terça-feira, janeiro 20, 2004

Escrever

A obra póstuma de Vergílio Ferreira, Escrever, encontra-se pejada, pelo menos nas suas primeiras páginas, de um estranho desencanto, como se o escritor só chegado à velhice se apercebesse do absoluto. Como se só ao ver cair a sua teia de amigos, onde ele era aranha, compreendesse que acabaria. E que também a humanidade acabaria. E que também o universo acabaria.

Assustei-me. E pensei, será que Vergílio Ferreira tinha em mente a publicação quando redigiu essas linhas? Ou seriam um esgar de revolta pela tardia descoberta ou qualquer coisa que o valha?

De qualquer forma, vou continuar.

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