sexta-feira, janeiro 23, 2004

Os Imigrantes

Francisco José Viegas, no Aviz, escreveu um artigo brilhante, intitulado POIS TU FOSTE ESTRANGEIRO, em que aborda o tema da imigração.

Apesar de globalmente estar de acordo, tenho, no entanto, algumas reservas no que respeita à importância dos retornados, com o seu espírito cosmopolita e inovador, no combate ao provincianismo pacóvio vigente no Portugal salazarento. Até porque os eventuais resultados não estão à vista.

Somos hoje tão parolos como ontem, tão xenófobos como ontem e, uma vez mais, duvido que o contributo dos retornados tenha vindo no sentido contrário.

Importa não esquecer que a nossa xenofobia não é absoluta, é de passagem, ou seja, há povos inferiores e povos superiores ao nosso, assim é a mentalidade nacional. Os desgraçados são a causa de todos os males, os africanos, os brasileiros, os ucranianos e os romenos, são eles quem rouba tudo o que há para roubar, incluindo os empregos que ninguém quer.

Já os povos superiores, os ingleses, alemães e franceses (esses aparecem pouco por cá) entre outros, servem para que os nossos cidadãos desenferrugem o seu inglês, ou francês, sempre envergonhados com eventuais sotaques, e para que fiquem radiantes com o supremo elogio: O seu inglês é muito bom! (Na prática deveria escrever aqui: Your english is very good!, mas por artigos anteriores a este no blogue, não o poderia fazer.)

A nossa condição periférica, sempre ela, obriga-nos a subserviências ancestrais e a novíssima condição de sobranceria, em relação aos que por cá buscam o sustento, é algo a que a nossa profunda ignorância e voluntário analfabetismo não sabem responder.

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