sexta-feira, julho 09, 2004

Vergonha

Portugal não tem Presidente da República, não tem Primeiro Ministro e não tem líder da oposição. A Portugal, já nada resta.

Tenho vergonha, muita vergonha. E nojo. Aquilo que se passou hoje é de uma gravidade gigantesca. É o maior atentado à democracia a que as últimas décadas assistiram em Portugal. É o fim da democracia. É a morte do 25 de Abril.

Em tempos vivi num país livre e democrático. Agora não. Pela primeira vez sinto que Portugal pode caír num negro buraco. Muito negro. Prevejo o pior.

(Alguém me arranja trabalho a lavar retretes em França?)


Talvez este não fosse pior...

5 comentários:

LusoFin_oBlog disse...

N somos nós o povo q n se governa nem se deixa governar? As coisas nunca sao tao mas como parecem nem tao boas como gostariamos.

Lugares comuns, por certo, mas os politicos decidem apenas sobre uma pequenissima parte das nossas vidas.Mas compreendo o "desespero". Retretes nao sei, mas se quiseres fazer limpeza em Helsinquia precisas de um mestrado e finlandes basico :)

Cláudio disse...

O Homem_neves já sabia e fez bem! Avisado, escolheu a Finlândia e está a muitas léguas deste atoleiro!

(Já agora, pode ser um mestrado qualquer? Saber algum russo, palavrões e os bons dias, poderá servir?)

LusoFin_oBlog disse...

Era mais uma "private joke". O mercado de trabalho tende para os empregadores com mao de obra qualificada em abundancia, pouco oferta de empregos e salarios relativamente baixos para o custo de vida. E assim eles podem exigir o dominio do finlandes e até do sueco (2ªalingua oficial do pais). Existem centenas de profissionais qualificados à procura de emprego e muitos deles nem sequer conseguem um emprego a limpar porque nao falam a lingua - o finlandes é lixado de aprender. Sei de uma americano, doutorado, que faztodos os dias 400 kms para receber menos de 1600 euros, uma bagatela para o custo de vida mais os 400 e tal euros para pagar as viagens mensalmente.

Talvez Helsinquia seja a cidade do mundo com mais "mestres" a fazer limpeza porque nao arranjando emprego entra-se em ciclo vicioso de desemprego, desqualificação, e vai-se sucessivamente ficando para trás. Eu trabalho por conta própia, faço biscates e estou a fazer mestrado porque quando aqui cheguei, à beira de terminar os estudos, não consegui arranjar sequer estagio a tabalhar de borla - admito que cometi alguns erros e acabei por fazê.lo em Portugal para acabar os estudos. Já deu para ver que eu sou um emigrante do coração :)

Anónimo disse...

Sou emigrante na Irlanda. Não lavo retretes (bom, às vezes lá colaboro na limpeza da minha retrete, mas ainda assim com muito má vontade e resistência feroz), mas sinto a preocupação natural de quem se preocupa com um país à deriva, sem governo, sem presidente.
Lamento, tenho pena, fico triste.

Cláudio disse...

É bom saber que a rapaziada emigrada visita o Meia Livraria! Garanto-vos que terão aqui fonte isenta de informação sobre a lusa pátria!