sexta-feira, agosto 06, 2004

O Estranho Universo das Esplanadas

Portugal é um país de clima ameno, onde chove pouco, e é, como tal, um país de espalanadas. No Verão, enchem-se as praças das cidades que têm praças, enchem-se os passeios das que não as têm, tudo se enche de cadeiras e mesas, de chapéus de sol, de turistas e copos de imperial, enfim, de esplanadas!

Mas conhecerão os habituais utentes de esplanadas a realidade por trás dos chapéus de sol? Provavelmente não! Fonte segura deu-me a conhecer diversos acontecimentos que habitualmente ocorrem nestes insuspeitos lugares. O incauto leitor, desconhecerá ou só ao de leve suspeitará que quando um cidadão sózinho, qualquer que seja, do sexo masculino, com idade compreendida entre os 25 e os 45 anos se senta numa das mesas mais afastadas da esplanada, de preferência fora do campo de visão de alguém que esteja no interior do estabelecimento, o mais provável é que se esteja a preparar para sair sem pagar!

E quantos desconfiarão de duplas de casais emigrantes em França, regressados à lusa pátria em arrevoadas augustinas? Que abandonam as cadeiras das esplandas com valente audácia e se dirigem para "boîtes" onde planeam executar o próximo golpe? Não fora, num desses casos, a intervenção de um empregado de mesa com espírito da Royal Canadian Mounted Police (famosa pela pertinácia dos seus garbosos agentes) e os meliantes escapar-se-iam com três bicas cheias, uma em chávena escaldada e outra com adoçante, uma italiana, duas pedras, um whisky velho e uma água do castelo e uma CR&F reserva, entre os quatro buchos. Oferecendo a macieira que se tinha entornado e que se substituiu pela CR&F. Já perdoando essa! O leitor pode estar sentado, repousadamente, a menos de uma cadeira de distância dessa gente!

Muito mais se poderia contar sobre este estranho mundo! Para outra oportunidade fica a história do pequeno vigarista da mochila e a do maníaco das aberturas presenciais de cápsulas.