sábado, julho 31, 2004

Ardeu

Alguns dos leitores do Meia Livraria lembrar-se-ão de um artigo que publiquei há já alguns meses, em que falava da incrível beleza da região atravessada pela autoestrada A1, no seu km 81. Para ser mais preciso, essa paisagem tão bela estendia-se até ao km 86, sensivelmente. Até à saída para a A6. Bom, acabo já:

Tudo isso ardeu.

quinta-feira, julho 29, 2004

CPLP

Viram o ar de Sampaio, o ex-Presidente da República, na cimeira da CPLP? Agastado, cansado, mas visivelmente no seu meio? Ao vê-lo pela televisão, alinhado com os chefes de estado dos outros países, ocorreu-me: podia muito bem estar ali o D. Duarte Pio, ou mesmo a Morgadinha dos Canaviais, mas não seria a mesma coisa! Nem pensar! O lugar de Sampaio é ali, nas cimeiras da CPLP! E propunha: deixe antecipadamente o palácio de Belém e tente ficar com o cargo de sub-sub-secretário da CPLP! Era um favor que fazia a essa grande organização e a todos nós. E até a si, senhor ex-Presidente da ex-República!

quarta-feira, julho 28, 2004

O Democrático Sudão

teme que uma intervenção ocidental no Darfur destabilize a região. Portanto, o Chade pode vir a ser destabilizado. O que, para o Chade, só pode ser bom.

Intervenha-se então! Como é Santana? Vamos também? Sim, Darfur! Sudão! Sabes onde é? Sim, Santana, África, pois, mas estes são muçulmanos! Não, não são árabes! Pois, Santana, pode-se ser muçulmano sem se ser árabe. Há coisas do Diabo, pois é, Santana!

segunda-feira, julho 26, 2004

Os Secretários de Estado

Vi agora a lista dos nossos Secretários de Estado. E, passo o chavão, uma vez mais, a realidade ultrapassou a mais delirante imaginação: Quem diria que teríamos o Jorge Costa e o Borrego nas Obras Públicas e Transportes? E a Teresa Caeiro que tanto defende como cultiva? E o tipo semi-analfabeto do blogue do CDS-Porto que agora é Secretário de Estado da EDUCAÇÃO? Um iletrado! Irra, que já é demais!
Quartos de Hora

Nesta passada semana, tive a oportunidade de empregar 15 minutos a observar uma obra de Miró (pouco menos que totalmente desconhecida). Encontra-se no Museu de Cádiz e inaugurou a sua secção de arte contemporânia. Secção essa que, infelizmente, não está ainda contemplada na página do museu. Coisas ibéricas. Dizia eu, passei um quarto de hora mirando um Miró, esperando ouvir o sino que quase sempre toca quando olhamos para os grandes. Não tocou. Mas passei um belo quarto de hora. Pelos vistos, vezes há em que o toque do badalo é substituído por uma suave melodia.

Infrutíferas (ainda que esmeradas) buscas, forçam-me a publicar a minha pobre fotografia desse Miró. Tristemente não encontrei melhor na rede. Cá vai, com flash e tudo:


Pinture, Joan Miró, 1950.
Uns Dias Fora

Estive uns dias fora e quando voltei dei com um país sem Carlos Paredes, a arder e com o Santana Lopes a fazer de primeiro ministro. Que pena ter voltado...

domingo, julho 18, 2004

Dúvidas

E se, afinal, nada disto fosse realmente relevante? E se, afinal, tanto fizesse ter Santanas ou Tinos de Rans ou Louçãs ou a Morgadinha dos Canaviais como PM?

Ao ver o ar sério com que Sampaio entregou ontem o governo ao bom do Lopes, ocorreu-me: estarão eles a brincar? Será isto, de facto, um país de pacotilha? Cujas figuras mais proeminentes são o Guarda-Redes Ricardo e o Fundador Luís Figo? Cujo humorista oficial continua a ser o Herman? Ou o rechonchudo Fernando Mendes?

Desconfio que o apresentador do "Preço Certo em Euros" não faria pior trabalho que o bom do Lopes. E que Sampaio lhe daria, com a mesma indiferença, o país para a mão. País que, de resto, já não é o de Sampaio.


Saíu o 100!! Mais 100 mil euros para o orçamento da saúde em 2005! Nada mau!

sábado, julho 17, 2004

O Elenco
 
Que magnífico elenco ministrial, este, o de Santana! O Bagão nas finanças, o Telmo Correia no Turismo (temos um ministério do turismo?), o Embaixador Monteiro na diplomacia, a MJ Bustorff Silva na cultura, que muito me espantou, sempre pensei que Santana quisesse acumular a "sua" pasta, a da cultura, com a de primeiro ministro, enfim, uma equipa de luxo. Estamos bem entregues.

terça-feira, julho 13, 2004

Sugestão

Humildemente, gostaria de sugerir ao nosso primeiro que descentralizasse a secretaria de estado das pescas para a traineira "O Palonço", habitualmente parqueada em Sesimbra. Ou, caso não coubessem todos os 3000 funcionários a bordo da embarcação, ocupar parte das instalações da lota.


Novas instalações da Secretaria de Estado das Pescas.

Assim, ficaria a secretaria de estado das pescas mais próximo dos principais interessados: os peixes.


Rapaziada da Secretaria de Estado na hora do recreio.

sábado, julho 10, 2004

Acção

Urge agora combater! Já passa da meia noite e ainda não ouvi tiros! Nem sirenes da polícia. Não me cheira ainda a fumo de borracha queimada, sinal que nas redondezas ainda não ardem carros.

Onde está o exército? Onde estão os milicianos? Ainda os temos! Venham daí! Liguei o aparelho de rádio, a pilhas, sintonizado no RCP, aguardo a "Grândola". A esta hora a malta já deve estar a postos, em Santarém.

Mas não podemos esperar só pelos capitães! Há que alargar a frente de combate! Os trabalhadores da Carris terão um papel determinante: basta que interrompam por uns dias a greve que dura há 48 anos de forma contínua e bastará para inundar a Capital com uma inesperada avalanche de autocarros! Ficará completamente entupida! Parará o Terreiro do Paço!

Que os taxistas abandonem o aeroporto da Portela e que vão para as ruas de Lisboa! Será o bastante para bloquear a A1 até à área de serviço da Mealhada!


Precisamos da vossa ajuda!

sexta-feira, julho 09, 2004

Vergonha

Portugal não tem Presidente da República, não tem Primeiro Ministro e não tem líder da oposição. A Portugal, já nada resta.

Tenho vergonha, muita vergonha. E nojo. Aquilo que se passou hoje é de uma gravidade gigantesca. É o maior atentado à democracia a que as últimas décadas assistiram em Portugal. É o fim da democracia. É a morte do 25 de Abril.

Em tempos vivi num país livre e democrático. Agora não. Pela primeira vez sinto que Portugal pode caír num negro buraco. Muito negro. Prevejo o pior.

(Alguém me arranja trabalho a lavar retretes em França?)


Talvez este não fosse pior...
Será?

Será que também o Sr. Sampaio, ex-presidente da república, dava um bom lavador de retrete? Ou será que vai agora para porteiro duma das discotecas frequentadas pelo Sr. Santana?

quinta-feira, julho 08, 2004

Porteiros e Lavadores de Retrete

Desde as diásporas de meados do século XX para França, Alemanha, Suiça e Luxemburgo, que os portugueses ganharam, por essas terras, fama de bons porteiros e melhores lavadores de retrete. Foi uma emigração da fome e da miséria infinita da profunda ignorância. Não é razão para vergonhas, nem para orgulhos. Passava-se fome sob a pata ossuda de Salazar e as gentes saltavam por cima da Espanha, em fugas organizadas. Mas isso já lá vai. A ferida estancou após o 25 de Abril de 1974, continuando, no entanto, a presença portuguesa pelas europas desenvolvidas. Os que foram, não regressaram, excepção feita à minúscula minoria que se refugiava por razões políticas em França. Esses eram poucos e voltaram todos.

E assim, ao longo das décadas de 70, 80 e 90, continuaram os nossos emigrantes na sua faina, esfregando o chão, empurrando macas e "batendo a pala" aos senhores hóspedes do hotel. A fama dos portugueses, como povo, resumia-se às suas qualidades de gente trabalhadeira, honesta, respeitadora, calada, ensimesmada, em suma: gente triste e analfabeta.

Aparentemente tudo mudara nos anos 90. Finalmente os portugueses começaram a sair, como turistas, do seu país. E não apenas as elites (que, de resto, não temos), mas também uma boa fatia da classe média, definição vaga e imprecisa mas que serve para o efeito. Os portugueses, nos anos 90 já iam de férias para, pasme-se, França, Alemanha, Itália, entre muitos outros países, excluindo, claro, o Luxemburgo, que não lembrará a ninguém visitar.

Foram, não obstante, tempos difíceis para os nossos turistas. Muitos deles, assomando-se ao balcão de uma recepção de hotel, buscando quarto, participavam num diálogo semelhante a este:

_"Tem quartos vagos?"_em mau francês, claro;

_"Não precisamos de ninguém agora, obrigado!"_em francês, claro;

_"Mas eu só queria um quarto para 5 noites."_em mau francês, claro;

_"Nesse caso tudo bem, duplo ou simples?"

E assim se repetiam as constantes humilhações de um turista português em França. Sobre o que se passa na Alemanha, penso que não seja necessário desenvolver, mas cá vai, recusa em falar inglês, portas fechadas na cara do turista lusitano, expulsões, prisões e porrada nas esquadras da polícia. Admito que, talvez, seja um pouco exagerado, mas servirá para que se tenha uma ideia.

E tudo isto combate o estóico turista lusitano. Tentando dar uma boa imagem, alfabetizada, culta, visita museus e monumentos importantes, sabe a história desses países e interessa-se pela sua língua, enfim, estava em criação um português novo! E era nele que se depositava a esperança na defesa da nossa fama entre os nossos pares europeus!

Organizou-se o Euro 2004, os de fora vieram cá, viram-nos no nosso melhor, a nossa imagem estava em alta! Uma década de turismo luso pelas europas, somada ao êxito da Expo 98 e do Euro 2004, chegaria para vencer essa injustiça que nos é feita há décadas! Afinal, os portugueses não eram apenas porteiros e lavadores de retrete! Sabiam fazer outras coisas! Tudo estava bem no melhor dos mundos!

Mas algo de muito grave se urdia nos mesquinhos corredores da política, algo sinistro e de maligno! Com efeito, Portugal estava prestes a sofrer uma humilhação que deitaria por terra os trabalhos de uma década! O nosso Primeiro-Ministro demitia-se para aceitar o cargo de Presidente da Comissão Europeia, deixando tudo a arder. Indiferente aos enormes prejuízos que a sua decisão traria ao país, Durão Barroso não hesitou em aceitar aquele cargo, abandonando assim o leme da Lusa Pátria. Em Paris, no Luxemburgo, em Berlim e Estugarda, em Zurique, os de lá comentavam entre eles:

_"Afinal, Portugal é mesmo um país de lavadores de retrete! Vê lá tu, que o Primeiro Ministro deles, um tal de Barroso, abandonou o mandato a meio (!) para suceder ao Romano Prodi! E ao Santer!"_disse, rindo-se ruidosamente;

_"Não te tinha dito? Os tipos só servem para estar à porta dos hotéis!"_novamente, fortes risos!

Tudo por água a baixo. E o pior, temo, ainda está para vir. Desejo, no entanto, as maiores felicidades ao José Barroso! Temo, não obstante, que se não livre do título de pior Primeiro Ministro da história de Portugal. E que não consiga fugir ao temível anedotário nacional.

segunda-feira, julho 05, 2004

Uma Questão

Se Zapatero fosse convidado para presidente da comissão europeia, aceitaria? E Berlusconi? E Tony Blair? Aceitaria?

Mas o Hosey Maniuel Barousou aceitou.

Se impigissem, sem ir a votos, o Le Pen para PM ao Chirac após uma demissão eventual de Raffarin, (para se dedicar, por exemplo, à apanha do bivalve), o Presidente da França aceitaria?

E o Presidente de Portugal? Aceitará o Santana?

Temo que o país perca muito, se tão sinistro acontecimento ocorrer. Mas, uma coisa é garantida, a primeira vítima será o Presidente da República. Que deixará de existir.

domingo, julho 04, 2004

Pena, Luto e Nojo

O Meia Livraria tem pena da selecção de futebol do seu país, que não soube defender a modalidade que pratica. O Meia Livraria está de luto porque o futebol morreu. O Meia Livraria tem nojo da maneira de jogar dos gregos e vomita ao lembrar-se do asqueroso Otto que nem grego sabe falar. O Meia Livraria considera o FC Porto e a sua espinha dorsal uma acabada merda e um inexplicável "bluff". No Meia Livraria nunca mais se falará de futebol. Porque o futebol morreu hoje.

Mude-se o nome do avião que hoje se chama "Eusébio" para "Viana da Mota"!

sexta-feira, julho 02, 2004

Morreu Sophia

Ambas as metades da Livraria estão hoje mais tristes. A metade lida porque cai agora o lido sobre o leitor desamparado. A metade por ler porque não cresce mais com Sophia.


Sophia
Incrível

Aquela que arcava com o odioso da governação, Manuela Ferreira Leite, granjeou agora a simpatia incondicional de milhões, número em que me incluo, com esta frase: "Dizem que houve três votos contra e, evidentemente, um dos votos foi meu.", referindo-se à eleição de Santana Lopes para a presidência do agora PPD/PSD.

Se eu pudesse votar, juntaria o meu ao seu voto, cara Manuela! De qualquer forma, agora, já gosto um bocadinho de si. É incrível, eu sei, mas gosto.


MF Leite. Ganhou milhões de amigos.
Agradecimento

Ao joao.tunes do óptimo Bota Acima, um blogue atento, escorreito, pertinente e de que gosto bastante, agradeço o elogio que a esta humilde Meia Livraria dispensou.

E se esse elogio veio de alguém que escreveu "GUARDEM ESSA CADEIRA PARA EU LOGO VER O JOGO...", então, por pouco não coro. E agradeço-lhe também por esse artigo e aproveito para estender o agradecimento aos moçambicanos, aos timorenses e a toda essa rapaziada que, fiéis a quem lhes deu tão pouco, festejam as vitórias lusitanas. Eu sentava-me com muito gosto naquela cadeira.

E porque nessas terras, nas que holandeses sugaram em tempos, ninguém veste a camisola laranja e porque o que lá vai, lá vai, mas nunca se deve esquecer, uma vez mais, obrigado!