quarta-feira, maio 19, 2004

A Realeza

Um casal de espanhóis vai-se casar. Nas páginas de jornais de todo o Mundo aparecem reportagens interessantes sobre o acontecimento. Entrevistam-se os criados que servirão na Boda, Fulano Tal era apenas mais um criado de mesa de um simples restaurante madrilenho, agora será um dos criados da Boda, investigam-se roubos de aeronaves, não vão elas caír sobre o bolo de casamento com 150 kg, avalia-se a capacidade da noiva para ser raínha, seja lá isso aquilo que fôr.

E, no país republicano que é a Espanha, gastam-se os euros do povo no polimento de semáforos na rua por onde os noivos passarão. Onde serão seguramente recebidos em apoteose por um povo ocidental, europeu, civilizado, do século XXI. Um povo que gerou Cervantes e Unamuno, mas que ainda tem basbaques que cheguem para permitir esta ofensa à Humanidade, à Igualdade e à Democracia, este atentado a todos os valores conquistados em tantos anos de civilização, para permitir a maior de todas as ignomínias: A Monarquia. Que tem um irmão gémeo: O Servilismo.

E não faltarão basbaques lusitanos para salivar, acrítica e bovinamente, frente às pantalhas das suas televisões, mirando a Boda e ouvindo todos os significativos pormenores que a envolvem.

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