sábado, agosto 28, 2004

Granada

Emborcando beleza e tintos de verano, passo estes dias na cidade de Granada. No entanto, um cibercafé aberto em hora de siesta trouxe-me por instantes de volta ao Meia Livraria. E deixo aqui um dito granadino devidamente traduzido: "Dá a esmola ao ceguinho, mulher, porque nao há maior desgraça que ser cego em Granada."

quinta-feira, agosto 26, 2004

O Dedo Mindinho

O Meia Livraria quer deixar aos seus leitores um útil conselho: Quando cortarem as suas unhas dos dedos das mãos, comecem a operação pelo dedo mindinho. Imagine o leitor que lhe sucede algo de daninho e nefasto a meio do corte das unhas. Imagine ainda que começou a tarefa, digamos, pelo polegar, e que lhe falta só cortar a longa unha do dedo mais pequeno. Imagine a impressão que causará numa mesa de operações, numa marquesa de alumínio, ou, pior, frente a um São Pedro.

Por isso, não se esqueça: O mindinho primeiro!

quarta-feira, agosto 25, 2004

Prontos!

E prontos! Já cá canta a terceira medalha! Foi Rui Silva quem a ganhou e em sua homenagem repito: prontos!


Prontos, já passei mais um!

terça-feira, agosto 24, 2004

Francis OBIKWELO

Ainda em criança, com apenas 16 aninhos, o pequeno Francis viu-se abandonado em Portugal. Recolhido por uma simpática família, comovida com a fragilidade do Francisquinho, cuja altura não superava os 191 cm, fez a sua carreira no atletismo ao serviço do Belenenses e do Sporting Clube de Portugal. E até ao ano 2000 representou o seu país de nascimento, a Nigéria. Em 2001 escolheu ser português. E ainda bem.

A sua condição recente de herói olímpico traz, no entanto, problemas insolúveis: como lidará o simples transeunte, o habitual popular, o vulgar cidadão de rua, enfim, aquela rapaziada que é sempre entrevistada por aquelas pequenas que a RTP tem nas suas fileiras e que aparecem sempre nestes eventos desportivos, dizia eu, como lidará o nosso popular com o nome do nosso campeão? Deixo aqui uns palpites:

1) Versão geométrica:
"O Obliquelo é dos meus, eu também dedicava a medalha aos deficientes!"

2) Versão bancária:
"O Bico Melo é uma máquina e vai arrecadar os 200m!"

3) Versão cigana:
"O Bico Lelo é um duplo orgulho para Portugal. É português e ninguém o obrigou a isso."

4) Versão cinegética:
"Corre como uma lebre, aquele Obi Coelho!"

(Nota: O nome do nosso campeão é OBIKWELU e não OBIKWELO. No título, o nome já está aportuguesado.)

segunda-feira, agosto 23, 2004

Submarinos e Barcos de Dois Canos

O navio do Mal aproximava-se da costa do país de Bem. Comprados havia pouco tempo, em regime de leasing, dois submarinos partiram das profundezas do Tejo. No gabinete em São Pedro do Estoril, o ministro do mar passava a fina mão pelo longo nariz. Valeu a pena esta compra, pensou. O barco maldito não passará.

Na sua cabeça ecoava, pungente e indesejado, o refrão de uma há muito esquecida melodia de Jorge Palma: "No Barco do Aborto podes ser quem tu és; Ninguém te leva a mal..." Enquanto isso, saíam a 240 km/hora dois torpedos de modelo muito em voga na guerra da Coreia e muito em conta no mercado de Youngstown, em direcção ao indefeso casco da nefasta embarcação.

sábado, agosto 21, 2004

Pedras de Litro

Albertino Monteiro comprara, num supermercado perto da sua casa, uma garrafa de água das pedras de litro. Qualquer coisa de estranho lhe passara pela cabeça, para se permitir a semelhante extravagância! Enquanto caminhava com a sua nova garrafa bem aconchegada num saco de plástico, Albertino fazia planos. Qual seria a altura oportuna para a beber, interrogava-se. Mas várias dúvidas o assaltavam durante o percurso, aquilo depois de aberto tem de se beber em seguida, matutava, caso contrário perde o gás! E se não consigo beber tudo? Mais valia ter comprado 3 das pequenas _ fustigava-se com o látego do arrependimento _ mas hei-de conseguir bebê-la toda, convencia-se.

Por fim chegara o grande dia. A garrafa estava já na segunda semana de refrigeração, ponto exacto para servir o seu propósito: ser bebida. Albertino pensara todo o dia na grande ocasião. Escolhera este dia por ser especial, comemorava-se o 64º aniversário da morte de Trotsky. Lanchara bem, era essencial, mas nada de líquidos! Teria um litro de água mineral natural gasocarbónica pela frente! Até o seu colega, o Antunes, comentara: "Estás cheio de fome, ó Monteiro, e não bebes nada!"

Nervoso, abriu o frigorífico, retirou a verde garrafa de vidro, estava tão fresquinha, estas coisas só sabem bem feitas assim, pensou, trouxe o seu copo especial e sentou-se no sofá da sala, enchendo delicadamente o copo com a água das Pedras Salgadas. Cuidadosamente, voltou a fechar a garrafa, para nela melhor suster o gás, e bebeu pausadamente o primeiro copo. No aparelho de televisão crepitava a voz do humorista Fernando Mendes. O "Preço Certo em Euros" estava nos seus primeiros acordes, afinal ainda era cedo. A noite prometia e era de Albertino.

Os Irmãos Harper

Há alguns meses, um indivíduo dirigiu-se à FNAC do Chiado, procurando um álbum de Roy Harper. Perguntou à jovem empregada: "O que é que tem de Roy Harper?" e ouviu a inevitável resposta, "Acho que nada, mas temos ali muita coisa de Ben Harper!".

O indivíduo retorquiu, "Deixe estar, nesse caso levo aquele CD com o Concerto para Harper de A. F. Boildieu!".

Revista Gina

Esta semana comprei uma revista de jogos de computador. Trazia uns discos com demos e jogos completos, bem como todas as novidades no mundo dos jogos para PC e consolas. Ao ler a revista ocorreu-me que nunca irira comprar nenhum daqueles jogos e que, ainda que o fizesse, não teria qualquer disponibilidade para os jogar. Sou um ludómano reformado.

Antes de pousar, nostálgico e entristecido, a tal publicação de jogos de computador, lembrei-me do gesto que um octagenário faria ao pousar, desolado, um exemplar recém comprado da revista Gina.

quarta-feira, agosto 18, 2004

Os Jogos e os Portugueses

A comitiva portuguesa em Atenas divide-se em dois grupos fundamentais: os desportistas e os jogadores de futebol. O primeiro grupo conhece o espírito olímpico, o segundo, não sabe o que isso é. Eles não se misturam.

Imagine, quem duvide da divisão, alguém do primeiro grupo a agredir um adversário. À cotovelada, por exemplo. Imagine o nosso atirador a disparar contra um adversário. Imagine o corredor a rasteirar outro corredor. Imagine o Maia e o Brenha derrubando o árbitro por um fora mal marcado. Também acontece, mas passam-se Olimpíadas inteiras sem que um desses incidentes ocorra.

Há ainda um outro factor de cisão: as vitórias. Se no grupo dos desportistas as vitórias são escassas, ocorrem, não obstante. O grupo dos futebolistas é famoso por nunca ganhar. É também conhecido pela correcção dos seus elementos e irreprensível comportamento dentro e fora dos relvados (lembrar a destruição comemorativa de um balneário em França).

Os do primeiro grupo nunca perdem. "Queria ficar nos 16 primeiros, fiquei em 15º, não foi mau." São objectivos, sinceros, lutadores, dão o seu melhor. Os do segundo grupo perdem sempre, porque são arruaceiros, mal educados, mal formados, pedantes e extraordinariamente parvos. E estão, infelizmente, de regresso a Portugal. Não vou esperá-los ao aeroporto.

domingo, agosto 15, 2004

A Imprensa no Bom Caminho

De onde menos se esperava surgiu nesta semana um assalto benfazejo e reinadio contra as principais figuras do moderno e amado Estado Novo! Da TV 7 Dias (que passei agora a assinar), surge a brilhante capa, com a célebre, ainda que um pouco esquecida, fotografia do Senhor Presidente do Conselho, Prof. António de Oliveira Santana Lopes, de lenço atado na inteligente testa! O pândego! (Roubada ao Melhor que Prozac!!!.)


O Senhor Presidente do Conselho também sabe ser galhofeiro!

Do Expresso surge a genial caricatura ao nosso Presidente da República, o Almirante Américo Sampaio, transfigurado em Raínha de Inglaterra. O nosso Almirante não terá levado a mal, claro! (Afinal, alguém se lembrou de si!)


Abertura dos Jogos - Raínha de Inglaterra de António.

domingo, agosto 08, 2004

Uma Questão de Humor

Vozes puras e angelicais condenam o fedorento gato Góis pelo seu mais recente artigo. Grasnam nervosos que o humor tem limites e que o bom gosto assim e assado, e que são uns bandidos e só se aproveita o RAP, em suma, balem, enfurecidos, contra o pobre e injustiçado Góis!

Foi no blogue "A Memória Inventada" que me deparei, espantado, com aquelas ofendidas e piedosas alminhas! Não apenas o autor da invectiva, também 8 comentadores se ofenderam com o facto de Miguel Góis ter caçoado do senhor aleijadinho (Hawking)! Abençoadas criaturas!

Não percebem que são eles quem separa, quem divide, quem arreda, que são eles que dizem "não deveides gozar com o senhor deficiente!". Pensar que o século XXI é igual a XX + I é não conhecer esta gente. Gente demasiado escuteira que pensa prestar grande serviço aos que são de alguma forma diminuídos, ao livrá-los da ridicularia em que por vezes incorrem. Esquecem-se estas alminhas da condição humana do alvo da sua palonça caridade.

Fosse eu aleijadinho e saberia sugerir lugar para tão piedoso rolo de caridade.
Os Bairros e Carlos Paredes

Há 20 anos, no bairro onde moro agora, não havia qualquer prédio. Só oliveiras. É certo que o campo era pouco, as árvores estavam condenadas, enfim, resta hoje apenas uma praça onde algumas delas foram poupadas.

Por alguma estranha razão, ao ouvir agora Carlos Paredes, pareceu-me estar agora o meu prédio em pleno oliveiral. E até o céu de Agosto, que estava cinzento e traiçoeiro, acordou para mais consentâneas cores azuis. Ofuscado pela luz que não existia, levantei-me para mirar o arvoredo há muito desaparecido.
É Realmente Engraçado

Fui espreitar o Blog Sócrates e ri-me com gosto. Ri-me e fiquei pensativo logo a seguir. Encolhi os ombros, escrevi este artigo, dou os parabéns ao autor e, de repente, perdi a vontade de rir. O problema é que, de facto, o blogue em questão tem piada e tem razão.

sexta-feira, agosto 06, 2004

O Estranho Universo das Esplanadas

Portugal é um país de clima ameno, onde chove pouco, e é, como tal, um país de espalanadas. No Verão, enchem-se as praças das cidades que têm praças, enchem-se os passeios das que não as têm, tudo se enche de cadeiras e mesas, de chapéus de sol, de turistas e copos de imperial, enfim, de esplanadas!

Mas conhecerão os habituais utentes de esplanadas a realidade por trás dos chapéus de sol? Provavelmente não! Fonte segura deu-me a conhecer diversos acontecimentos que habitualmente ocorrem nestes insuspeitos lugares. O incauto leitor, desconhecerá ou só ao de leve suspeitará que quando um cidadão sózinho, qualquer que seja, do sexo masculino, com idade compreendida entre os 25 e os 45 anos se senta numa das mesas mais afastadas da esplanada, de preferência fora do campo de visão de alguém que esteja no interior do estabelecimento, o mais provável é que se esteja a preparar para sair sem pagar!

E quantos desconfiarão de duplas de casais emigrantes em França, regressados à lusa pátria em arrevoadas augustinas? Que abandonam as cadeiras das esplandas com valente audácia e se dirigem para "boîtes" onde planeam executar o próximo golpe? Não fora, num desses casos, a intervenção de um empregado de mesa com espírito da Royal Canadian Mounted Police (famosa pela pertinácia dos seus garbosos agentes) e os meliantes escapar-se-iam com três bicas cheias, uma em chávena escaldada e outra com adoçante, uma italiana, duas pedras, um whisky velho e uma água do castelo e uma CR&F reserva, entre os quatro buchos. Oferecendo a macieira que se tinha entornado e que se substituiu pela CR&F. Já perdoando essa! O leitor pode estar sentado, repousadamente, a menos de uma cadeira de distância dessa gente!

Muito mais se poderia contar sobre este estranho mundo! Para outra oportunidade fica a história do pequeno vigarista da mochila e a do maníaco das aberturas presenciais de cápsulas.

quarta-feira, agosto 04, 2004

Irmãos de Armas

Do que se puder espremer deste blogue, desta metade de livraria, tudo se oferecerá que seja aproveitável, que sirva ao urgente combate que se dará à porca e negra onda santanenta! Sem tréguas nem respiro! Sem dúvidas nem quartel! Conta com a minha espingarda e Vá de Retro, Santanáz!