sábado, junho 26, 2004

Pesadelo

Esta madrugada acordei encharcado em suor, num estado de verdadeiro pânico. Fui acometido por um pesadelo horrível, uma coisa que, de tão hedionda, me fará quebrar o hábito que cultivo há anos de não revelar os meus sonhos. Com a respiração ofegante de um fumador que subiu oito lanços de escadas, comecei lentamente a recordar aquilo que me tinha apavorado. Sonhara que o Santana Lopes era o primeiro-ministro de Portugal, sem ter sido eleito! Sonhei que Portugal deixara de ser um país democrático, em que os governos e os seus primeiros-ministros são escolhidos pelo povo, nas urnas de voto. Sonhei que Portugal recuara para os tempos da ditadura, em que o Salazar governava contra o povo! Mas, desta vez, tínhamos alguém ainda mais sinistro, ainda mais obscurantista, ainda mais ignorante, ainda mais vil, tínhamos o Santana Lopes! A mais abjecta das figuras políticas de que há memória em Portugal!

Lentamente, a razão tomou o seu lugar, acalmei-me, sentei-me na cama, se ainda fumasse teria acendido um cigarro, comecei a raciocinar de forma mais pausada, temos um Presidente da República, o Jorge Sampaio, pois claro, que estúpido sonho este, evidentemente nunca permitiria que semelhante barbaridade acontecesse. Sendo ele o garante do funcionamento da democracia, não permitirá que governe Portugal um sujeito escolhido de forma sub-reptícia, num partido político que representa cerca de um décimo da população, por sabe-se lá quem, por sabe-se lá que ocultas e sinistras figuras. Nunca o permitirá. Só o povo português escolherá quem o governa!

Foi então que, já confortado, sorri, os meus batimentos cardíacos baixaram gradualmente até ao ritmo habitual. Deitei-me novamente e dormi o sono descansado daqueles que vivem em democracia.

2 comentários:

Anónimo disse...

É curioso. Tive o mesmo pesadelo. E estive quase a acender o tal e cigarro, arriscando, desse modo, um regresso ao velho vício há algum tempo abandonado. Mas se o sonho se torna realidade não sei onde encontrarei força de vontade para resistir ao ímpeto auto-destrutivo.

CMF

Cláudio disse...

Não deixemos que a santanenta criatura nos traga a derrota do regresso ao tabaco! Bem nos bastaria, e muito nos sobraria (que sejam os diabos analfabetos!) da suma calamidade da entrega do país a semelhante alimária!