quarta-feira, maio 18, 2011

O Nasser foi Campeão: Parte II, E o Fraco Prémio de Consolação

Os telefonemas, em especial os não atendidos, revelaram a verdade cruel... A festa seria na residência do Embaixador e nós não fazíamos idéia onde seria essa lusitana mansão. Esgotadas as tentativas de descobrir telefonicamente onde fosse a apetecida casa, decidimo-nos a cirandar por Tripoli em busca da mesma! Afinal de contas, a bandeira verde e rubra seria fácil de encontrar, pensámos.

Chamado o táxi de volta, lá o enchemos de novo, continuava sem ar condicionado, varejámos toda a área "Andaluz" da capital líbia e nada... nada... nada... Aqui também não, esta é da Síria, esta do Burundi, aquela do Botswana. Convencemo-nos do fracasso da missão em apenas 3 ou 4 horas de passeio e fomos jantar ao "Lino's". Fraco consolo, pesasse embora a qualidade da comida... Um sumo de manga, outro de morango e uma ou outra Cola Light e lá levámos novo baile de táxi em busca do Hotel... onde chegámos 2 horas depois da refeição.

quarta-feira, agosto 04, 2010

O Nasser foi Campeão: Parte I, Onde se Conta o Porquê da Viagem

Há mais de um mês atrás, quase dois, com o fito sólido e determinado de ouvir uns fados e beber uns tintos na embaixada de Portugal (era o 10 de Junho), voei, com uns colegas que manterei anónimos, a Tripoli, vencendo os mil quilómetros que separam a cidade de Benghazi, onde vou estando e por vezes sendo, da capital líbia. Após o pequeno acidente aéreo sem vítimas, como costumam ser as aterragens por estas bandas, lá chegámos à transpirada cidade tripla, não sem ter dado oito voltas ao circuito de descida do aeroporto, esperando vaga onde coubesse o avião, o que nos custou mais de meia hora de atraso.

Chegados já bem depois da hora, seriam mais de dez e meia da noite, iniciando-se a festa às sete ou oito, num táxi sem ar condicionado, sendo o grupo de quatro, alguns deles bem constituídos, enfrentámos os cerca de quarenta graus centígrados com a boa disposição de sequiosos que oásis avistassem.

Convencidos que a festarola se realizaria na embaixada, a ela nos fomos, num lufa-lufa controlado, até pela exiguidade do espaço. Já na porta suspeitámos, sendo sagazes e de inteligência média, que a ausência de viaturas, luzes, sinal de vida que fosse, na cercania do edifício, talvez indiciasse estarmos no local errado... E com efeito, quase rebentada a fechadura do portão, esmagada a campainha, e com as gargantas secas de tanto gritar, lá nos decidimos a fazer uns telefonemas.

(Continua, claro.)

quinta-feira, setembro 24, 2009

KK

Nunca aborrece. Por muito que joguem Karpov e Kasparov, é sempre um acontecimento para os milhões de xadrezistas que por aí andam. A vitória de Kasparov por 9-3 (houve um reencontro em Valência esta semana) é bastante clara mas, ao espreitar as partidas, vi com atenção a primeira vitória de Karpov (3.º jogo) e cheguei à conclusão do costume: o Kasparov é o maior, ganha sempre, é o melhor de sempre, blá, blá, blá. Mas o Karpov... ganha com magia, com uma supremacia sublime, uma inevitabilidade inimitável. Ainda que o faça menos vezes que o Ogre de Baku. Vivam os KK!

sábado, setembro 12, 2009

Herdeiros

De alguma forma, demos a Roma um César: Galba. Bisneto doutro Galba, Sérvio, que decapitou, por dá cá aquela palha, 30000 lusitanos e pôs Viriato nos arames. Tacticamente perfeito, forte em todos os aspectos, falhou Viriato na intriga. Falhou Viriato onde costumamos nós acertar. Era perfeito Viriato onde costumamos nós falhar. Somos, portanto, herdeiros de Galba.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Calculadora

Agora que, finalmente, estamos, futebolisticamente falando, de calculadora na mão, permita-me o leitor que o lembre do meu visionário artigo, de 20 de Agosto de 2008, ou seja, há mais de um ano, em que, qual oráculo divino, previ o que, de tão trivial, ainda que certeiro, não chega para me julgar grande Bandarra. Carlos Queirós é, provavelmente, o pior treinador do mundo.

sábado, julho 18, 2009

A Gripe A de Apollo 11

Sou um fã da Gripe-A. Gosto de Pestes e coisas assaz assustadoras. Cidades sitiadas, malta de máscara, tropa na rua, aviões no ar. Aeroportos em alerta! Ministros em reuniões nocturnas. Racionamento de galinhas para canja. Procura exacerbada de hortelã. Chás de mel e limão. Uma gripe que mata tanta gente por mês como mata a fome por segundo! Coisa bem de pasmar. O Tamiflu que, pelos vistos, é pior que a gripe. Não há maneira de o vender. E o Apollo 11 que, apesar de murros do Buzz, na tromba do homem do Hoax, insiste em manter malta na dúvida. Eu acredito no homem na Lua. E acredito na canja de galinha. Uma cebola, um ramo de hortelã, a galinha, 2 caldos knorr, e pronto. O chato é desfiá-la.

quarta-feira, julho 08, 2009

Walter Tarira

Morreu o Walter Tarira. Morreu o homem que me ensinou a suave e nobre arte de levantar vôo. Morreu a cigarra, neste triste mundo de formigas.

Adeus Walter! E que vivam os homens que nasceram para pensar.

terça-feira, junho 16, 2009

Pinturas em Portões

Hoje de manhã, no Porto, passei de carro num daqueles bairros pitorescos semi-operários (atenção à conotação tripeira de bairro, não é disso que se trata) e estava um homem a pintar de branco um portão. Pouco passava das oito da manhã. Cruzei meia cidade do Porto e, já perto de Santos Pousada (em Lisboa seria da Santos Pousada), estava outro homem a pintar outro portão. Valeu-me, para evitar momentos twilight zone, serem as cores dos portões diferentes. O primeiro era branco e o segundo, claro, era azul.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Moleskine

Como foi possível Hemingway escrever romances num destes caderninhos?

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Toledo e o Herói Fernando

A viagem prosseguia veloz, já bem dentro do território espanhol, deixando Fernando aparentemente pensativo, olhando pela janela à direita para a paisagem que ficava para trás, num ângulo onde se perdesse a sensação de velocidade. (…)

Polícia manda parar? Anti-terrorismo? Velocidade? Picanço? Área de serviço: encontro com os tipos do picanço? Fuga? Chegada a Toledo?

sábado, novembro 22, 2008

Iguais

Já repararam que o Obama é igual ao Sócrates? Eu já (sou um visionário). O Obama agora diz que vai criar muitos empregos... Jesus... o que faço eu nas obras?

quarta-feira, outubro 29, 2008

Jazz e Tinta

Qual dos leitores nunca sentiu um desejo incontrolável de cheirar tinta enquanto ouve jazz? Pois é: eu hoje tive essa sorte. Ao passar de carro pela zona do Carregado, ouvindo o Chico Coreia, deu-me o fantástico cheiro da tinta. Pena ser de noite. Não vi de que cor era.

segunda-feira, outubro 13, 2008

Crises

O petróleo estava para acabar. Mas, pelos vistos, não acabou. O dinheiro estava para acabar. Mas, pelos vistos, não acabou. A água não está para acabar. Mas, pelos vistos, vai. Os mísseis de Cuba, o fim do mundo em 2001, o 11 de Setembro, o Irão, o Laden, o Obama e o outro Hussein já enforcado. O Bush pai e o filho. E o Barroso e a Carla Bruni. A Islândia que faliu mas afinal não. A China que é um bicho papão mas afinal não é, nem a Geórgia nem o Kosovo. O Corto Maltese, se fosse vivo, não podia ser marinheiro. Tinha de ser piloto de aviões a jacto. O Concorde andava devagar. Bons tempos, vagarosos, do Concorde. Viva Rocambole e a Crise Perene. Gosto disto. Até gosto do aquecimento global que pode muito bem ser arrefecimento ou não. E dos glaciares que derretem e que vão fazer as águas subir e inundar o Alto de São João em Lisboa e a Torre dos Clérigos no Porto. Coitadinhos dos mortos a boiar e a descer para o Chile.

domingo, outubro 12, 2008

Já Podem!

Numa altura em que a civilização ocidental está à beira (novamente) do colapso, em Portugal discute-se o casamento entre homossexuais. Não entendo essa discussão... não se podem já casar dois homossexuais? Há séculos que isso acontece! Um homem homossexual pode, e deve, casar-se com uma mulher homossexual. Sempre assim foi e parece-me uma óptima ideia! E assim podem adoptar e até confeccionar os seus filhos. É ou não é bem apanhado? Vá, sigam os meus conselhos.

sexta-feira, outubro 10, 2008

Flores

Ontem, na SIC, debatia-se o casamento entre pessoas do mesmo género, ou sexo, se preferirem. E quem estava lá para comentar? Já adivinhou: o Moita Flores. Além de apanhar bandidos, Moita Flores sabe de casórios gay! Não cheguei a perceber a posição do Flores sobre o tema, mas acho que tem algo que ver com o caso Maddie. Está tudo ligado. Moita Flores, Maddie e Casamentos.
Já agora, Senhor Moita Flores, será que no futuro teremos baptizados entre homossexuais? Um homossexual a baptizar o outro?

quinta-feira, setembro 18, 2008

Dúvida Pueril

Que livro devo ler? O "pequeno livro do grande bébé" ou o "grande livro do pequeno bébé"?

sexta-feira, setembro 05, 2008

O Perigo!

Meus amigos! Atenção! Aumentou perigosamente o número de notícias sobre criminalidade violenta fora dos canais habituais! Cuidado! Eu já tenho o passaporte em dia!

sábado, agosto 30, 2008

Carros e Carrinhos

Eis uma sugestão para os fabricantes de carrinhos de bébé: incorporem espigões de aço afiado na parte lateral dos carrinhos. Assim, quando o manobrador do carrinho tentar passar pelo passeio infestado de carros, pode deixar a sua marca na pintura do automóvel passando uma justa mensagem de desagrado pela errada interpretação que alguns automobilistas fazem da missão dos passeios deste mundo!
Que tal? Chicco? Babycoiso? Vamos a isso?

quinta-feira, agosto 28, 2008

Cozinheirices

Só a custo não adicionei um pouco de vinagre balsâmico e uma pitada de pimenta ao biberão da minha filhita.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Pega de Caras

Não gosto particularmente de toiradas, nem sequer de triplo salto. Mas gostei de ver o Nélson Évora virar o ombro à pista de saltos, segundos antes de conseguir o ouro: virou-lhe o ombro, como forcado que chame um toiro bravo na arena. Repararam? Só o fez no salto vencedor.

quarta-feira, agosto 20, 2008

A Escolha do Seleccionador

Sábia escolha, a de Queirós, para seleccionador. O ritmo de assassinatos na África do Sul é demasiado elevado. Ainda mais elevado que os 50 mil no Brasil por ano. Com Queirós no banco da selecção (e com Moutinho também no banco), garante-se a segurança dos nossos jogadores. Livram-se desses países perigosos.

domingo, agosto 17, 2008

Olímpicos Recordes

Os nossos rapazes e raparigas da natação estão em grande nos Jogos Olímpicos de 2008! Já foram inclusivamente batidos alguns recordes nacionais. Pena é que esses feitos não tenham chegado para que os nossos nadadores cheguem sequer às meias finais.
Por favor, Sr. Mao, corrija desde já essa injustiça! Faça com que os participantes que, no cubo de água de Pequim, batam records do seu próprio país possam nadar na fase seguinte da prova! Se for caso disso, dê um jeito na concorrência... Não sei se ainda é o Sr. Mao que manda na China, mas, se não for, fale com o responsável. Um abraço (ainda não acabei de ler o livrinho vermelho... só o da FIDIC!).

quinta-feira, agosto 14, 2008

A Refém de Bancos e o Saquito do Dinheiro

Nos últimos noticiários da SIC (tive oportunidade de ver o de ontem, à hora de almoço, em frente a uma das famosas francesinhas de Rio Maior) tem aparecido uma insólita figura, com um não menos insólito cabelo: a Senhora Doutora Refém dos Bandidos Brasileiros.

Mal consegui tragar a francesinha, tamanha era a petulância (que tão bem dizia com o cabelo da Senhora Doutoura), tamanha a tibiez de argumentos e historieta, tamanha a afectação no linguajar, e tamanhos os assobios que a Senhora Doutora emitia ao falar. Sempre tive dificuldades em lidar com pessoas que assobiam ao falar, é certo, mas aquela Senhora conseguiu irritar-me mais do que uma dezena de crianças a correr e a guinhar em biblioteca faria.

Muito injustiçada por não conseguir fazer as suas paciências ("sabe, eu costumo fazer umas paciancias..."), e por ninguém da PSP ou PJ a ter ajudado em tão difícil (deficele) momento, muito traumatizada com a putativa perda do seu putativo saquito do dinheiro, que, afinal, nem era problema, o banco tinha pago o que a Senhora dizia ter no saquito que dizia ter! Após largos minutos a explicar a aventura do saquito do dinheiro, que esperava o telespectador? Que os malvados do banco tivessem usado o dinheiro da Senhora para custear a lavagem dos tapetes do sangue e mioleira dos assaltantes (sabe deus o que isso custa a sair)... mas não! Nada disso! Afinal a Senhora não ficara sem o dinheirinho... Afinal o que queria essa Senhora? Já sei! Queria mostrar o seu lindo cabelo e os seus dotes de assobio. Lembrei-me do "Bom, o Mau e o Vilão" e daqueles assobios fantásticos. Afinal, ainda valeu a pena a Senhora Refém vir à SIC. Que deus a salve e guarde, a ela, ao seu saquito do dinheiro (ou "dinháiro", como a Sr. Dr.ª pronuncia) e ao seu magnífico cabelo!

K

sexta-feira, abril 25, 2008

Dia da Liberdade

Acabou-se, há 34 anos, a clandestinidade. Puderam descansar as vozes que cantavam neste areal onde não nascia a aurora.

quinta-feira, abril 17, 2008

Carta

Transcrição autêntica da carta existente na Biblioteca Nacional de Lisboa dirigida por Pina Manique, Corregedor de Santarém (e futuro Intendente de Polícia do Marquês de Pombal), ao Duque de Cadaval, Corregedor-Mor da Justiça do Reino:


"Exmo. Sr. Duque de Cadaval:

Se meu nascimento, embora humilde, mas tão digno e honrado como o da mais alta nobreza, me coloca em circunstância de V. Excia. me tratar por TU,- Caguei para mim que nada valho.

Se o alto cargo que exerço, de Corregedor da Justiça do Reino em Santarém, permite a V. Excia., Corregedor Mor da Justiça do Reino, tratar-me acintosamente por TU,- Caguei para o cargo.

Mas, se nem uma nem outra coisa consentem semelhante linguagem, peço a V.Excia. que·me informe com brevidade sobre estas particularidades, pois quero saber ao certo se- devo ou não Cagar para V.Excia."

Santarém, 22 de Outubro de 1795

segunda-feira, abril 07, 2008

Ratos Sedentos

O Rato Sedento encontrou uma pedra vermelha. À noite, ouviu o uivo do Cavalo Velho, atroz como o guincho do Mocho Curvo. Rápido como a Lebre Amarela, pegou na pedra, saltou o riacho ululante, com duas das patas num lado, as outras no outro. Chiou de felicidade quando a Árvore Sem Folhas deixou passar os raios do Sol que Queima a Vista acabado de nascer pela duocentésima vez naquele ano (que agora finava). Entretanto a Matreira Cigarra aguardava pela luz da aurora para render a Sonolenta Formiga. O Rato Sedento, ainda feliz, ajeitou a pedra vermelha que lhe faria guarda todo o dia (sempre e só do lado de cá do riacho) e deixou que o Orfeu dos Ratos o levasse às portas de um miraculoso Hades, onde não chegaria a entrar. O Hades, assim à porta, é aprazível, pensou a pedra vermelha.

sexta-feira, março 21, 2008

Semáforo

Num destes dias, dei por mim parado em frente a um semáforo. Estava, obviamente, vermelho. Aguardei um minuto ou dois até que me lembrei! Abri o vidro do lado esquerdo do carro, estiquei a mão, carreguei com o indicador num botão dourado estrategicamente posicionado num armário amarelo, pequei no papelinho que entretanto saiu, dizendo, entre outras coisas, "Brisa". Guardei o papelinho.

O semáforo ficou verde e lá fui à minha vida.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Gostos

Gostava, sinceramente, que o Falcão dos Balcãs voasse outra vez. E que tomasse o que é seu. Mas, pelos vistos, não pode ser. Também o orgulhoso falcão terá de se agachar. Ante a cabra que come a raiz e que nada deixa nascer. E ante a águia que gosta de cabras e de falcões e de zebras e porcos e galinhas e do que tiver de ser. Certo é que cai a última réstea de orgulho europeu. Nada nos resta. (É caso para nos congratularmos de há muito não sermos europeus: no fundo, para nós, é tinto.)

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Bobby Fischer

Diz a comunicação social, e lê-se na internet, que Bobby Fischer morreu na passada semana. Com 64 anos. Tantos como os quadrados de um tabuleiro de xadrez. Talvez tenha morrido e, infelizmente, com ele, o encanto do jogo, o encanto do génio, o encanto da guerra fria, o encanto da conspiração, o encanto da magia. Daquela magia que é, mesmo. Vale a pena saber jogar xadrez para se conhecer as partidas de Bobby Fischer. É, infelizmente, um prazer vedado à massa, que, ainda assim, nos anos 70, o seguia com admiração genuína. Fischer era um tipo de aparência normal e quebrava o estereotipo do xadrezista (que, de resto, só cumpre quem não é xadrezista, do tipo... nem sem bem que tipo) e trouxe ao xadrez um prestígio que se quebrou no início dos anos 90, com os computadores a crescer e com o colapso da União Soviética (e posterior abandalhamento do meio elitista do xadrez no Ocidente, com a invasão de hordas de grandes mestres do lado de lá da cortina a jogar por uma garrafa de vinho e um bife mal passado).
Fischer era Fischer e era tudo o que o xadrez agora não é. Goste-se ou não, os homens precisam de grandes homens. E, parvo ou não, apetece-me chorar.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Olhos

Há pouco experimentei aquela sensação de plenitude, em que todo o universo se torna intelígivel. Em que não são os olhos da cara, mas o olho da alma quem vê. Tal como se andássemos numa cidade que conhecemos bem, falássemos com amigos de sempre ou visitássemos locais que em tempos nos foram familiares e que há muito não víamos. Sabe o leitor do que falo?
PS: Se o leitor, ao ler "olho da alma" se apercebeu da cacofonia e se lembrou do "olho do cu", sinta um abraço solidário e amigo.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Atleta Improvável

O Meia Livraria anda um pouco abandonado e devo ao fiel leitor sólida explicação: inaugurei novo blogue, de seu nome Atleta Improvável, onde descrevo a minha caminhada para o topo mundial do atletismo de fundo. Pois é. Visite!

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Gestores e Gestoras

Num recente número de uma revista relacionada com o mundo da gestão de empresas, prometia-se na capa sábios conselhos de gestores de sucesso. Comprei, claro. Também na capa se anunciava simpática e instrutiva devassa à existência de gestoras de sucesso em Portugal. Julguei ser coisa edificante e até comprei o opcional livrinho que acompanhava a revista, que nada tinha que ver com o tema. Fi-lo por gratidão. Maravilhado com os ensinamentos dos mestres do empreendorismo, apresentados, como se necessário fosse, pelos nomes e cargos actuais, saltei para a secção das gestoras femininas: não porque aconselhassem, mas porque existissem. E lá desfilaram as diversas mulheres de sucesso apresentadas pelo seu nome, fotografia, de cara e corpo inteiro, estado civil, número de filhos e cargo ocupado. Com efeito, uma conveniente avaliação do sucesso de uma gestora terá em linha de conta esses factores. A fulana tal gere o banco xis e ainda tem três filhos! A outra é solteira, assim também eu, fica para tia mas manda na fábrica!
Claro que vou comprar o próximo número. Talvez apareçam gestores de etnia não europeia.

terça-feira, dezembro 25, 2007

domingo, dezembro 16, 2007

O Corão de Tavares

À porta dos correios de Rio Maior, um homem alto e corpulento, de pé, segurava perto dos olhos o mais recente livro de Miguel Sousa Tavares. Olhava para uma das suas páginas com ar devoto e lia em voz baixa, ou melhor, murmurava, o que Tavares escrevera sabe-se lá onde e para quê. Abanava ligeiramente a cabeça, ora aproximando-a, ora afastando-a do grosso volume. Dir-se-ia que lia o Corão. E talvez o lesse, nas entrelinhas do amontoado de tinta negra em alva folha lá deitada por Tavares.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

segunda-feira, outubro 15, 2007

Clash e Civilization

Há pouco ouvia o "Straight to Hell" dos Clash e lembrei-me das noites em que conquistava o Mundo ao leme do Império Romano no jogo "Civilization": naquela versão inicial, insuperável, do Sid Meier. Corria a primeira metade dos anos 90. Fumava uns cigarritos com a cabeça de fora do quarto e planeava a inevitável invasão do continente americano, com barcos carregados de tanques e diplomatas. Que se lixasse a conquista do espaço, claro, o que eu queria era rebentar com um continente inteiro. Enquanto isso, ouvia o "Combat Rock" inteirinho, injustiçado álbum dos Clash, ouvia também Pixies até à náusea e muito Bob Dylan, esse desde a náusea até à sublime frescura dada pelas "High Water". Venho, ao fim de 15 anos, fazer aqui, no Meia Livraria, uma solene declaração: abdiquei dos meus secretos planos para a conquista do Mundo. Vou concentrar-me num objectivo bem mais singelo mas não menos divertido: a presidência do PSD. O Passos Coelho que se ponha a pau. E, no congresso da minha consagração, após a vitória expressiva nas directas, ouvir-se-á no pavilhão o "Straight to Hell" dos Clash. E talvez faça como o Ângelo Correia e fume um cigarrinho dentro do gimnodesportivo!

Sid Meier: Também daria um óptimo presidente do PSD

domingo, outubro 14, 2007

Formações

Ontem ouvi um interessante discurso sobre as necessidades de formação. O orador disse, sagazmente, que pouco interessaria dar formação em excel e word a funcionários da Santa Casa da Misericórdia que, pelas suas funções, não trabalhem com computadores. Alguém na plateia acrescentou, num rasgo de brilho e perspicácia, que noutra qualquer empresa seria esse esforço igualmente inglório. O orador, concordando com a achega, continuou com outro exemplo: num hotel, todos poderão legitimamente ter formação em alemão e em inglês. Mesmo as "senhoras da limpeza", acrescentou para concretizar: "Quando estão a limpar os quartos, sempre podem ler as revistas que as alemãs e inglesas por lá deixam. Isto não é só ver os bonecos".
Com efeito, o orador tinha razão. Isto não é só ver os bonecos! Uma mensagem profunda que a toda a plateia trouxe um daqueles sagrados e irrepetíveis momentos de reflexão e auto-análise.

sábado, outubro 06, 2007

O Pesadelo Interminável

Quando pensávamos que estávamos livres de Santana, aparece Menezes. E depois, graças à linha editorial da SIC Notícias... até o Santana ressuscita! A pobre jornalista bem disse que a culpa era do Ricardo Costa: num bonito exemplo da clássica solidariedade entre profissionais da televisão. (Lembrar o episódio das "misses" com o Humberto e a Carla Caldeira.)

Temei, cidadãos! Armai-vos! Organizai-vos! Policiem o vizinho e, se o adivinharem menezista, incentivem-no à abstenção. Digam-lhe, e ele cairá nessa, que isso de votar é para parvos. Assegurem assim o funcionamento da democracia e urge começar. Já!

sexta-feira, outubro 05, 2007

Viva a República!

A Bandeira da República Portuguesa faz 97 anos.


Comemora-se hoje o nonagésimo sétimo aniversário da nossa república. Os portugueses passaram a nascer iguais, graças a muitos, claro, mas foi Machado Santos quem desferiu o golpe final na palonça fidalguia. É claro que, nós, os republicanos, sentimos por Buíça e Costa um carinho especial: afinal de contas, deram um importante e saudável contributo para o fim da monarquia. Para o leitor menos informado, lembro que esses dois moços liquidaram o rei Carlos e o seu primogénito Luís no Terreiro do Paço, pertinho da esquadra da PSP. Salvou-se o Manuel 2, famoso oceanógrafo, que teve de marchar para outras latitudes nesta radiante data. Sábios, os republicanos deixaram vivos os nossos fidalgos como penhor eterno da superioridade da República (lembrar Duarte Pio e aquele "marquês" gordo e abichalhado que dantes aparecia na televisão). Enquanto eles andarem por aí, só por chacota se falará em monarquias.
Aqui ao lado, em Espanha, há muito quem sinta asco ao tragar o estatuto de súbdito: de homem que nasceu inferior a outro. Mas lá vão aguentando a fantochada para gáudio de "Holas" e revistetas quejandas.

domingo, setembro 30, 2007

Santidades

Há uns dias veio a Portugal o Sr. Lama. Este homem, o Dalai Lama, é uma Santidade como outra qualquer: ao seu nível estão Bento XVI, Pinto da Costa, o Islão também terá a sua Santidade, mais que uma até, o Ayatola, etc. No entanto, este Sr. Lama tem um problema com a imperial China. Os nossos amigos chineses não gostam do Lama porque há o Tibete e a China é dona desse território. Se não houvesse Tibete, a China gostava tanto do Lama como gosta do Bento XVI ou do Pinto da Costa ou mesmo do Eusébio. Ou até do Mourinho. Mas, infelizmente para o Sr. Lama, há Tibete. E há Tibete porque é bonito e alto e tem o Shaolin com aqueles tipos que dão mortais encarpados para trás, e com eles, com esses coloridos saltos, sobem a árvores que nem no jardim botânico de Lisboa se encontram. Muito menos no Parque Eduardo VII. Tem também o Tibete uma data de monges vestidos de laranja, como usam os prisioneiros de Guantanamo. Também em Guantanamo lhes rapam o cabelo, como é uso dos monges tibeteanos. Pode o leitor concluir que há algumas semelhanças entre ambas as regiões. Uma é chinesa mas tibeteana, outra é norte-americana mas fica em Cuba, e em ambas se traja de laranja e se rapa o cabelo. Também em ambas se dão mortais encarpados para trás quando a situação exige. Será que em Guantanamo também há alguma Santidade?
Certo é que, caso houvesse Santidade guantanamense, teria a mesma recepção oficial que teve o Sr. Lama. Nisto, somos exemplares. Não somos como esses convencidos desses canadianos que disseram aos chineses que na China mandam eles. Mas no Canadá mandam os canadianos. Temos muitos defeitos. Mas não somos mentirosos. E aqui mandam todos. Menos, talvez, o Dalai Lama.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Bin Laden Falhou

Ontem foi dia 11 de Setembro: dia de comunicado de Bin Laden ao mundo ocidental, momento aguardado com elevada expectativa.
Desta vez as sábias palavras da Besta Negra da humanidade cristã desiludiram. Nem uma alusão, uma opinião que fosse, sobre o caso "Maddie"! Eu, tal como o leitor, esperava avidamente pela opinião de Laden: foram os pais? Foi a Kate? O Gerry é de confiança? Dever-se-á tirar-lhe os gémeos? A polícia portuguesa merece crédito? Os cães pisteiros fazem prova em tribunal? O ADN será da menina? Terão os McCann transportado apenas o ursinho de peluche na mala do carro alugado, 25 dias depois do desaparecimento da menina? (Por sinal, um Renault: eles que se ponham a pau com os discos dos travões, aos 80 000 km estão todos comidos). Deveriam os McCann ter alugado um Nissan? Ou uma motorizada (que não tem mala!)?

Que disse Osama? Nada! Bin Laden nada disse que prestasse. Umas loas a um barbudo qualquer e pronto. Uma conversa sobre olhos e dentes... Apre! O homem é irritante!

terça-feira, setembro 11, 2007

Boa Escolha!

Já só faltava o Meia Livraria: tenho de falar do casal McCann e da sua filha desaparecida! Com efeito, é singela a minha contribuição para a grande construção mediática: resume-se ao assinalar da belíssima escolha que o casal fez. O advogado do Pinochet parece-me ser o homem certo para o caso. Não será essa escolha uma confissão? O Pinochet chegou a confessar?

sexta-feira, setembro 07, 2007

Financiamentos

A Entidade das Contas e Financiamentos Políticos vai investigar a Festa do Avante! Estarão convencidos que a Somague anda a construir os barracões à borla?

quinta-feira, setembro 06, 2007

Vigairada

Terá pouca importância em dia de efeméride maior, o aziago desaparecimento de Pavarotti, mas o Meia Livraria cumpre com este artigo o seu natural destino de educador de massas telemovilizadas em geral, internetificadas em particular. Perguntar-se-á, o leitor ávido de saber, será que foi desta que apanhei o Cláudio em falta? Vigairada? Não será "vida airada"?
Não, amigo leitor. Sinta o conforto e o tom paternal das minhas palavras. Não. Andou o leitor toda a sua vida (airada ou não) pensando que este ou aquele seria amigo da "vida airada"... Não lê suficiente Aquilino, meu caro. Pois é vigairada aquilo que julgava airado! Trata-se de mais uma das inúmeras expressões papagueadas, dialectais, em que boa parte de nós gasta a saliva e o ouvido alheio poupando a massa cinzenta para coisas outras que pensar, investigar, no que se diz.
Somos todos assim, meus caros. Não há excepções. Uns mais (nos casos extremos chega-se ao "novidades só no continente"), outros menos (afadigam-se repetindo a estúpida expressão "silly season" na silly season), mas o fim do mundo está próximo.

domingo, agosto 12, 2007

A Tiro!


Não há dúvida que estes homens, do Record, da Bola, do Jogo, têm talento para escolher elegantes títulos de 1.ª página!

quarta-feira, agosto 08, 2007

"Hasta Quando?"

Não pense o leitor que falo da questão cubana! Talvez enganado pelo título pense o leitor que o Meia Livraria se fartou do "Hasta Siempre!". Mas é de rádio que fala o artigo, assim falassem eles, os artigos.

Há pouco, no carro, acompanhado por uma qualquer emissora de rádio, ouvia Lionel Ritchie. Mudei prontamente o posto para chegar a Tina Turner. Outro rápido toque no botão e eis o cruel Bryan Adams! Desliguei o rádio e abri os vidros para que o vento da velocidade me lavasse os pobres ouvidos. Enquanto o fazia, lembrava-me dos anos 80 e da lixarada que por aqueles tempos se ouvia: Bryan Adams, Lionel Ritchie e Tina Turner. Até quando os vamos ouvir? Já lá vão quase 30 anos e continua o pobre cidadão a levar com o "Private Dancer" e o "Run to You" e o "Hello!". Irra!

sábado, julho 28, 2007

sábado, julho 14, 2007

O Resto (Quase) do Debate dos Doze

Garcia Pereira expôs o seu plano claro e eficaz para Lisboa: um grande porto internacional, um grande aeroporto internacional (perto de Lisboa, acrescentou), e uma grande estação de comboios! Tudo pago pelo governo central! Com esses três objectivos, Lisboa ficaria, seguramente, ao nível das maiores e melhores cidades do mundo, afirmou o homem que, não restam agora dúvidas, seria, assim vissem os portugueses a luz, o Grande Timoneiro de Portugal! Somos cegos. Com efeito, Garcia Pereira nem se deu ao trabalho de encontrar um discurso coerente. Esta sua actividade lúdica, de amigo de Olivença disfarçado, leva-lhe, e nisso me assemelho ao putativo Grande Timoneiro, pouco do pouco tempo disponível: também eu tenho pouco tempo para o Meia Livraria. Garcia Pereira usou o seu habitua plano de contingência: "falo da estação de comboios e digo que a culpa da crise na CML é do culpado do costume, o gajo do PC!" E disse-o: Você (Ruben de Carvalho) é o culpado de tudo isto!
Negrão assumiu que a manutenção do IPO em Lisboa seria o seu cavalo de batalha. Com o seu ar canastrão, interrogou Costa sobre a questão arquitecto Salgado, respondida cabalmente. Cabalmente? Para todos menos Negrão! Ou não ouviu a resposta, ou tem um QI mais baixo que a probabilidade de Portugal ser campeão do mundo de basquetebol! IPO em Lisboa e pronto. O homem tem, justiça lhe seja feita, algo a seu favor: é o favorito das sopeiras! Tem aquele arzinho de magala.
O pobre Coelho do PNR lá andou, repetindo a cassete da segurança, do policiamento em quadricula, do dinheiro gasto pela CML em paradas gay! De facto, foi por aí que as contas foram ao fundo: com o taco gasto com o fomento à homossexualidade! Um discurso bem organizado, intelectualmente honesto, que desperta as consciências para um debate profundo e estruturado sobre o Homem, a Vida, o Mundo. Uma inteligência lusitana que a todos vai trazendo a sua luz.

terça-feira, julho 10, 2007

O Debate dos Doze

Tive de esperar 24 horas para que o transe profundo, causado pelo melhor programa televisivo que vi nos últimos anos, pelo menos desde "Roque Santeiro" nos idos oitentas, me soltasse mãos, dedos e alma e assim me deixasse pensar no que aprendi, no que ri, no que chorei e senti, em suma: no debate dos 12 candidatos à CM Lisboa extraordinária!

Coelho, Costa, Carmona, Negrão, Monteiro, Garcia Pereira (a fidalguia leva dois nomes), Pereira, Roseta, Carvalho, Fernandes, Correia e Graça, soberbamente enquadrados pela menina Fátima, proporcionaram-me genuínos momentos de prazer: fui verdadeiramente vivo por quase três horas!
A sabedoria infinda (porque profunda como fossa abissal), a heterogeneidade contagiante do sortido de saberes (colorido e bem-cheiroso), a ponderação e simpatia de quem ouve sempre o que os outros dizem, fizeram de Fátima CF, prová-lo-ia se necessário fosse a sua prestação de ontem, uma sumidade à escala nacional (ibérica, e mordo as mãos avaras) na arte do jornalismo omnisciente!
(continua)

sexta-feira, julho 06, 2007

Bufalhada

Enquanto preparo uma carta aberta ao Presidente da República, que penso vir a resolver o problema, escrevo este artigo para informar os leitores que considero ser o bufo a mais baixa forma de vida. Donos de inteligências menores, de fealdades atrozes, de grotescas deformações de carácter, os bufos sempre acompanharam a história portuguesa no seu pior. Anos há em que se escondem as lúridas criaturas no pantanoso submundo da mediocridade e frustração. Por lá ficam, escamosas e nojentas, como centopeias em baixo de pedra que, na falta de força que a levante, por ali fica escondendo o lado de lá da vida. Por hábeis no rastejo e na arte da fuga sobrevivem ao homem que levanta o calhau que lhes cobria sub-existência: de resto, qual é o homem que se diverte a esmagar centopeias, escaravelhos e baratas? Assim sobrevivem os bufos: por não haver quem os mate. Com efeito, é maior o incómodo da sua morte (sujam muito quando esborrachados) que a maçada que causam quando vivos. Sendo a palavra "vivos" uma figura de estilo, quando aplicada à chibaria, a que se permite levianamente o autor do Meia Livraria.

Há trinta anos que se não via semelhante ataque vindo do baixo-húmus! Terão os incêndios florestais dos passados anos escorraçado do podre mas quentinho e acolhedor antro da bufalhada os seus mais audazes espécimes? Ou será que todos os 3 000 000 exemplares da espécie "bufus lusitanus chibalhursus", julgada extinta em 74, aí estão, de olhinhos mínusculos e vermelhos, dentinhos amarelos e afiados, cheios de peste e de merda, à coca... à espera de Baltazar que os faça, como fez o outro, uma espécie de exército das trevas constituído por sub-humanos cuja única recompensa é a de poder atacar a luz e o bem (que nada quiseram com eles) e fazer vingar um mundo de medo e mediocridade em que eles se sintam como escaravelho no esterco?

terça-feira, julho 03, 2007

quinta-feira, junho 28, 2007

Primavera Eterna

As recentes alterações do clima global, carga sinistra que em todas as almas pensantes pesa como pesava em tempos o negro espectro da bomba nuclear, não é, como a sua antecessora atómica, coisa de males absolutos. Com a bomba nuclear, as vantagens enumeradas resumiam-se ao efeito que poderia ter sobre os edifícios: houve um tipo americano importante (não me lembro qual, se alguma vez soube quem fosse) que anunciou com orgulho uma nova bomba que tinha a vantagem de não destruír as construções!

Quanto ao clima, e em particular ao que está a acontecer a Portugal, não posso deixar de me regozijar com estes dez meses seguidos de Primavera! O aquecimento global deu a Portugal um enorme aparelho de ar condicionado! Estaremos perante a Primavera Eterna? Ficarei para sempre com 33 anos? Isto parece o céu muçulmano! Viva a Primavera!

terça-feira, maio 22, 2007

Mãos e Pés

Interessante campeonato de futebol este em que se decide o título com a mão... quando a coisa se joga com o pé. Com efeito, sem o golo escandalosamente manual de um obscuro e já distante brasileiro, nem o Porto era campeão, nem o Paços estava na UEFA. Cada país tem o campeonato que merece...

segunda-feira, maio 07, 2007

Bananas e Macacos

Na ilha das bananas não é de admirar que mandem os macacos.

domingo, maio 06, 2007

Mistério

Qual será a justificação para o elevado número de jornalistas desportivos radiofónicos com graves deficiências fonéticas?

terça-feira, maio 01, 2007

Os Reizinhos

Liga um tipo a televisão, à hora dos noticiários, esperando por um resumo do Benfica - Sporting, sedento de casos e penalties e gregos atirando-se para o chão (que pena não ter caído de pescoço...), quando se depara com insólitas notícias de realezas alheias. Ele é o prícinpe Harry do Reino Unido que quer ir combater para o Iraque, dando mostras de uma imbecilidade atroz que boa propaganda faz à causa da República; ele é a nova filha do gigante Filipe das Astúrias, príncipe do Reino de Espanha... e nada sobre o Caneira! Ouve-se a raínha de Castela dizer umas graças à televisão, e, afinal, o Polga foi agarrado na área ou não? Pelo menos, os ídolos da bola são escrutinados, avaliados, são ídolos de alguns pelo seu esforço, talento e dedicação. Os outros parvos, os reis e condes barões são idolatrados por gentes mais parvas ainda, que engolem o mais elementar príncipio dos Direitos Humanos: todos os homens nascem iguais. Estará a guilhotina romba?

quinta-feira, abril 26, 2007

Liberdade

Muito se disse pela blogosfera sobre o dia de ontem. O 25 de Abril. Nada poderei acrescentar, nem sequer tenho um boneco com um cravo vermelho para aqui colocar. Mas não se confunda o leitor com a ausência de artigo e cravo no Meia Livraria: a própria existência deste blogue, e do seu, amigo leitor, onde diz o que lhe apetece, deve-se ao mais belo dia da nossa pátria: ao 25 de Abril, o dia em que o povo português ganhou a liberdade. Ao cabo de 831 anos de servidão a este e àquele.

terça-feira, abril 24, 2007

O Grande Líder Pinto da Costa

Ontem comemorou-se o vigésimo quinto aniversário da Serena Liderança do Grande Timoneiro Pinto da Costa, Líder Adorado do FCP. Uma marca espantosa, cheia de títulos, centenas ou mesmo milhares, que a todo o Mundo levaram o nome do FCP e o do seu Amado Pastor.

Se aos 25 anos que leva Pinto da Costa de presidência do FCP somarmos os 20 que já detinha como dirigente no clube, obtemos o bonito resultado de 45 anos de poder! Poucos homens se comparam ao entronizado Pinto da Costa. Apenas o Grande Português Salazar (1932-1968), o espanhol Franco (1939-1975), o mongol Choibalsan (1921-1952), Mobutu Sese Seko (1965-1997) e o inefável etíope Hailé Selassié "Ras Tafari" (1930-1936 e 1941-1974) se podem medir com Jorge Nuno. Mas para que se faça inteira justiça, nenhum desses nomes iguala em luminosidade o Líder do Norte. Com efeito, em minha opinião, só Kim Il-Sung (1948-1994) conseguiu atingir o nível de unanimidade e prestígio que o Poeta do Futebol e Grande Açambarcador de Títulos Pinto da Costa indiscutivelmente possui.

São notáveis as semelhanças entre Kim Il-Sung e Jorge Nuno Pinto da Costa.


Para trás ficam nomes como Hitler, Pol Pot, Mussolini, Enver Hoxha e Rafael Trujillo. Mesmo Pinochet e Ho Chi Min nada foram quando medidos ao lado de Jorge Nuno.

Por tudo isso, deixa o Meia Livraria aqui uma sentida homenagem ao Presidente Iluminado do Futebol Clube do Porto e um alerta: Jorge Nuno! Cuidado com Fidel Castro e Omar Bongo do Gabão. Ainda estão no activo e têm algum avanço. Que Deus lhe dê muita saúde para esta corrida e... continuação!

domingo, abril 22, 2007

O Vidal e o Gonçalves

Há mais de 3 anos, este mesmo blogue, o Meia Livraria, detectou uma estranha tendência nos blogues de direita: o hábito da tirada em inglês! Por dá cá aquela palha, para dizer uma qualquer banalidade, lá está uma "quote" a preceito. Desta vez detectei algo ligeiramente diferente no irritante Portugal do Pequenino: o João Gonçalves não tem no corpo do blogue as medonhas tiradas em inglês (pelo menos nos artigos mais recentes) mas, no cabeçalho do mesmo, por baixo do título (aliás, bem escolhido), apresenta uma frase do Gore Vidal: "Literature, politics, personal responses to people and events... So, herewith, my three states - united."

Nada de muito espantoso, pensará o leitor que, das duas uma, ou não conhece o Gonçalves, ou não conhece o Vidal. Aliás, estes dois senhores têm algo em comum: O Vidal não conhece o Gonçalves e o Gonçalves não conhece o Vidal.

Com efeito, um homem que lê o Equador de um fôlego... um homem cujas ideias se encostam à extrema direita salazarenta... nada tem que ver com Gore Vidal. Talvez tenha encontrado a frase num daqueles livros de citações e, como estava em inglês, pô-la no seu blogue. Deve ser isso. Não obstante... pobre Vidal!

sábado, abril 21, 2007

Reuniões

O PNR esteve prestes a reunir por cá com outras organizações de extrema direita. Não o fez porque o dono do recinto onde se realizaria o encontro lhes retirou, à última hora, o espaço, alegando problemas com a polícia.
No entanto, não deixa de ser estranho que os nossos fascistas moreninhos estivessem dispostos a reunir com rapaziada que os toma por seres inferiores... por essas alemanhas, holandas e franças... Eu, se fosse de extrema direita, só reunia com nacionalistas de Moçambique e do Brasil. Esses, pelo menos, e que eu saiba, nunca nos tiveram na agenda. Já os alemães... estávamos logo a seguir aos ciganos! O forno já estava em brasa!

segunda-feira, abril 16, 2007

Público e Reforços

Numa estatística duvidosa e infundada, mas ainda assim razoável, alvitro que em 100 bloguistas, 98 lerão o Público. Uns sempre, outros às vezes, é certo, mas este será o jornal de referência dos bloguistas. No entanto, um novo reforço deste diário leva-me a reconsiderar esta estatística. A partir de agora, o Público terá 97 leitores no grupo dos 100 bloguistas a que pertenço. Vou passar a ler o agora despoluído Diário de Notícias. Já não anda por lá o meu Dantas: vou experimentar!

(Já acho bem feito o que o Sporting vos fez! Paguem os 75 000 € que dão à justa para o ordenado do Liedson. Pim!)

domingo, abril 15, 2007

Uma Questão de Tomates

Kasparov já na ramona. Imagem do site kasparov.ru.


O melhor xadrezista de sempre _o já retirado (?) Garry Kasparov_ foi preso por dez horas, ontem, em Moscovo. Participava numa manifestação não autorizada contra o presidente russo. Quando se retirou do xadrez (ou melhor, da competição: ele continua o seu trabalho como escritor de livros de xadrez e cronista na mais importante revista da modalidade: New in Chess) Kasparov anunciou que se dedicaria ao combate a Vladimir Putin. E ele aí está: lidera a mais combativa oposição.
Como jogador, Kasparov sempre demonstrou uma coragem inabalável. Como político não mudou a sua habitual conduta e mostra ser um homem com tomates. Desejo-lhe melhor sorte do que a tiveram os anteriores campeões, sempre desacreditados no que fizeram das suas vidas pós-xadrez. Talvez por nunca terem conseguido convencer o vulgo que eram mais que campeões de xadrez... As massas não perdoam aos génios. E Putin não perdoa ninguém.

sábado, abril 14, 2007

Que Raio de Pergunta e que Boa Resposta!


Quem lhe terá feito semelhante pedido? Provavelmente ninguém, desconfia o leitor. Mas, admitindo que algum dos seus amigos (ou seguidores) mais galhofeiros lhe tenha realmente pedido que escrevesse sobre o amor, pasme o leitor com o paradigma de desinteresse escolhido por Mexia: a malária na África equatorial! Uma escolha elegante, denunciadora de superior gosto e decididamente elucidativa! É de poeta! De poeta dos bons! Daqueles de pêra! É delicioso, este Mexia!

sexta-feira, abril 13, 2007

Pedro Mexia

Não gosto do Pedro Mexia. E vou dedicar os próximos artigos a atacá-lo. Começo já: como poeta é economista, como economista é poeta popular. Passa os domingos no Chiado a "flanar". Raios o partam e ao grotesco mau gosto que lhe começa na chiba. Vou-me a ele. Aguardem. Vejam o subtítulo do seu blogue: "smoke and mirrors / special effects / a little fear a little sex".

Ao nível das letras do David Fonseca, não? Mais valia, como disse Reininho, rimar Wyona com...

quarta-feira, abril 11, 2007

Importâncias

Não tem importância, mas tem de explicar. O PM é eleito a votos, mas tem de explicar. Assim interveio o Marques Mendes após um bom momento da democracia portuguesa, porventura inédito, em que o Primeiro Ministro aparece na RTP, com os papelinhos na mão, certificados, cartas, tudo, e explicou, mal ou bem, à frente de todos quantos quiseram ver, o seu percurso académico.
Depois da coisa propriamente dita, Sócrates arrastou-se, aliviado, pela repetição das outras coisas, das do governo... a Ota, a Mobilidade Especial (um nome que podia muito bem ser o de uma operação em larga escala, com 2000 homens e 3 caças na Guiné, 1969), a restruturação da rede de urgências... nada de novo, portanto. Mas, de resto, quem queria saber disso? Sócrates foi ali, à televisão pública, explicar ao povo que o elegeu todas as questões relacionadas com a sua formação académica. O outro, o Mendes, quer agora sindicância externa, análise exaustiva, um apuramento mais exaustivo de toda a verdade, dizendo sempre que não é politicamente relevante, mas quer saber melhor.
Sr. Mendes: Se não é politicamente relevante... porque é que não se mete na sua vida? Dessa forma evitaria o suicidio, que cometeu em directo.

terça-feira, abril 10, 2007

O Curso de Sócrates

Anda meio Portugal azafamado com a eventualidade de José Sócrates ter um curso superior de duvidosa validade. Muito me espanta tal azáfama, devo confessar aos leitores. Conhecido por "Engenheiro", título outorgado apenas pela Ordem dos Engenheiros, Sócrates nunca o foi, sendo tal facto público e notório. Não sendo membro da OE, não é engenheiro. Seria apenas licenciado em engenharia civil. De resto, como nunca trabalhou (como engenheiro), nunca tal questão lhe terá causado grande transtorno.

Neste edifício, só como convidado ou visitante poderá Sócrates entrar...

Aquilo que se discute agora é absolutamente enigmático: Sócrates teria um curso de engenharia civil da UNI... Agora descobre-se que talvez tenha havido irregularidades nesse seu curso. Pensarão os cidadãos portugueses que isso tem alguma importância? Que diferença existe entre um curso de engenharia da UNI ou não ter qualquer curso? Pelo amor de deus! É indiferente!

O homem até se ajeita a parlamentar em São Bento, tem mão nos seus ministros, poderia ser um rico padeiro ou um excelente modista. É primeiro-ministro e foi eleito a votos. Engenheiro civil é que ele não é, nunca foi, e nunca sequer ninguém suspeitou que tivesse sido. Tendo sobre o assunto opinião isenta, mas avalizada, informo o leitor que, em Portugal, apenas uma instituição lecciona o curso de engenharia civil (vá, três... a FEUP e Coimbra também, ainda que timidamente): o Instituto Superior Técnico. Vale mais uma cadeirinha foleira de opção do Técnico que 56 da UNI e quejandas.

Deixem-se de pantominas e olhem lá para as maternidades e centros de saude que "eles" andam a encerrar! E para o custo dos remédios: as reformas do magro idoso vão inteirinhas para o bolso do anafado farmacêutico!




(E o resto é paisagem!)


Se querem ser engenheiros, estudem!

domingo, abril 08, 2007

Fórmula 1

Bons tempos em que Schumacher dominava a Fórmula 1. Tudo estava certo!



O Alonso ganhou. O cenário da actual Fórmula 1 torna-se calamitoso para o nosso país. Expulso do circo o Tiago Monteiro, reformado o alemão Schumacher, resta como referência o bi-campeão Fernando Alonso... É certo que o rapaz é Asturiano, de Oviedo, mas ainda assim, espanhol. Não que este blogue tenha o que quer que seja contra Espanha ou espanhóis, mas porque, num país que tem Baltazar como homem mais notável, há que buscar afirmação no lugar do costume: no vizinho. O lugar comum é inevitável e, com o crescente abrutalhamento das nossas gentes, há que dizê-lo: ser português é não ser espanhol.

Esclarecido este ponto, a Fórmula 1, que encantou gerações de portugueses, deixa agora de ter qualquer espécie de interesse para a pátria do Senhor Professor António O. Baltazar. A minha geração dividia-se em senistas e prostistas, havia até manselistas e bergueristas, rendeu-se ao lenitivo consolo da força campeoníssima e irrefutável do alemão Schumacher. Riu-se ainda a minha geração com as divertidas incursões de Lamy e Matos Chaves pelo circo, sofreu com Monteiro e com a sua bonita pêra e inseparável boné e tudo para quê? Para olhar para um tipo chamado Alonso a ganhar aquilo ano após ano?

Ocorre-me agora a tremenda injustiça que caíu sobre os homens que deixaram que o GP de Portugal fugisse. Eles sabíam o que vinha a seguir. Portugal é, afinal de contas, pátria de visionários! Ou não fosse a pátria de Baltazar, dos irmãos Cavaco e do Guarda Abel!

sábado, abril 07, 2007

Curiosa e Brava Luta

Terminou há pouco uma brava e curiosa luta entre um clube, o Sporting, que competia para o título, ainda remoto mas quase certo, de Campeão Nacional do jogo do futebol, e outro, o Braga, que disputava um jogo em cenário à "Blade Runner" ou "Mad Max"... Penso que os atletas do Braga, agora que terminou a partida com uma derrota para as cores minhotas, serão sumariamente abatidos. Assim pareceu pelo empenho, com guarda-redes à avançada e tudo, que essa rapaziada mostrou no final da partida! Brava malta esta e uma Santa Páscoa com ressurreição e tudo é o que lhes desejo, rapazes!

terça-feira, abril 03, 2007

Paulo Bento

Para dar a minha singela colaboração a um dos mais importantes assuntos da sociedade portuguesa, falarei neste artigo de Paulo Bento.

Caso o Sporting vença o campeonato penso que o lema do clube deverá ser adaptado para "Esforço, Dedicação, Devoção, Tranquilidade e Glória!"

segunda-feira, março 26, 2007

O Baltazar

O povo português telemovilizado votou e disse: o melhor português de sempre foi o Baltazar ou Salazar, ou lá como se chama! Por eso, y perdonen mi malo castellano, en el Media Libreria se hablará lo idioma de Cervantes. No voy a hablar lo de Baltazar!!!

sexta-feira, março 23, 2007

Ajuda

Dois dias depois de ter escrito o artigo do boné reli-o. E pensei: talvez precise de ajuda especializada... Usem lá o boné, rapazes!

quarta-feira, março 21, 2007

O Boné

Antes, apenas os trolhas, em especial estucadores, usavam habitualmente o boné. Hoje, meus amigos, Portugal é um país infestado: dir-se-á que temos um país cheio de Patos Donais!

O que pensará essa malta? Será que gostam daquele ar de cabecinha redonda, do bico de pato, do aspecto com que o cabelinho gorduroso fica quando finalmente tiram o boné: colado ao crâneo!? Será por julgarem fino que entram, e ficam, em locais fechados com o estúpido boné enfiado? Inexplicável! Talvez lhes dê gozo... mas, sinceramente, preferia que tirassem os sapatos... ou que enfiassem o dedo no nariz.

Ainda mais cretino que o uso massivo do boné num país de eterna Primavera (que aproveito para saudar) é o que neles habitualmente se inscreve: SIC, Planta, Morangos com Açúcar, Floribela, Correio da Manhã... Anda um tipo pela rua com um boné a dizer SIC?? Floribela?

O cenário é digno do imaginário Disney... milhões de patos donais e de patetas!

sexta-feira, março 02, 2007

OPA Blindada, Berlindada, Belindada?

Pelas rádios e televisões só se fala da OPA do Belmiro à PT. Belmiro é aquele senhor com ar de irmão Dalton e nome de pugilista do tempo da outra senhora. Do tempo desta, português, lembro-me apenas de Fernando Fernandes, pugilista que também socava com os pés. Lembro-me dele porque ele "jogava" no Sporting e porque tem um nome elegante. Mas voltemos à OPA.

Imagino os meus concidadãos, vendo a televisão, preocupados com a OPA. Imagino-os, junto à máquina do café, falando de berlindagens e desbelindagens. "O gajo compra a PT se a OPRA estiver desberlindada!", parece-me ouvir o Correia dizer. O Lopes, que compra o "Jornal de Negócios " desde os tempos em que o "Diário Económico" era à borla, chilreia do alto do seu muito saber: "Não é a OPA que é desbelindada: são os ex-tatutos! É claro que o Belmiro não pode comprar uma firma com ex-tatutos belindados. Vê-se logo que não lês o JN. Só lês a Bola!"

A menina Arlete, que ouvira a conversa aos bocados, ainda comentou: "Eu adoro a OPRA, ela já passou por muita coisa na vida e é uma mulher que eu admiro!"

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Zangas

As zangas de outrora, entre poetas e escritores, críticos e jornalistas, com acusações de plágios e menoridades, emendas piores que sonetos, escritores sonâmbulos chupistas, que liam à noite sem o saberem e escreviam de dia o que não sabiam ter lido... acabaram!

Ou não?

Hoje temos uma nova vaga de zangas, divertidas, mais rápidas mas com o mesmo efeito aglutinador do "eu" português: falo do neurónio avariado de Pacheco e da doença mental de Mourinho. Falo também do ar zangado de Jesualdo e das duras reacções de Paulo Bento aos comentários de Peseiro. Falo da troca de ironias (ainda a temos!) entre Veiga e Pinto da Costa! Falo do livro de Carolina Salgado e das suas amizades com benfiquistas!

Não estamos agora muito melhor?

domingo, fevereiro 04, 2007

Extremos

Portugal é, sem qualquer dúvida, um país de extremos! Cristiano Ronaldo, Figo, Chalana, Futre... e até Simão Sabrosa, Quaresma, Nani, Campanha pelo Não... esta última com excomungados e cartinhas de infantários pios e santos aos pais escritas por um embrião... Sinistra, baixa, suja, nojenta, porca, cretina, bolorenta, pacóvia, provinciana, estúpida, fascista, macabra, imbecil, infame, católica, pró-pedófila, miguelista, salazarenta, inquisitória, mesquinha e até metediça e quadrilheira campanha pelo monstruoso Não.


Gosto de extremos... de quase todos eles. Menos dois: O Não e o Simão.

domingo, janeiro 21, 2007

Que Tal?

Caro leitor, o que acha do novo aspecto do velho blogue? Tem já três aninhos e qualquer coisa! Tem quase meio milhar de artigos e... qual deles o melhor! A mudança de look foi a minha prenda, ou melhor, presente, para este companheiro dócil e fiel!

Para o quarto aniversário, fica prometido, coloco uns bonecos bem bonitos algures por aqui!

terça-feira, dezembro 26, 2006

Cintos nos Comboios e o Teatrinho do Féria

Para quando cintos de segurança nos comboios? E cadeirinhas especiais, para crianças e adultos com menos de metro e meio? Para quando o uso obrigatório de capacete e botas de palmilha e biqueira de aço nos automóveis? A azáfama securitária está ainda muito aquém do desejado: Portugal tem de se civilizar. Em breve proibir-se-á o fumo em qualquer local fechado, público ou privado. Em breve terão os fumadores de carregar guizos ao pescoço para que a sua presença seja notada pelas gentes que assim se poderão precaver dos novos leprosos fugindo ou atirando pedras!

Aguardo com paciência o tempo, que não tardará, em que os passageiros do cacilheiro tenham de envergar coloridos coletes salva-vidas e galocha pelo joelho! O singelo peão terá de usar, sempre que saia de casa, o colete reflector e não apenas nas santas peregrinações a Fátima! Peregrinações que, por referendo, se tornarão compulsivas: assim o determinará a Santa Inquisição. Aos prevaricadores, ateus, biscaínhos e outros judeus, restar-lhes-á a correcção dos seus ínvios caminhos ou a purificadora e incandescente pira no Terreiro do Paço. Onde se juntarão às mulheres que façam o IVG! Findo o aroma a sardinha assada na falecida Feira Popular, venha o cheirinho a entrecosto na Baixa de Lisboa!

Em breve será La Féria o ministro da cultura e do entretenimento. Ou Berardo. Em breve se decretará ser cultura apenas o que é economicamente viável! Se Brecht tem cinquenta espectadores, se Féria enche casa atrás de casa, que conclusão se pode tirar? Evidentemente, Brecht vale menos que Féria! Ouçam o Rio do Porto e aprendam! Vejam o Féria no seu Politeama, confortavelmente sentados nas suaves cadeiras, com cinto de segurança, livres de fumo, seguros, quentinhos, com coletes reflectores, botas de segurança e bóias salva-vidas. Não vá o Tejo subir e inundar-lhes o teatrinho.

domingo, dezembro 17, 2006

Mais Dominicais

No Alverca-X, há mais do mesmo: Mais Dominicais! A infame história continua!

sábado, dezembro 02, 2006

A Lei e Marques Mendes

Um destes dias, Marques Mendes informou o burgo que votaria "Não" no próximo referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez. Tal como votou em 1998. Disse que não encontrou razões para alterar o seu sentido de voto. Admito que seja, para Marques Mendes, difícil, impossível, encontrar razões para alterar a lei. Admito até que seja difícil a Marques Mendes encontrar razões para alterar o que quer que seja.

Nada disto seria digno de nota... mas Marques Mendes avançou: é pena que a lei (que é tão boa) não seja cumprida! Esta é a opinião do líder do PSD! Destas inteligentes palavras conclui-se que Marques Mendes tenha pena de não ver as criminosas e ímpias mulheres que cometem o hediondo crime de interromper a sua gravidez atrás das grades! Tem pena que os médicos, enfermeiras e restantes cumplices não vejam agora o Sol aos quadradinhos! Tem talvez ainda mais pena de que brigadas pró-vida do puritano e muito nosso Portugal não invadam as sinistras clínicas de Badajoz e Madrid empunhando paus e atirando pedras! Tem muita pena, o nosso Marques Mendes.

Eu tenho muita pena também. Do nosso Marques Mendes. E, mais ainda, do nosso puritano Portugal. Que Deus nos ajude e guarde!

segunda-feira, outubro 30, 2006

A Bota Eterna

Ainda lá está! Passei por ela, pela Bota, na sexta-feira. Ela lá estava, encostada ao rail, enegrecida e eterna. Pergunto-me: desde quanto ela lá está? Terá visto Salgueiro Maia na sua chaimite há trinta e poucos anos trás? Será a bota de algum PIDE? Ou ainda: será uma bota do Senhor das Botas?

Hoje, se a conseguir ver, procurarei o elástico. Disso e doutras maravilhosas coisas vos darei conta em breve, caros leitores.

terça-feira, outubro 24, 2006

Sabedoria Desportiva

"O bom jogador nunca ganha mal, mesmo quando o faz por falta de comparência do adversário!"

Eis uma pérola da imensa sabedoria deste vosso criado, que, sem qualquer modéstia, incita o leitor a visitar o Alverca-X (blog dedicado ao Xadrez).

quarta-feira, outubro 18, 2006

O Desafio da Bota

Há pelo menos dois dias que uma bota desafia a massa de automóveis que cruza a segunda circular no sentido Sul-Norte, logo a seguir ao viaduto do Campo Grande. Está encostada ao separador central e ali se tem mantido esta semana. Desafiadora, atrevida, mágica até! Logo à tardinha, vou passar por ela e meditar, como fiz nestes últimos dias, sobre o sentido da Vida. Até que o carro da frente possa andar e, atrás dele, ande eu.

terça-feira, agosto 29, 2006

Quem Quer Ser Invisível?

Parte segunda em jeito de "Blogue Atento e Sabichão":

No título faço uma pergunta a que tu, leitor, poderás tentar responder. Possivelmente viste os filmes ou, na melhor das hipóteses, leste os livros e convenceste-te que seria sobejamente proveitoso deitares as mãos ao anel número um, o da invisibilidade. Falo, claro está, do imaginário Tolkien.

Então, para quê ser invisível? Mesmo as mais evidentes vantagens têm, pelo menos, gosto duvidoso! Poderás levar a cabo pequenos furtos, é certo, com magros riscos corridos. É uma vantagem para alguns, mas não é chávena de chá ao gosto de todos (não te esqueças do estilo asssumido em epígrafe: é suposto usar algumas expressões anglo-saxónicas... por escrúpulo traduzo-as). Talvez um apalpão furtivo a uma nádega distraída, ou a um seio atrevidote, alvitrarás tu, lascivo leitor! Umas viagens à borla no intercidades será sugestão alternativa, menos carnal... Talvez alguém se lembrasse de entrar no cinema ou no teatro de graça... mas, sinceramente, poucas vantagens, para além das já citadas, me ocorrem.

Quanto a desvantagens, há-as a esmo e não são de desprezar: se um tipo se distrai, facilmente é colhido por um camião com as naturalmente nefastas consequências... imagina tu, leitor, que se solta a mão do resto do corpo do portador do anel no processo de esmagamento! Que dirão os transeuntes? Que dirão os bombeiros, de saco plástico em punho, em busca da mão do cadáver? Era maneta, concluirão ao cabo de algumas horas! E o que sucederá à mão que, ainda de anel no dedo, se manterá invisível? Apodrecerá, será comida por um cão que porventura a levará para casa mesmo nas barbas do dono... Os cães vão lá pelo cheiro e raramente são vistos a ler Tolkien!

Há ainda um aspecto social importante. Gastam as pessoas o seu salário em vistosas roupas, em adornos e atavios brilhantes com o fito único de a si chamar as atenções... e tudo para quê? Com o anel, tanto faz trazer fato de treino preto, verde e lilás (indumento vistoso e distinto) como um par de calças de boa fazenda e um pull-over aos losangos bem quentinho!

segunda-feira, agosto 28, 2006

Invisibilidades

Por apenas 60,00 € podes aquirir o anel da invisibilidade! O estojo é grátis!
(Portes não incluídos)

Introdução à "Blogue Intimista":

Há dezasseis ou dezassete anos atrás, quando li o "Hobbit" de Tolkien, estava eu de férias na praia com os meus pais, achei que o anel que o hobbit roubara ao bicharoco dava realmente muito jeito. Depois de ler esse livro fiquei, claro, viciado e não descansei enquanto não pus as mãos na triologia "Senhor dos Anéis" que li, acto contínuo, avidamente. Ao devorar essa grande aventura, algo de intrigante me assolou como se de um vento de Mordor se tratasse (lembro-me também de ouvir à data os infames "Running Wild", banda de heavy metal alemã, e a sua potente malha "Mordor"): para que raio se afadigou toda aquela gente em busca de um miserável anel cujo único poder era o de fazer invisível aos olhos dos mortais comuns o seu portador? Nem sequer o escondia do Senhor do Mal! Só dos anões, gnomos, homens e restante bicharada!

Já na altura me encontrava munido de sagaz espírito crítico, passando a minha habitual imodéstia, e achei tudo aquilo demasiado postiço. O aparato literário, muito visual, a criação de ambientes fabulosos e fortemente apelativos mais que compensava, não obstante, a notável fraqueza do argumento e a tibieza da mensagem. Em suma, Tolkien deu demasiada importância à invisibilidade, desequilibrando assim uma obra majestosa e de enorme beleza narrativa. Um portento da imaginação humana, não obstante, e o suporte para um imaginário imperecível de árvores que andam e elfos que são muito poderosos e belos quando lhes apetece.

Consultei para a primeira parte deste "Invisibilidades" a TPTS, a "Sociedade Tolkieniana das Filipinas" por a julgar fonte digna e à altura deste Meia Livraria.

(Em breve: "Quem quer ser invisível?")

terça-feira, agosto 22, 2006

Organização da Biblioteca e Cartas de Editoras

O leitor vai achar que, para uma livraria, este espaço está muito mal organizado. E tens razão, leitor. No entanto, combaterei esse suave caos com determinação e esmero e, em breve, terás todos os livros devidamente colocados nas suas prateleiras. Mantém-te, por isso, atento à coluna da esquerda do Meia Livraria.

Também nessa coluna aparecerão as editoras que me enviaram e-mails com os seus catálogos! Como deves ter reparado, leitor, o endereço electrónico deste espaço é meialivraria@portugalmail.com e, por artes que desconheço, o mesmo foi descoberto pela sagaz gente que faz os livros. Sagaz e sagrada. Se eu pudesse, caríssimos editores, comprava todos os vossos livros. Uns guardava, outros não, claro. Talvez queimasse alguns, como nos bons velhos tempos!

segunda-feira, agosto 21, 2006

Exercício Radiofónico

Shakira, a mulher com ancas sinceras!

Experimenta, leitor, o seguinte exercício: ao viajares no teu carro, em qualquer ponto do nosso país, tenta descobrir uma estação de rádio em que, no preciso momento em que empreendes este interessante exercício, se ouça a colombiana Shakira. Descobrirás, espantado, que em qualquer que seja a hora, o dia da semana ou a região do país que atravesses, não terás de testar mais que meia dúzia de postos! Tê-la-ás trinando "my hips don't lie!" e também tu, culto leitor, trautearás a doce melodia e gingarás as ancas, escudado na casca metálica que te oculta. Fica ainda sabendo, leitor, que, caso o desejes, podes viajar de Vila Real de Santo António a Caminha sempre acompanhado pela bomba colombiana! Non stop! Basta rodar o botão!

domingo, agosto 20, 2006

Técnicas de Atracção

Falar do Papa João Paulo II, já falecido, de concursos "miss t-shirt molhada", da feira do sexo de Barcelona, do Dan Brown e do seu código "da Vinci"... São formidáveis técnicas de atracção blogueira! O pavão estende o seu leque de penas coloridas e a pavoa, que pode fazer para além de se render?

Vou saber junto da equipa dos "Enresinados" se a técnica tem dado frutos! Vejam a lista dos seus "posts em destaque"! Brilhante! Nem as contas do défice lá faltam!

quarta-feira, agosto 16, 2006

Batota

O kit do moderno xadrezista!

A batota chegou ao nobre Jogo! Numa importante prova realizada nos Estados Unidos, houve quem ouvisse bem e usasse um auricular e, num quente dia de verão, vestisse uma pesada camisola. O árbitro, sagaz, pediu ao indivíduo que se deixasse revistar e ele... não deixou! Investigadas as suas partidas, descobriu-se que executou, numa delas, 25 lances que seriam exactamente os que um forte programa de computador jogaria se estivesse no seu lugar. Pelos vistos, estava!

domingo, julho 30, 2006

Caricaturas


Os Toranja são uma caricatura mal esgalhada do Jorge Palma. Do grande, enorme, genial, Jorge Palma. Têm a forma mas não têm o conteúdo. O ouvinte menos atento deixa-se enganar à primeira audição. Mas à segunda, ou, quanto muito, à terceira, dá-se com o constrangedor vazio: não há ali nada. Não há verdade nem sentir, não há sangue nem alma. Não há Palma.
Fazem-me lembrar um tema do Tom Waits: "I am big in Japan". Quem conhecer este tema percebe o que eu quero dizer. Quem não conhecer... bem... tanto faz!

sábado, julho 08, 2006

Até os Incêndios

Até os incêndios florestais pararam para ver Petit e companhia neste Mundial! Afastados sem glória, descarrilados à força pela reduzida dimensão física nacional e pelo nulo prestígio do país (só tínhamos prestígio emprestado por Scolari e Figo, que é deles e só deles), à frente de todos fomos assaltados e ninguém deu por nada. Nem os incêndios!

Foi com pena que assisti a mais uma derrota, desta vez frente à dupla Alemanha e Japão, reedição de vetustas alianças (já não bastava a outra, menos habitaul: Uruguai e França!) e a mais uma injustiça: vi a cerimónia da entrega das medalhas até ao fim e esperava ver no corredor humano de festejos a face risonha de Petit, com medalha ao peito, e a pequenita mas simpática figura do árbitro japonês... mas nada! Só alemães! Que injustiça, meus senhores!

domingo, junho 18, 2006

Mundial de Futebol e Audiências

O Meia Livraria não quer, nem pode, ficar de fora do grande fenómeno mediático e civilizacional que é, sem sombra de dúvida, o Campeonato Mundial de Futebol. Realizado na Alemanha, conta com a presença heróica da Selecção de Portugal, com o seu capitão Figo, o seu menino prodígio Cristiano Ronaldo (o favorito, disseram-me, de uma revista gay), o goleador Pauleta, enfim, os homens que fazem deste país algo do qual os seus habitantes se possam orgulhar.

Infelizmente, não disponho de fotos do Cristiano Ronaldo em poses atrevidas, nem do Figo, nem sequer do guarda-redes Ricardo. Sei que esse tipo de imagem teria agora um sucesso brutal na tremenda guerra de audiências, quer televisivas, quer blogosféricas. Aliás, o casal Cristiano Ronaldo e Merche Romero ocupou no coração dos portugueses o lugar de Lili Caneças e José Castelo Branco, dupla de sonhos, vinda de um mundo de coisas bonitas, de um mundo cheio de "glamour" e de bom gosto! Quem não vibrou com a plástica da Lili? Quem não se riu a bom rir da última tropelia do Zé? Mas agora há que dar o lugar às jóias que Cristiano comprou à Merche e aos fabulosos truques que o mágico da Madeira faz nos relvados alemães!

Que bonitos truques, aliás, são os de Ronaldo! Apesar de totalmente inconsequentes, de nada valerem para o resultado da equipa, apesar de ser um jogador a menos, é ele o eleito dos corações da petizada consumidora de Morangos com Açúcar e das senhoras de todas as idades e feitios, encantadas com a carinha laroca e físico atlético do moço! Ainda por cima, é politicamente correcto afirmarem-se dele fãs, mesmo em frente ao marido ou namorado que, cúmplice, não se importava que a patroa o traísse, desde que fosse com a boa rapaziada da Selecção!

No fundo, Ronaldo resume num homem só os dois maiores ícones dos últimos cem anos em Portugal, superando-os: tem a carinha laroca de um Tóni Carreira e o físico de um Tarzan Taborda! Grande Cristiano! Ditosa a pátria que tais filhos tem!

Para finalizar, uma palavrinha de apreço para o Scolari, o homem mais importante de Portugal. Foi graças a ele que Roberto Leal ressuscitou, forte e sadio, imaculado, e, com ele, a esperança renovada numa nação de gloriosos homens que, lá fora, enchem de honra o nosso país! E, acima de tudo, lhe dão, a ele, a Portugal, bom nome! Obrigado Scolari por ter desenterrado Leal! Não esqueceu esse homem o belo serviço que Roberto fez à sua pátria lusitana popularizando no Brasil cantigas tão nossas como "Uma casa portuguesa" e deixando no país irmão uma tão boa impressão de todos nós!

quinta-feira, junho 15, 2006

Coletes e Logística Avançada

Pela zona centro de Portugal, assiste-se nestes dias a uma nova invasão das hordas reflectoras: a berma da lendária nacional 1 transformou-se num imenso cordão humano, verde fluorescente, que se move como uma gigantesca lagarta da couve no sentido de Fátima. Vão visitar, novamente, Nossa Senhora de Fátima (NSF, doravante no texto)!

Os meus parcos conhecimentos de estatística permitiram-me, não obstante, calcular em cerca de meio milhão o número de almas encaixadas em coletes nesta estranha migração sazonal. O meu irrequieto e logístico espírito, sempre ávido pelo entender das coisas, apoquentava-me perguntando insistentemente: e onde fica esta gente aos serões? Caminharão sem parar, ad nausea, haverá oferta hoteleira que baste a este simpático exército à chinesa?

Encontrei a apaziguadora resposta nas minhas forçadas migrações, automobilizadas devo acrescentar, naquele canal cinzento escuro flanqueado pelas linhas verdes de que venho falando: a estrada nacional 1 entre Coimbra e Águeda. Cônscio da parca oferta hoteleira da região vi a luz em forma de carrinhas de 9 lugares, identificadas com papéis impressos ou escritos à mão com redonda caligrafia, onde se pode ler "Apoio a Peregrinos" e coisas quejandas. Pois é! Carregadinhas de sandes e sumos, essas sagradas carrinhas fazem da perigrinação uma espécie de lanche volante, aliviando o peregrino da pesada mochila com casqueiros e chouriçada! Nem o clássico e latiníssimo garrafão de vinho falta nesses abençoados veículos, porque esse tanto caminhar puxa pela pinga: verde tinto porque é Verão ou quase. E NSF não quererá as suas gentes sedentas e sem alegria!

Adivinho agora o resto da operação: munidos de um pau de giz ou de uma lata de tinta de marcação rodoviária, os motoristas em sagrada missão recolhem os seus 8 peregrinos (há que rentabilizar a viatura), escrupulosamente marcando no pavimento o exacto local em que as gentes em moderno auto-de-fé pararam de dar ao pedal, para usar uma engraçada expressão que também adivinho ser usada. Acto contínuo, lá rumarão os 9 em direcção à sua terra natal para regressar, no dia seguinte, ao ponto onde deixaram a santíssima caminhada.

Trata-se de um interessantíssimo exercício de investigação operacional determinar os consumos de gasóleo, os quilómetros percorridos pelas carrinhas, os pneus deixados nas massas betuminosas, os metros cúbicos de CO2 e quejandos gases maléficos largados para a pobre atmosfera! O autor terá, e disso suspeitava já o leitor, a veleidade de alvitrar uns números, em jeito de bitaite.

Assumindo uma distância entre as localidades de origem e o destino de 100 km e que os caminhantes percorram 20 km diários... e que andem no processo um número de carrinhas que se estima em 1/8 do número de peregrinos. Assuma-se que temos 200 000 almas em colete e teremos 25 000 carrinhas (ou viagens de carrinha, o que para o efeito tanto faz). No primeiro dia percorrerão 1 000 000 km (40 km cada), no segundo dia 2 000 000 km, no terceiro, 4 000 000 km e assim sucessivamente até ao quinto dia. Ter-se-á um total de 1 + 2 + 4 + 8 + 16 = 31 000 000 km percorridos. Vá lá que cada carrinha gaste 12 l aos 100 km... e temos 3 720 000 l de gasóleo queimado!

Quase tanto como o volume de cera derretida nos rituais!

domingo, maio 28, 2006

Fotos de Canalizadores!

Um surto de buscas por Togo invadiu o Meia Livraria no dia de ontem! Mas foi a demanda pelo canalizador que me encantou! Vou procurar e, caso encontre, afixarei por cá uma imagem de um canalizador, um trolha, um electricista, um picheleiro (para as meninas e bichanos do Norte), um carpinteiro de toscos, um embalsamador, um matador de galos e cabritos, um domador de leões, um polícia, um ladrão, um deputado da nação, um autarca, um vendedor de automóveis, um baterista, um violoncelista, um chefe de estação, um ferroviário, um servente, um guitarrista, um bate-chapas, um jardineiro...

Com isto conto assegurar a chegada às 100 000 visitas neste mês que agora finda!


27 May, Sat, 15:38:28 Google: abanito maria
27 May, Sat, 16:38:36 Google: Curiosidades sobre o Togo
27 May, Sat, 19:20:09 Google: imagens de Togo
27 May, Sat, 20:01:33 Google: cofragem deslizante
27 May, Sat, 20:28:43 Google: historia do galho de barcelos
27 May, Sat, 20:30:28 MSN Search: morra o bispo e morra o papa
27 May, Sat, 20:37:19 Google: curiosidades do togo
27 May, Sat, 20:42:03 Google: Curiosidades de togo
27 May, Sat, 20:43:17 Google Images: sporting clube portugal
27 May, Sat, 22:08:15 Google: duplas famosas
27 May, Sat, 22:51:48 Google: HISTORIA DE TOGO
27 May, Sat, 23:06:24 Google: Um monstro como topalov
27 May, Sat, 23:37:03 Google: Curiosidades de Togo
28 May, Sun, 00:21:20 Google: Curiosidades de togo
28 May, Sun, 00:28:17 Google: resumo do livro as aventuras de Robin Hood
28 May, Sun, 02:34:02 Google: livraria
28 May, Sun, 03:30:38 Google: curiosidades sobre togo
28 May, Sun, 03:32:20 Google: "HOMENS FRANCESES"
28 May, Sun, 10:50:57 Google: IMAGENS OU FOTOS DE CANALIZADORES

terça-feira, maio 23, 2006

Bagdad

No sofá, sobre a protectora manta, o casal comentava as notícias que via na televisão. Um atentado em Bagdad com um bombista suicida a fazer-se rebentar na esquadra da polícia, levando com ele um par de dezenas de almas, ofuscava as outras, as de Alzira e Josué, levando-as a um transe de horror.

Já viste isto, Josué? O mundo está perdido! É verdade, Alzira! Estes árabes são maus como tudo, concordou Josué. Ai se esta gente cá chega! Não hão-de chegar! (Josué disse "hadem", mas destruiria o inegável interesse literário do Meia Livraria)

A notícia passou e, com ela, a preocupação naquelas almas. Olha lá, Alzira, já falaste com a tua prima? Já: ela vai a pé desde Sebornelho até Leiria e daí de joelhos até Fátima. Deus queira que lhe saia o euromilhões, concluiu Alzira.

terça-feira, maio 16, 2006

MORRA O BISPO E MORRA O PAPA

JORGE DE SENA
MORRA O BISPO E MORRA O PAPA
(De "Visão Perpétua")

Morra o bispo e morra o papa.
maila sua clerezia.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
Morram frades, morram freiras.
maila sua virgaria.
Ai rosas de sangue e leite.
que só a terra bebia!
Morra o rei e morra o conde.
maila toda fidalgula.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
Morram meirinho e carrasco.
maila má judicaria.
Ai rosas de sangue e leite.
que só a terra bebia!
Morra quem compra e quem vende,
maila toda a usuraria.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
Morram pais e morram filhos.
maila toda filharia.
Ai rosas de sangue e leite.
que só a terra bebia!
Morram marido e mulher.
maila casamentaria.
Ai rosas de leite e sangue,
que só a terra bebia!
Morra amigo, morra amante.
mailo amor que se perdia.
Ai rosas de sangue e leite,
que só a terra bebia!
Morra tudo, minha gente.
vivam povo e rebeldia.
Ai rosas de leite e sangue.
que só a terra bebia!
(1964)

sexta-feira, maio 05, 2006

Bela Safra!

03 May, Wed, 20:07:11 Google: livro As Aves de aristofanes
03 May, Wed, 20:23:07 Google: livraria em catu
03 May, Wed, 21:55:45 Google: Platano
03 May, Wed, 22:21:41 Google: "Por Terras de Sabugal"
03 May, Wed, 22:43:30 Google: togo e curiosidades
04 May, Thu, 00:10:25 Google: internel condominio
04 May, Thu, 00:58:03 Google: pedro boucherie mendes
04 May, Thu, 10:30:34 Google: Camus e o sentido da existência - filosofia 11º
04 May, Thu, 11:03:47 Google: malhadinhas
04 May, Thu, 15:12:06 Google: polux lisboa
04 May, Thu, 15:23:37 Google: galho de barcelos mito
04 May, Thu, 15:50:58 Google: curiosidades togo
04 May, Thu, 17:58:22 Google: fatima lopes leiria fucking
04 May, Thu, 19:14:44 Google: Manchester united e seus monumentos
04 May, Thu, 20:39:24 Google: meia livraria
04 May, Thu, 21:15:54 Google: conto o alma-grande de miguel torga análise
04 May, Thu, 21:19:05 Google: Meia
04 May, Thu, 22:44:43 Google: curiosidades sobre Togo

Esperando, ter, de alguma forma, ajudado, obrigado pela vossa visita e inabalável confiança na humilde mas firme sabedoria do Meia Livraria!

domingo, abril 30, 2006

Frases



O Tom Waits terá dito a seguinte frase: "Nunca vi um cão mijar na roda de um carro em andamento."

Há formas piores de entender a vida.

quarta-feira, abril 26, 2006

Latinos

Um português é, como todos sabemos, um espanhol sem aquela graça que eles têm, sem aquele "salero". Um português também é uma espécie de italiano sem brio, sem o esmero que eles aplicam em tudo o que fazem.

Um português, no entanto, sempre tem mais esmero que os espanhóis, que são ainda mais grosseiros que nós, e muito mais graça que os italianos, que não têm qualquer espécie de sentido de humor.

Afinal, ser português não é assim tão mau. Ainda que me lembre sempre de Almada Negreiros: "Eu nunca escolhi ser português..."

terça-feira, abril 25, 2006

Dia da Liberdade



Hoje é o dia da Liberdade!

Tal como registado por:

1.Perdido;
2.Abrigo de Pastora;
3.Abaixo de Cão;
4.Chez Maria;
5.Almocreve das Petas;
6.Banzai;
7.A Coluna Vertebral;
8.Fuga para a Vitória...

e tantos, tantos outros blogues que me vejo forçado a desistir da hercúlea tarefa de a todos listar aqui.

Pelo menos na blogosfera, o "25 de Abril Sempre!" ainda faz sentido.

segunda-feira, abril 24, 2006

A Escola e o Malhadinhas

Naquele que é um dos meus favoritos passatempos _ cheirar o Extreme Tracker em busca das buscas que ao Meia Livraria trouxeram os leitores _ arregalei os olhos incrédulos ao perceber que uma bela fatia dos que visitam este espaço o fazem na demanda por "Malhadinhas". Investiguei e descobri que essa obra de Aquilino é leitura obrigatória nas escolas!


Introdução ao Estudo de O Malhadinhas — 10º/11º Anos
De Fernando Ferreira e Júlio Macedo: Leiam "mas é" estes senhores...






Tenho então uma farta comitiva de estudantes em busca de recensões ao "Malhadinhas", cifrando eles, porventura, nas cibernéticas inquirições a esperança de fazer a cadeira sem ler o livro. Alerto-os, no entanto, para a insuficiência desses esforços, recomendando a leitura da obra de Aquilino Ribeiro ou, esteja a vossa alma defesa a tal empresa, a continuação da demanda: O texto que aqui se encontra é inacadémico em sumo grado e não será seguramente ao gosto da vossa stôra. De qualquer forma, apareçam sempre!

sábado, abril 15, 2006

Sismo



Hoje assustei-me! O chão fugiu debaixo dos meus pés... Mas felizmente a coisa ficou por um empate a zero na Reboleira. Podia ter sido pior.

sexta-feira, abril 14, 2006

A Páscoa

Continuando a trabalhar na minha profunda e muito desejada análise do obra "A Peste", que prometo reatar, vou agora mudar de registo, adaptando assim o Meia Livraria ao carácter fragmentário do seu autor. Vou falar novamente da auto-estrada A1, que liga Lisboa ao Porto!

Sendo certo que esse tema é pedra basilar deste espaço, há muito que por cá não aparecia. O leitor perguntar-se-ia, intrigado: Será que o Cláudio ficou sem carta? Descanse o leitor, sempre ávido de histórias da A1, que ainda tenho a carta de condução, pesem embora duas contra-ordenações graves por excesso de velocidade, que exibo com orgulho parolo a quem quer que comigo fale de multas e polícias e brigadas e coisas quejandas.

Ombreando com o futebol, o tema "Estrada" é o tipo de conversa que desbloqueia os habitualmente entupidos canais de comunicação verbal entre os homens. "Então o nosso Sporting?" pergunta um. "Uma desgraça!" responde outro. "Não falemos disso então... Olha, sabes que há bocado, ali no nó da A13, estava um gajo encostado à berma! Os tipos da brigada vinham num BMW azul escuro carrinha!". E a conversa segue, trocando-se avistamentos de Audis pretos e radares ocultos em arbustos e rotundas sempre com a guarda à coca de balão em punho. "Quando um gajo bebe uns copos, o melhor é ir pelos cabos de Ávila..."

Não me esqueci do que ia a dizer sobre a mítica A1! Cá vai:

Ontem ao final do dia, ao rumar a Sul vindo de Coimbra, vi a Páscoa. Uma imensa lingua amarela, com centenas de quilómetros de comprimento. Dos pontos altos, vi-a claramente, longa e serpenteante, iluminando a noite que é sempre escura na A1! A língua movia-se silenciosamente levando os que fazem a vida ateia por terras de Lisboa e arrabaldes para a terra que se diz santa e onde a cruz aguarda, nas mãos do padre ou seminarista, pelos lábios, pintados uns, à sombra de bigodes outros, das nossas gentes. E essa língua longa, que se esconde por trás dos lábios que beijam a cruz, é, meus amigos, a Páscoa. É a morte de Cristo que veio para nos salvar.

terça-feira, abril 11, 2006

A Peste (Parte I)

“A Peste”, de Albert Camus

PARTE I

Nas primeiras linhas do texto, o autor, escrevendo no tempo presente, introduz a cidade onde se passa o caso que se conta, Orão na Argélia, e explica ao leitor como vai ser contada a história, apresentando a principal personagem, o médico Rieux. Originalmente, apelida-o de narrador e de historiador, acrescentando que, tal como os outros historiadores, este tem as suas fontes que necessariamente o suportarão na tarefa.

Já aos olhos deste narrador, surge o primeiro acontecimento insólito, a morte dos ratos, pressagiando o que aí viria e que o título da obra denuncia: A Peste. É, aliás, assim que termina a primeira parte da obra, com a declaração oficial do estado de peste em Orão. Isso após o surgimento dos primeiros casos em seres humanos e da rápida progressão dessas ocorrências. Na acção toma intensa e relevante parte o narrador Rieux que nos dá a sua visão e alguns juízos de valor, aqui se distanciando do papel “típico” de historiador, assumindo, ao fazê-lo, uma postura de Oliveira Martins que, suspeito, seria totalmente desconhecido para Camus.

Na primeira leitura que fiz do livro, em 1995, não tinha lido ainda “O Estrangeiro” (que li, salvo erro, imediatamente a seguir) e deixei escapar a primeira intertextualidade que detectei nesta segunda, a saber, a referência (na página 68 da minha edição “Livros do Brasil”) a um caso que fazia “barulho” em Argel: O assassinato de um árabe cometido por um jovem empregado de comércio. Sabe quem leu O Estrangeiro que essa é a face visível da obra, pelo menos de Orão. Esse assunto foi comentado por uma empregada da tabacaria, quando por lá passou Grand, um tipo estereotipado, ao jeito das personagens de Kafka: o conhecido amanuense ou mangas-de-alpaca. Com esse Grand, fez Camus trocadilhos à pata galharda, infelizmente perdidos na tradução portuguesa mas adivinháveis no original.

É Kafka quem aparece na segunda intertextualidade que encontrei: Cottard, um tipo suspicaz a quem Grand tirou da forca, lia num restaurante fino da cidade “O Processo”, facilmente identificável pelo enredo resumido com que Cottard explicou a obra a Rieux. Também essa intertextualidade me passou despercebida na leitura de 1995. Assim é a juventude!


Triunfo da Morte (1562), de Peter Bruegel.

segunda-feira, abril 10, 2006

Dúvidas e Certezas

Há mais de dois anos que mantenho este espaço. Pautei a minha produção por um elevado eclectismo, tentando, como sempre faço em tudo o que faço (é propositada esta duplicação), manter todas as portas abertas, não me limitando. Tentando que a minha dimensão a todos alcance, estico-me, alargo-me desmesuradamente. E nesse esforço impossível, desapareço na medianía, no nada conseguir. Querendo troianos e gregos, não terei nem uns nem outros. Primeira dúvida. Mas tenho-os, a vós, que me lêem agora. Primeira certeza. Porquê? Segunda dúvida.

Quase todos vós, os que visitam o Meia Livraria, me conhecem pessoalmente e fazem-no (conhecer-me) melhor que eu próprio. Lá saberão porque cá estão. Curiosidade, estima, amor, amizade, o que quer que seja, trá-los cá. Esta é a segunda certeza. Gosto de os ter cá, claro, mas isso é apenas um facto. Como e porquê prosseguir? Pouparia tempo aos que me querem se não mantivesse o Meia Livraria? Terceira dúvida.

Mantendo a atitude dos últimos dois anos perderei a presença dos intelectuais, grupo a que não pertenço; dos sábios do futebol, onde, também me não incluo; dos que fazem da blogosfera um espaço de troca de banalidades de café, onde, já adivinharam, também não me incluo; daqueles que se interessam pelo que ganham os juízes e deputados, eu, confesso, não quero saber; daqueles que têm vidas tão interessantes que se sentem na obrigação de as partilhar com o mundo, não é também o meu caso; dos que escrevem poesia como Pessanha e não querem esperar pela editora, de Pessanha nada tenho... Qual é o meu lugar? Para que raio escrevo eu? Quarta dúvida.

Faz-me, no entanto, falta este espaço. Mesmo escrevendo "post" atrás de "post" sem qualquer comentário... Está lá, à minha espera, fiel e calmo. É uma rede que o meu peso não rompe. Terceira e última certeza. 4-3. Perderam as certezas.

domingo, abril 09, 2006

Alguém Sabe?

E, assim, encalhados a meia distância entre estes abismos e estes cumes, mais flutuavam que viviam, abandonados a dias sem sentido e a recordações estéreis, sombras errantes que só poderiam ter ganho força aceitando criar raízes na terra da sua dor.

sábado, abril 08, 2006

Ainda Aquilino: Andam Faunos Pelos Bosques


Fauno, aguarela de João Bugalho.


Em "Andam Faunos pelos Bosques" deu-nos Aquilino uma obra erudita, polvilhada com sabedoria clássica, com reflexões ancestrais, nunca concluídas, sempre por resolver. Fala-nos do belo e do divino e, veladamente, de eugenia até. Mas também nos fala da relação entre o homem e o desconhecido, campo verde onde pastam as ovelhas da fé e onde, ao contrário do habitual, pastam também pastores.

Retrata magistralmente um conjunto de sacerdotes da douta igreja, sacudindo-os e analisando-lhes as vidas e a fé. São eles, os padres, que carregam o peso da narrativa. É através deles que Aquilino nos conta a história, passada nas serras da Beira e parcialmente na cidade de Viseu, de um conjunto de estranhas ocorrências.

Micas Olaia, chorosa camponesa, chegou à aldeia relatando o que lhe acontecera: fora desmoçada por alguém, ou algo, que irresistivelmente dela fez mulher. Não lhe batera, não a confinara, não a forçara. Antes a subjugara de forma inexplicável, nada conseguindo o vigilante Eu da pobre menina contra o outro Eu, aquele que, sempre escondido, determina acções e vidas. O caso seria banal não fora a profusão de quejandos episódios nas redondezas, em tempos próximos. A coisa evoluía e a misteriosa criatura deixou o seu rasto imoral pelas pedregosas veigas da serra.

A todos foi tocando o conjunto insólito de eventos. Organizaram-se montarias, acções concertadas entre os valentes aldeões e os sacerdotes, muito se rezou e muita batida pelos ermos se fez. Para nada encontrar ou evitar. Os acontecimentos repetiam-se escolhendo sempre as mais belas moças para vítimas. Todas sucumbiram entre a sensual, irresistível e telúrica força. Às feias, às desengraçadas, a essas só Deus queria.

Numa das montarias organizadas para dar caça à criatura, se apresenta Jirigodes, homem na meia e experiente idade, retornado em glória das Africas que, senhor de grandes qualidades másculas, se encarregou de liderar a operação. Jirigodes estava enamorado por uma belíssima catraia, cheia de sensuais visões da fé, que se decidiu entregar em sacrifício às garras da criatura, após insistente chamamento divino, em sonhos, de que deu conta ao pároco local. Assim o fez uma noite, num dos fortíssimos momentos desta obra, saindo de sua casa em sagrada e sensual missão. Regressada do sacrifício veio mudada: Chegara à Terra o Inefável, que viria plantar a sua semente pura nos ventres das mais belas mulheres. A humanidade apodrecida e desviada, decadente, cheia de aleijões e mostrengos, seria varrida pela onda que se iniciara agora, enchendo-a de beleza.

O tal Jirigodes, homem de grande orgulho e vaidade, não se deixa convencer e vai para a serra, esperar o causador de tamanha afronta. Leva Barnabé, o maluquinho, que se torna na segunda estrela de um dos mais brilhantes firmamentos da nossa literatura: A espera de Jirigodes. Sabe o leitor o desfecho do episódio pelas conversas dos padres que se reunirão, na última parte do livro, em Viseu. Aparece então a teoria clássica que ressuscita a imagem do fauno. Aparece depois a católica teoria demoníaca. O duelo entre as duas "escolas", defendidas cada qual por um punhado de padres, acaba saldado por uma intervenção de um outro padre num discurso absolutamente formidável que constitui uma das mais claras e racionais definições de fé.

É neste último ponto que a obra descola do simples romance para alturas estratosféricas, de ar rarefeito e propícias a toda a sorte de vertigens: a falta de oxigénio e a distância ao solo esmagarão o mais sólido dos leitores.