terça-feira, junho 29, 2004

Decisões

Alfredo terminara os seus estudos cedo. Não tinha cabeça para a escola, ele mesmo o dizia. Após um par de anos a dar serventia a electricistas e canalizadores, lá chegou à maioridade. Tirou a carta de condução de ligeiros, motas e pesados e agora Alfredo era um camionista.

Este era o seu primeiro serviço no trânsito internacional, que o levaria do terminal de Alverca à cidade de Paris, carregando ostras de Setúbal num contentor frigorífico. Carga preciosa, portanto. Tudo corria bem, a viagem, iniciada de manhã, não poderia ser mais agradável, um óptimo tempo, nem frio nem calor, nada de peripécias nem de acidentes, enfim, um início auspicioso.

Mas o jovem Alfredo por vezes, ao entardecer, era acometido por fulgores religiosos, por travadinhas místicas, enfim, era aparentemente chamado pelo Divino. Ouvia esse chamamento desde os tempos em que, ao dar serventia a um canalizador, viu a Nossa Senhora desenhar-se e sorrir-lhe no estuque atacado por sais, descoberto após o arranque dos azulejos que há décadas cobriam a aparição. E desde então ouvia, sempre que o Sol se punha, uma voz que o chamava. O que dizia, não sabia ao certo.

Nisto matutava Alfredo enquanto cruzava terras castelhanas e se punha agora o Sol à ré do camião. De súbito, já perto da cidade de Burgos, vislumbrou à sua esquerda o que lhe pareceu ser uma torre sineira. Era a catedral de Burgos! Não hesitou. Encostou o camião carregado de ostras à beira da estrada e assim mesmo, a pé, dirigiu-se à catedral!

Alfredo tinha mudado de carreira. Assim, de um dia para o outro, descobrira a sua vocação. Agora seria um sacristão. Tinha compreendido o chamamento ao ver, do seu camião, a torre sineira. Seria ali que encontraria a sua felicidade, o seu caminho. Enquanto calcorreou o caminho entre o camião e a igreja interrogou-se: Que terá ganho a Itália com o facto de Romano Prodi ter sido presidente da comissão europeia? Mas não vacilou.

Dois dias depois, alertados pelo nauseabundo cheiro dos bivalves em putrefacção, as autoridades locais contactaram a empresa proprietária do camião.

domingo, junho 27, 2004

O Crime Não Compensa

Foi com um sorriso regalado que assisti à derrota da segunda equipa da panela! Ontem caíram os suecos, hoje foram os dinamarqueses. Afastados que estão os batoteiros, siga agora o futebol! Na prática, a pantomina nórdica serviu na perfeição a checos e holandeses, que se livraram da poderosa Itália.


A trupe dinamarquesa de regresso a casa

sábado, junho 26, 2004

Pesadelo

Esta madrugada acordei encharcado em suor, num estado de verdadeiro pânico. Fui acometido por um pesadelo horrível, uma coisa que, de tão hedionda, me fará quebrar o hábito que cultivo há anos de não revelar os meus sonhos. Com a respiração ofegante de um fumador que subiu oito lanços de escadas, comecei lentamente a recordar aquilo que me tinha apavorado. Sonhara que o Santana Lopes era o primeiro-ministro de Portugal, sem ter sido eleito! Sonhei que Portugal deixara de ser um país democrático, em que os governos e os seus primeiros-ministros são escolhidos pelo povo, nas urnas de voto. Sonhei que Portugal recuara para os tempos da ditadura, em que o Salazar governava contra o povo! Mas, desta vez, tínhamos alguém ainda mais sinistro, ainda mais obscurantista, ainda mais ignorante, ainda mais vil, tínhamos o Santana Lopes! A mais abjecta das figuras políticas de que há memória em Portugal!

Lentamente, a razão tomou o seu lugar, acalmei-me, sentei-me na cama, se ainda fumasse teria acendido um cigarro, comecei a raciocinar de forma mais pausada, temos um Presidente da República, o Jorge Sampaio, pois claro, que estúpido sonho este, evidentemente nunca permitiria que semelhante barbaridade acontecesse. Sendo ele o garante do funcionamento da democracia, não permitirá que governe Portugal um sujeito escolhido de forma sub-reptícia, num partido político que representa cerca de um décimo da população, por sabe-se lá quem, por sabe-se lá que ocultas e sinistras figuras. Nunca o permitirá. Só o povo português escolherá quem o governa!

Foi então que, já confortado, sorri, os meus batimentos cardíacos baixaram gradualmente até ao ritmo habitual. Deitei-me novamente e dormi o sono descansado daqueles que vivem em democracia.

sexta-feira, junho 25, 2004

O Adiamento Continua

Após o épico jogo desta noite, que ficará para sempre na colecção de recordações de todos os apreciadores de futebol, Portugal fica adiado por mais 5 dias. A vitória da selecção portuguesa seria ainda mais convincente, não fora aquele golo estúpido do Lampard. Perdeu-se parte de um grande momento de Glória para Rui Costa. Assim, e venha quem vier, o herói foi o Ricardo. Parabéns a todos e em especial ao Ricardo! E, já agora, um abraço ao Baía!


Mesmo com mãos nuas, Ricardo insiste em adiar Portugal!

quarta-feira, junho 23, 2004

Passes Sociais

Andam no 48 e na linha verde do Metro entre os Anjos e o Intendente muitos ricaços com rendimentos anuais superiores a 5000 euros! Passe social? Malta que ganha 600 euros por mês? Isso é que era bom! Em vez dos 50 que paga agora, largue lá os 100! E ainda lhe sobram 500!

E, claro, você, que aufere menos de 400 euros por mês... quanto é que pagava? Pois, agora paga só um bocadinho mais... Mas não se preocupe porque os outros pagam o dobro!

Mas o serviço, sim, em especial o da Carris... vale bem a pena!


Carris: Em greve desde 1907.
Viva o Futebol!

Alguns cidadãos italianos atiraram ovos contra a porta do consulado dinamarquês em Milão! Que outra coisa senão o futebol poderia causar semelhante incidente? Nada! Rigorosamente nada! E por isso, porque poucas coisas poderão ser mais saudáveis que atirar um bom ovo italiano, porque nenhumas há que sejam mais divertidas e porque tudo isso vale sempre a pena, viva o futebol.

E atirem lá um de avestruz por mim, rapazes!


Ovo neles!
Coincidências Nórdicas

Nem sempre a lei substitui a honra, nem sempre o simples respeitar dos regulamentos significa conduta ética. A coincidência de ontem, com o empate 2-2 entre as selecções da Sinamarca e da Duécia, resultado da panelinha, mostra que a indignação do treinador dos suecos, aquando da insinuação do arranjinho feita por um jornalista, era postiça e digna de renomado pantomineiro.

A verdadeira resposta deram-na os 22 jogadores da panela. À Dinamarca desejo a mais breve eliminação possível, à Suécia peço-lhes que vençam a Alemanha (ou a Holanda, ou mesmo a Letónia), para que os nossos rapazes lhe possam meter as mãos em cima. Para que seja a nossa selecção a correr com esse grupo de saltimbancos. (Pensando melhor, a selecção da Alemanha fez semelhante pantomina há uns anos, contra a Áustria. Pois, nesse caso, venha quem vier.)

Na Itália, o Corriere della Sera fala do 2-2 annunciato e tem, infelizmente, toda a razão. Quem diria? Os italianos dão uma lição aos nórdicos. De honra.


Um quarteto de animados chocarreiros: A malta da panela!

segunda-feira, junho 21, 2004

Brel

Algo de estranho se passa quando ouço Jacques Brel. Quer sejam "Les bourgeois" ou "Amsterdam" ou "Il neige sur Liege" ou "Vesoul" ou o que quer que seja, apetece-me sempre mandar gente à merda. Especialmente os "bourgeois", essa corja de "cochons"!

Dans le port d'Amsterdam
Y a des marins qui boivent
Et qui boivent et reboivent
Et qui reboivent encore
Ils boivent à la santé
Des putains d'Amsterdam
De Hambourg ou d'ailleurs
Enfin ils boivent aux dames
Qui leur donnent leur joli corps
Qui leur donnent leur vertu
Pour une pièce en or
Et quand ils ont bien bu
Se plantent le nez au ciel
Se mouchent dans les étoiles
Et ils pissent comme je pleure
Sur les femmes infidèles
Dans le port d'Amsterdam
Dans le port d'Amsterdam.


(Amsterdam, Jacques Brel 1964)

Nem o Meia Livraria era um blogue sem um poema em francês!


Jacques Brel.
Portugal ainda Adiado

Até ao próximo dia 24 de Junho, Portugal continua suspenso! Existe o risco real de que a situação se prolongue até 4 de Julho. De resto, que mal faz esperar mais uns dias para termos Portugal outra vez? Estaremos a perder alguma coisa de interessante?


Iker Casillas: Incapaz de adiar a Espanha por mais uns dias...

sexta-feira, junho 18, 2004

Preguiça

1) "Pudesse eu dizer o que tenho para dizer..."

2) "Se eu mandasse nisto..."

3) "Os gajos que não percebem nada disto é que são os chefes!"

4) "Tivesse eu o canudo..."

5) "Já comecei muito tarde, a malta que começa em novo..."

6) "Assim também eu!"

quinta-feira, junho 17, 2004

Portugal Adiado

A carreira da Selecção Nacional de futebol no Euro 2004 está agora suspensa até ao próximo domingo.

Portugal voltará dentro de uns dias. Talvez com uns incêndios.


Ricardo, o homem que pode adiar Portugal.

quarta-feira, junho 16, 2004

Euro 2004

Em Leiria, na belíssima praça Rodrigues Lobo, está instalada uma enorme tela onde se pode assistir aos jogos do Euro 2004. Enche-se a praça de suiços e croatas, acotovelam-se franceses, roubam as cadeiras das esplanadas que circundam a praça para se poderem instalar confortavelmente em frente à tela. Bebem cerveja, gritam, festejam os golos, bebem mais cerveja. Entre eles estão alguns portugueses, um ou outro holandês, um casal italiano, quatro irlandeses. Todos sentados nas cadeiras surripiadas aos cafés da praça.

Termina o jogo. Em dois minutos, todas as cadeiras voltam, pelas mãos que as levaram, sem enganos, às respectivas esplanadas. Devolvem-se as garrafas e metem-se os plásticos no lixo. Se no meio da praça ficar uma cadeira, foi, provavelmente, um dos nossos que nela se sentou, olhará para trás, verá o que fizeram os outros europeus e pegará com a direita na cadeira. Na esquerda levará a garrafa vazia de sagres.
Bloomsday

Hoje é dia 16 de Junho. É o dia do Sr. Bloom. Saber que os irlandeses festejam como festejam semelhante acontecimento enche-me de inveja. Genuína inveja.


James Joyce

domingo, junho 13, 2004

Vida ou Morte ou a Desgraça do Costume

A nossa selecção lá perdeu contra os coitadinhos da Grécia. Sem os golos do Simão, do Tiago e do Nuno Gomes, nem sequer do Moreira, que poderia a selecção lusitana fazer?

Restam-nos dois jogos de vida ou morte. É a desgraça do costume. É o fado.


O Fado
Prognósticos

Ontem, antes do jogo de Portugal contra a Grécia, perguntavam os jornalistas às gentes qual seria o resultado da contenda. Uma pergunta assaz pertinente e interessante, dirão. Pois, mas melhores que a pergunta são as respostas!

É ouvi-los: "4-0 ganha Portugal, com golos do Simão, do Nuno Gomes, do Tiago e... bem, do Moreira."

É interessante verificar que a maioria dos inquiridos considera ser Simão Sabrosa o mais provável dos marcadores de golos da selecção.


João Pinto, o Antigo. O homem dos prognósticos.
A Pátria dos Xutos é a Língua Portuguesa

O tom do último artigo, sobre os novos comendadores, poderá soar a jocoso. Tal não era a intenção, pelo que importa clarificar que considero os Xutos dignos da condecoração. À sua maneira, alargaram a nossa pátria, que é, sem dúvida, a língua portuguesa. E ampliaram o imaginário colectivo de Portugal.

quinta-feira, junho 10, 2004

Comendadores

Para cortar o tom de obituário que ensombra agora o Meia Livraria, eis um artigo sobre algo realmente divertido: A condecoração dos Xutos e Pontapés pelo Homem do Leme, o Presidente da República, Jorge Sampaio!

Parabéns aos novos comendadores da Ordem do Mérito: Tim, Kalú, Cabeleira, Gui e Zé Pedro! Foram para a sua "casinha" com uma medalha ao peito! Adeus ó vida malvada!


Os Senhores Comendadores
Sinistra Sequência

A Sousa Franco juntou-se hoje outro homem de grande valor, Lino de Carvalho. Que estanque depressa esta sinistra sangria, que hoje escolheu um dos melhores.


Deputado Lino Carvalho
Morto em Combate

Dotado de grande inteligência e erudição, Sousa Franco sucumbiu ante a imbecilidade e a estupidez sarrafeira. O grotesco venceu.


Professor Sousa Franco

quarta-feira, junho 09, 2004

Estou Sossegado

Ao ler a resposta elegante e singela da Clara do Crítico, por pouco não corri a comprar o livro do Mexia. Não é todos os dias que me deparo com tamanha elevação. Publique a Clara um livro e terá em mim um comprador.

domingo, junho 06, 2004

O Multiplicador

Esta é a história verdadeira do homem que multiplicava tudo por dez. Nunca o conheci, ouvi a sua história numa daquelas fogueiras, junto à estrada, onde estas coisas se contam. Neste século, o XXI, essas fogueiras são restaurantes, o que nada retira em assombro e magia ao que se vai contar.

Numa taberna no interior do país, numa daquelas mais modernas, que já possuem máquina de café, um cliente pediu ao empregado de mesa uma bica normal e um descafeínado. De pronto ouviu, "Dez cafés e dez descafeínados!", era o grito do homem para o dono da tasca, que se entretinha a limpar o balcão com o avental. "Vai já!".

Espantado, o cliente perguntou-lhe: "Quanto é?", tendo o homem respondido: "10 euros, se faz favor." Nisto, o dono da tasca tirara os cafés e espremera o vinho tinto salvo pelo avental para dentro daquela peça metálica que nas tabernas se usa para levar os copos de três. Chamou o nosso homem. "Aqui estão", disse.

Entretanto entra outro freguês que pede: "Uma grande penalidade, tinto, se faz favor!" e o nosso homem: "São dez pénaltes tintos!". Divertido, o primeiro cliente pergunta ao multiplicador, "Por curiosidade, quanto mede o meu amigo?", "Pouco menos de 18 metros..." respondeu. "Então, traga-me mais 10 cafés!". "Cem cafés aqui para estas dez mesas!"

Nessa noite, o homem que multiplicava tudo por dez dormiu as suas costumeiras 75 horas de sono. Essas, ninguém lhas tirava!
Viva a República!

Sou um fervoroso adepto da República e do que ela representa. E lembrei-me de homenagear, ainda que de forma humilde e singela, aquele que mais tem feito no nosso país para prestigiar a República Portuguesa! Se outras razões faltassem, a sua existência bastaria para justificar a República. Um profundo muito obrigado, sr. Duarte!


Sr. Duarte. Uma vida dedicada à causa da República.

Há Limites

A Clara, do brilhante Crítico, escreve um laudatório artigo sobre o escondido blogger Pedro Mexia. Dá gosto vê-la gabar, feliz e generosa, o livro que a criatura publicou, com vistas à facturação do em tempos blogado. E, por mim. tudo bem, apesar de um ligeiro arrepio.
Mas falou do "novo livro do Desassossego". E isso é demasiado. Todo o bom gosto anteriormente patenteado cai por terra, exangue, após semelhante alarvidade. Não façamos comparações grosseiras e atentatórias às memórias dos que nos deram tanto. Fique com o Mexia para si. Mas deixe-nos o Bernardo Soares. Há limites, minha senhora!


Pobre Fernando Pessoa!

sábado, junho 05, 2004

A Negra e Porca Onda Santanenta

O populismo, na sua mais negra e asquerosa face, o santanismo, continua a sua destruição inexorável da cidade de Lisboa. Tal como uma mancha de crude no oceano, o santanismo transforma rapidamente uma das mais belas cidades do Mundo num subúrbio. Sobre essa calamidade é obrigatório que se leia este artigo do Substrato.

Talvez um sismo não fosse pior.
Continua a Evolução

Após o Verbo e a Imagem, o Correio e o Comentário, eis que avança o Meia Livraria para novos destinos! Decidi retirar os Comentários! Essa decisão nada tem que ver com a minha total incapacidade de acertar o código do blogue! Nada! É apenas mais uma mudança, mais um passo em frente!
Vale a Pena!

Vale a pena dar uma espreitadela ao No Mundo e ler os últimos textos: Stiffelio e Mais uma Romaria Colectiva são duas pérolas muito especiais, muito nossas. Bonitas, até.

sexta-feira, junho 04, 2004

Há Profissões Tramadas

Já não bastava o Pinto da Costa e o Durão Barroso? Agora até o George W. Bush!


O Papa em dia não.

quinta-feira, junho 03, 2004

Comentários

O Meia Livraria está em mutação. Primeiro o verbo, depois o correio, mais tarde as imagens e agora os comentários! Uma evolução lenta, mas inexorável!

terça-feira, junho 01, 2004

Meia Livraria

A ideia inicial do blogue era a de escrever assim umas coisas modernas, ainda que antigas. Sobre ciência e ornitologia, sobre questões ambientais e políticas e sociais. Debater terceiromundices detectadas por cá e não só, tecer grandiosas comparações entre os mestres renascentistas do passado e os jogadores de futebol do presente. E entre estes e os homens de amanhã. E criar soberbas linhas capazes de virar os monitores portugueses, brasileiros e galegos para este blogue, arrancar aos leitores a mais fiel admiração e o mais inaudito seguidismo, tal a força das ideias. Criar uma horda de fanáticos, de gente pronta a revolucionar uma vez mais as coisas dos Homens, com uma cosmovisão cujo epicentro fosse o Meia Livraria.

E mais! Prometi surdamente multiplicar por 3 a capacidade cognitiva de todos! Dividir por 6 a intolerância e a cretinice! Somar 4 às verdades de cada um! E elevar a 5 a compreensão das coisas. E para quê? (Quem lê o Meia Livraria poderá fazer todas as perguntas menos essa).

E porque o tempo é pouco para a outra metade da Livraria, leia-se esta! E aprenda-se o que nela é para aprender! Para que se possa compreender as mágicas alvoradas eléctricas das grandes cidades, as que substituem o nascer do Sol e foram criadas por Nós, há que saber primeiro o que são cidades. E o que é o Sol. E isso está tudo lá, nessa Meia Livraria. Naquela que vamos ler, claro. O que ficar na outra metade, não existe.