segunda-feira, dezembro 27, 2004

Um Conto de Natal (1)

[Aviso prévio: A história que se vai contar surgiu de um almoço em família, nesta quadra festiva. A ideia não é, portanto, de minha exclusiva autoria. Só o que farei com ela.]


A poucos dias do Natal, Alfredo mal tinha dinheiro para as despesas correntes da casa, quanto mais para comprar a "playstation" ao mais novo e o telemóvel à mais velha. Era realmente deprimente não poder dar aos rapazes aquilo que lhes traria tantos momentos de alegria. Mas a sua profissão, bate-chapas, estava realmente em decadência. A menos de pequenas amolgadelas e um ou outro toque insignificante, não havia trabalho. E sem trabalho, não havia prendas, nem, muito menos, alegria.

Em casa, a mulher, que em tempos trabalhara numa loja de peças de automóvel, afadigava-se na fritura de azevias que venderia em pastelarias da vizinhança, sempre aproveitava o tempo e talvez conseguisse juntar algum dinheiro. O Alfredo, coitado, andava tão desorientado com a falta de trabalho e as crianças eram ainda tão novas, havia que trabalhar e Lucinda fá-lo-ia. Pena que não fosse na loja de peças de automóvel, mas nessa já não podia ser, falira: Já ninguém precisava de peças de automóvel.

Nessa tarde, tendo Alfredo terminado uma pequena reparação, que lhe rendera magra recompensa, dirigiu-se à taberna do Chico, onde sabia pararem irmãos de ofício e, claro está, de destino. O Chico trabalhara há alguns anos no negócio, mas apercebera-se da grande mudança que aí viria e mudara de arte, agora era taberneiro e, por amor aos que foram dele, fiava-lhes uns "penáltis". Eles precisavam e ele não.

(Continua)

3 comentários:

mfc disse...

Amanhã cá estarei para continuar a ler.

Anónimo disse...

Que diabo!!! Não me consigo lembrar o que terá feito surgir esta história. Tenho para mim que deve ter sido noutro almoço de família... ou então eu estava demasiado agarrado à mousse ou à azevia :-)

Francisco disse...

"Lucinda fá-lo-ia" será que vais por a pobre mulher a atacar no Parque Eduardo VII?