segunda-feira, setembro 27, 2004

Romarias

Por estes dias, tem a nossa gente dedicado muito do pouco que pensa, e quase tudo do muito que fala, ao caso da menina Joana, presumivelmente assassinada pela sua mãe, ou pelo seu tio, ou pelos dois em simultâneo, ou por outra pessoa qualquer, ou por ninguém, ou por toda a gente.

À recôndita terriola acudiram as gentes, em grossas e ululantes turbas, verdadeiras romarias em busca de escaninho santo ou enterrado milagre, ou de cheiro a cadáver, no fundo, na demanda pelo entretém. Revoltada, a chusma clama vingança, pede um par de minutos com os inumanos, o inulto rancho quer arrancar as coriáceas peles das abjectas criaturas.

Nisto, mete-se outra efeméride, outra romaria, outra feira, e, já esquecida desta, vira-se a horda para a nova, para donde sopra o nauseoso e opiáceo cheiro da morte.

1 comentário:

Francisco disse...

O cheiro da morte atrai os abutres. É a festa do Sangue e do medo. São todos marionetas que representam o seu papel no teatro da histeria.