terça-feira, novembro 16, 2004

Canetas

Sobre a secretária, a caneta que há muito repousava, de bico tapado com plástica tampa, esboçou um movimento. Dir-se-ia que mexera sózinha, não soubéssemos nós que se não mexem assim canetas, sem que nada aparentemente o provocasse. Mas, ei-la novamente, agora vi, tenho a certeza, a caneta mexeu-se. Sacudiu, decidida, a cauda, parece que se quer livrar da tampa! E tal foi a violência do gesto que a tampa saltou mesmo! Caiu desamparada no chão e dela não se apiedou a caneta que, resoluta e de um só pinote, rodopiou sobre si própria saltando com agilidade para cima de uma folha de papel timbrado, ainda por encetar. No timbre da folha lia-se "Explosex - Explosivos Industriais" e mesmo abaixo da morada do paiol escreveu a caneta, na sua bizarra dança, "Pum!". Espantado com semelhante espectáculo, só tive tempo de fugir. Já na rua, ouvi um estalido seco, mandei-me para o chão, tapei como pude a cabeça e ouvi "Pum!". Assustado, virei a cabeça, levantei-me e voltei ao escritório. A explosão abrira apenas um pequeno buraco no tampo da mesa. Não havia estragos de maior. Experimentei o telefone, funcionava, liguei para casa e disse: "Hoje chego mais tarde. Vou trabalhar mais um pouco aqui na repartição."

3 comentários:

GoG disse...

ah ah ah... muito giro, principalmente a cena do telefonema... :)

vmiguel disse...

Encarar desta forma o seu local de trabalho
faz com que os problemas nos nossos sejam insignificantes,
imagino o responsável pelo controlo de qualidade dos rolos de "papel higiénico" :-)

Anónimo disse...

Cláudio,

tens a certeza que não és um TOC como eu?

Abraço,
Pedro Farinha