema das crianças prodígio seguindo um recente artigo publicado por Kasparov na publicação New in Chess.
Sexta-feira, Novembro 04, 2005
O Coelho Xadrezista
E afinal, calam-se agora essas vozes! Descobriram no Coelho um homem de gostos requintados, um caprichoso xadrezista, nada de dominó belga na tasca em frente à estátua do ardina! Qual sueca! Este homem desvenda em tabuleiros de marfim os segredos de Steinitz e Chigorin! Com que volúpia repõe com as suas pesadas peças de prata os mágicos passos de Morphy ao som do Barbeiro de Sevilha! E ainda mais estará para vir! Em breve, os leitores hadem ver quem é o verdadeiro Coelho!
Quinta-feira, Novembro 03, 2005
Ditosa Pátria 2
A realidade assume contornos que de tão sinistros fazem do damista Poe um inocente contador de fábulas para crianças.
(Sabia o leitor que Edgar Poe preferia o jogo das damas ao Xadrez? Considerava-o demasiado complicado... talvez considerasse a verdadeira literatura muito complicada também!)
Quarta-feira, Novembro 02, 2005
Ditosa Pátria
Intrigado por semelhante discurso em tão elegante sala de chá, espreitei sobre o ombro direito e descobri, numa extremidade já em mármore do balcão, três cavalheiros que se batiam com minusculos copos daquilo a que se convencionou chamar "penalties". Tintos dois deles, o outro com mistura. A conversa continuava. O dono do estabelecimento disse ao tipo que se gabava de ter despejado o garrafão naquela tarde que o vizinho do outro bebia nada mais nada menos que dez litros num dia. Cinco de manhã e cinco à tarde, claro está. O primeiro insistia que não era água pé nem nenhuma zurrapa, era mesmo vinho o que havia bebido. Como o segundo insistia nos dez litros do outro, o primeiro rematou com um brilhante: "Eu antigamente despejava duas garrafas de licôr beirão depois de almoço!"
Saí do estabelecimento radiante por ser desta ditosa pátria. Que tais filhos tem.
Terça-feira, Novembro 01, 2005
Fedro
Assim se introduz Fedro, de Platão, num exemplar das edições 70, colecção "clássicos gregos e latinos".
Este texto exemplifica com esmero a dimensão dos filósofos atenienses da época. Só o grande e elevado desprendimento das coisas do corpo permitiam a Sócrates e Fedro conversar sobre oratória debaixo de um plátano.
Segunda-feira, Outubro 31, 2005
Temperaturas
Domingo, Outubro 30, 2005
Sala dos Fumos
Esta introdução leva-me ao tema do presente artigo: A Sala dos Fumos. Trata-se de uma invenção dos anos 90, data dos tempos do nascimento do fenómeno do fundamentalismo anti-tabagista, e é, nem mais nem menos, que um qualquer recinto em lugares públicos ou locais de trabalho, onde é permitido fumar. Lugares lúgubres, dantescos e sinistros que, não obstante, me fazem abastardar um poema do maior trovador português: O Jorge Palma (um abraço para ti, pá, se estiveres a ler isto).
Então cá vai: "Na sala dos fumos podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal; Na sala dos fumos toda a gente trata a gente toda por igual(...)"
Sábado, Outubro 29, 2005
Plátanos e o Método Científico
Problema: O carro está cheio de dejectos de pardal.
Hipótese: Os pardais, vítimas de um poderoso efeito laxante, não se seguram, mesmo sabendo que existem carros por baixo onde pernoitam.
Experiência: Durante várias noites, estacionei o carro sob diversos tipos de árvore: salgueiros, plátanos e choupos, tendo anotado os resultados pela manhã.
Análise: Comparando os resultados do processo experimental, concluí que era sob os plátanos que os efeitos se mostravam mais devastadores. O resultado final revelou ser verdadeira a tese inicial.
Corolário: A probabilidade de se encontrar lugar para estacionar debaixo de um plátano é superior à de conseguir estacionar debaixo de qualquer outra árvore ou a céu aberto.
Sexta-feira, Outubro 28, 2005
Fundamentalismo no Irão
A verdade é só uma, o país é de direita e sempre assim foi. Talvez a sua condição periférica lhe force as gentes ao retrocesso civilizacional. Provavelmente, nem o seu glorioso passado, progressista em fugazes e inesquecíveis momentos, funcionará a favor de uma libertação das mentalidades, de um aumento sensível da inteligência dos povos. Neste país, há um governo de esquerda que quer manter atrás das grades as mulheres que ousem interromper a sua gravidez. E não é por Alá. É por Deus nosso Senhor... o Deus Ultramontano das Beiras e dos ermos mais escondidos deste país que não é, mas podia ser, o Irão.
Quinta-feira, Outubro 27, 2005
Silogismos
Antes de o leitor se lembrar da hiena, lembro-o eu que essa observação seria inequivocamente feita por alguém que leva a sua sabedoria demasiado a sério.
Quarta-feira, Outubro 26, 2005
Trocadilhos
Um dos artigos da revista, relatando a estrondosa vitória do jovem chinês Wang Hao no torneio aberto de Kuala Lumpur, trazia o seguinte título: How Wang Hao Won.
Por cá, temos o rato que roeu a rolha e pouco mais. Mas temos "torneio aberto"! Não precisámos de recorrer ao open, como o leitor mais atento reparou.
Terça-feira, Outubro 25, 2005
Tesouros
Talvez por isso, por não haver, Pratt nunca cá nos mandou Corto Maltese. Nem sequer o Rasputine.

Ao menos, o Rasputine!
Segunda-feira, Outubro 24, 2005
Calos
Nada disso, caro leitor: Se quer belos calos nos dedos da sua mão esquerda, perca a vergonha e inscreva-se numa escola de música: Aprenda a tocar guitarra.
Domingo, Outubro 23, 2005
A Livraria Invisível
Lá se encontra o clássico "The God of the Labyrinth" de Herbert Quain... que só exite na imaginação de Borges e no barco que trouxe o Ricardo Reis do Brasil para Portugal. No ano da sua morte, contado por Saramago. Deste último não fala a Livraria Invisível. Por enquanto.
Sábado, Outubro 22, 2005
Se...
Sexta-feira, Outubro 21, 2005
Presidenciais
São estes os primeiros entre iguais, é deste naipe que sairá o futuro Presidente da República Portuguesa. É interessante verificar que, após 31 anos de democracia temos um candidato do PCP, outro do PSR (agora BE), mais um do MRPP, uma do POUS, um da rádio de Argel, o Soares e um ministro de Sá Carneiro. Só falta o Otelo!

Só faltas tu, Otelo!






