sexta-feira, maio 21, 2004

De Quem é o Mundo?

Passou-se no parque de estacionamento de uma grande superfície comercial de Coimbra esta história verdadeira que aqui se contará. Lança a dúvida, faz pensar e escolher, edifica e por isso, aqui vai!

Numa tarde de Março, uma senhora descarregava demoradamente o seu carrinho de compras para a mala do seu carro, no parque de estacionamento do hipermercado. Nisto, um mercedes novo, topo de gama, aguardava pacientemente pela operação. Escasseavam os lugares de estacionamento e, sem paciência para mais voltas, o condutor do carro luxuoso aguardava pela sua vez, assim se despachasse a senhora, assim estacionaria.

Sabe quem por lá anda, por estes parques, que obedecem a intrincadas, ainda que simples, leis de circulação, roda-se pela esquerda, não se volta atrás, enfim, tudo se encontra bem regulamentado, há que cumprir e assim o fazemos todos. Todos? Não!

Desrespeitando essas imutáveis leis de circulação, uma jovem senhora, conduzindo um veículo utilitário e apercebendo-se da saída de uma viatura do seu lugar de estacionamento, apressou-se a violar a regra, cruzando a via em sentido contrário, vindo a ocupar, num ápice, o lugar deixado vago pela precisa pessoa por quem o homem do mercedes aguardava, com a já revelada paciência, haveria seguramente uma dezena de minutos.

Espantado, o dono do carro luxuoso, observou a afronta, o flagrante desrespeito e, face à rápida saída da intrépida condutora, rumo à superfície comercial, se viu forçado a interpelá-la sonoramente: "Acha que fez um bonito serviço?". A audaz criatura, ouvindo semelhante berro, terá retorquido: "O Mundo é dos espertos!".

Há coisas que custam ouvir, seguramente a resposta da senhora custará a qualquer, mas o amigo do mercedes ficou verdadeiramente furioso! Quem não ficaria?

Sem uma palavra, o homem voltou ao seu bólide e pô-lo a trabalhar. Sob o olhar incrédulo da mulher que tinha o Mundo como coutada dos espertos, o homem manobrou de forma a afastar-se suficientemente do audacioso utilitário, tomou o devido balanço e acelerando numa violenta marcha-à-ré rebentou, num brutal impacto e com grande estrondo, parte da frágil viatura, partindo-lhe o eixo traseiro e forçando o pobre carro a caír desamparado, derreado sobre as suas rodas, tocando com o chassis no chão.

O mercedes pouco sofrera.

A senhora ficou inicialmente estupefacta para rebentar em prantos histéricos assim que sucedeu o contado. Findo o acto violento, o já acalmado dono do mercedes disse: "Minha cara amiga, o Mundo não é dos espertos, o Mundo é dos ricos!".

E completou: "Eu vou para casa no meu mercedes e você, ou vai a pé, ou vai de táxi."

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