sábado, abril 03, 2004

Dependências e Niílismo (2) - A Abordagem Científica

3) Imagine-se que a pessoa que nunca fumou possui uma densidade existencial, ou melhor, uma solidez psíquica, que se possa medir e que tenha, no caso de um ser humano saudável, o valor 1.

Desenvolverei agora uma teoria totalmente fundada em conceitos subjectivos, centrados na minha experiência, por isso duvidosos, mas, ainda assim, suficientemente sólida para que se consiga fazê-la passar por séria.

A ela: O ser humano saudável tem uma solidez psíquica = 1. Admita-se que o seu nível de ansiedade será igualmente igual a 1. Quando se fuma alguma coisa, a ansiedade natural do indivíduo baixa para, digamos 0,9. A sua solidez psíquica subirá para 1,1. Ou seja, a soma destes parâmetros mantém-se inalterada:

Nunca Fumou:

Solidez Psíquica (SP) = 1
Ansiedade (NA) = 1
Total = 2


Fuma Alguma Coisa: SP=1.1 NA=0.9 T=2;

Continuando na natural senda do vício, avança o consumo e, com ele, os efeitos agradáveis:

Fuma Habitualmente: SP=1.2 NA=0.8 T=2;

Mas, a páginas tantas, o vício torna-se dissipativo. O fumador passa a necessitar de mais tabaco para manter o nível de ansiedade inalterado, aumenta, no entanto, o nível de solidez psíquica, ou densidade existencial, embrenhada em nuvens de fumo:

Fuma Compulsivamente: SP=1.4 NA=0.8 T=2.2;

E assim vai continuando até que deixa de fumar. Admita-se que a sua capacidade de resistência, SP volta ao valor inicial 1, mas que o total T se mantém. Assim:

Deixa de Fumar: SP=1 NA=1.2 T=2.2.

Ou seja, o nível de ansiedade de quem deixa de fumar, tendo sido fumador compulsivo, é de 1.2. Para que tudo se possa encaixar na normalidade (Total = 2), o nível de solidez psíquica, ou densidade existencial, terá de ser 2-1.2=0.8.

A criatura que deixa de fumar perde 20% da sua existência, torna-se 20% menos densa existencialmente. Tem menos defesas contra o nosso maior inimigo: O Niílismo.

O que fazer?

(Continua - próximo capítulo: filosofia de combate, ou moral aplicada)

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