sábado, abril 03, 2004

Dependências e Niílismo (1) - A Questão da Fé

1) Há cerca de um ano deixei de fumar. Era vício forte, grosseiro e autoritário. Exigia-me maços de cigarros de prevenção por todo o lado, no carro, em casa, em cada casaco. Saísse eu à rua, ainda que para comprar pão, e teria de o fazer acompanhado por maço e isqueiro. Deitar-me sem cigarros de reserva, nem pensar, se caso disso fosse, iria à bomba de gasolina mais próxima comprá-los. Em média fumava dois maços por dia, independentemente do dia da semana, assim era o vício.

2) Não consigo acreditar em deuses. Ou seja, não pude contar com ajudas divinas. Contei com a minha vontade e com a indústria farmacêutica, que me forneceu pastilhas de nicotina. Umas fortes, outras fracas, mas todas, em Portugal, com sabor a sorbitol e com aroma de nicotina se tal coisa existir. Em países melhores que este, como a França, para dar o exemplo do costume, há-as também sabendo a laranja e mentol. Por outro lado, suponho que no Ruanda não existam sequer as pastilhas de sabor a nicotina, pelo que já nos considero bem colocados. Resuma-se, a ajuda divina, por inexistente, deu lugar à científica, ou tecnológica, a da farmácia.

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