sábado, abril 10, 2004

Siga o Debate

Ao visitar o blogue empatia, dei com uma resposta a um dos meus recentes artigos sobre a polémica em volta de José Saramago e do seu Ensaio Sobre a Lucidez. Li atentamente e cumpre-me agora dar algumas respostas e esclarecer alguns pontos que considero ainda pouco claros.

Assim, importa em primeiro lugar esclarecer que o seu artigo inicial sobre a obra de Saramago não foi o despoletador da resposta no Meia Livraria. Não é ao seu artigo em particular a que me refiro quando falo em Torquemadas, é a um conjunto de vários artigos em blogues e jornais, é de, digamos, uma corrente de pensamento que falo.

Quando diz que "Ao contrário do que diz o Cláudio, ninguém «pegou na obra de arte» de José Saramago. Apenas se criticaram as sua opiniões e a sua incoerência ao lançar-se candidato mesmo afirmando e assumindo a sua oposição ao sistema eleitoral" está precisamente a afirmar a antítese do que eu na realidade disse.

É precisamente o que eu digo, ninguém pegou na obra de arte e era aí que eu queria, gostava, que pegassem. Não há crítica à obra, à arte, à literatura, há crítica à opinião do autor. É isso que afirmo.

Caro Alfarrabio, penso que, desta vez, não sou eu quem se confunde. Confunde-se essa tal corrente de pensamento que não sabe distinguir o homem que escreve a obra, o escritor, do autor da mesma. Um homem pode escrever uma obra que defenda um ideal ou algo com o qual ele, o escritor, discorde aberta e publicamente. O escritor pode não concordar com o autor. E pode, por grande maioria de razão, ser incoerente. Ainda que sejam a mesma pessoa.

Sem comentários: