segunda-feira, março 22, 2004

Focillon e Saramago

Há cerca de dois anos, ao iniciar a leitura do livro "Arte do Ocidente" de Henri Focillon, fiquei pasmado com a inesperada fecundidade do verbo e com o estilo maior, límpido, apaixonado e brilhante do texto. Que magnífico autor este, pensei, merece a fama que tem, mas, e agora peço-lhe que acreditem, ocorreu-me que quase tão magnífico seria quem o traduziu, quem será o genial tradutor? E fui ver. Era ele mesmo, o José Saramago.

Lembrei-me deste episódio porque leio o Elogio da Mão, do mesmo Henri Focillon, traduzido por Ruy Oliveira (edições 70). E leio este livro agora porque dele me falou (falou para a plateia, para ser mais preciso) Rui Mário Gonçalves, por ocasião da homenagem a Betâmio de Almeida deste sábado. E falou desse livro com tal paixão e respeito, que me enfeitiçou.

Para minha grande vergonha, comprara o meu exemplar d'A Vida das Formas seguido de Elogio da Mão há um par de anos e mal o tinha aberto.

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