Quinta-feira, Setembro 24, 2009

KK

Nunca aborrece. Por muito que joguem Karpov e Kasparov, é sempre um acontecimento para os milhões de xadrezistas que por aí andam. A vitória de Kasparov por 9-3 (houve um reencontro em Valência esta semana) é bastante clara mas, ao espreitar as partidas, vi com atenção a primeira vitória de Karpov (3.º jogo) e cheguei à conclusão do costume: o Kasparov é o maior, ganha sempre, é o melhor de sempre, blá, blá, blá. Mas o Karpov... ganha com magia, com uma supremacia sublime, uma inevitabilidade inimitável. Ainda que o faça menos vezes que o Ogre de Baku. Vivam os KK!

Sábado, Setembro 12, 2009

Herdeiros

De alguma forma, demos a Roma um César: Galba. Bisneto doutro Galba, Sérvio, que decapitou, por dá cá aquela palha, 30000 lusitanos e pôs Viriato nos arames. Tacticamente perfeito, forte em todos os aspectos, falhou Viriato na intriga. Falhou Viriato onde costumamos nós acertar. Era perfeito Viriato onde costumamos nós falhar. Somos, portanto, herdeiros de Galba.

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

Calculadora

Agora que, finalmente, estamos, futebolisticamente falando, de calculadora na mão, permita-me o leitor que o lembre do meu visionário artigo, de 20 de Agosto de 2008, ou seja, há mais de um ano, em que, qual oráculo divino, previ o que, de tão trivial, ainda que certeiro, não chega para me julgar grande Bandarra. Carlos Queirós é, provavelmente, o pior treinador do mundo.

Sábado, Julho 18, 2009

A Gripe A de Apollo 11

Sou um fã da Gripe-A. Gosto de Pestes e coisas assaz assustadoras. Cidades sitiadas, malta de máscara, tropa na rua, aviões no ar. Aeroportos em alerta! Ministros em reuniões nocturnas. Racionamento de galinhas para canja. Procura exacerbada de hortelã. Chás de mel e limão. Uma gripe que mata tanta gente por mês como mata a fome por segundo! Coisa bem de pasmar. O Tamiflu que, pelos vistos, é pior que a gripe. Não há maneira de o vender. E o Apollo 11 que, apesar de murros do Buzz, na tromba do homem do Hoax, insiste em manter malta na dúvida. Eu acredito no homem na Lua. E acredito na canja de galinha. Uma cebola, um ramo de hortelã, a galinha, 2 caldos knorr, e pronto. O chato é desfiá-la.

Quarta-feira, Julho 08, 2009

Walter Tarira

Morreu o Walter Tarira. Morreu o homem que me ensinou a suave e nobre arte de levantar vôo. Morreu a cigarra, neste triste mundo de formigas.

Adeus Walter! E que vivam os homens que nasceram para pensar.

Terça-feira, Junho 16, 2009

Pinturas em Portões

Hoje de manhã, no Porto, passei de carro num daqueles bairros pitorescos semi-operários (atenção à conotação tripeira de bairro, não é disso que se trata) e estava um homem a pintar de branco um portão. Pouco passava das oito da manhã. Cruzei meia cidade do Porto e, já perto de Santos Pousada (em Lisboa seria da Santos Pousada), estava outro homem a pintar outro portão. Valeu-me, para evitar momentos twilight zone, serem as cores dos portões diferentes. O primeiro era branco e o segundo, claro, era azul.

Terça-feira, Janeiro 27, 2009

Moleskine

Como foi possível Hemingway escrever romances num destes caderninhos?

Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

Toledo e o Herói Fernando

A viagem prosseguia veloz, já bem dentro do território espanhol, deixando Fernando aparentemente pensativo, olhando pela janela à direita para a paisagem que ficava para trás, num ângulo onde se perdesse a sensação de velocidade. (…)

Polícia manda parar? Anti-terrorismo? Velocidade? Picanço? Área de serviço: encontro com os tipos do picanço? Fuga? Chegada a Toledo?

Sábado, Novembro 22, 2008

Iguais

Já repararam que o Obama é igual ao Sócrates? Eu já (sou um visionário). O Obama agora diz que vai criar muitos empregos... Jesus... o que faço eu nas obras?

Quarta-feira, Outubro 29, 2008

Jazz e Tinta

Qual dos leitores nunca sentiu um desejo incontrolável de cheirar tinta enquanto ouve jazz? Pois é: eu hoje tive essa sorte. Ao passar de carro pela zona do Carregado, ouvindo o Chico Coreia, deu-me o fantástico cheiro da tinta. Pena ser de noite. Não vi de que cor era.

Segunda-feira, Outubro 13, 2008

Crises

O petróleo estava para acabar. Mas, pelos vistos, não acabou. O dinheiro estava para acabar. Mas, pelos vistos, não acabou. A água não está para acabar. Mas, pelos vistos, vai. Os mísseis de Cuba, o fim do mundo em 2001, o 11 de Setembro, o Irão, o Laden, o Obama e o outro Hussein já enforcado. O Bush pai e o filho. E o Barroso e a Carla Bruni. A Islândia que faliu mas afinal não. A China que é um bicho papão mas afinal não é, nem a Geórgia nem o Kosovo. O Corto Maltese, se fosse vivo, não podia ser marinheiro. Tinha de ser piloto de aviões a jacto. O Concorde andava devagar. Bons tempos, vagarosos, do Concorde. Viva Rocambole e a Crise Perene. Gosto disto. Até gosto do aquecimento global que pode muito bem ser arrefecimento ou não. E dos glaciares que derretem e que vão fazer as águas subir e inundar o Alto de São João em Lisboa e a Torre dos Clérigos no Porto. Coitadinhos dos mortos a boiar e a descer para o Chile.

Domingo, Outubro 12, 2008

Já Podem!

Numa altura em que a civilização ocidental está à beira (novamente) do colapso, em Portugal discute-se o casamento entre homossexuais. Não entendo essa discussão... não se podem já casar dois homossexuais? Há séculos que isso acontece! Um homem homossexual pode, e deve, casar-se com uma mulher homossexual. Sempre assim foi e parece-me uma óptima ideia! E assim podem adoptar e até confeccionar os seus filhos. É ou não é bem apanhado? Vá, sigam os meus conselhos.

Sexta-feira, Outubro 10, 2008

Flores

Ontem, na SIC, debatia-se o casamento entre pessoas do mesmo género, ou sexo, se preferirem. E quem estava lá para comentar? Já adivinhou: o Moita Flores. Além de apanhar bandidos, Moita Flores sabe de casórios gay! Não cheguei a perceber a posição do Flores sobre o tema, mas acho que tem algo que ver com o caso Maddie. Está tudo ligado. Moita Flores, Maddie e Casamentos.
Já agora, Senhor Moita Flores, será que no futuro teremos baptizados entre homossexuais? Um homossexual a baptizar o outro?

Quinta-feira, Setembro 18, 2008

Dúvida Pueril

Que livro devo ler? O "pequeno livro do grande bébé" ou o "grande livro do pequeno bébé"?

Sexta-feira, Setembro 05, 2008

O Perigo!

Meus amigos! Atenção! Aumentou perigosamente o número de notícias sobre criminalidade violenta fora dos canais habituais! Cuidado! Eu já tenho o passaporte em dia!

Sábado, Agosto 30, 2008

Carros e Carrinhos

Eis uma sugestão para os fabricantes de carrinhos de bébé: incorporem espigões de aço afiado na parte lateral dos carrinhos. Assim, quando o manobrador do carrinho tentar passar pelo passeio infestado de carros, pode deixar a sua marca na pintura do automóvel passando uma justa mensagem de desagrado pela errada interpretação que alguns automobilistas fazem da missão dos passeios deste mundo!
Que tal? Chicco? Babycoiso? Vamos a isso?

Quinta-feira, Agosto 28, 2008

Cozinheirices

Só a custo não adicionei um pouco de vinagre balsâmico e uma pitada de pimenta ao biberão da minha filhita.

Quinta-feira, Agosto 21, 2008

Pega de Caras

Não gosto particularmente de toiradas, nem sequer de triplo salto. Mas gostei de ver o Nélson Évora virar o ombro à pista de saltos, segundos antes de conseguir o ouro: virou-lhe o ombro, como forcado que chame um toiro bravo na arena. Repararam? Só o fez no salto vencedor.

Quarta-feira, Agosto 20, 2008

A Escolha do Seleccionador

Sábia escolha, a de Queirós, para seleccionador. O ritmo de assassinatos na África do Sul é demasiado elevado. Ainda mais elevado que os 50 mil no Brasil por ano. Com Queirós no banco da selecção (e com Moutinho também no banco), garante-se a segurança dos nossos jogadores. Livram-se desses países perigosos.

Domingo, Agosto 17, 2008

Olímpicos Recordes

Os nossos rapazes e raparigas da natação estão em grande nos Jogos Olímpicos de 2008! Já foram inclusivamente batidos alguns recordes nacionais. Pena é que esses feitos não tenham chegado para que os nossos nadadores cheguem sequer às meias finais.
Por favor, Sr. Mao, corrija desde já essa injustiça! Faça com que os participantes que, no cubo de água de Pequim, batam records do seu próprio país possam nadar na fase seguinte da prova! Se for caso disso, dê um jeito na concorrência... Não sei se ainda é o Sr. Mao que manda na China, mas, se não for, fale com o responsável. Um abraço (ainda não acabei de ler o livrinho vermelho... só o da FIDIC!).

Quinta-feira, Agosto 14, 2008

A Refém de Bancos e o Saquito do Dinheiro

Nos últimos noticiários da SIC (tive oportunidade de ver o de ontem, à hora de almoço, em frente a uma das famosas francesinhas de Rio Maior) tem aparecido uma insólita figura, com um não menos insólito cabelo: a Senhora Doutora Refém dos Bandidos Brasileiros.

Mal consegui tragar a francesinha, tamanha era a petulância (que tão bem dizia com o cabelo da Senhora Doutoura), tamanha a tibiez de argumentos e historieta, tamanha a afectação no linguajar, e tamanhos os assobios que a Senhora Doutora emitia ao falar. Sempre tive dificuldades em lidar com pessoas que assobiam ao falar, é certo, mas aquela Senhora conseguiu irritar-me mais do que uma dezena de crianças a correr e a guinhar em biblioteca faria.

Muito injustiçada por não conseguir fazer as suas paciências ("sabe, eu costumo fazer umas paciancias..."), e por ninguém da PSP ou PJ a ter ajudado em tão difícil (deficele) momento, muito traumatizada com a putativa perda do seu putativo saquito do dinheiro, que, afinal, nem era problema, o banco tinha pago o que a Senhora dizia ter no saquito que dizia ter! Após largos minutos a explicar a aventura do saquito do dinheiro, que esperava o telespectador? Que os malvados do banco tivessem usado o dinheiro da Senhora para custear a lavagem dos tapetes do sangue e mioleira dos assaltantes (sabe deus o que isso custa a sair)... mas não! Nada disso! Afinal a Senhora não ficara sem o dinheirinho... Afinal o que queria essa Senhora? Já sei! Queria mostrar o seu lindo cabelo e os seus dotes de assobio. Lembrei-me do "Bom, o Mau e o Vilão" e daqueles assobios fantásticos. Afinal, ainda valeu a pena a Senhora Refém vir à SIC. Que deus a salve e guarde, a ela, ao seu saquito do dinheiro (ou "dinháiro", como a Sr. Dr.ª pronuncia) e ao seu magnífico cabelo!

K

Sexta-feira, Abril 25, 2008

Dia da Liberdade

Acabou-se, há 34 anos, a clandestinidade. Puderam descansar as vozes que cantavam neste areal onde não nascia a aurora.

Quinta-feira, Abril 17, 2008

Carta

Transcrição autêntica da carta existente na Biblioteca Nacional de Lisboa dirigida por Pina Manique, Corregedor de Santarém (e futuro Intendente de Polícia do Marquês de Pombal), ao Duque de Cadaval, Corregedor-Mor da Justiça do Reino:


"Exmo. Sr. Duque de Cadaval:

Se meu nascimento, embora humilde, mas tão digno e honrado como o da mais alta nobreza, me coloca em circunstância de V. Excia. me tratar por TU,- Caguei para mim que nada valho.

Se o alto cargo que exerço, de Corregedor da Justiça do Reino em Santarém, permite a V. Excia., Corregedor Mor da Justiça do Reino, tratar-me acintosamente por TU,- Caguei para o cargo.

Mas, se nem uma nem outra coisa consentem semelhante linguagem, peço a V.Excia. que·me informe com brevidade sobre estas particularidades, pois quero saber ao certo se- devo ou não Cagar para V.Excia."

Santarém, 22 de Outubro de 1795

Segunda-feira, Abril 07, 2008

Ratos Sedentos

O Rato Sedento encontrou uma pedra vermelha. À noite, ouviu o uivo do Cavalo Velho, atroz como o guincho do Mocho Curvo. Rápido como a Lebre Amarela, pegou na pedra, saltou o riacho ululante, com duas das patas num lado, as outras no outro. Chiou de felicidade quando a Árvore Sem Folhas deixou passar os raios do Sol que Queima a Vista acabado de nascer pela duocentésima vez naquele ano (que agora finava). Entretanto a Matreira Cigarra aguardava pela luz da aurora para render a Sonolenta Formiga. O Rato Sedento, ainda feliz, ajeitou a pedra vermelha que lhe faria guarda todo o dia (sempre e só do lado de cá do riacho) e deixou que o Orfeu dos Ratos o levasse às portas de um miraculoso Hades, onde não chegaria a entrar. O Hades, assim à porta, é aprazível, pensou a pedra vermelha.

Sexta-feira, Março 21, 2008

Semáforo

Num destes dias, dei por mim parado em frente a um semáforo. Estava, obviamente, vermelho. Aguardei um minuto ou dois até que me lembrei! Abri o vidro do lado esquerdo do carro, estiquei a mão, carreguei com o indicador num botão dourado estrategicamente posicionado num armário amarelo, pequei no papelinho que entretanto saiu, dizendo, entre outras coisas, "Brisa". Guardei o papelinho.

O semáforo ficou verde e lá fui à minha vida.

Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

Gostos

Gostava, sinceramente, que o Falcão dos Balcãs voasse outra vez. E que tomasse o que é seu. Mas, pelos vistos, não pode ser. Também o orgulhoso falcão terá de se agachar. Ante a cabra que come a raiz e que nada deixa nascer. E ante a águia que gosta de cabras e de falcões e de zebras e porcos e galinhas e do que tiver de ser. Certo é que cai a última réstea de orgulho europeu. Nada nos resta. (É caso para nos congratularmos de há muito não sermos europeus: no fundo, para nós, é tinto.)

Segunda-feira, Janeiro 21, 2008

Bobby Fischer

Diz a comunicação social, e lê-se na internet, que Bobby Fischer morreu na passada semana. Com 64 anos. Tantos como os quadrados de um tabuleiro de xadrez. Talvez tenha morrido e, infelizmente, com ele, o encanto do jogo, o encanto do génio, o encanto da guerra fria, o encanto da conspiração, o encanto da magia. Daquela magia que é, mesmo. Vale a pena saber jogar xadrez para se conhecer as partidas de Bobby Fischer. É, infelizmente, um prazer vedado à massa, que, ainda assim, nos anos 70, o seguia com admiração genuína. Fischer era um tipo de aparência normal e quebrava o estereotipo do xadrezista (que, de resto, só cumpre quem não é xadrezista, do tipo... nem sem bem que tipo) e trouxe ao xadrez um prestígio que se quebrou no início dos anos 90, com os computadores a crescer e com o colapso da União Soviética (e posterior abandalhamento do meio elitista do xadrez no Ocidente, com a invasão de hordas de grandes mestres do lado de lá da cortina a jogar por uma garrafa de vinho e um bife mal passado).
Fischer era Fischer e era tudo o que o xadrez agora não é. Goste-se ou não, os homens precisam de grandes homens. E, parvo ou não, apetece-me chorar.

Sexta-feira, Janeiro 11, 2008

Olhos

Há pouco experimentei aquela sensação de plenitude, em que todo o universo se torna intelígivel. Em que não são os olhos da cara, mas o olho da alma quem vê. Tal como se andássemos numa cidade que conhecemos bem, falássemos com amigos de sempre ou visitássemos locais que em tempos nos foram familiares e que há muito não víamos. Sabe o leitor do que falo?
PS: Se o leitor, ao ler "olho da alma" se apercebeu da cacofonia e se lembrou do "olho do cu", sinta um abraço solidário e amigo.

Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

Atleta Improvável

O Meia Livraria anda um pouco abandonado e devo ao fiel leitor sólida explicação: inaugurei novo blogue, de seu nome Atleta Improvável, onde descrevo a minha caminhada para o topo mundial do atletismo de fundo. Pois é. Visite!

Quarta-feira, Dezembro 26, 2007

Gestores e Gestoras

Num recente número de uma revista relacionada com o mundo da gestão de empresas, prometia-se na capa sábios conselhos de gestores de sucesso. Comprei, claro. Também na capa se anunciava simpática e instrutiva devassa à existência de gestoras de sucesso em Portugal. Julguei ser coisa edificante e até comprei o opcional livrinho que acompanhava a revista, que nada tinha que ver com o tema. Fi-lo por gratidão. Maravilhado com os ensinamentos dos mestres do empreendorismo, apresentados, como se necessário fosse, pelos nomes e cargos actuais, saltei para a secção das gestoras femininas: não porque aconselhassem, mas porque existissem. E lá desfilaram as diversas mulheres de sucesso apresentadas pelo seu nome, fotografia, de cara e corpo inteiro, estado civil, número de filhos e cargo ocupado. Com efeito, uma conveniente avaliação do sucesso de uma gestora terá em linha de conta esses factores. A fulana tal gere o banco xis e ainda tem três filhos! A outra é solteira, assim também eu, fica para tia mas manda na fábrica!
Claro que vou comprar o próximo número. Talvez apareçam gestores de etnia não europeia.

Terça-feira, Dezembro 25, 2007

Será que é mesmo dele?

Domingo, Dezembro 16, 2007

O Corão de Tavares

À porta dos correios de Rio Maior, um homem alto e corpulento, de pé, segurava perto dos olhos o mais recente livro de Miguel Sousa Tavares. Olhava para uma das suas páginas com ar devoto e lia em voz baixa, ou melhor, murmurava, o que Tavares escrevera sabe-se lá onde e para quê. Abanava ligeiramente a cabeça, ora aproximando-a, ora afastando-a do grosso volume. Dir-se-ia que lia o Corão. E talvez o lesse, nas entrelinhas do amontoado de tinta negra em alva folha lá deitada por Tavares.

Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

Pureza Eterna (1)

Segunda-feira, Outubro 15, 2007

Clash e Civilization

Há pouco ouvia o "Straight to Hell" dos Clash e lembrei-me das noites em que conquistava o Mundo ao leme do Império Romano no jogo "Civilization": naquela versão inicial, insuperável, do Sid Meier. Corria a primeira metade dos anos 90. Fumava uns cigarritos com a cabeça de fora do quarto e planeava a inevitável invasão do continente americano, com barcos carregados de tanques e diplomatas. Que se lixasse a conquista do espaço, claro, o que eu queria era rebentar com um continente inteiro. Enquanto isso, ouvia o "Combat Rock" inteirinho, injustiçado álbum dos Clash, ouvia também Pixies até à náusea e muito Bob Dylan, esse desde a náusea até à sublime frescura dada pelas "High Water". Venho, ao fim de 15 anos, fazer aqui, no Meia Livraria, uma solene declaração: abdiquei dos meus secretos planos para a conquista do Mundo. Vou concentrar-me num objectivo bem mais singelo mas não menos divertido: a presidência do PSD. O Passos Coelho que se ponha a pau. E, no congresso da minha consagração, após a vitória expressiva nas directas, ouvir-se-á no pavilhão o "Straight to Hell" dos Clash. E talvez faça como o Ângelo Correia e fume um cigarrinho dentro do gimnodesportivo!

Sid Meier: Também daria um óptimo presidente do PSD

Domingo, Outubro 14, 2007

Formações

Ontem ouvi um interessante discurso sobre as necessidades de formação. O orador disse, sagazmente, que pouco interessaria dar formação em excel e word a funcionários da Santa Casa da Misericórdia que, pelas suas funções, não trabalhem com computadores. Alguém na plateia acrescentou, num rasgo de brilho e perspicácia, que noutra qualquer empresa seria esse esforço igualmente inglório. O orador, concordando com a achega, continuou com outro exemplo: num hotel, todos poderão legitimamente ter formação em alemão e em inglês. Mesmo as "senhoras da limpeza", acrescentou para concretizar: "Quando estão a limpar os quartos, sempre podem ler as revistas que as alemãs e inglesas por lá deixam. Isto não é só ver os bonecos".
Com efeito, o orador tinha razão. Isto não é só ver os bonecos! Uma mensagem profunda que a toda a plateia trouxe um daqueles sagrados e irrepetíveis momentos de reflexão e auto-análise.

Sábado, Outubro 06, 2007

O Pesadelo Interminável

Quando pensávamos que estávamos livres de Santana, aparece Menezes. E depois, graças à linha editorial da SIC Notícias... até o Santana ressuscita! A pobre jornalista bem disse que a culpa era do Ricardo Costa: num bonito exemplo da clássica solidariedade entre profissionais da televisão. (Lembrar o episódio das "misses" com o Humberto e a Carla Caldeira.)

Temei, cidadãos! Armai-vos! Organizai-vos! Policiem o vizinho e, se o adivinharem menezista, incentivem-no à abstenção. Digam-lhe, e ele cairá nessa, que isso de votar é para parvos. Assegurem assim o funcionamento da democracia e urge começar. Já!

Sexta-feira, Outubro 05, 2007

Viva a República!

A Bandeira da República Portuguesa faz 97 anos.


Comemora-se hoje o nonagésimo sétimo aniversário da nossa república. Os portugueses passaram a nascer iguais, graças a muitos, claro, mas foi Machado Santos quem desferiu o golpe final na palonça fidalguia. É claro que, nós, os republicanos, sentimos por Buíça e Costa um carinho especial: afinal de contas, deram um importante e saudável contributo para o fim da monarquia. Para o leitor menos informado, lembro que esses dois moços liquidaram o rei Carlos e o seu primogénito Luís no Terreiro do Paço, pertinho da esquadra da PSP. Salvou-se o Manuel 2, famoso oceanógrafo, que teve de marchar para outras latitudes nesta radiante data. Sábios, os republicanos deixaram vivos os nossos fidalgos como penhor eterno da superioridade da República (lembrar Duarte Pio e aquele "marquês" gordo e abichalhado que dantes aparecia na televisão). Enquanto eles andarem por aí, só por chacota se falará em monarquias.
Aqui ao lado, em Espanha, há muito quem sinta asco ao tragar o estatuto de súbdito: de homem que nasceu inferior a outro. Mas lá vão aguentando a fantochada para gáudio de "Holas" e revistetas quejandas.

Domingo, Setembro 30, 2007

Santidades

Há uns dias veio a Portugal o Sr. Lama. Este homem, o Dalai Lama, é uma Santidade como outra qualquer: ao seu nível estão Bento XVI, Pinto da Costa, o Islão também terá a sua Santidade, mais que uma até, o Ayatola, etc. No entanto, este Sr. Lama tem um problema com a imperial China. Os nossos amigos chineses não gostam do Lama porque há o Tibete e a China é dona desse território. Se não houvesse Tibete, a China gostava tanto do Lama como gosta do Bento XVI ou do Pinto da Costa ou mesmo do Eusébio. Ou até do Mourinho. Mas, infelizmente para o Sr. Lama, há Tibete. E há Tibete porque é bonito e alto e tem o Shaolin com aqueles tipos que dão mortais encarpados para trás, e com eles, com esses coloridos saltos, sobem a árvores que nem no jardim botânico de Lisboa se encontram. Muito menos no Parque Eduardo VII. Tem também o Tibete uma data de monges vestidos de laranja, como usam os prisioneiros de Guantanamo. Também em Guantanamo lhes rapam o cabelo, como é uso dos monges tibeteanos. Pode o leitor concluir que há algumas semelhanças entre ambas as regiões. Uma é chinesa mas tibeteana, outra é norte-americana mas fica em Cuba, e em ambas se traja de laranja e se rapa o cabelo. Também em ambas se dão mortais encarpados para trás quando a situação exige. Será que em Guantanamo também há alguma Santidade?
Certo é que, caso houvesse Santidade guantanamense, teria a mesma recepção oficial que teve o Sr. Lama. Nisto, somos exemplares. Não somos como esses convencidos desses canadianos que disseram aos chineses que na China mandam eles. Mas no Canadá mandam os canadianos. Temos muitos defeitos. Mas não somos mentirosos. E aqui mandam todos. Menos, talvez, o Dalai Lama.

Quarta-feira, Setembro 12, 2007

Bin Laden Falhou

Ontem foi dia 11 de Setembro: dia de comunicado de Bin Laden ao mundo ocidental, momento aguardado com elevada expectativa.
Desta vez as sábias palavras da Besta Negra da humanidade cristã desiludiram. Nem uma alusão, uma opinião que fosse, sobre o caso "Maddie"! Eu, tal como o leitor, esperava avidamente pela opinião de Laden: foram os pais? Foi a Kate? O Gerry é de confiança? Dever-se-á tirar-lhe os gémeos? A polícia portuguesa merece crédito? Os cães pisteiros fazem prova em tribunal? O ADN será da menina? Terão os McCann transportado apenas o ursinho de peluche na mala do carro alugado, 25 dias depois do desaparecimento da menina? (Por sinal, um Renault: eles que se ponham a pau com os discos dos travões, aos 80 000 km estão todos comidos). Deveriam os McCann ter alugado um Nissan? Ou uma motorizada (que não tem mala!)?

Que disse Osama? Nada! Bin Laden nada disse que prestasse. Umas loas a um barbudo qualquer e pronto. Uma conversa sobre olhos e dentes... Apre! O homem é irritante!

Terça-feira, Setembro 11, 2007

Boa Escolha!

Já só faltava o Meia Livraria: tenho de falar do casal McCann e da sua filha desaparecida! Com efeito, é singela a minha contribuição para a grande construção mediática: resume-se ao assinalar da belíssima escolha que o casal fez. O advogado do Pinochet parece-me ser o homem certo para o caso. Não será essa escolha uma confissão? O Pinochet chegou a confessar?

Sexta-feira, Setembro 07, 2007

Financiamentos

A Entidade das Contas e Financiamentos Políticos vai investigar a Festa do Avante! Estarão convencidos que a Somague anda a construir os barracões à borla?

Quinta-feira, Setembro 06, 2007

Vigairada

Terá pouca importância em dia de efeméride maior, o aziago desaparecimento de Pavarotti, mas o Meia Livraria cumpre com este artigo o seu natural destino de educador de massas telemovilizadas em geral, internetificadas em particular. Perguntar-se-á, o leitor ávido de saber, será que foi desta que apanhei o Cláudio em falta? Vigairada? Não será "vida airada"?
Não, amigo leitor. Sinta o conforto e o tom paternal das minhas palavras. Não. Andou o leitor toda a sua vida (airada ou não) pensando que este ou aquele seria amigo da "vida airada"... Não lê suficiente Aquilino, meu caro. Pois é vigairada aquilo que julgava airado! Trata-se de mais uma das inúmeras expressões papagueadas, dialectais, em que boa parte de nós gasta a saliva e o ouvido alheio poupando a massa cinzenta para coisas outras que pensar, investigar, no que se diz.
Somos todos assim, meus caros. Não há excepções. Uns mais (nos casos extremos chega-se ao "novidades só no continente"), outros menos (afadigam-se repetindo a estúpida expressão "silly season" na silly season), mas o fim do mundo está próximo.

Domingo, Agosto 12, 2007

A Tiro!


Não há dúvida que estes homens, do Record, da Bola, do Jogo, têm talento para escolher elegantes títulos de 1.ª página!

Quarta-feira, Agosto 08, 2007

"Hasta Quando?"

Não pense o leitor que falo da questão cubana! Talvez enganado pelo título pense o leitor que o Meia Livraria se fartou do "Hasta Siempre!". Mas é de rádio que fala o artigo, assim falassem eles, os artigos.

Há pouco, no carro, acompanhado por uma qualquer emissora de rádio, ouvia Lionel Ritchie. Mudei prontamente o posto para chegar a Tina Turner. Outro rápido toque no botão e eis o cruel Bryan Adams! Desliguei o rádio e abri os vidros para que o vento da velocidade me lavasse os pobres ouvidos. Enquanto o fazia, lembrava-me dos anos 80 e da lixarada que por aqueles tempos se ouvia: Bryan Adams, Lionel Ritchie e Tina Turner. Até quando os vamos ouvir? Já lá vão quase 30 anos e continua o pobre cidadão a levar com o "Private Dancer" e o "Run to You" e o "Hello!". Irra!

Sábado, Julho 28, 2007

Abençoados Dedinhos!

Sábado, Julho 14, 2007

O Resto (Quase) do Debate dos Doze

Garcia Pereira expôs o seu plano claro e eficaz para Lisboa: um grande porto internacional, um grande aeroporto internacional (perto de Lisboa, acrescentou), e uma grande estação de comboios! Tudo pago pelo governo central! Com esses três objectivos, Lisboa ficaria, seguramente, ao nível das maiores e melhores cidades do mundo, afirmou o homem que, não restam agora dúvidas, seria, assim vissem os portugueses a luz, o Grande Timoneiro de Portugal! Somos cegos. Com efeito, Garcia Pereira nem se deu ao trabalho de encontrar um discurso coerente. Esta sua actividade lúdica, de amigo de Olivença disfarçado, leva-lhe, e nisso me assemelho ao putativo Grande Timoneiro, pouco do pouco tempo disponível: também eu tenho pouco tempo para o Meia Livraria. Garcia Pereira usou o seu habitua plano de contingência: "falo da estação de comboios e digo que a culpa da crise na CML é do culpado do costume, o gajo do PC!" E disse-o: Você (Ruben de Carvalho) é o culpado de tudo isto!
Negrão assumiu que a manutenção do IPO em Lisboa seria o seu cavalo de batalha. Com o seu ar canastrão, interrogou Costa sobre a questão arquitecto Salgado, respondida cabalmente. Cabalmente? Para todos menos Negrão! Ou não ouviu a resposta, ou tem um QI mais baixo que a probabilidade de Portugal ser campeão do mundo de basquetebol! IPO em Lisboa e pronto. O homem tem, justiça lhe seja feita, algo a seu favor: é o favorito das sopeiras! Tem aquele arzinho de magala.
O pobre Coelho do PNR lá andou, repetindo a cassete da segurança, do policiamento em quadricula, do dinheiro gasto pela CML em paradas gay! De facto, foi por aí que as contas foram ao fundo: com o taco gasto com o fomento à homossexualidade! Um discurso bem organizado, intelectualmente honesto, que desperta as consciências para um debate profundo e estruturado sobre o Homem, a Vida, o Mundo. Uma inteligência lusitana que a todos vai trazendo a sua luz.

Terça-feira, Julho 10, 2007

O Debate dos Doze

Tive de esperar 24 horas para que o transe profundo, causado pelo melhor programa televisivo que vi nos últimos anos, pelo menos desde "Roque Santeiro" nos idos oitentas, me soltasse mãos, dedos e alma e assim me deixasse pensar no que aprendi, no que ri, no que chorei e senti, em suma: no debate dos 12 candidatos à CM Lisboa extraordinária!

Coelho, Costa, Carmona, Negrão, Monteiro, Garcia Pereira (a fidalguia leva dois nomes), Pereira, Roseta, Carvalho, Fernandes, Correia e Graça, soberbamente enquadrados pela menina Fátima, proporcionaram-me genuínos momentos de prazer: fui verdadeiramente vivo por quase três horas!
A sabedoria infinda (porque profunda como fossa abissal), a heterogeneidade contagiante do sortido de saberes (colorido e bem-cheiroso), a ponderação e simpatia de quem ouve sempre o que os outros dizem, fizeram de Fátima CF, prová-lo-ia se necessário fosse a sua prestação de ontem, uma sumidade à escala nacional (ibérica, e mordo as mãos avaras) na arte do jornalismo omnisciente!
(continua)

Sexta-feira, Julho 06, 2007

Bufalhada

Enquanto preparo uma carta aberta ao Presidente da República, que penso vir a resolver o problema, escrevo este artigo para informar os leitores que considero ser o bufo a mais baixa forma de vida. Donos de inteligências menores, de fealdades atrozes, de grotescas deformações de carácter, os bufos sempre acompanharam a história portuguesa no seu pior. Anos há em que se escondem as lúridas criaturas no pantanoso submundo da mediocridade e frustração. Por lá ficam, escamosas e nojentas, como centopeias em baixo de pedra que, na falta de força que a levante, por ali fica escondendo o lado de lá da vida. Por hábeis no rastejo e na arte da fuga sobrevivem ao homem que levanta o calhau que lhes cobria sub-existência: de resto, qual é o homem que se diverte a esmagar centopeias, escaravelhos e baratas? Assim sobrevivem os bufos: por não haver quem os mate. Com efeito, é maior o incómodo da sua morte (sujam muito quando esborrachados) que a maçada que causam quando vivos. Sendo a palavra "vivos" uma figura de estilo, quando aplicada à chibaria, a que se permite levianamente o autor do Meia Livraria.

Há trinta anos que se não via semelhante ataque vindo do baixo-húmus! Terão os incêndios florestais dos passados anos escorraçado do podre mas quentinho e acolhedor antro da bufalhada os seus mais audazes espécimes? Ou será que todos os 3 000 000 exemplares da espécie "bufus lusitanus chibalhursus", julgada extinta em 74, aí estão, de olhinhos mínusculos e vermelhos, dentinhos amarelos e afiados, cheios de peste e de merda, à coca... à espera de Baltazar que os faça, como fez o outro, uma espécie de exército das trevas constituído por sub-humanos cuja única recompensa é a de poder atacar a luz e o bem (que nada quiseram com eles) e fazer vingar um mundo de medo e mediocridade em que eles se sintam como escaravelho no esterco?

Terça-feira, Julho 03, 2007

Primeiro Vídeo

Quinta-feira, Junho 28, 2007

Primavera Eterna

As recentes alterações do clima global, carga sinistra que em todas as almas pensantes pesa como pesava em tempos o negro espectro da bomba nuclear, não é, como a sua antecessora atómica, coisa de males absolutos. Com a bomba nuclear, as vantagens enumeradas resumiam-se ao efeito que poderia ter sobre os edifícios: houve um tipo americano importante (não me lembro qual, se alguma vez soube quem fosse) que anunciou com orgulho uma nova bomba que tinha a vantagem de não destruír as construções!

Quanto ao clima, e em particular ao que está a acontecer a Portugal, não posso deixar de me regozijar com estes dez meses seguidos de Primavera! O aquecimento global deu a Portugal um enorme aparelho de ar condicionado! Estaremos perante a Primavera Eterna? Ficarei para sempre com 33 anos? Isto parece o céu muçulmano! Viva a Primavera!

Terça-feira, Maio 22, 2007

Mãos e Pés

Interessante campeonato de futebol este em que se decide o título com a mão... quando a coisa se joga com o pé. Com efeito, sem o golo escandalosamente manual de um obscuro e já distante brasileiro, nem o Porto era campeão, nem o Paços estava na UEFA. Cada país tem o campeonato que merece...

Segunda-feira, Maio 07, 2007

Bananas e Macacos

Na ilha das bananas não é de admirar que mandem os macacos.

Domingo, Maio 06, 2007

Mistério

Qual será a justificação para o elevado número de jornalistas desportivos radiofónicos com graves deficiências fonéticas?

Terça-feira, Maio 01, 2007

Os Reizinhos

Liga um tipo a televisão, à hora dos noticiários, esperando por um resumo do Benfica - Sporting, sedento de casos e penalties e gregos atirando-se para o chão (que pena não ter caído de pescoço...), quando se depara com insólitas notícias de realezas alheias. Ele é o prícinpe Harry do Reino Unido que quer ir combater para o Iraque, dando mostras de uma imbecilidade atroz que boa propaganda faz à causa da República; ele é a nova filha do gigante Filipe das Astúrias, príncipe do Reino de Espanha... e nada sobre o Caneira! Ouve-se a raínha de Castela dizer umas graças à televisão, e, afinal, o Polga foi agarrado na área ou não? Pelo menos, os ídolos da bola são escrutinados, avaliados, são ídolos de alguns pelo seu esforço, talento e dedicação. Os outros parvos, os reis e condes barões são idolatrados por gentes mais parvas ainda, que engolem o mais elementar príncipio dos Direitos Humanos: todos os homens nascem iguais. Estará a guilhotina romba?

Quinta-feira, Abril 26, 2007

Liberdade

Muito se disse pela blogosfera sobre o dia de ontem. O 25 de Abril. Nada poderei acrescentar, nem sequer tenho um boneco com um cravo vermelho para aqui colocar. Mas não se confunda o leitor com a ausência de artigo e cravo no Meia Livraria: a própria existência deste blogue, e do seu, amigo leitor, onde diz o que lhe apetece, deve-se ao mais belo dia da nossa pátria: ao 25 de Abril, o dia em que o povo português ganhou a liberdade. Ao cabo de 831 anos de servidão a este e àquele.

Terça-feira, Abril 24, 2007

O Grande Líder Pinto da Costa

Ontem comemorou-se o vigésimo quinto aniversário da Serena Liderança do Grande Timoneiro Pinto da Costa, Líder Adorado do FCP. Uma marca espantosa, cheia de títulos, centenas ou mesmo milhares, que a todo o Mundo levaram o nome do FCP e o do seu Amado Pastor.

Se aos 25 anos que leva Pinto da Costa de presidência do FCP somarmos os 20 que já detinha como dirigente no clube, obtemos o bonito resultado de 45 anos de poder! Poucos homens se comparam ao entronizado Pinto da Costa. Apenas o Grande Português Salazar (1932-1968), o espanhol Franco (1939-1975), o mongol Choibalsan (1921-1952), Mobutu Sese Seko (1965-1997) e o inefável etíope Hailé Selassié "Ras Tafari" (1930-1936 e 1941-1974) se podem medir com Jorge Nuno. Mas para que se faça inteira justiça, nenhum desses nomes iguala em luminosidade o Líder do Norte. Com efeito, em minha opinião, só Kim Il-Sung (1948-1994) conseguiu atingir o nível de unanimidade e prestígio que o Poeta do Futebol e Grande Açambarcador de Títulos Pinto da Costa indiscutivelmente possui.

São notáveis as semelhanças entre Kim Il-Sung e Jorge Nuno Pinto da Costa.


Para trás ficam nomes como Hitler, Pol Pot, Mussolini, Enver Hoxha e Rafael Trujillo. Mesmo Pinochet e Ho Chi Min nada foram quando medidos ao lado de Jorge Nuno.

Por tudo isso, deixa o Meia Livraria aqui uma sentida homenagem ao Presidente Iluminado do Futebol Clube do Porto e um alerta: Jorge Nuno! Cuidado com Fidel Castro e Omar Bongo do Gabão. Ainda estão no activo e têm algum avanço. Que Deus lhe dê muita saúde para esta corrida e... continuação!

Domingo, Abril 22, 2007

O Vidal e o Gonçalves

Há mais de 3 anos, este mesmo blogue, o Meia Livraria, detectou uma estranha tendência nos blogues de direita: o hábito da tirada em inglês! Por dá cá aquela palha, para dizer uma qualquer banalidade, lá está uma "quote" a preceito. Desta vez detectei algo ligeiramente diferente no irritante Portugal do Pequenino: o João Gonçalves não tem no corpo do blogue as medonhas tiradas em inglês (pelo menos nos artigos mais recentes) mas, no cabeçalho do mesmo, por baixo do título (aliás, bem escolhido), apresenta uma frase do Gore Vidal: "Literature, politics, personal responses to people and events... So, herewith, my three states - united."

Nada de muito espantoso, pensará o leitor que, das duas uma, ou não conhece o Gonçalves, ou não conhece o Vidal. Aliás, estes dois senhores têm algo em comum: O Vidal não conhece o Gonçalves e o Gonçalves não conhece o Vidal.

Com efeito, um homem que lê o Equador de um fôlego... um homem cujas ideias se encostam à extrema direita salazarenta... nada tem que ver com Gore Vidal. Talvez tenha encontrado a frase num daqueles livros de citações e, como estava em inglês, pô-la no seu blogue. Deve ser isso. Não obstante... pobre Vidal!

Sábado, Abril 21, 2007

Reuniões

O PNR esteve prestes a reunir por cá com outras organizações de extrema direita. Não o fez porque o dono do recinto onde se realizaria o encontro lhes retirou, à última hora, o espaço, alegando problemas com a polícia.
No entanto, não deixa de ser estranho que os nossos fascistas moreninhos estivessem dispostos a reunir com rapaziada que os toma por seres inferiores... por essas alemanhas, holandas e franças... Eu, se fosse de extrema direita, só reunia com nacionalistas de Moçambique e do Brasil. Esses, pelo menos, e que eu saiba, nunca nos tiveram na agenda. Já os alemães... estávamos logo a seguir aos ciganos! O forno já estava em brasa!

Segunda-feira, Abril 16, 2007

Público e Reforços

Numa estatística duvidosa e infundada, mas ainda assim razoável, alvitro que em 100 bloguistas, 98 lerão o Público. Uns sempre, outros às vezes, é certo, mas este será o jornal de referência dos bloguistas. No entanto, um novo reforço deste diário leva-me a reconsiderar esta estatística. A partir de agora, o Público terá 97 leitores no grupo dos 100 bloguistas a que pertenço. Vou passar a ler o agora despoluído Diário de Notícias. Já não anda por lá o meu Dantas: vou experimentar!

(Já acho bem feito o que o Sporting vos fez! Paguem os 75 000 € que dão à justa para o ordenado do Liedson. Pim!)

Domingo, Abril 15, 2007

Uma Questão de Tomates

Kasparov já na ramona. Imagem do site kasparov.ru.


O melhor xadrezista de sempre _o já retirado (?) Garry Kasparov_ foi preso por dez horas, ontem, em Moscovo. Participava numa manifestação não autorizada contra o presidente russo. Quando se retirou do xadrez (ou melhor, da competição: ele continua o seu trabalho como escritor de livros de xadrez e cronista na mais importante revista da modalidade: New in Chess) Kasparov anunciou que se dedicaria ao combate a Vladimir Putin. E ele aí está: lidera a mais combativa oposição.
Como jogador, Kasparov sempre demonstrou uma coragem inabalável. Como político não mudou a sua habitual conduta e mostra ser um homem com tomates. Desejo-lhe melhor sorte do que a tiveram os anteriores campeões, sempre desacreditados no que fizeram das suas vidas pós-xadrez. Talvez por nunca terem conseguido convencer o vulgo que eram mais que campeões de xadrez... As massas não perdoam aos génios. E Putin não perdoa ninguém.

Sábado, Abril 14, 2007

Que Raio de Pergunta e que Boa Resposta!


Quem lhe terá feito semelhante pedido? Provavelmente ninguém, desconfia o leitor. Mas, admitindo que algum dos seus amigos (ou seguidores) mais galhofeiros lhe tenha realmente pedido que escrevesse sobre o amor, pasme o leitor com o paradigma de desinteresse escolhido por Mexia: a malária na África equatorial! Uma escolha elegante, denunciadora de superior gosto e decididamente elucidativa! É de poeta! De poeta dos bons! Daqueles de pêra! É delicioso, este Mexia!

Sexta-feira, Abril 13, 2007

Pedro Mexia

Não gosto do Pedro Mexia. E vou dedicar os próximos artigos a atacá-lo. Começo já: como poeta é economista, como economista é poeta popular. Passa os domingos no Chiado a "flanar". Raios o partam e ao grotesco mau gosto que lhe começa na chiba. Vou-me a ele. Aguardem. Vejam o subtítulo do seu blogue: "smoke and mirrors / special effects / a little fear a little sex".

Ao nível das letras do David Fonseca, não? Mais valia, como disse Reininho, rimar Wyona com...

Quarta-feira, Abril 11, 2007

Importâncias

Não tem importância, mas tem de explicar. O PM é eleito a votos, mas tem de explicar. Assim interveio o Marques Mendes após um bom momento da democracia portuguesa, porventura inédito, em que o Primeiro Ministro aparece na RTP, com os papelinhos na mão, certificados, cartas, tudo, e explicou, mal ou bem, à frente de todos quantos quiseram ver, o seu percurso académico.
Depois da coisa propriamente dita, Sócrates arrastou-se, aliviado, pela repetição das outras coisas, das do governo... a Ota, a Mobilidade Especial (um nome que podia muito bem ser o de uma operação em larga escala, com 2000 homens e 3 caças na Guiné, 1969), a restruturação da rede de urgências... nada de novo, portanto. Mas, de resto, quem queria saber disso? Sócrates foi ali, à televisão pública, explicar ao povo que o elegeu todas as questões relacionadas com a sua formação académica. O outro, o Mendes, quer agora sindicância externa, análise exaustiva, um apuramento mais exaustivo de toda a verdade, dizendo sempre que não é politicamente relevante, mas quer saber melhor.
Sr. Mendes: Se não é politicamente relevante... porque é que não se mete na sua vida? Dessa forma evitaria o suicidio, que cometeu em directo.

Terça-feira, Abril 10, 2007

O Curso de Sócrates

Anda meio Portugal azafamado com a eventualidade de José Sócrates ter um curso superior de duvidosa validade. Muito me espanta tal azáfama, devo confessar aos leitores. Conhecido por "Engenheiro", título outorgado apenas pela Ordem dos Engenheiros, Sócrates nunca o foi, sendo tal facto público e notório. Não sendo membro da OE, não é engenheiro. Seria apenas licenciado em engenharia civil. De resto, como nunca trabalhou (como engenheiro), nunca tal questão lhe terá causado grande transtorno.

Neste edifício, só como convidado ou visitante poderá Sócrates entrar...

Aquilo que se discute agora é absolutamente enigmático: Sócrates teria um curso de engenharia civil da UNI... Agora descobre-se que talvez tenha havido irregularidades nesse seu curso. Pensarão os cidadãos portugueses que isso tem alguma importância? Que diferença existe entre um curso de engenharia da UNI ou não ter qualquer curso? Pelo amor de deus! É indiferente!

O homem até se ajeita a parlamentar em São Bento, tem mão nos seus ministros, poderia ser um rico padeiro ou um excelente modista. É primeiro-ministro e foi eleito a votos. Engenheiro civil é que ele não é, nunca foi, e nunca sequer ninguém suspeitou que tivesse sido. Tendo sobre o assunto opinião isenta, mas avalizada, informo o leitor que, em Portugal, apenas uma instituição lecciona o curso de engenharia civil (vá, três... a FEUP e Coimbra também, ainda que timidamente): o Instituto Superior Técnico. Vale mais uma cadeirinha foleira de opção do Técnico que 56 da UNI e quejandas.

Deixem-se de pantominas e olhem lá para as maternidades e centros de saude que "eles" andam a encerrar! E para o custo dos remédios: as reformas do magro idoso vão inteirinhas para o bolso do anafado farmacêutico!




(E o resto é paisagem!)


Se querem ser engenheiros, estudem!

Domingo, Abril 08, 2007

Fórmula 1

Bons tempos em que Schumacher dominava a Fórmula 1. Tudo estava certo!



O Alonso ganhou. O cenário da actual Fórmula 1 torna-se calamitoso para o nosso país. Expulso do circo o Tiago Monteiro, reformado o alemão Schumacher, resta como referência o bi-campeão Fernando Alonso... É certo que o rapaz é Asturiano, de Oviedo, mas ainda assim, espanhol. Não que este blogue tenha o que quer que seja contra Espanha ou espanhóis, mas porque, num país que tem Baltazar como homem mais notável, há que buscar afirmação no lugar do costume: no vizinho. O lugar comum é inevitável e, com o crescente abrutalhamento das nossas gentes, há que dizê-lo: ser português é não ser espanhol.

Esclarecido este ponto, a Fórmula 1, que encantou gerações de portugueses, deixa agora de ter qualquer espécie de interesse para a pátria do Senhor Professor António O. Baltazar. A minha geração dividia-se em senistas e prostistas, havia até manselistas e bergueristas, rendeu-se ao lenitivo consolo da força campeoníssima e irrefutável do alemão Schumacher. Riu-se ainda a minha geração com as divertidas incursões de Lamy e Matos Chaves pelo circo, sofreu com Monteiro e com a sua bonita pêra e inseparável boné e tudo para quê? Para olhar para um tipo chamado Alonso a ganhar aquilo ano após ano?

Ocorre-me agora a tremenda injustiça que caíu sobre os homens que deixaram que o GP de Portugal fugisse. Eles sabíam o que vinha a seguir. Portugal é, afinal de contas, pátria de visionários! Ou não fosse a pátria de Baltazar, dos irmãos Cavaco e do Guarda Abel!

Sábado, Abril 07, 2007

Curiosa e Brava Luta

Terminou há pouco uma brava e curiosa luta entre um clube, o Sporting, que competia para o título, ainda remoto mas quase certo, de Campeão Nacional do jogo do futebol, e outro, o Braga, que disputava um jogo em cenário à "Blade Runner" ou "Mad Max"... Penso que os atletas do Braga, agora que terminou a partida com uma derrota para as cores minhotas, serão sumariamente abatidos. Assim pareceu pelo empenho, com guarda-redes à avançada e tudo, que essa rapaziada mostrou no final da partida! Brava malta esta e uma Santa Páscoa com ressurreição e tudo é o que lhes desejo, rapazes!

Terça-feira, Abril 03, 2007

Paulo Bento

Para dar a minha singela colaboração a um dos mais importantes assuntos da sociedade portuguesa, falarei neste artigo de Paulo Bento.

Caso o Sporting vença o campeonato penso que o lema do clube deverá ser adaptado para "Esforço, Dedicação, Devoção, Tranquilidade e Glória!"

Segunda-feira, Março 26, 2007

O Baltazar

O povo português telemovilizado votou e disse: o melhor português de sempre foi o Baltazar ou Salazar, ou lá como se chama! Por eso, y perdonen mi malo castellano, en el Media Libreria se hablará lo idioma de Cervantes. No voy a hablar lo de Baltazar!!!

Sexta-feira, Março 23, 2007

Ajuda

Dois dias depois de ter escrito o artigo do boné reli-o. E pensei: talvez precise de ajuda especializada... Usem lá o boné, rapazes!

Quarta-feira, Março 21, 2007

O Boné

Antes, apenas os trolhas, em especial estucadores, usavam habitualmente o boné. Hoje, meus amigos, Portugal é um país infestado: dir-se-á que temos um país cheio de Patos Donais!

O que pensará essa malta? Será que gostam daquele ar de cabecinha redonda, do bico de pato, do aspecto com que o cabelinho gorduroso fica quando finalmente tiram o boné: colado ao crâneo!? Será por julgarem fino que entram, e ficam, em locais fechados com o estúpido boné enfiado? Inexplicável! Talvez lhes dê gozo... mas, sinceramente, preferia que tirassem os sapatos... ou que enfiassem o dedo no nariz.

Ainda mais cretino que o uso massivo do boné num país de eterna Primavera (que aproveito para saudar) é o que neles habitualmente se inscreve: SIC, Planta, Morangos com Açúcar, Floribela, Correio da Manhã... Anda um tipo pela rua com um boné a dizer SIC?? Floribela?

O cenário é digno do imaginário Disney... milhões de patos donais e de patetas!

Sexta-feira, Março 02, 2007

OPA Blindada, Berlindada, Belindada?

Pelas rádios e televisões só se fala da OPA do Belmiro à PT. Belmiro é aquele senhor com ar de irmão Dalton e nome de pugilista do tempo da outra senhora. Do tempo desta, português, lembro-me apenas de Fernando Fernandes, pugilista que também socava com os pés. Lembro-me dele porque ele "jogava" no Sporting e porque tem um nome elegante. Mas voltemos à OPA.

Imagino os meus concidadãos, vendo a televisão, preocupados com a OPA. Imagino-os, junto à máquina do café, falando de berlindagens e desbelindagens. "O gajo compra a PT se a OPRA estiver desberlindada!", parece-me ouvir o Correia dizer. O Lopes, que compra o "Jornal de Negócios " desde os tempos em que o "Diário Económico" era à borla, chilreia do alto do seu muito saber: "Não é a OPA que é desbelindada: são os ex-tatutos! É claro que o Belmiro não pode comprar uma firma com ex-tatutos belindados. Vê-se logo que não lês o JN. Só lês a Bola!"

A menina Arlete, que ouvira a conversa aos bocados, ainda comentou: "Eu adoro a OPRA, ela já passou por muita coisa na vida e é uma mulher que eu admiro!"

Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007

Zangas

As zangas de outrora, entre poetas e escritores, críticos e jornalistas, com acusações de plágios e menoridades, emendas piores que sonetos, escritores sonâmbulos chupistas, que liam à noite sem o saberem e escreviam de dia o que não sabiam ter lido... acabaram!

Ou não?

Hoje temos uma nova vaga de zangas, divertidas, mais rápidas mas com o mesmo efeito aglutinador do "eu" português: falo do neurónio avariado de Pacheco e da doença mental de Mourinho. Falo também do ar zangado de Jesualdo e das duras reacções de Paulo Bento aos comentários de Peseiro. Falo da troca de ironias (ainda a temos!) entre Veiga e Pinto da Costa! Falo do livro de Carolina Salgado e das suas amizades com benfiquistas!

Não estamos agora muito melhor?

Domingo, Fevereiro 04, 2007

Extremos

Portugal é, sem qualquer dúvida, um país de extremos! Cristiano Ronaldo, Figo, Chalana, Futre... e até Simão Sabrosa, Quaresma, Nani, Campanha pelo Não... esta última com excomungados e cartinhas de infantários pios e santos aos pais escritas por um embrião... Sinistra, baixa, suja, nojenta, porca, cretina, bolorenta, pacóvia, provinciana, estúpida, fascista, macabra, imbecil, infame, católica, pró-pedófila, miguelista, salazarenta, inquisitória, mesquinha e até metediça e quadrilheira campanha pelo monstruoso Não.


Gosto de extremos... de quase todos eles. Menos dois: O Não e o Simão.

Domingo, Janeiro 21, 2007

Que Tal?

Caro leitor, o que acha do novo aspecto do velho blogue? Tem já três aninhos e qualquer coisa! Tem quase meio milhar de artigos e... qual deles o melhor! A mudança de look foi a minha prenda, ou melhor, presente, para este companheiro dócil e fiel!

Para o quarto aniversário, fica prometido, coloco uns bonecos bem bonitos algures por aqui!

Terça-feira, Dezembro 26, 2006

Cintos nos Comboios e o Teatrinho do Féria

Para quando cintos de segurança nos comboios? E cadeirinhas especiais, para crianças e adultos com menos de metro e meio? Para quando o uso obrigatório de capacete e botas de palmilha e biqueira de aço nos automóveis? A azáfama securitária está ainda muito aquém do desejado: Portugal tem de se civilizar. Em breve proibir-se-á o fumo em qualquer local fechado, público ou privado. Em breve terão os fumadores de carregar guizos ao pescoço para que a sua presença seja notada pelas gentes que assim se poderão precaver dos novos leprosos fugindo ou atirando pedras!

Aguardo com paciência o tempo, que não tardará, em que os passageiros do cacilheiro tenham de envergar coloridos coletes salva-vidas e galocha pelo joelho! O singelo peão terá de usar, sempre que saia de casa, o colete reflector e não apenas nas santas peregrinações a Fátima! Peregrinações que, por referendo, se tornarão compulsivas: assim o determinará a Santa Inquisição. Aos prevaricadores, ateus, biscaínhos e outros judeus, restar-lhes-á a correcção dos seus ínvios caminhos ou a purificadora e incandescente pira no Terreiro do Paço. Onde se juntarão às mulheres que façam o IVG! Findo o aroma a sardinha assada na falecida Feira Popular, venha o cheirinho a entrecosto na Baixa de Lisboa!

Em breve será La Féria o ministro da cultura e do entretenimento. Ou Berardo. Em breve se decretará ser cultura apenas o que é economicamente viável! Se Brecht tem cinquenta espectadores, se Féria enche casa atrás de casa, que conclusão se pode tirar? Evidentemente, Brecht vale menos que Féria! Ouçam o Rio do Porto e aprendam! Vejam o Féria no seu Politeama, confortavelmente sentados nas suaves cadeiras, com cinto de segurança, livres de fumo, seguros, quentinhos, com coletes reflectores, botas de segurança e bóias salva-vidas. Não vá o Tejo subir e inundar-lhes o teatrinho.

Domingo, Dezembro 17, 2006

Mais Dominicais

No Alverca-X, há mais do mesmo: Mais Dominicais! A infame história continua!

Sábado, Dezembro 02, 2006

A Lei e Marques Mendes

Um destes dias, Marques Mendes informou o burgo que votaria "Não" no próximo referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez. Tal como votou em 1998. Disse que não encontrou razões para alterar o seu sentido de voto. Admito que seja, para Marques Mendes, difícil, impossível, encontrar razões para alterar a lei. Admito até que seja difícil a Marques Mendes encontrar razões para alterar o que quer que seja.

Nada disto seria digno de nota... mas Marques Mendes avançou: é pena que a lei (que é tão boa) não seja cumprida! Esta é a opinião do líder do PSD! Destas inteligentes palavras conclui-se que Marques Mendes tenha pena de não ver as criminosas e ímpias mulheres que cometem o hediondo crime de interromper a sua gravidez atrás das grades! Tem pena que os médicos, enfermeiras e restantes cumplices não vejam agora o Sol aos quadradinhos! Tem talvez ainda mais pena de que brigadas pró-vida do puritano e muito nosso Portugal não invadam as sinistras clínicas de Badajoz e Madrid empunhando paus e atirando pedras! Tem muita pena, o nosso Marques Mendes.

Eu tenho muita pena também. Do nosso Marques Mendes. E, mais ainda, do nosso puritano Portugal. Que Deus nos ajude e guarde!

Segunda-feira, Outubro 30, 2006

A Bota Eterna

Ainda lá está! Passei por ela, pela Bota, na sexta-feira. Ela lá estava, encostada ao rail, enegrecida e eterna. Pergunto-me: desde quanto ela lá está? Terá visto Salgueiro Maia na sua chaimite há trinta e poucos anos trás? Será a bota de algum PIDE? Ou ainda: será uma bota do Senhor das Botas?

Hoje, se a conseguir ver, procurarei o elástico. Disso e doutras maravilhosas coisas vos darei conta em breve, caros leitores.

Terça-feira, Outubro 24, 2006

Sabedoria Desportiva

"O bom jogador nunca ganha mal, mesmo quando o faz por falta de comparência do adversário!"

Eis uma pérola da imensa sabedoria deste vosso criado, que, sem qualquer modéstia, incita o leitor a visitar o Alverca-X (blog dedicado ao Xadrez).

Quarta-feira, Outubro 18, 2006

O Desafio da Bota

Há pelo menos dois dias que uma bota desafia a massa de automóveis que cruza a segunda circular no sentido Sul-Norte, logo a seguir ao viaduto do Campo Grande. Está encostada ao separador central e ali se tem mantido esta semana. Desafiadora, atrevida, mágica até! Logo à tardinha, vou passar por ela e meditar, como fiz nestes últimos dias, sobre o sentido da Vida. Até que o carro da frente possa andar e, atrás dele, ande eu.

Terça-feira, Agosto 29, 2006

Quem Quer Ser Invisível?

Parte segunda em jeito de "Blogue Atento e Sabichão":

No título faço uma pergunta a que tu, leitor, poderás tentar responder. Possivelmente viste os filmes ou, na melhor das hipóteses, leste os livros e convenceste-te que seria sobejamente proveitoso deitares as mãos ao anel número um, o da invisibilidade. Falo, claro está, do imaginário Tolkien.

Então, para quê ser invisível? Mesmo as mais evidentes vantagens têm, pelo menos, gosto duvidoso! Poderás levar a cabo pequenos furtos, é certo, com magros riscos corridos. É uma vantagem para alguns, mas não é chávena de chá ao gosto de todos (não te esqueças do estilo asssumido em epígrafe: é suposto usar algumas expressões anglo-saxónicas... por escrúpulo traduzo-as). Talvez um apalpão furtivo a uma nádega distraída, ou a um seio atrevidote, alvitrarás tu, lascivo leitor! Umas viagens à borla no intercidades será sugestão alternativa, menos carnal... Talvez alguém se lembrasse de entrar no cinema ou no teatro de graça... mas, sinceramente, poucas vantagens, para além das já citadas, me ocorrem.

Quanto a desvantagens, há-as a esmo e não são de desprezar: se um tipo se distrai, facilmente é colhido por um camião com as naturalmente nefastas consequências... imagina tu, leitor, que se solta a mão do resto do corpo do portador do anel no processo de esmagamento! Que dirão os transeuntes? Que dirão os bombeiros, de saco plástico em punho, em busca da mão do cadáver? Era maneta, concluirão ao cabo de algumas horas! E o que sucederá à mão que, ainda de anel no dedo, se manterá invisível? Apodrecerá, será comida por um cão que porventura a levará para casa mesmo nas barbas do dono... Os cães vão lá pelo cheiro e raramente são vistos a ler Tolkien!

Há ainda um aspecto social importante. Gastam as pessoas o seu salário em vistosas roupas, em adornos e atavios brilhantes com o fito único de a si chamar as atenções... e tudo para quê? Com o anel, tanto faz trazer fato de treino preto, verde e lilás (indumento vistoso e distinto) como um par de calças de boa fazenda e um pull-over aos losangos bem quentinho!

Segunda-feira, Agosto 28, 2006

Invisibilidades

Por apenas 60,00 € podes aquirir o anel da invisibilidade! O estojo é grátis!
(Portes não incluídos)

Introdução à "Blogue Intimista":

Há dezasseis ou dezassete anos atrás, quando li o "Hobbit" de Tolkien, estava eu de férias na praia com os meus pais, achei que o anel que o hobbit roubara ao bicharoco dava realmente muito jeito. Depois de ler esse livro fiquei, claro, viciado e não descansei enquanto não pus as mãos na triologia "Senhor dos Anéis" que li, acto contínuo, avidamente. Ao devorar essa grande aventura, algo de intrigante me assolou como se de um vento de Mordor se tratasse (lembro-me também de ouvir à data os infames "Running Wild", banda de heavy metal alemã, e a sua potente malha "Mordor"): para que raio se afadigou toda aquela gente em busca de um miserável anel cujo único poder era o de fazer invisível aos olhos dos mortais comuns o seu portador? Nem sequer o escondia do Senhor do Mal! Só dos anões, gnomos, homens e restante bicharada!

Já na altura me encontrava munido de sagaz espírito crítico, passando a minha habitual imodéstia, e achei tudo aquilo demasiado postiço. O aparato literário, muito visual, a criação de ambientes fabulosos e fortemente apelativos mais que compensava, não obstante, a notável fraqueza do argumento e a tibieza da mensagem. Em suma, Tolkien deu demasiada importância à invisibilidade, desequilibrando assim uma obra majestosa e de enorme beleza narrativa. Um portento da imaginação humana, não obstante, e o suporte para um imaginário imperecível de árvores que andam e elfos que são muito poderosos e belos quando lhes apetece.

Consultei para a primeira parte deste "Invisibilidades" a TPTS, a "Sociedade Tolkieniana das Filipinas" por a julgar fonte digna e à altura deste Meia Livraria.

(Em breve: "Quem quer ser invisível?")

Terça-feira, Agosto 22, 2006

Organização da Biblioteca e Cartas de Editoras

O leitor vai achar que, para uma livraria, este espaço está muito mal organizado. E tens razão, leitor. No entanto, combaterei esse suave caos com determinação e esmero e, em breve, terás todos os livros devidamente colocados nas suas prateleiras. Mantém-te, por isso, atento à coluna da esquerda do Meia Livraria.

Também nessa coluna aparecerão as editoras que me enviaram e-mails com os seus catálogos! Como deves ter reparado, leitor, o endereço electrónico deste espaço é meialivraria@portugalmail.com e, por artes que desconheço, o mesmo foi descoberto pela sagaz gente que faz os livros. Sagaz e sagrada. Se eu pudesse, caríssimos editores, comprava todos os vossos livros. Uns guardava, outros não, claro. Talvez queimasse alguns, como nos bons velhos tempos!

Segunda-feira, Agosto 21, 2006

Exercício Radiofónico

Shakira, a mulher com ancas sinceras!

Experimenta, leitor, o seguinte exercício: ao viajares no teu carro, em qualquer ponto do nosso país, tenta descobrir uma estação de rádio em que, no preciso momento em que empreendes este interessante exercício, se ouça a colombiana Shakira. Descobrirás, espantado, que em qualquer que seja a hora, o dia da semana ou a região do país que atravesses, não terás de testar mais que meia dúzia de postos! Tê-la-ás trinando "my hips don't lie!" e também tu, culto leitor, trautearás a doce melodia e gingarás as ancas, escudado na casca metálica que te oculta. Fica ainda sabendo, leitor, que, caso o desejes, podes viajar de Vila Real de Santo António a Caminha sempre acompanhado pela bomba colombiana! Non stop! Basta rodar o botão!

Domingo, Agosto 20, 2006

Técnicas de Atracção

Falar do Papa João Paulo II, já falecido, de concursos "miss t-shirt molhada", da feira do sexo de Barcelona, do Dan Brown e do seu código "da Vinci"... São formidáveis técnicas de atracção blogueira! O pavão estende o seu leque de penas coloridas e a pavoa, que pode fazer para além de se render?

Vou saber junto da equipa dos "Enresinados" se a técnica tem dado frutos! Vejam a lista dos seus "posts em destaque"! Brilhante! Nem as contas do défice lá faltam!

Quarta-feira, Agosto 16, 2006

Batota

O kit do moderno xadrezista!

A batota chegou ao nobre Jogo! Numa importante prova realizada nos Estados Unidos, houve quem ouvisse bem e usasse um auricular e, num quente dia de verão, vestisse uma pesada camisola. O árbitro, sagaz, pediu ao indivíduo que se deixasse revistar e ele... não deixou! Investigadas as suas partidas, descobriu-se que executou, numa delas, 25 lances que seriam exactamente os que um forte programa de computador jogaria se estivesse no seu lugar. Pelos vistos, estava!

Domingo, Julho 30, 2006

Caricaturas


Os Toranja são uma caricatura mal esgalhada do Jorge Palma. Do grande, enorme, genial, Jorge Palma. Têm a forma mas não têm o conteúdo. O ouvinte menos atento deixa-se enganar à primeira audição. Mas à segunda, ou, quanto muito, à terceira, dá-se com o constrangedor vazio: não há ali nada. Não há verdade nem sentir, não há sangue nem alma. Não há Palma.
Fazem-me lembrar um tema do Tom Waits: "I am big in Japan". Quem conhecer este tema percebe o que eu quero dizer. Quem não conhecer... bem... tanto faz!

Sábado, Julho 08, 2006

Até os Incêndios

Até os incêndios florestais pararam para ver Petit e companhia neste Mundial! Afastados sem glória, descarrilados à força pela reduzida dimensão física nacional e pelo nulo prestígio do país (só tínhamos prestígio emprestado por Scolari e Figo, que é deles e só deles), à frente de todos fomos assaltados e ninguém deu por nada. Nem os incêndios!

Foi com pena que assisti a mais uma derrota, desta vez frente à dupla Alemanha e Japão, reedição de vetustas alianças (já não bastava a outra, menos habitaul: Uruguai e França!) e a mais uma injustiça: vi a cerimónia da entrega das medalhas até ao fim e esperava ver no corredor humano de festejos a face risonha de Petit, com medalha ao peito, e a pequenita mas simpática figura do árbitro japonês... mas nada! Só alemães! Que injustiça, meus senhores!

Domingo, Junho 18, 2006

Mundial de Futebol e Audiências

O Meia Livraria não quer, nem pode, ficar de fora do grande fenómeno mediático e civilizacional que é, sem sombra de dúvida, o Campeonato Mundial de Futebol. Realizado na Alemanha, conta com a presença heróica da Selecção de Portugal, com o seu capitão Figo, o seu menino prodígio Cristiano Ronaldo (o favorito, disseram-me, de uma revista gay), o goleador Pauleta, enfim, os homens que fazem deste país algo do qual os seus habitantes se possam orgulhar.

Infelizmente, não disponho de fotos do Cristiano Ronaldo em poses atrevidas, nem do Figo, nem sequer do guarda-redes Ricardo. Sei que esse tipo de imagem teria agora um sucesso brutal na tremenda guerra de audiências, quer televisivas, quer blogosféricas. Aliás, o casal Cristiano Ronaldo e Merche Romero ocupou no coração dos portugueses o lugar de Lili Caneças e José Castelo Branco, dupla de sonhos, vinda de um mundo de coisas bonitas, de um mundo cheio de "glamour" e de bom gosto! Quem não vibrou com a plástica da Lili? Quem não se riu a bom rir da última tropelia do Zé? Mas agora há que dar o lugar às jóias que Cristiano comprou à Merche e aos fabulosos truques que o mágico da Madeira faz nos relvados alemães!

Que bonitos truques, aliás, são os de Ronaldo! Apesar de totalmente inconsequentes, de nada valerem para o resultado da equipa, apesar de ser um jogador a menos, é ele o eleito dos corações da petizada consumidora de Morangos com Açúcar e das senhoras de todas as idades e feitios, encantadas com a carinha laroca e físico atlético do moço! Ainda por cima, é politicamente correcto afirmarem-se dele fãs, mesmo em frente ao marido ou namorado que, cúmplice, não se importava que a patroa o traísse, desde que fosse com a boa rapaziada da Selecção!

No fundo, Ronaldo resume num homem só os dois maiores ícones dos últimos cem anos em Portugal, superando-os: tem a carinha laroca de um Tóni Carreira e o físico de um Tarzan Taborda! Grande Cristiano! Ditosa a pátria que tais filhos tem!

Para finalizar, uma palavrinha de apreço para o Scolari, o homem mais importante de Portugal. Foi graças a ele que Roberto Leal ressuscitou, forte e sadio, imaculado, e, com ele, a esperança renovada numa nação de gloriosos homens que, lá fora, enchem de honra o nosso país! E, acima de tudo, lhe dão, a ele, a Portugal, bom nome! Obrigado Scolari por ter desenterrado Leal! Não esqueceu esse homem o belo serviço que Roberto fez à sua pátria lusitana popularizando no Brasil cantigas tão nossas como "Uma casa portuguesa" e deixando no país irmão uma tão boa impressão de todos nós!

Quinta-feira, Junho 15, 2006

Coletes e Logística Avançada

Pela zona centro de Portugal, assiste-se nestes dias a uma nova invasão das hordas reflectoras: a berma da lendária nacional 1 transformou-se num imenso cordão humano, verde fluorescente, que se move como uma gigantesca lagarta da couve no sentido de Fátima. Vão visitar, novamente, Nossa Senhora de Fátima (NSF, doravante no texto)!

Os meus parcos conhecimentos de estatística permitiram-me, não obstante, calcular em cerca de meio milhão o número de almas encaixadas em coletes nesta estranha migração sazonal. O meu irrequieto e logístico espírito, sempre ávido pelo entender das coisas, apoquentava-me perguntando insistentemente: e onde fica esta gente aos serões? Caminharão sem parar, ad nausea, haverá oferta hoteleira que baste a este simpático exército à chinesa?

Encontrei a apaziguadora resposta nas minhas forçadas migrações, automobilizadas devo acrescentar, naquele canal cinzento escuro flanqueado pelas linhas verdes de que venho falando: a estrada nacional 1 entre Coimbra e Águeda. Cônscio da parca oferta hoteleira da região vi a luz em forma de carrinhas de 9 lugares, identificadas com papéis impressos ou escritos à mão com redonda caligrafia, onde se pode ler "Apoio a Peregrinos" e coisas quejandas. Pois é! Carregadinhas de sandes e sumos, essas sagradas carrinhas fazem da perigrinação uma espécie de lanche volante, aliviando o peregrino da pesada mochila com casqueiros e chouriçada! Nem o clássico e latiníssimo garrafão de vinho falta nesses abençoados veículos, porque esse tanto caminhar puxa pela pinga: verde tinto porque é Verão ou quase. E NSF não quererá as suas gentes sedentas e sem alegria!

Adivinho agora o resto da operação: munidos de um pau de giz ou de uma lata de tinta de marcação rodoviária, os motoristas em sagrada missão recolhem os seus 8 peregrinos (há que rentabilizar a viatura), escrupulosamente marcando no pavimento o exacto local em que as gentes em moderno auto-de-fé pararam de dar ao pedal, para usar uma engraçada expressão que também adivinho ser usada. Acto contínuo, lá rumarão os 9 em direcção à sua terra natal para regressar, no dia seguinte, ao ponto onde deixaram a santíssima caminhada.

Trata-se de um interessantíssimo exercício de investigação operacional determinar os consumos de gasóleo, os quilómetros percorridos pelas carrinhas, os pneus deixados nas massas betuminosas, os metros cúbicos de CO2 e quejandos gases maléficos largados para a pobre atmosfera! O autor terá, e disso suspeitava já o leitor, a veleidade de alvitrar uns números, em jeito de bitaite.

Assumindo uma distância entre as localidades de origem e o destino de 100 km e que os caminhantes percorram 20 km diários... e que andem no processo um número de carrinhas que se estima em 1/8 do número de peregrinos. Assuma-se que temos 200 000 almas em colete e teremos 25 000 carrinhas (ou viagens de carrinha, o que para o efeito tanto faz). No primeiro dia percorrerão 1 000 000 km (40 km cada), no segundo dia 2 000 000 km, no terceiro, 4 000 000 km e assim sucessivamente até ao quinto dia. Ter-se-á um total de 1 + 2 + 4 + 8 + 16 = 31 000 000 km percorridos. Vá lá que cada carrinha gaste 12 l aos 100 km... e temos 3 720 000 l de gasóleo queimado!

Quase tanto como o volume de cera derretida nos rituais!

Domingo, Maio 28, 2006

Fotos de Canalizadores!

Um surto de buscas por Togo invadiu o Meia Livraria no dia de ontem! Mas foi a demanda pelo canalizador que me encantou! Vou procurar e, caso encontre, afixarei por cá uma imagem de um canalizador, um trolha, um electricista, um picheleiro (para as meninas e bichanos do Norte), um carpinteiro de toscos, um embalsamador, um matador de galos e cabritos, um domador de leões, um polícia, um ladrão, um deputado da nação, um autarca, um vendedor de automóveis, um baterista, um violoncelista, um chefe de estação, um ferroviário, um servente, um guitarrista, um bate-chapas, um jardineiro...

Com isto conto assegurar a chegada às 100 000 visitas neste mês que agora finda!


27 May, Sat, 15:38:28 Google: abanito maria
27 May, Sat, 16:38:36 Google: Curiosidades sobre o Togo
27 May, Sat, 19:20:09 Google: imagens de Togo
27 May, Sat, 20:01:33 Google: cofragem deslizante
27 May, Sat, 20:28:43 Google: historia do galho de barcelos
27 May, Sat, 20:30:28 MSN Search: morra o bispo e morra o papa
27 May, Sat, 20:37:19 Google: curiosidades do togo
27 May, Sat, 20:42:03 Google: Curiosidades de togo
27 May, Sat, 20:43:17 Google Images: sporting clube portugal
27 May, Sat, 22:08:15 Google: duplas famosas
27 May, Sat, 22:51:48 Google: HISTORIA DE TOGO
27 May, Sat, 23:06:24 Google: Um monstro como topalov
27 May, Sat, 23:37:03 Google: Curiosidades de Togo
28 May, Sun, 00:21:20 Google: Curiosidades de togo
28 May, Sun, 00:28:17 Google: resumo do livro as aventuras de Robin Hood
28 May, Sun, 02:34:02 Google: livraria
28 May, Sun, 03:30:38 Google: curiosidades sobre togo
28 May, Sun, 03:32:20 Google: "HOMENS FRANCESES"
28 May, Sun, 10:50:57 Google: IMAGENS OU FOTOS DE CANALIZADORES

Terça-feira, Maio 23, 2006

Bagdad

No sofá, sobre a protectora manta, o casal comentava as notícias que via na televisão. Um atentado em Bagdad com um bombista suicida a fazer-se rebentar na esquadra da polícia, levando com ele um par de dezenas de almas, ofuscava as outras, as de Alzira e Josué, levando-as a um transe de horror.

Já viste isto, Josué? O mundo está perdido! É verdade, Alzira! Estes árabes são maus como tudo, concordou Josué. Ai se esta gente cá chega! Não hão-de chegar! (Josué disse "hadem", mas destruiria o inegável interesse literário do Meia Livraria)

A notícia passou e, com ela, a preocupação naquelas almas. Olha lá, Alzira, já falaste com a tua prima? Já: ela vai a pé desde Sebornelho até Leiria e daí de joelhos até Fátima. Deus queira que lhe saia o euromilhões, concluiu Alzira.

Terça-feira, Maio 16, 2006

MORRA O BISPO E MORRA O PAPA

JORGE DE SENA
MORRA O BISPO E MORRA O PAPA
(De "Visão Perpétua")

Morra o bispo e morra o papa.
maila sua clerezia.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
Morram frades, morram freiras.
maila sua virgaria.
Ai rosas de sangue e leite.
que só a terra bebia!
Morra o rei e morra o conde.
maila toda fidalgula.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
Morram meirinho e carrasco.
maila má judicaria.
Ai rosas de sangue e leite.
que só a terra bebia!
Morra quem compra e quem vende,
maila toda a usuraria.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
Morram pais e morram filhos.
maila toda filharia.
Ai rosas de sangue e leite.
que só a terra bebia!
Morram marido e mulher.
maila casamentaria.
Ai rosas de leite e sangue,
que só a terra bebia!
Morra amigo, morra amante.
mailo amor que se perdia.
Ai rosas de sangue e leite,
que só a terra bebia!
Morra tudo, minha gente.
vivam povo e rebeldia.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
(1964)

Sexta-feira, Maio 05, 2006

Bela Safra!

03 May, Wed, 20:07:11 Google: livro As Aves de aristofanes
03 May, Wed, 20:23:07 Google: livraria em catu
03 May, Wed, 21:55:45 Google: Platano
03 May, Wed, 22:21:41 Google: "Por Terras de Sabugal"
03 May, Wed, 22:43:30 Google: togo e curiosidades
04 May, Thu, 00:10:25 Google: internel condominio
04 May, Thu, 00:58:03 Google: pedro boucherie mendes
04 May, Thu, 10:30:34 Google: Camus e o sentido da existência - filosofia 11º
04 May, Thu, 11:03:47 Google: malhadinhas
04 May, Thu, 15:12:06 Google: polux lisboa
04 May, Thu, 15:23:37 Google: galho de barcelos mito
04 May, Thu, 15:50:58 Google: curiosidades togo
04 May, Thu, 17:58:22 Google: fatima lopes leiria fucking
04 May, Thu, 19:14:44 Google: Manchester united e seus monumentos
04 May, Thu, 20:39:24 Google: meia livraria
04 May, Thu, 21:15:54 Google: conto o alma-grande de miguel torga análise
04 May, Thu, 21:19:05 Google: Meia
04 May, Thu, 22:44:43 Google: curiosidades sobre Togo

Esperando, ter, de alguma forma, ajudado, obrigado pela vossa visita e inabalável confiança na humilde mas firme sabedoria do Meia Livraria!

Domingo, Abril 30, 2006

Frases



O Tom Waits terá dito a seguinte frase: "Nunca vi um cão mijar na roda de um carro em andamento."

Há formas piores de entender a vida.

Quarta-feira, Abril 26, 2006

Latinos

Um português é, como todos sabemos, um espanhol sem aquela graça que eles têm, sem aquele "salero". Um português também é uma espécie de italiano sem brio, sem o esmero que eles aplicam em tudo o que fazem.

Um português, no entanto, sempre tem mais esmero que os espanhóis, que são ainda mais grosseiros que nós, e muito mais graça que os italianos, que não têm qualquer espécie de sentido de humor.

Afinal, ser português não é assim tão mau. Ainda que me lembre sempre de Almada Negreiros: "Eu nunca escolhi ser português..."

Terça-feira, Abril 25, 2006

Dia da Liberdade



Hoje é o dia da Liberdade!

Tal como registado por:

1.Perdido;
2.Abrigo de Pastora;
3.Abaixo de Cão;
4.Chez Maria;
5.Almocreve das Petas;
6.Banzai;
7.A Coluna Vertebral;
8.Fuga para a Vitória...

e tantos, tantos outros blogues que me vejo forçado a desistir da hercúlea tarefa de a todos listar aqui.

Pelo menos na blogosfera, o "25 de Abril Sempre!" ainda faz sentido.

Segunda-feira, Abril 24, 2006

A Escola e o Malhadinhas

Naquele que é um dos meus favoritos passatempos _ cheirar o Extreme Tracker em busca das buscas que ao Meia Livraria trouxeram os leitores _ arregalei os olhos incrédulos ao perceber que uma bela fatia dos que visitam este espaço o fazem na demanda por "Malhadinhas". Investiguei e descobri que essa obra de Aquilino é leitura obrigatória nas escolas!


Introdução ao Estudo de O Malhadinhas — 10º/11º Anos
De Fernando Ferreira e Júlio Macedo: Leiam "mas é" estes senhores...






Tenho então uma farta comitiva de estudantes em busca de recensões ao "Malhadinhas", cifrando eles, porventura, nas cibernéticas inquirições a esperança de fazer a cadeira sem ler o livro. Alerto-os, no entanto, para a insuficiência desses esforços, recomendando a leitura da obra de Aquilino Ribeiro ou, esteja a vossa alma defesa a tal empresa, a continuação da demanda: O texto que aqui se encontra é inacadémico em sumo grado e não será seguramente ao gosto da vossa stôra. De qualquer forma, apareçam sempre!

Sábado, Abril 15, 2006

Sismo



Hoje assustei-me! O chão fugiu debaixo dos meus pés... Mas felizmente a coisa ficou por um empate a zero na Reboleira. Podia ter sido pior.

Sexta-feira, Abril 14, 2006

A Páscoa

Continuando a trabalhar na minha profunda e muito desejada análise do obra "A Peste", que prometo reatar, vou agora mudar de registo, adaptando assim o Meia Livraria ao carácter fragmentário do seu autor. Vou falar novamente da auto-estrada A1, que liga Lisboa ao Porto!

Sendo certo que esse tema é pedra basilar deste espaço, há muito que por cá não aparecia. O leitor perguntar-se-ia, intrigado: Será que o Cláudio ficou sem carta? Descanse o leitor, sempre ávido de histórias da A1, que ainda tenho a carta de condução, pesem embora duas contra-ordenações graves por excesso de velocidade, que exibo com orgulho parolo a quem quer que comigo fale de multas e polícias e brigadas e coisas quejandas.

Ombreando com o futebol, o tema "Estrada" é o tipo de conversa que desbloqueia os habitualmente entupidos canais de comunicação verbal entre os homens. "Então o nosso Sporting?" pergunta um. "Uma desgraça!" responde outro. "Não falemos disso então... Olha, sabes que há bocado, ali no nó da A13, estava um gajo encostado à berma! Os tipos da brigada vinham num BMW azul escuro carrinha!". E a conversa segue, trocando-se avistamentos de Audis pretos e radares ocultos em arbustos e rotundas sempre com a guarda à coca de balão em punho. "Quando um gajo bebe uns copos, o melhor é ir pelos cabos de Ávila..."

Não me esqueci do que ia a dizer sobre a mítica A1! Cá vai:

Ontem ao final do dia, ao rumar a Sul vindo de Coimbra, vi a Páscoa. Uma imensa lingua amarela, com centenas de quilómetros de comprimento. Dos pontos altos, vi-a claramente, longa e serpenteante, iluminando a noite que é sempre escura na A1! A língua movia-se silenciosamente levando os que fazem a vida ateia por terras de Lisboa e arrabaldes para a terra que se diz santa e onde a cruz aguarda, nas mãos do padre ou seminarista, pelos lábios, pintados uns, à sombra de bigodes outros, das nossas gentes. E essa língua longa, que se esconde por trás dos lábios que beijam a cruz, é, meus amigos, a Páscoa. É a morte de Cristo que veio para nos salvar.

Terça-feira, Abril 11, 2006

A Peste (Parte I)

“A Peste”, de Albert Camus

PARTE I

Nas primeiras linhas do texto, o autor, escrevendo no tempo presente, introduz a cidade onde se passa o caso que se conta, Orão na Argélia, e explica ao leitor como vai ser contada a história, apresentando a principal personagem, o médico Rieux. Originalmente, apelida-o de narrador e de historiador, acrescentando que, tal como os outros historiadores, este tem as suas fontes que necessariamente o suportarão na tarefa.

Já aos olhos deste narrador, surge o primeiro acontecimento insólito, a morte dos ratos, pressagiando o que aí viria e que o título da obra denuncia: A Peste. É, aliás, assim que termina a primeira parte da obra, com a declaração oficial do estado de peste em Orão. Isso após o surgimento dos primeiros casos em seres humanos e da rápida progressão dessas ocorrências. Na acção toma intensa e relevante parte o narrador Rieux que nos dá a sua visão e alguns juízos de valor, aqui se distanciando do papel “típico” de historiador, assumindo, ao fazê-lo, uma postura de Oliveira Martins que, suspeito, seria totalmente desconhecido para Camus.

Na primeira leitura que fiz do livro, em 1995, não tinha lido ainda “O Estrangeiro” (que li, salvo erro, imediatamente a seguir) e deixei escapar a primeira intertextualidade que detectei nesta segunda, a saber, a referência (na página 68 da minha edição “Livros do Brasil”) a um caso que fazia “barulho” em Argel: O assassinato de um árabe cometido por um jovem empregado de comércio. Sabe quem leu O Estrangeiro que essa é a face visível da obra, pelo menos de Orão. Esse assunto foi comentado por uma empregada da tabacaria, quando por lá passou Grand, um tipo estereotipado, ao jeito das personagens de Kafka: o conhecido amanuense ou mangas-de-alpaca. Com esse Grand, fez Camus trocadilhos à pata galharda, infelizmente perdidos na tradução portuguesa mas adivinháveis no original.

É Kafka quem aparece na segunda intertextualidade que encontrei: Cottard, um tipo suspicaz a quem Grand tirou da forca, lia num restaurante fino da cidade “O Processo”, facilmente identificável pelo enredo resumido com que Cottard explicou a obra a Rieux. Também essa intertextualidade me passou despercebida na leitura de 1995. Assim é a juventude!


Triunfo da Morte (1562), de Peter Bruegel.

Segunda-feira, Abril 10, 2006

Dúvidas e Certezas

Há mais de dois anos que mantenho este espaço. Pautei a minha produção por um elevado eclectismo, tentando, como sempre faço em tudo o que faço (é propositada esta duplicação), manter todas as portas abertas, não me limitando. Tentando que a minha dimensão a todos alcance, estico-me, alargo-me desmesuradamente. E nesse esforço impossível, desapareço na medianía, no nada conseguir. Querendo troianos e gregos, não terei nem uns nem outros. Primeira dúvida. Mas tenho-os, a vós, que me lêem agora. Primeira certeza. Porquê? Segunda dúvida.

Quase todos vós, os que visitam o Meia Livraria, me conhecem pessoalmente e fazem-no (conhecer-me) melhor que eu próprio. Lá saberão porque cá estão. Curiosidade, estima, amor, amizade, o que quer que seja, trá-los cá. Esta é a segunda certeza. Gosto de os ter cá, claro, mas isso é apenas um facto. Como e porquê prosseguir? Pouparia tempo aos que me querem se não mantivesse o Meia Livraria? Terceira dúvida.

Mantendo a atitude dos últimos dois anos perderei a presença dos intelectuais, grupo a que não pertenço; dos sábios do futebol, onde, também me não incluo; dos que fazem da blogosfera um espaço de troca de banalidades de café, onde, já adivinharam, também não me incluo; daqueles que se interessam pelo que ganham os juízes e deputados, eu, confesso, não quero saber; daqueles que têm vidas tão interessantes que se sentem na obrigação de as partilhar com o mundo, não é também o meu caso; dos que escrevem poesia como Pessanha e não querem esperar pela editora, de Pessanha nada tenho... Qual é o meu lugar? Para que raio escrevo eu? Quarta dúvida.

Faz-me, no entanto, falta este espaço. Mesmo escrevendo "post" atrás de "post" sem qualquer comentário... Está lá, à minha espera, fiel e calmo. É uma rede que o meu peso não rompe. Terceira e última certeza. 4-3. Perderam as certezas.

Domingo, Abril 09, 2006

Alguém Sabe?

E, assim, encalhados a meia distância entre estes abismos e estes cumes, mais flutuavam que viviam, abandonados a dias sem sentido e a recordações estéreis, sombras errantes que só poderiam ter ganho força aceitando criar raízes na terra da sua dor.

Sábado, Abril 08, 2006

Ainda Aquilino: Andam Faunos Pelos Bosques


Fauno, aguarela de João Bugalho.


Em "Andam Faunos pelos Bosques" deu-nos Aquilino uma obra erudita, polvilhada com sabedoria clássica, com reflexões ancestrais, nunca concluídas, sempre por resolver. Fala-nos do belo e do divino e, veladamente, de eugenia até. Mas também nos fala da relação entre o homem e o desconhecido, campo verde onde pastam as ovelhas da fé e onde, ao contrário do habitual, pastam também pastores.

Retrata magistralmente um conjunto de sacerdotes da douta igreja, sacudindo-os e analisando-lhes as vidas e a fé. São eles, os padres, que carregam o peso da narrativa. É através deles que Aquilino nos conta a história, passada nas serras da Beira e parcialmente na cidade de Viseu, de um conjunto de estranhas ocorrências.

Micas Olaia, chorosa camponesa, chegou à aldeia relatando o que lhe acontecera: fora desmoçada por alguém, ou algo, que irresistivelmente dela fez mulher. Não lhe batera, não a confinara, não a forçara. Antes a subjugara de forma inexplicável, nada conseguindo o vigilante Eu da pobre menina contra o outro Eu, aquele que, sempre escondido, determina acções e vidas. O caso seria banal não fora a profusão de quejandos episódios nas redondezas, em tempos próximos. A coisa evoluía e a misteriosa criatura deixou o seu rasto imoral pelas pedregosas veigas da serra.

A todos foi tocando o conjunto insólito de eventos. Organizaram-se montarias, acções concertadas entre os valentes aldeões e os sacerdotes, muito se rezou e muita batida pelos ermos se fez. Para nada encontrar ou evitar. Os acontecimentos repetiam-se escolhendo sempre as mais belas moças para vítimas. Todas sucumbiram entre a sensual, irresistível e telúrica força. Às feias, às desengraçadas, a essas só Deus queria.

Numa das montarias organizadas para dar caça à criatura, se apresenta Jirigodes, homem na meia e experiente idade, retornado em glória das Africas que, senhor de grandes qualidades másculas, se encarregou de liderar a operação. Jirigodes estava enamorado por uma belíssima catraia, cheia de sensuais visões da fé, que se decidiu entregar em sacrifício às garras da criatura, após insistente chamamento divino, em sonhos, de que deu conta ao pároco local. Assim o fez uma noite, num dos fortíssimos momentos desta obra, saindo de sua casa em sagrada e sensual missão. Regressada do sacrifício veio mudada: Chegara à Terra o Inefável, que viria plantar a sua semente pura nos ventres das mais belas mulheres. A humanidade apodrecida e desviada, decadente, cheia de aleijões e mostrengos, seria varrida pela onda que se iniciara agora, enchendo-a de beleza.

O tal Jirigodes, homem de grande orgulho e vaidade, não se deixa convencer e vai para a serra, esperar o causador de tamanha afronta. Leva Barnabé, o maluquinho, que se torna na segunda estrela de um dos mais brilhantes firmamentos da nossa literatura: A espera de Jirigodes. Sabe o leitor o desfecho do episódio pelas conversas dos padres que se reunirão, na última parte do livro, em Viseu. Aparece então a teoria clássica que ressuscita a imagem do fauno. Aparece depois a católica teoria demoníaca. O duelo entre as duas "escolas", defendidas cada qual por um punhado de padres, acaba saldado por uma intervenção de um outro padre num discurso absolutamente formidável que constitui uma das mais claras e racionais definições de fé.

É neste último ponto que a obra descola do simples romance para alturas estratosféricas, de ar rarefeito e propícias a toda a sorte de vertigens: a falta de oxigénio e a distância ao solo esmagarão o mais sólido dos leitores.

Quarta-feira, Abril 05, 2006

Provérbios Modernos

1.Sempre que vires um suiço com carapinha bem escura e forte, morenaço, com farto bigode e cachecol do Benfica, fica de pé atrás. Pode ser um suisso. Ou um emigrante português.

2.O polícia nunca põe o radar em subidas.

3.Nunca confies num parquímetro avariado. Pode ter sido o tipo da EMEL a inutilizá-lo temporariamente, para te entalar.

Terça-feira, Abril 04, 2006

A Primeira Pedra

Quem nunca "arreou a giga" que atire a primeira pedra! E qual de vós nunca "foi aos arames" nem "cagou o tremoço"? Já para não falar dos onânicos apertos a pescoços de ganso... Também há necessidade, por vezes de "soltar a franga" ou "pintar a manta"!

Foi o que apeteceu fazer agora: "cagar umas postas de pescada"!

Quarta-feira, Março 29, 2006

Perseguindo Aquilino: O Malhadinhas

Nesta famosa obra de Aquilino Ribeiro se conta a vida do Malhadinhas, homem da Beira Alta, almocreve de profissão. Do berço à cova, todas as suas aventuras são contadas em estilo galhardo e solto, recorrendo a expressões populares bem pesadas pela mão do mestre. Aliás, a dose certa é o que mais impressiona nesta obra: quer na velocidade dos eventos, quer na ponderação do discurso, ora popular, ora erudito. Nuinca deixa Aquilino de escrever magistralmente, temperando sempre o verbo com o sal da terra e dos costumes e das gentes.

Há um grande debate moral em toda a história. Talvez seja esta a mensagem da obra, a relativização dos conceitos morais e civilizacionais: o gesto bárbaro que, circunstancialmente se torna aceitável (lembro-me da violação daquela que viria a ser a mulher de Malhadinhas), em passos que trazem o cunho da verosimilhança. Excepção feita talvez ao exemplo que deixei entre parentesis: pelo que Aquilino deu da mulher de Malhadinhas antes do episódio do rapto, nada indicaria a conformação da mesma, registada no subsequente enredo, nem, muito menos, o amor que, pelo dado posteriormente, seria de solidez granítica.

Talvez resida aí, nessa excepção, uma intenção do autor em mostrar a vanidade dos conceitos românticos e lamechas: pode ser uma reflexão sobre a ligação entre o idealizado e o real, que por vezes trocam de papéis. Nem sempre é o real caminho para o ideal, transmutar-se-á amiude o que sucede, o real, em pré-sonhado. Assim se convencerão as almas trocadas, assim se acomodarão, naquele movimento eterno da alma humana, entre o sonho e o real, entre o real e o sonho. Talvez seja este episódio o mais significativo da obra, o tema fulcral.

É da Vida que trata a obra, mas dizê-lo é nada dizer. Dos pormenores, das subjectividades, dos valores, da resistência ao determinismo, de tudo isso, em partes distintas, pulsa o texto. A honra será pedra basilar da alma de Malhadinhas, mas a sua concepção do divino, pagã como a terra que é Portugal, fervorosa e beata também, manifesta-se com vulto. O padre, figura omnipresente neste Portugal, amigo de Malhadinhas, o casamento, tudo se espalma pelas páginas soberbas.

Mas resuma-se a acção. Malhadinhas nasce na aldeia do distrito de Viseu, com poucas ou nenhumas letras se faz almocreve. Nos caminhos e com os amigos que são muitos, aprende a lidar com a navalha e com o pau. Avança pelo tempo, e, entre voltas a Aveiro, joga ao pau com um brutamontes, encantando uma cachopa que, por amor a outra, prima direita ajuramentada, deixa ficar com o coraçãozinho em brasa.

Pouco depois, desconfiado da quebra de resistência da prima prometida, acossada pelos ataques de um abade novo e galã, embarca numa brutal aventura, raptando a renitente prima, fugindo a macho pelos campos, em busca do padre amigo que os casaria. Pelo caminho, viola a chorosa moça, marcando-a e isso mesmo revelando ao tio, que dela era pai, ao abade e à chusma que os perseguia assim que encurralado. Por artes de tiro e de manha, galopa até ao cura que lá os casou. E, reza o resto da história, viveram felizes para sempre.

Lá continuou Malhadinhas a sua vida de almocreve violento até que, pelas alminhas lhe pediu a mulher que deixasse a navalha e o pau em paz e que se fizesse homem sério. Já pai do primeiro de dezanove filhos, que era uma menina, penso eu, o homem bravo lá acedeu. Posto à prova por várias vezes, lá se foi amanhando, combatendo entre a jura e a honra, sempre se safando airosamente. Grande Malhadinhas!

Não podiam faltar as grandes amizades e também aqui, por entre aventuras heróicas se deu e recebeu no altar da fraternidade. Sempre crente e justo, sempre honrado e duro, sempre o Malhadinhas. A brutalidade inicial perdeu o seu fulgor com o avanço nas páginas sem nunca desaparecer por completo. Teve ainda fôlego para justiçar uma neta acossada, substituindo o relapso filho no papel de castigador: limpou o sarampo ao sacripanta.

Lidou com histórias de cornos, educou homens que deixavam as calças à porta, levando um tipo a sovar a mulher que, por isso mesmo, o passou a respeitar. Moralizou à sua maneira, envangelizando no são e puro a labregada.

Corajoso até à morte, às portas da qual, não fora a sageza da mulher e, mesmo aí, lhe rebentaria os miolos com uma espingarda para que dela não se gozasse ninguém após a sua ida. Monstruoso no fim como no princípio. Não o quis a sorte porque não morreu após o episódio, para durar mais uns anos em sossego.

No fundo, Aquilino criou um animal selvagem que tentou segurar durante o texto, num genial exercício literário: Soltou a besta Malhadinhas nas primeiras linhas do texto e foi, a custo, segurando-a dentro dos limites aceitáveis nisto do viver dos bons homens, sem a manietar ou fragilizar. Manteve o demónio saltitante e a golpes de asa auto-impostos, conseguiu o mestre contar a história até ao fim, sem solavancos nem buracos na estrada. E fazê-lo está ao alcance de um limitadíssimo grupo de corpos celestes. Onde pontua Aquilino, cintilante, ao lado deste seu Malhadinhas: Afinal de contas, um bom diabo.

Domingo, Março 19, 2006

Aquilino Ribeiro

Eis um resumo da vida de uma das maiores figuras das letras portuguesas. E uma das mais injustiçadas:

1885 - Nasce no Carregal (concelho de Sernancelhe) em 13 de Setembro. É baptizado na Igreja Matriz dos Alhais (Concelho de Vila Nova de Paiva).

(Nota: Sendo filho de padre... foi a baptizar longe da paróquia própria.)

1895 - Frequenta o Colégio da Lapa. Faz exame de instrução primária.

1900 - Entra no Colégio Roseira, de Lamego. Estuda Filosofia em Viseu. Entra depois no Seminário de Beja.

1903 - Abandona o Seminário de Beja e fixa-se em Lisboa.

1904 - Regressa a Soutosa.

1906 - Vai para Lisboa. Convive com os meios literários e revolucionários e colabora em jornais.

1907 - É preso e acusado de bombista.

1908 - Evade-se da prisão e foge para Paris.

1910 - Estuda na Faculdade de Letras da Sorbonne. Vem a Portugal e regressa a Paris, onde conhecera Grete Tiedemann.

1912 - Reside alguns meses na Alemanha.

1913 - Casa com Grete Tiedemann e regressa a Paris. Publica o primeiro livro Jardim das Tormentas.

1914 - Nasce o primeiro filho Aníbal. Declarada a guerra Aquilino regressa a Portugal, sem ter terminado a licenciatura.

1915 - É colocado como professor no Liceu Camões.

1918 - Publica A Via Sinuosa.

1919 - Entra para a Biblioteca Nacional, a convite de Raul Proença. Convive com o chamado grupo da Biblioteca onde pontificam Jaime Cortesão e Raul Proença.
Publica Terras do Demo.

1921 - Integra a direcção da revista “Seara Nova”.

1922 - Publica O Malhadinhas integrado no livro Estrada de Santiago.

1927 - Entra na revolta de 7 de Fevereiro, em Lisboa. Exila-se em Paris. No fim do ano regressa a Portugal, clandestinamente. Morre a primeira mulher.

1928 - Entra na revolta de Pinhel. Encarcerado no presídio de Fontelo (Viseu), evade-se e volta a Paris.

1929 - Casa com D. Jerónima Dantas Machado, filha de Bernardino Machado.
Em Lisboa é julgado à revelia em Tribunal Militar, e condenado.

1930 - Nasce-lhe o segundo filho, Aquilino Ribeiro Machado.

1931 - Vai viver para a Galiza.

1932 - Volta a Portugal clandestinamente.

1933 - Recebe o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências de Lisboa, pelo seu livro As Três Mulheres de Sansão.

1935 - É eleito sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.

1946 - Publica Aldeia. Terra, Gente e Bichos.

1951 - Publica Geografia Sentimental.

1952 - Faz uma viagem ao Brasil onde é homenageado por escritores e artistas, na Academia Brasileira.

1957 - Publica A Casa Grande de Romarigães.

1958 - Publica Quando os Lobos Uivam. É nomeado sócio efectivo da Academia das Ciências.

1960 - É proposto para o Prémio Nobel da Literatura.

1961 - Vai a Londres e Paris.

1962 - Nasce-lhe a primeira neta, Mariana, a quem dedica O Livro da Marianinha.

1963 - É homenageado em várias cidades do país por ocasião dos cinquenta anos de vida literária. Morre no dia 27 de Maio. Nessa mesma hora, a Censura comunicava aos jornais não ser mais permitido falar das homenagens que lhe estavam a ser prestadas.

1972 - É publicado o livro de memórias Um Escritor Confessa-se.

Quinta-feira, Março 09, 2006

O Cavalheiro

No restaurante, o cavalheiro que acabara o prato principal da refeição, chamou o empregado, sujeito muito simpático, e pediu-lhe, para sobremesa, uma laranja. O empregado, minutos depois, apareceu com uma laranja descascada e cortada às fatias, pedindo-lhe, acto contínuo, o cavalheiro um pacote de açúcar. O empregado, mantendo-se simpático, trouxe o pacote de açúcar mas advertiu que uma laranja daquelas, tão docinha, teria tanta necessidade de açúcar como de água o mar.

Assim advertido, o cavalheiro esboçou um sorriso e, ao ver as costas do empregado, provou uma pequena rodela do sumarento fruto. Amarguíssima, concluíu o cavalheiro que pegou sorrateiramente no pacote de açúcar e o espalhou com destreza sobre os discos de laranja.

Concluída a operação, ocultou o pacote vazio e, chamando de novo o empregado, pediu-lhe café. Chegada a chávena de café, que o cavalheiro bebeu sem açúcar, trocou os pacotes, pondo o vazio no pires do café e o cheio junto ao prato da laranja. Pedida a conta, comentou com o empregado: "Era, de facto, dulcíssima, esta laranja!"

Satisfeito, o cavalheiro despediu-se do empregado, que lhe retribuíu o gesto cortês.

Segunda-feira, Março 06, 2006

Procura-se




Graças ao serviço prestado pela "eXTReMe Tracking" descobri que vem rapaziada ao Meia Livraria em busca de:

1. mapa almada velha rua afonso galo
2. livraria natal
3. nuno gomes fumador
4. vasco lourinho
5. efeito laranja nicolau breyner
6. "revista gina"
7. familia Solnado
8. pasteis Mangualde
9. a emigração após o 25 de abril até às decadas de 80
10. polux lisboa baixa
11. toni carreira data nascimento
12. EMBALSAMAR
13. marques dos leitões
14. judeus Angola Granada
15. GREVE DE 1907
16. polux loja
17. jacques brel amsterdam
18. toques para telemovel de morangos com açucar
19. carnaval da malveira da serra

Os meus favoritos são o 18, 19, 11 e, talvez o mais brilhante, o 3. Espero que os leitores que aqui buscaram respostas a estas questões as tenham encontrado neste humilde espaço! Sinto-me honrado por merecer a vossa confiança!

Domingo, Março 05, 2006

Teoria Política Avançada

Existe uma grande diferença entre os que são de esquerda e os que são de direita: Os últimos gastam o seu dinheiro dentro de casa; os primeiros, fora dela. E explica-se: Os de direita, como são muito importantes para-si, concentram-se no seu mundo particular, na sua capelinha, na sua casinha. Os de esquerda, relativizando a sua importância no mundo, dividindo-a com os outros, gastam os seus trocos em bens que possam partilhar com o resto do mundo. Partilhar, bem entendido, como fazia Robin dos Bosques, que roubava aos ricos para mostrar aos pobres.


Richard Greene foi o verdadeiro Robin Hood! Um autêntico Homem de Esquerda.

Sábado, Março 04, 2006

"Manifiesto por la Lectura"

Podemos comenzar diciendo con Brecht: ¡malos tiempos aquellos en los que hay que luchar por lo evidente! Lo evidente es que las personas somos habla, lenguaje, pensamiento, y que aquellos que crezcan sin el dominio de los recursos que han forjado siglos de cultura no serán ni siquiera hijos de este milenio. Estamos hablando, claro está, de la lectura.

En el sistema educativo, los alumnos que sean malos lectores tendrán dificultades para seguir las asignaturas, y no sólo las humanísticas. El enunciado de un problema de Física, la exposición de un teorema matemático, la descripción de un proceso biológico: todo es texto, texto que exige decodificación, comprensión, asimilación; en una palabra: lectura.

La escritura, en toda su complejidad (ortografía, construcción, puntuación, ...), tiene la mitad del camino recorrido en los alumnos lectores, que habrán absorbido naturalmente en el contacto con los textos los principios que habrán de guiar su producción escrita. La misma expresión oral, que en sus pausas y entonación debe transmitir la estructura del pensamiento, tiene en los buenos lectores una base eficaz: el texto bien leído es el trampolín de la palabra.

Forjar la habilidad de lectura en los ciudadanos del mañana es una responsabilidad compartida entre las familias y el sistema educativo, y de este último allá donde las familias no puedan llegar. Es en la escuela donde los más jóvenes van a tener que forjar sus habilidades lectoras, y los que salgan de ella sin haber adquirido un buen dominio de la lectura arrastrarán esa deficiencia el resto de su vida.

Saber leer bien implica en el adulto no sólo poder disfrutar una obra literaria (como de forma reduccionista suele pensarse) sino también --o sobre todo-- saber extraer la información de la prensa, de un contrato, de un texto técnico, de un manual... Una sociedad que exige de sus miembros la “formación a lo largo de la vida” no puede ignorar cuál es la vía privilegiada por la que van a llegar los conocimientos a sus ciudadanos...

Las tecnologías actuales han vuelto a situar la escritura en el centro de la comunicación: no sólo para la creación y el contacto entre personas (la pluma como “lengua del alma” en Cervantes), sino también para trabajar y colaborar en la distancia. De nuevo, los adultos lectores tendrán una clara ventaja.

Los últimos años han visto un esfuerzo sin precedentes para la democratización de la cultura a través de la Red: ¿tendremos las mejores bibliotecas del mundo a un clic de distancia y los ciudadanos no podrán acceder a ese tesoro?

Queremos escuelas que preparen a los ciudadanos del mañana através de la lectura.

Queremos escuelas donde se aprenda a leer textos de todo tipo: literarios, científicos y técnicos.

Queremos escuelas donde la lectura en voz alta prepare a los alumnos para tomar la palabra como ciudadanos.

Queremos escuelas que suministren en sus bibliotecas los elementos básicos para que todos los alumnos, con independencia de su situación familiar, puedan tomar contacto con los libros.

Amamos la lectura porque creemos, con Emilio Lledó, que “somos palabra, somos lenguaje”, y seremos ciudadanos incompletos si no dominamos la práctica que alimenta nuestra palabra interior y la despliega en el mundo.


Madrid, 30 de noviembre de 2005
(Asociación Nacional de Editores de Libros y Material de Enseñanza)

Terça-feira, Fevereiro 28, 2006

O Carnaval e a Graça de Deus

Hoje é Carnaval, dia de grande folia e rambóia, de compulsiva animação e imposto divertimento. Ao frio e à chuva dança-se o samba um pouco por todo o país. Felizmente estão bem identificadas as áreas onde tal sucede, para que não tope o passeante sempre incauto com semelhante auto de fé.

Com a crescente comunidade brasileira em Portugal, nasce um novo fenómeno: A incansável paródia nos apartamentos onde vivem! A inesgotável energia tropical, ao som de Daniela Mercury e Netinho! Eu, com a Graça de Deus, vivo num prédio que não tem brasileiros! Pude assim deixar passar, suave como água rápida em rio manso, a extraordinária Felicidade que o Carnaval traz.

Terça-feira, Fevereiro 21, 2006

O Capablanca e os Blogues

O grande campeão mundial de Xadrez dos anos 20, o cubano José Raúl Capablanca, disse, algures na sua fase decadente, que o Xadrez se finaria. Teria os dias contados, reduzido a uma espécie de jogo do galo, onde o empate seria o resultado esperado entre os melhores jogadores.

O Tempo não lhe deu razão. Empata-se hoje menos que nos anos 30, o Xadrez é mais vivo e combativo. Nem os computadores, que seriam o novo canto do cisne do milenar Jogo, fizeram mossa que se visse no Xadrez.

Por isso sinto-me desconfiado sempre que julgo estarem os blogues condenados à mediocridade e desaparecimento. Lembro-me sempre do Capablanca. Nestas, e noutras, ocasiões.

Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006

Ainda o Pina

Há, no entanto, uma abordagem ao blogue-diário bem diferente daquela com que o Pina generaliza a questão: Há muitos blogues essencialmente auto-centrados em que o autor ou autora expressa apenas os acontecimentos realmente notáveis da sua existência. Usa para tal um crivo próprio, muitas vezes bem calibrado, que torna a leitura interessante e que dilata a cosmovisão do leitor. Provavelmente, Pina conhece apenas os blogues vulgarotes e cheios de cotão de umbigo. Teve azar, o Pina.

Outros há ainda que versam o comum, em que os autores partilham a sua visão da coisa pública, dos eventos nacionais e internacionais, com maior ou menor habilidade e aptidão. Há-os bons e maus, também aqui. Pina não teve a sorte de os ler.

Há ainda os outros, que falam de música e de livros, de teatro e de cinema, de arte e cultura em geral. Talvez sejam estes os blogues técnicos a que Pina se refere.

Um outro grande grupo de blogues é aquele que contém a vatalhada: Uns coligem poemas de gente conhecida, em português, inglês ou francês. Raros são os que reproduzem poesia em alemão ou russo. Nesse grupo vive ainda um grupo sinistro de versejadores, com rima emparelhada ou cruzada, quadristas ao gosto popular, que expressam em verso a sua visão da bela e nobre arte da poesia, munidos de boa vontade, mas enfermando de grave falta do mais elementar bom gosto. Entre os blogo-poetas outros há que abordam o verso livre e a nova poesia com vetusta pós-modernice, trilhando os ultrapassados caminhos da violação do cânone, pensando ser nova a sua audácia, mas que cheira, nos melhores casos, a naftalina. No entanto, é o inconfundível cheiro a mofo que, na maior parte das vezes, perfuma a sua poesia.

Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006

O Pina

O José de Pina, tipo careca e anguloso, jovem e secamente humorado, dono de uma voz pausada e de arrastos eloquentes com tendência a rachar, é o homem, ou um dos homens, do "Contra-Informação". Aparece agora muito pela pantalha, fazendo parte do elenco fixo de um programa da SIC Radical com o Alvim, ídolo de massas juvenis, e com outros que não conheço. Vi-o uma ou duas vezes e, numa delas, definiu os blogues como algo escrito por pessoas que "têm qualquer coisa cá dentro e querem contar ao Mundo".

Num tom jocoso, definiu o bloguista como alguém que conta aos outros que comeu uma sopinha muito saborosa no restaurante tal, que partilha com a blogosfera a dor de cabeça que o apoquentou na noite anterior, etc. Os exemplos que deu não foram estes, foram outros, mas a ideia é esta. Falou ainda dos blogues técnicos, como o dele (que não conheço), algo que se situa próximo da figura maior da "internet", o "site".

Concordo parcialmente com o Pina. Há por aí muito blogue virado para o umbigo, de gente que julga a sua vida particularmente interessante para a humanidade. Concordo até com o tom jocoso de Pina ao referir-se a essa malta que enferma, seguramente, de disfunções na capacidade de auto-posicionamento e que, por ignorância ou deformação do Eu, se considera suficientemente peculiar para que publique a sua vidinha na blogosfera.

Esse é, aliás, o conceito primeiro do blogue: Uma espécie de diário partilhado. Mas, não raro, evoluem as coisas para além do conceito inicial.

Sexta-feira, Fevereiro 10, 2006

Deriva

Por ora fica o Meia Livraria à deriva. Até que veja, da gávea, eira ou beira que possa ter.

Terça-feira, Janeiro 24, 2006

Alegre PRD

Alguém notou que os votos do Alegre são da mesma natureza que os do extinto PRD? Pomposos e vazios?

Domingo, Janeiro 22, 2006

Comemoração

O Meia Livraria faz hoje, dia 22 de Janeiro de 2006, 2 anos e 12 dias de vida! São 742 dias de existência! É sabido que estas datas especiais devem ser sempre comemoradas (lembrar uma das andanças do demónio de Jorge de Sena, a "Comemoração" do Gustavo Dores) e por isso mesmo aqui fica a nota e a expressa alegria do autor deste humilde blogue pela vossa assídua visita ao longo destas mais de 15000 horas de presença blogosférica. Contas feitas, com mais de 30000 visitas, temos um leitor de meia em meia hora. E o resto é conversa!

Quinta-feira, Janeiro 19, 2006

O Regresso

Já repararam que a baixa pombalina corre para o rio? E que se fragmenta em mil pedaços, sem ligação aparente, a Norte? Nunca repararam que a Rua da Madalena é uma espécie de fosso que separa a cidade de Pombal e a outra, a verdadeira? E, por último: Onde está a fábrica da seda das Amoreiras?

Então porque raio sonhamos todos com o regresso do Marquês de Pombal? E, porque raio nos congratulamos, povo sério e pesado, com o seu anunciado regresso já no próximo domingo?


É para isto que o queremos de volta?

Sábado, Janeiro 14, 2006

Barreiros, Lagartos e Fragateiros

Na sequência do caso Teatro Dona Maria II, Zita Seabra opinou sabiamente, num acto que a todos surpreendeu! Sagaz, pegou a dissidente nas intenções de Isabel Pires de Lima e seus acólitos e sugeriu Quim Barreiros para director do citado Teatro. E boa lembrança teve a Zita, se é dramaturgia nacional e boas receitas de bilheteira que quer o governo, o autor de "Quero Cheirar Teu Bacalhau" seria o homem indicado.

O Lagarto tem a mania que é intelectual, terá pensado Isabel Pires de Lima, o Quim Barreiros é muito caro, talvez nem os 6000 euros lhe chegassem, e há aquele rapaz, o Fragateiro, que é baratucho, trabalha pelo mesmo que Ricardo Pais, e é homem para encher a casa! Afinal de contas, o que importa é isso mesmo: apoiar a dramaturgia nacional e encher os cofres do estado! Ainda hoje Isabel Pires de Lima se interroga: Por que raio estão esses artistas tão revoltados?

Zita sugeriu Barreiros. Ninguém se lembra do La Féria?


"Será que ninguém me compreende?"

Sexta-feira, Janeiro 06, 2006

Pérolas

Mário Soares foi a Gondomar. Chamou Lourenço ao Loureiro e despromoveu-o: era Major, Soares fê-lo Capitão. Como ficasse o de Gondomar agastado, subiu-lhe Soares a patente ao despedir-se: Adeus senhor Comandante, disse.

Agradecido, Loureiro ofereceu-lhe 2% dos eleitores portugueses.

Obrigado Loureiro e obrigado Soares!

Terça-feira, Janeiro 03, 2006

Os Galardões do Almocreve

Uma vez mais, lá fui ao Almocreve, em busca dos seus galardões. Esperançoso, escrutinei com nervosismo as famigeradas distinções, para descobrir, novamente, que o Meia Livraria estava de fora do grupo de blogues eleitos. Ainda não foi desta, pensei. Preparava-me para voltar a esta humilde casa, indistinta, quando apanhei um inesperado susto: O Almocreve retirara-me da sua lista de blogues! Falso alarme, apenas, concluí: Os nervos tinham-me traído! Aliviado e feliz, regressei ao Meia Livraria e escrevi este artigo.

Equaciono agora a hipótese de criar aqui um "top" de blogues. Nele exluirei, evidentemente, o Meia Livraria, e, magnânimo como sempre, incluirei em lugar de destaque o Almocreve das Petas!


Assim se sentem os excluídos! (Roubado ao próprio Almocreve)

Segunda-feira, Janeiro 02, 2006

Bom 2006!

Ora aqui está um "post" à borla! Sem conteúdo, sem imaginação, sem trazer nada de novo, sem qualquer esforço e, no entanto, útil e necessário: Bom 2006 para todos os leitores do Meia Livraria!

Sábado, Dezembro 31, 2005

Deixar de Fumar

Vivo perto de uma churrascaria. Todos os dias, após o jantar, vou à varanda fumar um cigarro. A mistura do cheiro do tabaco com o aroma leve de frango assado e com o cheiro próprio das cidades dilata-me a existência. Em dias bons, também eu trago artificiais cheiros que se trocam com os outros, enfatizando, ao mirar a torre de uma moderna igreja e a metade da cidade que um 4º andar permite ver, a magia do momento: Magia só permitida, claro, pela especial luminosidade de uma lua certa.

Como posso deixar (novamente) de fumar?

Pacientemente, aguardo pelo fecho da casa dos frangos para firmar a dura decisão.

Claro.

Sexta-feira, Dezembro 30, 2005

Escritores

Não há escritores maus. Só escritores que leram pouco. Escritores que leram poucos livros escritos por escritores que leram muitos livros. Escritos por outros escritores que também leram muitos livros e assim sucessivamente.

Não é fácil entender a teoria literária e o anterior parágrafo é disso prova cabal.

Quarta-feira, Dezembro 28, 2005

Boas e Más Notícias

Já que os meios de comunicação formais se esquecem de dar as boas notícias, dá-as o Meia Livraria: A Seca acabou! Choveu na altura certa, em boa quantidade, e chove agora.

Saíram as gentes à rua? Dançaram embriagadas nas praças das nossas cidades? Cantaram e pularam? Que fizeram as nossas gentes, tão assustadas no Verão com a Seca, para comemorar os dias de fartura que aí vêm? Quantas velas foram acesas em honra de NS Fátima? Sacrificou-se algum porco, matou-se algum boi? Fizeram-se libações? Não.

Viu-se um pouco de novela, falou-se de futebol, acompanhou-se a "primeira companhia" da TVI, vibrou-se com as vidas das celebridades portuguesas e estrangeiras, comentou-se o nascimento de Leonor, infanta de Espanha, chorou-se e riu-se com as tropelias da nossa juventude nos "Morangos com Açúcar". Comeu-se, bebeu-se, fizeram-se as necessidades básicas da condição humana (para os leitores do 24 horas traduzo: cagou-se e mijou-se).

Pode-se então chegar à triste conclusão: O nosso povo é viciado em desgraça e tristeza. Alimenta-se de fado. Triste, vulgar e feio fado. Seriam más se fossem notícias. Mas não são. É coisa velha.

Quinta-feira, Dezembro 22, 2005

Natais de um Blogue Ateu

Por ser ateu, este blogue não deseja aos seus leitores um bom Natal. Também não deseja a todos vós festas felizes na companhia dos vossos familiares e amigos!

Quarta-feira, Dezembro 21, 2005

Toques de Telemóvel

Hoje, na fila do supermercado, tocou um telemóvel. E que pensa o leitor que soou? A nova da Madonna? Uma modinha dos ABBA? Algo de Emanuel ou Tóni Carreira? Nada disso. Soou a "Carvalhesa" que é uma espécie de hino festivo do PCP.

Estivesse o Ribeiro e Castro naquele supermercado e ter-se-ia mandado imediatamente para o chão gritando: "Fujam! Vai explodir! É um atentado terrorista!"


"São eles! Os comunas! Fujam!"

Segunda-feira, Dezembro 19, 2005

Encantos

Para José Afonso, o desencanto mais não é que uma boa desculpa para os traidores. Para os que atraiçoam o Sonho e a Esperança. Talvez por isso se fique com o coração em brasa quando se escuta a "Balada do Outono".

Águas do rio correndo
Poentes morrendo
P'ras bandas do mar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar



O Encantador Zeca Afonso

Sábado, Dezembro 17, 2005

O Rapto do Menino Jesus

O sinistro desaparecimento do Menino Jesus do presépio de Portalegre causou natural comoção nas populações locais. Polícia, Igreja, Governo Civil, Ministério Público, todas essas entidades tomam agora medidas mais ou menos enérgicas numa tentativa de fazer face ao atentado contra o Bem e contra o próprio Menino!

Entretanto, os populares, culpando os protestantes anglo-saxónicos, retaliaram de imediato: por diversas varandas da cidade de Portalegre podem ser avistados diversos bonecos representando o Pai Natal pendurados. Um espectáculo sinistro, repetido agora um pouco por todo o país. Esperemos que os nossos aliados ingleses nos perdoem pela ofensa e não nos arrestem a armada nem nos bloqueiem o porto de Xabregas.

Sexta-feira, Dezembro 16, 2005

O Bin Laden é um Malvado

Finalmente Josué poderia voltar à sua terra! Em pleno Inverno de 2003 que bem sabia fugir ao frio de Portugal e regressar ao sol de Cabo Verde! Passou umas semanas com a família, matou saudades e, ao regressar lembrou-se dos amigos que tinha por cá, por Portugal. Vou levar-lhes umas lagostas, pensou!

E assim se apresentou no Aeroporto Amílcar Cabral na ilha do Sal, munido de bagagem e de meia dúzia de lagostas. Ao fazer o "check in" teve um dissabor: "As bagagens vão mas as lagostas ficam!", disse-lhe o funcionário do Aeroporto. Desanimado, Josué perguntou porquê para ouvir: "Desde que o Bin Laden rebentou as torres na América, não se pode transportar marisco nos aviões!"

O funcionário do Aeroporto olhou para a geleira, olhou para o avião que levava Josué para Portugal, já longe, e ficou indeciso. Será que a família conseguiria comer mais lagostas? Na dúvida, levou-as. Na pior das hipóteses dava-as ao porco.

Segunda-feira, Dezembro 12, 2005

Anjolas!

Portugal é pequeno, pobre e as suas gentes incultas: brutas, cretinizadas por séculos de jugo católico, não têm recursos naturais, não sabem ler nem escrever, nem somar nem subtraír, nem ouvir música, quanto mais fazê-la, em suma, são uma nulidade. Somos provincianos, invejosos, pequeninos e só ligamos ao futebol. Votámos no Isaltino e na Felgueiras, tivémos o Santana a primeiro ministro, estamos irremediavelmente condenados!
Ai de nós!
Poderia muito bem ser o discurso de uma banda punk dos anos 70, mas não! É o eterno diagnóstico dos males portugueses, não obstante o abnegado esforço dos nossos melhores cérebros por alardeá-lo pensando inocentemente que isso bastaria para que algo mudasse.
Anjolas!

Domingo, Dezembro 11, 2005

Pólux

Todas as grandes superfícies comerciais são más. Menos uma. A Pólux. Sita na baixa lisboeta, na rua dos Fanqueiros (e na da Madalena), tem inúmeras vantagens sobre as concorrentes:

1)Localiza-se numa das mais belas áreas da cidade de Lisboa e, provavelmente, do Mundo inteiro.

2)Não tem site na internet.

3)Não sendo a maior das superfíces comerciais, é a mais alta que conheço: tem 9 pisos.

4)Decorre de 3) que possui, no ultimo piso, uma admirável vista sobre o descrito em 1) ao que se soma no corrente ano o não insignificante bónus da vista sobre a árvore de Natal da Opus Dei.

5)Existem na Pólux almofadas de todas as formas e feitios.

6)Na Pólux rejuvenesce-se 30 anos, pelo menos. Visitá-la é enriquecedor. Visitar o Colombo cretiniza.

7)Faz-se exercício ao subir os 9 lanços de escadas.

Podia enumerar muito mais vantagens da Pólux sobre as suas concorrentes, mas basta-me por ora deitar o adversário por terra. Longe do Meia Livraria está a intenção de acabar com o Colombo e quejandos. Sem eles não poderia fazer as minhas compras nesse lugar mágico que é a Pólux e que é também, fica o leitor a saber, o Natal em-si.

Terça-feira, Dezembro 06, 2005

Debates e o Vieira

Ontem começou a época do debate televisivo! Cavaco e Alegre protagonizaram um aborrecido momento de televisão. Sem nada para dizer, Alegre nada disse, com pouco para dizer, Cavaco nada disse também. Talvez por nada haver a dizer.

Refresque-se a campanha e apoie-se Manuel João Vieira: O verdadeiro Manuel Alegre!


Vamos Embora Manuel!

Sexta-feira, Dezembro 02, 2005

Aumentos

Aumentam as taxas de juro na União Europeia! Bom sinal, segundo parece. Significa que o valor do dinheiro aumenta, o que, pela simples lei da oferta e procura, equivalerá a um maior entusiasmo na aquisição desse dinheiro. Mais malta a querer empréstimos, para investir, para formar empresas, para comprar casas e carros, em suma e repito-me: Um bom sinal.

Como Portugal faz parte da dita União Europeia, também por cá se tornará mais caro o dinheiro. Mas onde estão as novas empresas? Onde está a corrida ao dinheiro para carros e casas? No entanto, não há que desanimar: faltam-nos esses pormenores, mas o aumento da taxa já cá canta. Para citar a infinita sabedoria popular: "Uns bebem o vinho, os outros apanham a bubadeira!"

Terça-feira, Novembro 29, 2005

A Indonésia era Nossa!

Portugal poderia ter encurralado os indonésios em Timor após o 25 de Abril, dizem fontes seguríssimas dos EUA. E nem era preciso gastar muito dinheiro com munição, asseguram as mesmas fontes.

Aquela rapaziada que nos governou após a Revolução dos Cravos era, com efeito, malta de vistas curtas! Poderíamos ser hoje donos de um império com mais de 200 milhões de habitantes e vêmo-nos reduzidos a este canapé europeu (como lhe chamava D. João VI, o pai do Pedro e do Miguel). De Lisboa governaríamos todo o arquipélago indonésio e tudo isso em troca de quê? De meia dúzia de quilos de pólvora e um punhado de cartuchos!

Não ouviram os americanos e deixaram fugir a oportunidade de encurralar os indonésios! E se a todos parece evidente a superioridade física do soldado português face ao militar indonésio, já causa estranheza a não imposição atempada dessa manifesta força.

Deixámos fugir as Índias, o Brasil, o ouro do Brasil, Angola, o petróleo de Angola, os empréstimos do fomento do fim do século XIX, os fundos da UE, o ouro nazi e agora isto! Segurámos, valha-nos isso, o Euro 2004 e um 8º lugar na Eurovisão.


Indonésia: Província de Portugal?

Sábado, Novembro 26, 2005

Pássaros na Lezíria Grande

Águias, carraceiros, pardais, estorninhos, tordos, tudo o que é pássaro vôa pela grande lezíria. Não sendo a ornitologia uma das minhas habilidades, nutro pela vida alada uma forte curiosidade e pergunto-me: O que seria das águias sem os cabos de telefone? Onde pousariam? E o que seria das cegonhas sem a EDP e os seus postes de alta tensão? E os pardais que comeriam se nada fosse semeado?

Triste seria a vida dos pássaros da Lezíria Grande sem nós! Sem um coelhito atropelado na Estrada do Camarão, o que comeria a águia? E se não deitássemos a sande de torresmos a meio pela janela do carro o que depenicaríam os pobres tordos!

Haverá algo mais belo que a simbiose entre o homem e o animal?

Quinta-feira, Novembro 24, 2005

A Casa dos Couratos

Hoje almocei na casa dos couratos em Vila Franca de Xira. Não se assustem os leitores que não transformarei o Meia Livraria em diário pueril onde se desbaratem os nadas e as vulgaridades que constituem o dia a dia do comum cidadão. Para dizer uma expressão que há muito não dizia, e que é do O'Neil, não vos aborrecerei com a minha vidinha.

Falo-vos dos melhores couratos que a humanidade consegue extraír do porco: os couratos da tasca "O Túnel" em Vila Franca de Xira, para muitos, o ex libris da cidade! Foi a segunda incursão a este mítico local que efectuei nos passados meses. Na primeira, fiz-me acompanhar pela "Morte em Veneza" de Thomas Mann cujas primeiras páginas devorei segurando o livro com a mão esquerda e o courato escorrendo molho picante com a direita. Lembro-me da sensação inebriante e quase mágica que o gondoleiro bandido me causou quando empurrei um pedaço da pele do porco pela goela abaixo com o auxílio de uma farta golada de "Frutol". E qual não foi o meu espanto quando mirei com Mann a família polaca no hotel não perdendo de vista, pelo canto do olho, a tropa trolha que entrara ululante pela taberna!

Hoje fiz-me acompanhar pelo "meu" encarregado, um tipo bem disposto com quem partilho o amor pelo courato. Somos, por assim dizer, irmãos de alma courateira. Recordou-se da última vez que ali viera, esforçou-se por apurar o ano, 1996 ou 1997, e contou-me com precisão a história desse dia. Lembrei-me também do distante ano de 1991 em que, após a elaboração da prova específica de matemática para acesso à universidade, que por me chamar Cláudio e por começar Cláudio pela letra C me tocou fazer em Vila Franca, ali estive. Chamasse-me eu Xavier e calhar-me-ia Malveira da Serra, ou Cabo da Roca, mas assim não é e assim colmatei a dura prova na casa dos couratos com alguns amigos de nome César, ou Carlos, ou Daniel. Partilhei esta história com o meu irmão de courato e revelei-lhe a nota que tive, os problemas que saíram, o meu método de estudo, enfim, partilhei aquilo que sempre se partilha com um dos nossos. Falando de boca cheia e mão pingada de picante para ouvidos que guardavam, como guardam as asas das aves os seus ovos, uma boca também cheia de divino courato.

Quarta-feira, Novembro 23, 2005

Homossexuais de Fora das Igrejas

A decisão do Vaticano de impedir a ordenação de padres homossexuais despertou já diversas reacções indignadas: Desde as associações de homossexuais, directamente afectadas pela decisão, até ao corpo de bailarinos do Politeama!

O novo papa Bento XVI começa a impôr a sua lei e as vítimas são as do costume: os homossexuais agora, os ciganos depois, os judeus logo a seguir, eslavos em geral, africanos, enfim, o cheiro das fogueiras depressa se fará sentir por todo o mundo católico. Em breve curar-se-ão os males do mundo em autos de fé e churrascos humanos pelas praças das cidades tementes a Deus e respectivo séquito de santinhos.

A polémica medida faz ainda temer pelo contigente sacerdotal da santa igreja! Impedidos de celebrar missa, que farão os padres homossexuais já em funções? Dos 7 e tal percento de desempregados em Portugal, por exemplo, passar-se-á num ápice para os 10 ou 12!

E que pode agora fazer um pobre homossexual de provínicia para esconder as suas tendências naturais? Sem o refúgio do seminário? Será sinistro o seu futuro!

Segunda-feira, Novembro 21, 2005

Arriba Franco!

Comemora-se agora os 30 anos de uma data feliz para todo o Mundo e para quase toda a Espanha: A morte do ditador e torcionário Franco. Que a terra lhe pese bastante! Sobre essa sinistra figura lembro-me sempre daquela célebre frase: "Arriba Franco! Mas alto que Carrer Blanco!"

Uma frase bem disposta que alude ao assassinato de Carrer Blanco que foi pelos ares num atentado à bomba. Terá subido bem alto, esse senhor, e muitos queriam ver o ditador subir mais alto que ele. Infelizmente não subiu tão cedo como deveria e acabou descendo, há 30 anos, ao Inferno, de onde nunca deveria ter saído.

Domingo, Novembro 20, 2005

Presidenciais

Quem ganhará? Soares ou Alegre? Louçã ou Jerónimo? Carmelinda ou Garcia Pereira? Três excitantes duelos esperam por nós no dia 22 de Janeiro de 2006! Cá vão as minhas apostas: Soares x Alegre 1X; Louçã x Jerónimo X2; Carmelinda x G Pereira X2.

Façam também as vossas!

Sexta-feira, Novembro 18, 2005

Aveiras e a Coluna Dorsal

Motivos profissionais mandaram-me ontem para as altas serras da Beira Alta. Para tal, havia que acordar cedo. Feitas as contas e para uma viagem calma, teria de me levantar às seis da manhã. Tocou o despertador e, confrontado com a necessidade de me levantar, equacionei as costumeiras desculpas para adiar tão indesejado acto. Venceu a espinha dorsal e, levantando-me corajosamente, consegui chegar ao destino meia hora antes do combinado para um um café descansado e uma leitura do jornal antes do encontro marcado. Tudo correu como previsto.

Ao almoço, através de um televisor, soube que na autoestrada A1, em Aveiras, no sentido Sul-Norte, houve um brutal acidente por volta das oito da manhã envolvendo oitenta viaturas e causando a morte a três pessoas. Tivesse o meu lado invertebrado vencido e não teria passado pelo aziago local meia hora antes do acidente, como passei. Talvez os planos revistos não acertassem no eventual atraso admitido, talvez me atrasasse mais um bocado, se lá chegasse de todo.

De vez em quando sabe bem ter coluna dorsal.

Quarta-feira, Novembro 16, 2005

O Tabuleiro na Montra

Um prestigiado xadrezista holandês, Hans Ree, conta uma história que a todos diverte e dispõe bem: Numa loja de Amesterdão, estava um tabuleiro de Xadrez na montra, com as respectivas peças dispostas ao contrário. Como o leitor mais versado nas artes do nobre jogo sabe, fica a casa branca à mão direita de ambos os jogadores, regra ditada pelas leis do jogo e da simetria. Ree, ao passar pela tal loja e ao dar com o erro do lojista, entrou. Falou com o proprietário, fez-lhe saber que trilhava ínvios caminhos e quis-lhe emendar os lamentáveis lapsos, para ouvir uma inesperada resposta: "Pensará o senhor que é o primeiro pedante a entrar na loja para me elucidar? Pois saiba que muitos o fizeram já e todos alguma coisa compraram, que para isso tenho eu os dotes de vendedor. Com o tabuleiro assim montado, em jeito de engodo, não me faltam xadrezistas dentro da loja". Eventualmente Ree terá, que remédio, comprado algo.

Termina assim uma bonita história que, por cá, teria contornos bem diversos. Nas lojas onde se vendem tabuleiros de Xadrez em Portugal é costume distribuir-se as peças pelas casas negras do damasquinado, preenchendo todo o tabuleiro que aparenta assim raquitismo e consequente desproporção. Nenhum xadrezista entrará pela porta para corrigir o relapso vendedor, em primeiro lugar pela vergonha que têm sempre os portugueses de ser o que são e, em segundo, pela evidente inutilidade do esforço, dado o grotesco afastamento do exposto à singela realidade. No entanto, estou seguro que entrasse o incauto xadrezista na loja e dela não sairia sem tapete ou candeeiro de pé debaixo do braço.

Terça-feira, Novembro 15, 2005

O Conhecimento

Porque razão nos dá o conhecimento, ainda que incompleto e canhestro, tanta alegria? Existirá algo melhor que compreender, que sentir o clarão que o saber sempre acende nas nossas almas? E porque será que tantos elogiam a ignorância? Ter-se-ão esquecido da magia da aprendizagem, da vertigem da descoberta?

Assustar-se-ão com o estatuto de neófito, de ignorante, de derrotado? Como, se a mim nada me entusiasma mais que descobrir-me numa sala onde sou eu o menos sabedor e logo o que tem mais a aprender? Não rejuvenescemos todos quando começamos algo de novo? Qual será a sinistra razão que senta agora milhões de portugueses em frente ao aparelho de televisão onde apenas lhes é dado o que já sabiam: Que o Francisco José traíu a Jocimara e que a Neide afinal é filha do Coronel?

Segunda-feira, Novembro 14, 2005

Manifestações em Belém

Sempre que passo por Belém ao domingo dou com uma razoável manifestação. Não muito grande nem muito pequena. Constituída na sua maioria por gente cigana e por gente de fato de treino preto, verde fluorescente e lilás, lá estão eles, os manifestantes, apinhados, tapando a bela calçada à portuguesa, tão nossa, nossa dos do fato de treino que aos outros nunca ninguém viu assentar o mais pequeno paralelipídedo que fosse, que fique claro.

E que terá feito o Presidente, pensará o leitor, para que tantos e tão patuscos se reunam em Belém num ritual dominical? Seria válida essa questão se não estivesse o magote deslocado um bom quarteirão do Palácio Presidencial. Escorrem, fique o leitor sabendo, escorrem luzidios, derramando-se pela rua, vindos de dentro da casa dos pastéis de Belém!

Domingo, Novembro 13, 2005

Deliciosamente Migado

Num destes dias, tomava um café no único estabelecimento aberto em toda a Lezíria Grande, e ouvi, como sempre faço com desavergonhança, uma alheia conversa em que um cidadão, calramente alterado, explicava a dois atentos companheiros a sua aventura do dia: "Se eu não me tenho desviado com o carro ficava todo migado!"

Deixei em itálico a palavra migado por a considerar, acima de todas, um dos mais belos vocábulos da língua portuguesa! Confesso-me até um pouco baralhado, taralhouco, e feliz por se ter o homem safado de boa!

Que bonita é a nossa língua!

Sábado, Novembro 12, 2005

Os Assassinos

Ontem, à porta de um tribunal algarvio, acotovelava-se a turba guinchante, clamando vingança contra os algozes da pequenita Joana! Assassinos, gritava uma mostrando os dentes que lhe restavam, Tragam-na cá para fora, ribombava outra, com falsetes rompidos pelo catarro.

Não tenha o leitor a menor dúvida: Daquela turba revoltada poderá recrutar assassinos tão ou mais tenebrosos do que os julgados ali. São os assassinos em botão que agora se indignam e que amanhã desabrocharão em sinistras flores vermelhas de sangue. E negras de ignorância.

Sexta-feira, Novembro 11, 2005

Inveja

O Dr. Soares candidata-se à Presidência da República aos 81 anos. Hoje está em Espanha para umas conferências, ou entrevistas, ou lá o que é. Mandata-o, para a juventude, uma boneca que tanto é do Bloco de Esquerda como do Soares como do Sporting ou do Benfica mas que enfeita bem e alegra a alma. Soares tem 81 anos e não joga dominó na tasca do ardina.

O Dr. Soares tem uma fundação, tem um séquito de apoiantes, é famoso e diz o que quer. O maior partido português apoia-o. Ele tem 81 anos e não está no lar sentado numa cadeira mirando de cérebro desligado a parede por trás da televisão que devolve a Praça da Alegria. Soares não espera o Domingo para ver algum dos netos.

Não sei se vou votar no Soares nem isso importa. Nem gosto por aí além do Dr. Soares. Sei apenas que tenho uma profunda inveja antecipada por esse homem de 81 anos. E mais inveja ainda de um homem que manda à merda quem achar que deve mandar. E que mandou à merda o chinelo quentinho e a manta sobre os joelhos.


Dr. Mário Soares.

Quinta-feira, Novembro 10, 2005

"Chess Bitch"

Por outras paragens, o Xadrez evolui e mostra-se à altura dos tempos modernos. Em Nova Iorque, no lendário Marshall Chess Club em Manhattan, foi lançado um livro escrito por Jennifer Shahade, a campeã norte-americana de Xadrez de 2004, com o sugestivo título "Chess Bitch". Pelo que consta, versa a invasão feminina da cena xadrezística nos EUA focando-se nas diferenças entre géneros e atacando alguns preconceitos. Parece que nem Garry Kasparov foi poupado.

Para os leitores que não dominam inglês, traduzo a palavra que não conhecem: Chess significa Xadrez. Para os bloguistas de direita esclareço: Manhattan é aquilo a que vocês nos vossos blogues chamam, com afecto, "Big Apple".

Para finalizar, deixo esta opinião: "One woman’s fascinating true story of the life of a champion chess player. All women should take up the challenge and pick up a board! Chess anyone?" – Yoko Ono (Alguém se lembrava dela?)


Chess Bitch de Jennifer Shahade.

Quarta-feira, Novembro 09, 2005

TVI

Nos noticiários da TVI a palavra medicamento foi abolida devido à sua enorme complexidade. Substitui-se para os fins necessários pela palavra remédio.

O mais sinistro de tudo é a absoluta veracidade do anterior parágrafo, caro leitor.

Terça-feira, Novembro 08, 2005

A Ponte de Granada

Morreram 6 operários nas obras de construção de uma ponte para a autoestrada do Mediterrâneo, em Granada. Este tipo de acidente é indesculpável. A direcção técnica do obra, a fiscalização, o dono de obra, o projectista da estrutura, o projectista do sistema de cimbre, todos, ou quase todos, têm de falhar para que colapse a estrutura de suporte construtivo de uma ponte desta dimensão.

O sistema utilizado, com recurso a uma viga metálica apoiada nos pilares, onde corre uma cofragem deslizante, é bastante complexo e exige um controlo rigoroso de todas as ligações metálicas aparafusadas e soldadas na viga, bem como uma verificação milimétrica do posicionamento das cargas, de forma a poder determinar os esforços actuantes na ligação entre a estrutura do cimbre e o pilar.

Sobre um modelo de cálculo correcto, bastará uma verificação topográfica adequada e um controlo de qualidade apertado aos equipamentos de cimbre (viga e carro) para que as coisas corram bem. Neste caso, o colapso deu-se no apoio da viga metálica sobre o pilar podendo-se questionar de imediato a suficiência das ligações entre a fase já consolidada do tabuleiro e a zona de arranque, bem como o estado das ligações aparafusadas do sistema de asnas que constitui a viga de suporte da cofragem.

Essas ligações aparafusadas são efectuadas com parafusos de aperto controlado com chave dinamométrica que só podem ser utilizados uma vez. Uma das prováveis causas do acidente será a eventual reutilização das asnas que poderiam estar dimensionadas para outro vão, ou a indevida utilização de parafusos já esforçados. Não seriam razões económicas a provocar este tipo de falha, seguramente o custo dos parafusos não pesará nesta empreitada, mas sim a eventual preocupação com prazos a causar algum desleixo neste importantíssimo ponto.

As asnas tinham sido inspeccionadas 3 meses antes do acidente, dizem os jornais. Isso pouco ou nada importa para este caso. Nessas inspecções é provavelmente verificado o estado de cada módulo com especial ênfase dado à corrosão das peças que compõem a estrutura e a eventuais cortes na mesma. A menos que as asnas estivessem quase apodrecidas ou com cortes evidentes, é improvável que seja essa a causa do colapso. Essas estruturas não colapsam na globalidade por ruptura de um dos seus elementos, mal seria de todos se um parafuso partido ou um perfil metálico podre deitasse abaixo o cimbre de uma ponte.

Se foi o modelo de cálculo que falhou, tudo é muito mais estranho. A validação técnica dos modelos é hoje bastante eficaz, com recurso a software apropriado, e, normalmente, este tipo de trabalho é executado por um gabinete de projecto tecnicamente sólido com engenheiros recrutados nas melhores universidades e com formação contínua: mestrados, pós-graduações, doutoramentos, etc. É a vertente mais académica da engenharia civil "práctica". Será, portanto, pouco provável que se trate de uma conta mal feita.

Por Espanha debate-se agora o problema da subcontratação como eventual causa de sinistralidade: é falso. A subcontratação resume-se à execução dos trabalhos e à sua coordenação localizada, e nunca à direcção da obra ou à elaboração dos projectos. Mesmo as normas de segurança devem ser implementadas pelo dono de obra, fiscalização e empreiteiro, cabendo a essas entidades assegurar o seu cumprimento. Não é o operário ou um conjunto de operários (que no fundo é o que significa subcontratação) que planeia o cimbre ou dá as ordens para o avanço da cofragem deslizante. Se o subcontratado falha, é porque toda a cadeia hierárquica falhou já. É porque não está lá ninguém, nem fiscal, nem director de obra, ou se está, falhou. Não foi o Manuel nem o Joaquim. Atribuir as responsabilidades do acidente aos subcontratados é uma falácia xenófoba e que só engana quem não conhece os meandros da construção em obras públicas, que, no fundo, é a larga maioria da população. Em suma, arranja-se um bode espiatório para as massas.

Além disso, não são os tradicionais problemas de segurança que estão por trás deste acidente. Não se trata de falta de guarda-corpos, ou de linhas de vida, ou de equipamento de protecção individual: Nenhum destes equipamentos de protecção valeu às vítimas deste aziago acidente. Neste caso, foi o colapso da estrutura metálica de suporte que causou a tragédia e este é um problema de engenharia e não de segurança e higiene no trabalho. Os protestos dos sindicatos espanhóis sobre a falta de condições de segurança nas obras podem ser muito pertinentes mas não se aplicam neste caso.

Agora pararam todas as obras naquele tramo de autoestrada: Uma medida histérica sem nexo algum que parece questionar de uma assentada toda a engenharia. Uma coisa é certa: Para cair uma estrutura daquele tipo falharam demasiadas coisas. E não é essa a regra, por muito iluminadas que sejam agora todas as almas aflitas. Não há magias nem misticismos, nem sortes nem azares e não se vai agora descobrir que afinal todas as pontes estão a cair.


Acidente em Granada.

Segunda-feira, Novembro 07, 2005

A Linha Maginot

Os franceses sempre souberam defender o seu território! Voltem a construir a linha Maginot!


A inviolável Ligne Maginot.

Domingo, Novembro 06, 2005

Limpezas

Esta tarde fiz uma limpeza na minha lista de ligações "Recíprocos". Descobri 33 embalagens vazias de blogues (que depositei na lista "Inactivos") e 22 blogues que se arrependeram de ter "linkado" o Meia Livraria. Já lá tiveram o "link" e, por alguma razão, removeram-no! Esses estão na lista dos "Arrependidos"! Malta culta, já se vê, que sabe muito e não precisa de ler na Meia Livraria!

(Amanhã retomo o tema de ontem.)

Sábado, Novembro 05, 2005

Juventude e Veterania

Há dias falei aqui da vitória do jovem Wang Hao no Torneio Aberto de Kuala Lumpur. Trata-se de um rapaz de 15 anos, que ainda não tinha o título de Grande Mestre (atribuído pela FIDE de acordo com um conjunto de critérios definido) e que o ganhou nesta prova.

Confesso que me sinto um pouco irritado quando a canalhada imberbe vinga, ainda que episodicamente, no circuíto internacional de Xadrez. É certo que neste caso se trata de um torneio aberto, onde as hipóteses de surpresa são mais prováveis, mas penso que estes acontecimentos descredibilizam de alguma forma o Nobre Jogo.

Crianças prodígio, máquinas que jogam Xadrez, são números de circo, tal como o torneio Melody Amber jogado anualmente no Mónaco, patrocionado pelo milionário pai de uma menina chamada Melody Amber (!) em que parte da elite mundial joga umas partidas às cegas e umas rápidas. Toda essa parafernália circense contribui para que uma boa parte da Humanidade veja o Jogo como uma excentricidade, deixando de ver a grande contribuição que o Xadrez pode dar, e dá, para o desenvolvimento das capacidades intelectuais e carácter dos seus praticantes.

Aos grandes campeões Gary Kasparov e Anatoly Karpov nunca puderam os euros do Sr. Amber comprar números de circo.

Amanhã desenvolverei o tema das crianças prodígio seguindo um recente artigo publicado por Kasparov na publicação New in Chess.

Sexta-feira, Novembro 04, 2005

O Coelho Xadrezista

Gente mal informada apelidava o Coelho de boçal, labrego, mafioso. Gozavam-lhe o "hadem ver", riam-se das suas gravatas, caçoavam das suas camisas e dos casacos azuis com botões de punho dourados! "Parece um revisor da Carris!", diziam, os chocarreiros!

E afinal, calam-se agora essas vozes! Descobriram no Coelho um homem de gostos requintados, um caprichoso xadrezista, nada de dominó belga na tasca em frente à estátua do ardina! Qual sueca! Este homem desvenda em tabuleiros de marfim os segredos de Steinitz e Chigorin! Com que volúpia repõe com as suas pesadas peças de prata os mágicos passos de Morphy ao som do Barbeiro de Sevilha! E ainda mais estará para vir! Em breve, os leitores hadem ver quem é o verdadeiro Coelho!

Quinta-feira, Novembro 03, 2005

Ditosa Pátria 2

Na sala de espera, uma menina ainda adolescente, grávida, conversa com a mãe, que também o foi adolescente, sobre o nome a dar à cria caso seja do sexo feminino. O pai quer pôr-lhe Inês, disse a rapariga. Acho feio, acrescentou. Para mim, ou fica Bianca, ou Maura, ou Bruna.

A realidade assume contornos que de tão sinistros fazem do damista Poe um inocente contador de fábulas para crianças.

(Sabia o leitor que Edgar Poe preferia o jogo das damas ao Xadrez? Considerava-o demasiado complicado... talvez considerasse a verdadeira literatura muito complicada também!)

Quarta-feira, Novembro 02, 2005

Ditosa Pátria

Ao balcão do que pensei ser uma pastelaria, cheia de espelhos e com balcão de vidro côncavo, com cadeiras e mesas lacadas de branco e rosa, ouvi um senhor dizer que tinha bebido cinco litros de vinho desde a hora de almoço. Faltavam poucos minutos para as sete da tarde.

Intrigado por semelhante discurso em tão elegante sala de chá, espreitei sobre o ombro direito e descobri, numa extremidade já em mármore do balcão, três cavalheiros que se batiam com minusculos copos daquilo a que se convencionou chamar "penalties". Tintos dois deles, o outro com mistura. A conversa continuava. O dono do estabelecimento disse ao tipo que se gabava de ter despejado o garrafão naquela tarde que o vizinho do outro bebia nada mais nada menos que dez litros num dia. Cinco de manhã e cinco à tarde, claro está. O primeiro insistia que não era água pé nem nenhuma zurrapa, era mesmo vinho o que havia bebido. Como o segundo insistia nos dez litros do outro, o primeiro rematou com um brilhante: "Eu antigamente despejava duas garrafas de licôr beirão depois de almoço!"

Saí do estabelecimento radiante por ser desta ditosa pátria. Que tais filhos tem.

Terça-feira, Novembro 01, 2005

Fedro

"Num dia cálido de Verão da década que decorre entre 420-410 a.C., Fedro, vindo de junto de Lísias, onde estivera a exercitar-se na arte oratória, trazia o manuscrito de um discurso deste sobre amor, dirigia-se em passeio para fora das muralhas. Encontra Sócrates, e os dois sentam-se sob um plátano copado, junto do Ilissos, a conversar sobre a retórica, ou melhor, a genuína are de falar, que se deve basear na filosofia."

Assim se introduz Fedro, de Platão, num exemplar das edições 70, colecção "clássicos gregos e latinos".

Este texto exemplifica com esmero a dimensão dos filósofos atenienses da época. Só o grande e elevado desprendimento das coisas do corpo permitiam a Sócrates e Fedro conversar sobre oratória debaixo de um plátano.

Segunda-feira, Outubro 31, 2005

Temperaturas

Todos os anos se observa, por todo o país, um curioso fenómeno: A interpretação da temperatura efectuada pelos nossos cidadãos varia com o calendário! Se numa noite de Agosto, 25º chegam e sobram para uma camisa de alças e um calção florido, numa tarde de Novembro não evitam que por esses armários fora se dê o êxodo de camisas interiores, camisas de flanela, blusas de lã, sobrecasacas e calças de forte fazenda! Se antes ao pé chegava o chinelo, agora exige meia grossa e bota forte para os mesmos vinte e poucos graus!

Domingo, Outubro 30, 2005

Sala dos Fumos

A minha condição de invertebrado, já conhecida do leitor do Meia Livraria, devolveu-me ao grupo dos fumadores há algum tempo atrás. Após cerca de ano e meio sem fumar, consumindo durante mais de metade desse período pastilhas de nicotina, claudiquei e verguei-me ante o poderoso chamamento dos prazeres do fumo. A prazo, convenço-me, mas fumando sempre.

Esta introdução leva-me ao tema do presente artigo: A Sala dos Fumos. Trata-se de uma invenção dos anos 90, data dos tempos do nascimento do fenómeno do fundamentalismo anti-tabagista, e é, nem mais nem menos, que um qualquer recinto em lugares públicos ou locais de trabalho, onde é permitido fumar. Lugares lúgubres, dantescos e sinistros que, não obstante, me fazem abastardar um poema do maior trovador português: O Jorge Palma (um abraço para ti, pá, se estiveres a ler isto).

Então cá vai: "Na sala dos fumos podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal; Na sala dos fumos toda a gente trata a gente toda por igual(...)"

Sábado, Outubro 29, 2005

Plátanos e o Método Científico

Fiz uma interessante descoberta no campo da botânica e da zoologia, de forma acidental, mas justificadamente científica: O plátano tem um efeito fortemente laxante sobre o passer domesticus, vulgo pardal (Tese). Vejamos o desenrolar do método científico:

Problema: O carro está cheio de dejectos de pardal.

Hipótese: Os pardais, vítimas de um poderoso efeito laxante, não se seguram, mesmo sabendo que existem carros por baixo onde pernoitam.

Experiência: Durante várias noites, estacionei o carro sob diversos tipos de árvore: salgueiros, plátanos e choupos, tendo anotado os resultados pela manhã.

Análise: Comparando os resultados do processo experimental, concluí que era sob os plátanos que os efeitos se mostravam mais devastadores. O resultado final revelou ser verdadeira a tese inicial.

Corolário: A probabilidade de se encontrar lugar para estacionar debaixo de um plátano é superior à de conseguir estacionar debaixo de qualquer outra árvore ou a céu aberto.

Sexta-feira, Outubro 28, 2005

Fundamentalismo no Irão

A situação é realmente preocupante. O alarme em toda a região é compreensível e necessário. Trata-se de um dos países mais conservadores do planeta. Mesmo as forças da chamada esquerda são constituidas por perigosos fundamentalistas, presos a conceitos medievais e saudosos do bom e velho obscurantismo. Se assim é com os de esquerda, o que dizer dos que se assumem de direita.

A verdade é só uma, o país é de direita e sempre assim foi. Talvez a sua condição periférica lhe force as gentes ao retrocesso civilizacional. Provavelmente, nem o seu glorioso passado, progressista em fugazes e inesquecíveis momentos, funcionará a favor de uma libertação das mentalidades, de um aumento sensível da inteligência dos povos. Neste país, há um governo de esquerda que quer manter atrás das grades as mulheres que ousem interromper a sua gravidez. E não é por Alá. É por Deus nosso Senhor... o Deus Ultramontano das Beiras e dos ermos mais escondidos deste país que não é, mas podia ser, o Irão.

Quinta-feira, Outubro 27, 2005

Silogismos

Parece-me evidente a validade do seguinte silogismo: Sendo o riso sintoma indiscutível da inteligência (os nossos amigos animais, menos inteligentes que a maior parte dos humanos, não possuem a faculdade de rir) e sabendo que os tipos sem sentido de humor riem pouco, ou nada, conclui-se que quem se leva muito a sério é uma bem acabada besta.

Antes de o leitor se lembrar da hiena, lembro-o eu que essa observação seria inequivocamente feita por alguém que leva a sua sabedoria demasiado a sério.

Quarta-feira, Outubro 26, 2005

Trocadilhos

A língua inglesa, que nos deu o workshop e o body lotion, dá-nos também bonitos trocadilhos. Foi na última "New in Chess", publicação holandesa escrita em inglês, que descobri a pérola que agora revelo.

Um dos artigos da revista, relatando a estrondosa vitória do jovem chinês Wang Hao no torneio aberto de Kuala Lumpur, trazia o seguinte título: How Wang Hao Won.

Por cá, temos o rato que roeu a rolha e pouco mais. Mas temos "torneio aberto"! Não precisámos de recorrer ao open, como o leitor mais atento reparou.

Terça-feira, Outubro 25, 2005

Tesouros

Em Portugal existirá algum tesouro escondido? Alguma preciosa relíquia ocultada sobre os contrafortes de uma igreja do século XII? Terá Manuel I escondido algum ouro nas catacumbas do palácio onde hoje funciona a Embaixada da França? Será Duarte Pio guardião de algum mapa antigo, que indique a localização de um qualquer el-dourado em Timor? Não haverá nada destas coisas em Portugal?

Talvez por isso, por não haver, Pratt nunca cá nos mandou Corto Maltese. Nem sequer o Rasputine.


Ao menos, o Rasputine!

Segunda-feira, Outubro 24, 2005

Calos

A melhor maneira de ter dedos calejados na mão esquerda não é a que o leitor está a pensar. Nada de enxadas e sacholas, nada de mondas manuais e dactilografias em vetustas máquinas pesadas e barulhentas. Não pense sequer o leitor em banqueiros canhotos, barrigudos, carecas e luzídios, entretidos horas a fio na bonita arte de contar dinheiro.

Nada disso, caro leitor: Se quer belos calos nos dedos da sua mão esquerda, perca a vergonha e inscreva-se numa escola de música: Aprenda a tocar guitarra.

Domingo, Outubro 23, 2005

A Livraria Invisível

Para os que gostam de livros, daqueles que existem e dos outros, dos que só estão no grande universo intertextual, recomendo uma visita à Invisible Library. Nesta página está disponível uma imensa lista de livros que só existem dentro de outros livros.

Lá se encontra o clássico "The God of the Labyrinth" de Herbert Quain... que só exite na imaginação de Borges e no barco que trouxe o Ricardo Reis do Brasil para Portugal. No ano da sua morte, contado por Saramago. Deste último não fala a Livraria Invisível. Por enquanto.

Sábado, Outubro 22, 2005

Se...

Se de 3 salsichas iguais se faz uma vista, se de 3 vidas gastas se faz uma verdade, se de 3 mentiras se faz um salto de papagaio imortal... então não percamos mais tempo!

Sexta-feira, Outubro 21, 2005

Presidenciais

O Grande Pensador e Humanista Cavaco Silva apresentou ontem a sua candidatura às presidenciais. De ministro das finanças a primeiro ministro, o economista algarvio tenta agora, pela segunda vez, ocupar o palácio de Belém. Compete para tal com Mário Soares, Manuel Alegre, Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã, Garcia Pereira e, penso que com Carmelinda Pereira também. Faltam Manuel João Vieira e José Maria Martins a tão ilustre lote.

São estes os primeiros entre iguais, é deste naipe que sairá o futuro Presidente da República Portuguesa. É interessante verificar que, após 31 anos de democracia temos um candidato do PCP, outro do PSR (agora BE), mais um do MRPP, uma do POUS, um da rádio de Argel, o Soares e um ministro de Sá Carneiro. Só falta o Otelo!


Só faltas tu, Otelo!

Quinta-feira, Outubro 20, 2005

Troféus