sábado, janeiro 31, 2004

A Devota

Em busca do Hotel Lux Mundi em Fátima, já de noite, corri de carro as ruas da cidade. Desertas. Ou quase, uma senhora, de ar devoto a Jesus e a Maria, calcorreava um dos passeios com um chapéu de chuva aberto. Há muito que deixara de chover. Perguntei-lhe pelo hotel e pela rua Jacinta Marto. Muito polidamente e com sotaque paroquial, deu-me complexas indicações, muito pormenorizadas. Lá segui as suas indicações, até chegar a uma inesperada encruzilhada onde não soube escolher.

Perguntei a outra pessoa, outro xadrezísta que vinha como eu ao torneio do Lux Mundi. Conheci-o e pedi-lhe que entrasse no carro. Entrou, explicou-me que a mãe dele morava ali, era de Fátima a senhora, ele há muito que mora em Lisboa. Deu-me as instruções necessárias e lá chegámos ao hotel. Já tinha passado por ali, pensei. Ficava do outro lado da rua onde havia uns minutos perguntara por orientação à devota senhora.

Espero que encontre o Santuário, cara amiga!

sexta-feira, janeiro 30, 2004

Os Traidores ao Poder Instituído

Jorge Silva Melo ao recusar o prémio do Instituto das Artes, 25 000 euros, assume-se como um traidor ao poder instituído. Traidor de quem e do quê? O Poder já não vai ao teatro, Jorge Silva Melo! O Poder vê televisão.

quarta-feira, janeiro 28, 2004

Exercícios

Poucas coisas podem ser mais aborrecidas que o singelo acto de correr durante 20 minutos sobre uma passadeira que rola debaixo dos nossos pés. Comparável apenas com a mesma dose de 20 minutos numa bicicleta que não sai do mesmo sítio.

Só falta um elástico à volta do peito, segurando um aparelho mágico que indica à máquina de tortura quantas vezes bate o coração da vítima durante um minuto.

Assim se passam umas horas no ginásio. Na nobre arte do cardio-fitness.

terça-feira, janeiro 27, 2004

Contra-Contra-Contra-Resposta

O tom elogioso da Contra-Contra-Resposta do De Direita, enche o Meia Livraria de orgulho e até de vaidade. Só fica por compreender o título. Meia Treta ou Meia Bola e Força. Porquê?

segunda-feira, janeiro 26, 2004

Contra-Resposta

Do blogue De Direita veio uma detalhada resposta ao assunto das miscigenações. Pela parte do Meia Livraria, fechar-se-á o tema com a costumeira contra-resposta, que servirá apenas para iluminar um par de questões.

Nos seus pontos 1 e 2 , a resposta do Sr. Manuel não me permite o alargamento do debate, dada a ténue ligação que tem com o tema em causa.

Já no que respeita ao ponto 3, agacho-me humildemente. Não lhe saberei dar a devida réplica, soaria sempre fora de tom, analfabeta e digna da mais cruel zombaria por parte de economistas e bancários, algo que me
aviltaria profundamente.

Já o último ponto me parece digno de nota! A contaminação do texto pelas anglo-tiradas é pelo Sr. Manuel enfrentada com extraordinário pragmatismo! Essa abordagem pragmática é, evidentemente, atavio obrigatório na indumentária argumentativa das direitas filo-americanas. E só ela poderá aceitar como guia semiótico a frase que o professor da tal universidade americana usa no seu discurso de boas vindas. Apresenta-se o professor, apresentando os alunos!
Luto

O jovem Miklos Féher morreu hoje em Guimarães com 24 anos. Deixo aqui as sempre insuficientes condolências à sua família, aos seus amigos, ao seu clube e à sua Hungria. Que descanse em paz.

domingo, janeiro 25, 2004

Os Ismos, EPC, Vergílio Ferreira e JPP

Gostava de comentar aqui o artigo que Pacheco Pereira escreveu esta semana no Público sobre o fim dos ismos, mencionando Eduardo P. Coelho e Vergílio Ferreira.

Mas tenho medo e vergonha e a tanto não me chega a audácia. E acobardo-me. Mas, sabendo que JPP nunca lerá estas linhas, digo entredentes: Há por aí quem ainda não saiba que acabaram os ismos, e o que JPP escreveu é, para eles, absolutamente revolucionário... Abrem-se agora inesperadas brechas. Em especial assusta-me a perspectiva de Boaventura Santos se dedicar em exclusivo à epistemologia.

sábado, janeiro 24, 2004

And the Winner is...

Foi inadvertidamente que me vi forçado a incluir a mais espantosa colecção de tiradas em inglês nos blogues de direita nacionais.

O caso não era para menos, ao passear pelos blogues do costume, saltei para este e foi quando tudo aconteceu:

Olhei para a coluna da direita do De Direita e well, well, well, what do we have here? Talvez o mais brutal dos exemplos: Os links! Vejam os títulos: Death Star; This is Hardcore (it really is, digo eu) e Whatever.

Mas é no corpo do texto que se dá a magia: "Acontece que o defense build-up de Reagan foi realizado para combater o comunismo";

E num post, em jeito de conclusão temos: "So what?";

Lá está ainda um par de bons títulos: "Sing me something new" e o minimalista "Upgrade";

E o meu favorito:

"Project Finance para o TGV

Fundo de Coesão: 30 - 40%
Parcerias Público-Privadas: 15 - 30%
Fundo Europeu para o Desenvolvimento Regional: 15 - 20%
Banco Europeu de Investimento: 15 - 20%"

O Project Finance para o TGV é sem dúvida o melhor de todos! Já nem consegui analisar as cifras do Fundo de Coesão!

Temos vencedor! A toda a team do De Direita, os meus votos de continuação de um good work!
É Pena!

No Liberdade de Expressão vem um bitaite, a Anabela Mota Ribeiro não deve ser a Anabela Mota Ribeiro. Fui enganado. É pena!
O Ultimatum Futurista

Sendo um assunto pleno de importância e absolutamente pertinente, será feita neste blogue uma análise ao Ultimatum Futurista às Gerações Portuguezas do Século XX, de Almada Negreiros, escrito em 1917.

Excluindo a parafernália datada, de índole bélica e racista, tentei apurar do texto alguns aspectos que julgo interessantes, volvidos que estão, ora 2004 menos 1917, bem, mais de 100 anos...

O que não se fez (NFx):

NF1: É preciso destruir este nosso atavismo alcoólico e sebastianismo de beira-mar;

Já nem se pode falar de atavismo alcoólico, tal pressuporia alguma espécie de desaparecimento, pelo menos numa geração, das olímpicas marcas que temos nesta arte, na de beber. Ora tal não aconteceu, não há intervalo. Não há atavismo alcoólico. Há a bebedeira piramidal que encharca os analfabetos e faz vomitar os letrados.

O sebastianismo de beira-mar está agora latente. Apenas para despertar, atávico, numa ou duas gerações. Mas, de momento, não esperamos ninguém.

NF2: É preciso explicar à nossa gente o que é a democracia para que não torne a cair em tensão;

A nossa gente ainda não sabe o que é a democracia. Temo que possa voltar a cair em tensão.

O que se fez (Fx):

F1: É preciso educar a mulher portuguesa na sua verdadeira missão de fêmea para fazer homens;

Neste aspecto, tudo indica que o trabalho de um século foi positivo. Que Deus nos salve e guarde dos malvados abortacionistas. Afinal de quem são os úteros? Da Nação, pois claro! Para fazer homens, pois então!

A mulher portuguesa é educada pelo tribunal!

F2: Fazei despertar o cérebro expontâneamente genial da Raça Latina!

Todos os dias, a cada hora e a cada minuto, no nosso país, em grande parte dos portugueses, o génio latino desperta, explode em toda a sorte de coisas irrelevantes e inúteis, mas está desperto.



Nota: Eu sei que 2004-1917 < 100, aliás, é = 95.
(Continua).

sexta-feira, janeiro 23, 2004

Os Imigrantes

Francisco José Viegas, no Aviz, escreveu um artigo brilhante, intitulado POIS TU FOSTE ESTRANGEIRO, em que aborda o tema da imigração.

Apesar de globalmente estar de acordo, tenho, no entanto, algumas reservas no que respeita à importância dos retornados, com o seu espírito cosmopolita e inovador, no combate ao provincianismo pacóvio vigente no Portugal salazarento. Até porque os eventuais resultados não estão à vista.

Somos hoje tão parolos como ontem, tão xenófobos como ontem e, uma vez mais, duvido que o contributo dos retornados tenha vindo no sentido contrário.

Importa não esquecer que a nossa xenofobia não é absoluta, é de passagem, ou seja, há povos inferiores e povos superiores ao nosso, assim é a mentalidade nacional. Os desgraçados são a causa de todos os males, os africanos, os brasileiros, os ucranianos e os romenos, são eles quem rouba tudo o que há para roubar, incluindo os empregos que ninguém quer.

Já os povos superiores, os ingleses, alemães e franceses (esses aparecem pouco por cá) entre outros, servem para que os nossos cidadãos desenferrugem o seu inglês, ou francês, sempre envergonhados com eventuais sotaques, e para que fiquem radiantes com o supremo elogio: O seu inglês é muito bom! (Na prática deveria escrever aqui: Your english is very good!, mas por artigos anteriores a este no blogue, não o poderia fazer.)

A nossa condição periférica, sempre ela, obriga-nos a subserviências ancestrais e a novíssima condição de sobranceria, em relação aos que por cá buscam o sustento, é algo a que a nossa profunda ignorância e voluntário analfabetismo não sabem responder.

quinta-feira, janeiro 22, 2004

É Isso Mesmo, Altair!

No Público de hoje, na sua secção Vox Populi, a pergunta do dia foi: "Qual é a área em que o executivo de Santana Lopes tem sido mais eficaz?"; ao que o Sr. Altair, 37 anos, empregado de balcão, respondeu: "Gosto de Lisboa, os transportes são bons e há trabalho. O que falta são pessoas com vontade de trabalhar em áreas que não são aquelas para que estão vocacionadas."

Analise-se: Altair insinua que a área de Santana não é aquela para a qual está vocacionado. Será isso?

Os transportes e o emprego são o que de melhor há em Lisboa, afirma Altair, áreas em que Santana, ainda que sem vontade e fora de vocação, deve intervir com grande eficácia.

Está bem caçado, Sr. Altair! Só falta saber qual a verdadeira vocação de Santana.
Odisseia

Anabela Ribeiro passou a noite a ler em grego antigo, ou em linear B, ou lá o que era, a Odisseia.

Tem a certeza que era mesmo a Odisseia, Anabela? Não seria a Ilíada? O livro não estaria ao avesso? Há que acautelar certas coisas quando se não sabe e se insiste em ler noutros alfabetos!
Toranja

Só lhes conheço uma cantiga, a que passa vezes sem conta nas estações de rádio, A Carta, se não me falha a memória.

Como os Toranja, também eu gosto muito do Jorge Palma. E descobri que eles ainda são mais Palma que o próprio Jorge. Tal como ele, usam expressões cacofónicas no meio das letras. Mas "Pedi autorização ao Sindicato dos Deuses" é demasiado mau.

Há muito tempo que não ouvia ou lia expressão tão infeliz.

Depois de ouvi-los, passei a gostar ainda mais do Palma.

quarta-feira, janeiro 21, 2004

Ainda as Tiradas em Inglês

No blogue Contra a Corrente, o Sr. MacGuffin responde às minhas linhas sobre as tiradas em inglês (em que usei o seu blogue como um dos exemplos) endémicas em páginas de gente de direita.

Em primeiro lugar, quero agradecer-lhe sinceramente por ter lido o meu blogue, algo que me honra em especial por sabê-lo grande bloguista e homem de muitos saberes.

Em segundo, importa esclarecer que não é de transcrições de poemas, nem de citações de jornais estrangeiros, nem de títulos de filmes e livros que falo nas minhas humildes linhas. Refiro-me a uma miscigenação gratuita entre os idiomas que, convirá, contamina diversos blogues nacionais.

Por último, uma análise mais cuidada ao Contra a Corrente forçou-me a concordar consigo no que à endemecidade das miscigenações concerne. São pontuais os avistamentos.
Wijk aan Zee

Lá continua o grande torneio de Xadrez em terras holandesas, o Corus 2004 em que participa a elite mundial do nobre jogo. Em relação ao que já aqui tinha escrito, a situação classificativa começa a melhorar.

Já temos um líder, o simpático Anand, talvez o único dos Grandes Mestres da actualidade a gostar realmente do Xadrez. Ou, pelo menos, assim parece pela forma como joga e analisa as suas partidas. É um homem muito entusiasmado com a sua arte. O que cativa sempre.

Talvez por ser indiano e por pertencer às castas superiores, Anand tem sempre aquele ar satisfeito. Sempre se desenjoa do ar agressivo e arrogante de Kasparov a quem, apesar de tudo, esses ares assentam bem.
Ainda o Livro Cheio de Bonecos do Santana. Pim!

O Santana nasceu para provar que nem todos os que escrevem sabem escrever. Pim!
Muito Obrigado

Foi com grande alegria que li o post do Jaquinzinhos em que se referia a este humilde blogue. Agradeço-lhe a saudação e o comentário. Espero que continue a passar por cá!

E estarei, obviamente, atento ao Jaquinzinhos, na esperança de o apanhar numa tirada em inglês!

terça-feira, janeiro 20, 2004

O Absoluto

Consumidos pela fome, ensurdecidos pelo frio, apavorados pela doença, que também é frio, na face da decadência, que também é fome, sentindo nas costas os polegares gélidos da morte, nas ilhargas os outros dedos, assim, assim só nos ocorre o absoluto. Pensamos na dimensão do universo e na difícil justificação das coisas dos homens.
Escrever

A obra póstuma de Vergílio Ferreira, Escrever, encontra-se pejada, pelo menos nas suas primeiras páginas, de um estranho desencanto, como se o escritor só chegado à velhice se apercebesse do absoluto. Como se só ao ver cair a sua teia de amigos, onde ele era aranha, compreendesse que acabaria. E que também a humanidade acabaria. E que também o universo acabaria.

Assustei-me. E pensei, será que Vergílio Ferreira tinha em mente a publicação quando redigiu essas linhas? Ou seriam um esgar de revolta pela tardia descoberta ou qualquer coisa que o valha?

De qualquer forma, vou continuar.

segunda-feira, janeiro 19, 2004

Portugal e o José Barroso no Pravda

Por vezes, a opinião de um estrangeiro pode trazer algo de novo à análise de um país. O Sr.Timothy BANCROFT-HINCHEY, no seu artigo de 9 de Janeiro no Pravda diz-nos, no entanto, aquilo que temo sabermos já.

Deste artigo retenho com agrado a expressão mar de lamúria e o eufemismo José Barroso, forma menos agressiva e mais elegante de dizer Durão Barroso.
Um Destes Dias a Ministra Conduzirá o BMW

Congelando os aumentos aos trabalhadores da função pública pela segunda vez consecutiva a Ministra Leite corre o sério risco de se ver obrigada a conduzir o automóvel que lhe está atribuído. É que o motorista é bem capaz de não aparecer.

domingo, janeiro 18, 2004

Que Mania!

No blogue do Coutinho, mais um homem de direita, lá está a tirada em inglês: I'll be back!. Por que raio farão eles isto? Haverá algum simbolismo oculto? Não lhes chegará o português?
Direitas (2)

Citando ainda o Contra a Corrente: So fucking what? Pela minha parte, peço aos anjinhos que (...). É ou não é entusiasmante? Já agora, o que pedirá ele aos anjinhos?
Direitas

A direita tem muitas faces. De todas, a que mais me agrada é a que mistura o português com o inglês. A das tiradas como A.S.A.P. ou E, como nos diz a canção: they can’t take that away from me. É, sem dúvida, hilariante! Very funny! Para os apreciadores, visitem the Contra a Corrente blog.

sábado, janeiro 17, 2004

Espanto

Através de um blogue abandonado, o Blog do Xadrez, descobri algo que me deixou verdadeiramente espantado. O umblogsobrekleist. É realmente muito bom.
Grandes Campeões

Decorre nestes dias o grande torneio Corus 2004, em Wijk aan Zee, Holanda. É uma prova com grande tradição, uma das mais conhecidas do calendário xadrezístico mundial. Ao cabo das primeiras cinco sessões (a prova tem 14 Grandes Mestres que jogarão todos contra todos num total de 13 jornadas) o pelotão constituído por Michael Adams, Viswanathan Anand, Vladimir Kramnik, Peter Leko e Veselin Topalov (todos com 3 pontos em 5 possíveis) lidera a prova. Seguem-se 4 jogadores com 2.5 pontos e 5 com 2.

Ou seja, entre os primeiros e os últimos classificados está um ponto de diferença. É demasiado equilibrado!

A ausência de um grande campeão, diga-se o que se disser, tira interesse aos torneios. Muita gente na disputa pelo primeiro lugar tem a sua piada, mas somos ocidentais e americanóides e queremos um herói. O Kasparov não joga e é isto, o poder cai na rua.

Os anos 70 tiveram o Fischer e o Karpov, os 80 tiveram o Kasparov, os 90 tiveram outra vez o Kasparov e agora... agora são tantos.

sexta-feira, janeiro 16, 2004

O Referendo

O Sim ganhou! A Queima das Fitas sempre se vai realizar! Felizmente, o difícil momento académico não pôs em causa a realização de tão importante evento. Ficou a cultura. Ouro sobre azul seria que, à realização da engraçada queima, se somasse um valente ataque de afonia ao palavroso presidente da briosa, isso sim, far-me-ia gritar: "Éfe Érre Á".
O Livro da Cultura

No barnabé noticia-se o facto de Santana Lopes ter publicado um livro. Deixo aqui o meu comentário sobre este assunto publicado nesse blogue:

O lançamento dessa obra deu-se no Grémio Literário na Rua Ivens, apresentado por Agustina Bessa-Luís. Sempre quis ser sócio do Grémio e ter coragem para ler a Agustina. Assim já resolvi dois dos meus problemas, já não quero ser sócio do Grémio nem ler a Agustina.

Tarrasch em Nuremberga

Durante dois anos, Siegbert Tarrasch, que além de Grande Mestre de Xadrez era médico, exerceu a sua profissão em Nuremberga. Nesse período não jogou qualquer torneio magistral, jogou apenas contra jogadores locais.

É interessante verificar que Tarrasch considera Nuremberga uma cidade provinciana e atrasada. Anote-se que tudo se passa na década de 70 do séc. XIX e que as coisas de ontem não são como as de hoje. Por exemplo, nessa mesma década, por cá, em Portugal, tínhamos o Eça, o Antero, o Ramalhão... e agora? O que temos agora?

Voltando ao Tarrasch, as partidas que vi esta madrugada são autênticos massacres, escolhidos pelo Praeceptor Mundi (batismo atribuído pelos seus colegas já no séc. XX a Tarrasch) essencialmente pela sua vertente estética, nestes casos duvidosa, diga-se.

quinta-feira, janeiro 15, 2004

Os Americanos em Marte

O programa espacial americano, com as suas novas aventuras, merece os mais rasgados elogios de Pacheco Pereira no seu abrupto.

No entanto, o papel de única potência do Mundo traz, para além dos evidentes benefícios, responsabilidades perante a Humanidade. Traz a obrigação de ter um programa espacial ousado e empreendedor. Não é nenhum favor que nos fazem. É, repito, uma obrigação.
O Direito à Ironia

Há quem pense que os americanos são totalmente destituídos de ironia. Houve até quem dissesse que não eram suficientemente decadentes para serem irónicos. Infelizmente não me lembro quem. No entanto, existe um jornal, o The Onion que, e a julgar pelo que esse alguém disse, me leva a pensar que afinal eles estão já na primeira linha da decadência mundial.

É já a minha principal fonte de informação no que respeita aos EUA.
Onde anda o Gato?

o gato fedorento anda silencioso. É pena... mas os rapazes subiram (?) na vida, agora já aparecem na televisão. Tenho de tomar nota do horário, ainda não os vi.
Na Estrada

Ao km 81 no sentido Sul-Norte da autoestrada A1, pelas 10,00h, nestes meses de Primavera (que por cá se segue ao Outono), deparo-me com uma paisagem que envergonhará seguramente qualquer toscano. Nem os ciprestes lhe faltam.

quarta-feira, janeiro 14, 2004

Tarrasch (2)

Continuando a análise das partidas de Tarrasch, descubro a força da clareza do raciocínio. Força essa que, aliada a uma enorme auto-estima, possibilitou uma revolução no pequeno mas difícil mundo do Xadrez. Nota-se a sua influência nos maiores jogadores do século XX. O livro-X favorito de Kasparov é este mesmo, 300 Partidas de Xadrez de Siegbert Tarrasch.

É curioso notar que tão importante obra só tenha sido traduzida para inglês no ano 2000. Existia apenas a versão original (em alemão) e uma tradução para o russo. Está explicada a supremacia destes dois países no Xadrez mundial, a Alemanha nas primeiras décadas do século XX e a da Rússia (URSS) desde os anos 40.

E o Fischer?, perguntará o Pacheco Pereira. Esse aprendeu alemão, russo e servo-croata para que lhe não escapassem as nuances das análises originais e, mais tarde, por paranóia, com medo da conspiração soviética...

terça-feira, janeiro 13, 2004

Tarrasch

Ontem (hoje para os puristas) dediquei duas horas à análise das partidas de Siegbert Tarrasch, grande xadrezista alemão, activo desde final do século XIX até à Grande Guerra. No sossego de Leiria, entre a meia noite e as duas da manhã.

A estética do raciocínio, o sublimar da mente humana, em suma, o Xadrez e a pena que tenho por serem tão poucos os que o conhecem, e desses, os que o compreendem.

"O Xadrez, como a música, como o amor, tem o poder de fazer os homens felizes." Siegbert Tarrasch

segunda-feira, janeiro 12, 2004

Pretensiosismo

Este último post parece-me, agora lido na sua forma final, pretensioso. Ainda assim deixá-lo-ei como está, trata-se de uma normal sobrepotência, trata-se do afinar do tom. Acho que é assim com todos nós, ora demasiado insignificantes, ora arrogantes, ora mais, ora menos. Gosto demasiado da palavra ora.

domingo, janeiro 11, 2004

Quilapayun

Poucos são os que conhecem Quilapayun, uma banda chilena dos anos 60 e 70. Uma rapaziada revolucionária, pois claro. E mais afirmo, quem nunca ouviu "La Muralla" ou "Vamos Mujer" dificilmente saberá o que é a América do Sul. Dificilmente compreenderá que há música que, tentando ser as gentes e a terra, se transforma, sempre inadvertidamente, no arquétipo dessas gentes e dessa terra. Que há arte que É mais o que representa que o que representa.

sábado, janeiro 10, 2004

Teste

Em jeito de teste, vou aqui tentar deixar uns links, começando, claro, pelo Pacheco Pereira.
Começo

Ao tentar escrever algo para iniciar este blogue, deparo-me com inesperadas dificuldades. Optarei por usar este recursivo recurso, o de escrever sobre o que se escreve. Começa-se assim, logo se melhorará. Mas fica a ameaça, tentarei publicar diariamente qualquer coisa.