segunda-feira, março 01, 2004

Desempregados

No restaurante onde costumo almoçar existem vários aparelhos de televisão. E são tantos que, para onde quer que olhe, lá está um, aceso, a olhar para mim. Que terá isto que ver com os desempregados, pergunta o leitor, respondo-lhe já, é que eu almoço entre o meio dia e a uma da tarde. E essa é a hora da Praça da Alegria!

Trata-se do mais sinistro programa de televisão que alguma vez vi. Não os vejo todos, mas não preciso de ver mais nenhum para saber que este é o mais deprimente. Lá está o Aleluia, a poderosa arma secreta da RTP, homem que teve a espinhosa tarefa de enfrentar os Malucos do Riso e que, ao ser derrotado, foi punido com uma comissão de serviço, vestido de menino Tonecas, na Praça da Alegria. Ai dos vencidos!

O padre gaiteiro, conhecido por Borga, lá anda, saltitante e amaneirado, um rouxinol de óculos e barba. Uma jovem de ar pimba, muito sorridente e uma mulher-palhaço, um pianista canastrão que também canta, e uma orquestra ligeira mesmo ligeira já bastariam para pintar um animado cenário do grotesco, pensar-se-ia que não podia piorar, mas...

Eis que surgem Os Desempregados! Um conjunto com cerca de duas dúzias de desocupados que se sentam nas cadeiras da Praça, sorridentes e que(pensavam que era só boa vida?) agora são forçados a dançar! Já não lhes bastava bater palmas ao Artur Garcia e ao Tudela, ainda os obrigam a dançar ao som das cantigas do impagável Borga!

Rapazes e raparigas figurantes da Praça da Alegria: Não será melhor considerarem a hipótese de TRABALHAR?

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