sábado, janeiro 24, 2004

O Ultimatum Futurista

Sendo um assunto pleno de importância e absolutamente pertinente, será feita neste blogue uma análise ao Ultimatum Futurista às Gerações Portuguezas do Século XX, de Almada Negreiros, escrito em 1917.

Excluindo a parafernália datada, de índole bélica e racista, tentei apurar do texto alguns aspectos que julgo interessantes, volvidos que estão, ora 2004 menos 1917, bem, mais de 100 anos...

O que não se fez (NFx):

NF1: É preciso destruir este nosso atavismo alcoólico e sebastianismo de beira-mar;

Já nem se pode falar de atavismo alcoólico, tal pressuporia alguma espécie de desaparecimento, pelo menos numa geração, das olímpicas marcas que temos nesta arte, na de beber. Ora tal não aconteceu, não há intervalo. Não há atavismo alcoólico. Há a bebedeira piramidal que encharca os analfabetos e faz vomitar os letrados.

O sebastianismo de beira-mar está agora latente. Apenas para despertar, atávico, numa ou duas gerações. Mas, de momento, não esperamos ninguém.

NF2: É preciso explicar à nossa gente o que é a democracia para que não torne a cair em tensão;

A nossa gente ainda não sabe o que é a democracia. Temo que possa voltar a cair em tensão.

O que se fez (Fx):

F1: É preciso educar a mulher portuguesa na sua verdadeira missão de fêmea para fazer homens;

Neste aspecto, tudo indica que o trabalho de um século foi positivo. Que Deus nos salve e guarde dos malvados abortacionistas. Afinal de quem são os úteros? Da Nação, pois claro! Para fazer homens, pois então!

A mulher portuguesa é educada pelo tribunal!

F2: Fazei despertar o cérebro expontâneamente genial da Raça Latina!

Todos os dias, a cada hora e a cada minuto, no nosso país, em grande parte dos portugueses, o génio latino desperta, explode em toda a sorte de coisas irrelevantes e inúteis, mas está desperto.



Nota: Eu sei que 2004-1917 < 100, aliás, é = 95.
(Continua).

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