quinta-feira, setembro 30, 2004

Arranque de Romance

Tentei uma vez mais escrever um romance. E, uma vez mais, deparei-me com uma irritante dificuldade em vencer o primeiro parágrafo. Mas, bem intencionado, lá comecei a obra:

"Aborrecido com a chuva, António deixava-se ficar no minúsculo café, encostado à húmida parede coberta de azulejos. Ainda sequioso, berrou para o balcão, Outra água com gás, por favor, sim, pode ser fresca, pedras está muito bem. A mesa era tão pequena que não lhe permitia abrir o jornal e livros não trouxera. A chuva mostrava-se impiedosa e António, suado, culpado o calor que durante todo o ano aquece Lisboa, perdia a paciência. No entanto, o galhofeiro e encharcado anão que acabara de entrar no café prometia melhorar-lhe o ânimo. António não conseguiu disfarçar um malandro sorriso."

Raios! Descambou, outra vez! A entrada do anão é fatal para a seriedade do texto! É o que ocorre sempre que me decido a escrever uma obra de vulto.

quarta-feira, setembro 29, 2004

Comboios

Há muito que não andava de comboio e, num destes dias, cometi o clássico deslize: levei camisa azul clara e calças, também azuis, mas mais escuras, para o suburbano Alverca-Massamá. O resultado foi o esperado, dezenas de utentes mostraram-me o passe e, pelo menos outros tantos, deram-me os seus bilhetes para a mão.

Desenrasquei-me como pude, não tenho aquele aparelho para picar os bilhetes. Felizmente trazia um pequeno furador na mala. Foi o que me safou.

O Pequenito Saúl

Está de volta o ícone pop nacional, "Pequenito Saúl"! Com um novo trabalho intitulado "As Bolas do Snooker". Foi no genial Clube de Fãs do José Cid que soube da boa nova.

Para adoçar a boca, deixo aqui a lista dos temas do álbum:

1 - As bolas do snooker
2 - Vai lá vai (a barraca abana)
3 - Ele é bombeiro
4 - A senhora em top less
5 - Mais abaixo, mais acima
6 - Alentejano, benfiquista
7 - O rôto e ONU
8 - O cuco da Maria
9 - O galo ditador
10 - Dou-lhe cabo do rêgo
11 - Safo da tropa
12 - Zeca gado
13 - Jacinto Leite

Obrigado por teres voltado, pequenito Saúl!

segunda-feira, setembro 27, 2004

Romarias

Por estes dias, tem a nossa gente dedicado muito do pouco que pensa, e quase tudo do muito que fala, ao caso da menina Joana, presumivelmente assassinada pela sua mãe, ou pelo seu tio, ou pelos dois em simultâneo, ou por outra pessoa qualquer, ou por ninguém, ou por toda a gente.

À recôndita terriola acudiram as gentes, em grossas e ululantes turbas, verdadeiras romarias em busca de escaninho santo ou enterrado milagre, ou de cheiro a cadáver, no fundo, na demanda pelo entretém. Revoltada, a chusma clama vingança, pede um par de minutos com os inumanos, o inulto rancho quer arrancar as coriáceas peles das abjectas criaturas.

Nisto, mete-se outra efeméride, outra romaria, outra feira, e, já esquecida desta, vira-se a horda para a nova, para donde sopra o nauseoso e opiáceo cheiro da morte.

Os Sonhos de Santana

Foi no Blogue do Tino de Rans que li, numa janela com notícias flutuantes, que o PM Santana Lopes sonha com a presidência dos EUA! E sorri, com alegria. Não ri com gosto, não ri com o ridículo da situação. Sorri, porque Lopes não nasceu nos EUA e não pode ser presidente desse país. E, aiviado, feliz, sorri.

Mas sei que tivesse Lopes nascido no Texas ou no Nebraska e seria o próximo PR do EUA. Porque o povo norte-americano é tão, ou mais, estúpido e ignorante que o português. Bem, quase tão estúpido, não exageremos e deixemo-nos de falsas modéstias.

sábado, setembro 25, 2004

Duplas da TV

Ao que tudo indica, temos uma famosa dupla televisiva, Santana Lopes e José Sócrates, nos mais destacados cargos políticos nacionais, chefe do governo e líder da oposição, respectivamente. Alguns dirão, agoniados: Isto é péssimo! Outros, furiosos, gritarão: É uma palhaçada! E terão razão, mas nem tudo está perdido.

Perdido estaria se tivéssemos no poder outra famosa dupla televisiva: Santana Lopes e Torres Couto! Lembram-se? Ou, convenhamos, ainda pior: Herman José e Nicolau Breyner, do divertido Senhor Feliz e Senhor Contente. Portanto, não desanimemos e oremos ao Senhor em agradecimento.

quinta-feira, setembro 23, 2004

Uma Tarde no Coliseu

O Sol brilhava forte no céu, queimando, molemente como sempre queima o Sol, metade dos que esperavam pelo combate de gladiadores. Severo, o magnífico imperador de Roma, também lá estava, em cavaqueira com os seus chegados, alegre e folião. O líder de Roma adorava os jogos!

Quando a imperial figura assistia aos jogos, sabia a organização como lhe agradar, juntava um punhado de anões, colocava uns cestos no cimo de paus com a altura de dois homens, dividia os anões em dois grupos, trazia uma bola grande, saltitona, e começava o jogo! (Que tanto divertia o Imperador!) O objectivo era simples: fazer a bola entrar no cesto. Jogava-se durante cinco voltas da ampulheta, valia tudo, e quem mais vezes fizesse a bola atravessar o aro do cesto, vencia a partida. Os derrotados, claro está, serviam de pasto a leões, panteras e tigres devidamente esfomeados. Os vencedores eram tratados como heróis, chegando, em dias de maior folia, a entrar na arena uns quantos matulões que, galhofeiros, se entretinham a arremessar os anões que, muito felizes, riam por lhes ter sorrido a sorte da vitória.

Entretanto, o público rejubilava! As gentes gostam de espectáculos com anões! E o imperador sabia-o bem! Em breve entrariam os gladiadores, prato forte de mais uma bela tarde no Coliseu.

Coitadinhos dos Reféns

Todos os dias surgem, nos noticiários televisivos e nos jornais, novidades do Iraque dando conta de mais um rapto ou de mais uma execução de um refém. E quem são esses reféns? Gente das organizações humanitárias, jornalistas e engenheiros civis. Gente que vai para o Iraque em busca de aventura, de prestígio, de dinheiro, ou ainda gente empurrada pelas suas alminhas piedosas.

Em comum, todos têm algo: põem-se a jeito.

quarta-feira, setembro 22, 2004

UM DÓ LI TÁ

Não sei se é assim que se escreve a letra da cantilena, mas é esta a minha sugestão para a colocação de professores. Penso que segue com "cara de amendoá", e no fim, "quem está livre, livre está". Pleonástico quanto baste, assim são as cantilenas infantis.

segunda-feira, setembro 20, 2004

Corto Maltese

O Meia Livraria saúda o jornal Público pela sua brilhante ideia de publicar às segundas o Corto Maltese. São coisas assim, as que quase salvam um país.


Corto Maltese, de Hugo Pratt.

domingo, setembro 19, 2004

O Marcelo

Hoje vi o Professor Marcelo Rebelo de Sousa na TVI. E gostei. Gostei muito. Marcelo estava feliz, faiscavam-lhe os olhos, radiantes, falava escorreitamente e de modo seguro, sabia do que tratava, saíam-lhe as ideias límpidas e pertinentes. Dizimou Guedes e Barreto, a dupla desavinda do governo, pôs a nu um elevado número de incongruências santanosas, denunciou-lhe, ao Lopes, uma vez mais as falabaratices, as tonterias, enfim, esmagou alegremente a troante parvoíce do nosso primeiro.

Como um guerreiro celestial, cavalgou os sete céus, atacando as tropas desorientadas do inimigo, desferindo luminosos raios, tão intensos que permitem ver-se em noite santanenta como em dia claro, golpeando a inabilidade, castigando a incompetência. Sobrou-lhe ainda tempo para espezinhar o Almirante Sampaio, para gracejar com a já muito risível trindade socialista... E é tão fácil, Marcelo, isto nem chega a dar luta, não é? O Meia Livraria está contigo, ó Grande Líder da Oposição!

sexta-feira, setembro 17, 2004

Os Animais

Após o bárbaro espectáculo desta semana, oferecido pelos caçadores de raposas ingleses, ocorre-me que a vida de raposa deve ser difícil para aquelas bandas. Talvez tão complicada como a de um boi na sanguinária vila de Barrancos.

Cá, como lá, a maior alegria (e até justificação existencial) de algumas pessoas, consiste em assassinar grotescamente um animal acossado. Mas Barrancos não me traz só horror e carnificina à memória. Traz-me também o Parceiro Américo Sampaio! O parceiro de Santana e Companhia tinha dado o alerta há alguns anos atrás, mas poucos ligaram, ou compreenderam o sinal.

Neste desumano e atroz episódio da nossa triste história, o Parceiro Américo Sampaio já metera o bedelho, contribuindo para a manutenção da estúpida barbárie. Nessa altura, como há um par de meses, o Sr. Almirante optou pela conduta reaccionária e cobarde, pela forma gelatinosa que veio afinal a revelar com tanta clareza nesta última pusilanimidade.

(Nota: Para os menos atentos, o novo título do Sampaio, "Parceiro", foi-lhe outorgado por Morais Sarmento que, não disse mas pensou, o nosso Santana Lopes será o Batman, e o Jorge Sampaio será o Robin.)

Distâncias

O advento do MP3 veio encurtar as distâncias. Nos velhos tempos da Cassete, dava a dita três voltas completas antes que o condutor chegasse ao Porto, saindo de Lisboa. Hoje, com o MP3, vai um tipo de Lisboa a Paris, respeitando os limites de velocidade, claro, e chega lá com o segundo disco a meio. Dependendo do que lá esteja gravado, pode ou não definir-se a viagem como curta, mas essa será outra conversa.

Cidades

Há quem goste do campo, quem prefira a praia, há ainda quem adore montanha. Há quem prefira o mar para viver, a bordo de algum luxuoso iate. Há quem procure montes no Alentejo ou casas rústicas em Trás-os-Montes. Eu não. Eu gosto é de cidades! E gosto mais de umas que de outras, é claro. Mas entre todas elas, as de que gosto mais são as minhas. As que eu criei. No Civilization, no SimCity e no Caeser.

terça-feira, setembro 14, 2004

Uma trupe tão gira

Foi com alegre surpresa que vi na televisão um conjunto de entrevistas feitas a fãs da Madonna. Mostraram vinís, gorros, bilhetes de concertos antigos e recentes, bugiganga variada, enfim, um sortido de peças valiosíssimas! A excitação era o denominador comum, contagiante e colorida, que resultava em espontâneas cantorias de hits da diva. Tão envolvente era essa alegria que chegou a contaminar os fleumáticos e exigentes jornalistas lusitanos! Veja-se que até um tipo australiano, bom dançarino por sinal, chegou às primeiras páginas dos jornais generalistas portugueses, tal foi a impressão que causou a sua devoção à Madonna! Uma trupe tão gira, essa dos fãs e dos jornalistas!

Quase 10800 Visitas!

O Meia Livraria está todo contente! Faltam menos de 1000 visitas para chegar ao mítico número: 10800! Dá que pensar, tivéssemos nós, os humanos, 8 dedos em cada mão e seria 17000 o número mágico! Ainda bem que só temos 5,4.

sábado, setembro 11, 2004

11 de Setembro - A Luta Avança

Há precisamente 3 anos que dois aviões comerciais se despenharam nas torres gémeas do World Trade Center em Nova Iorque, desviados por terroristas suicidas, causando a morte a milhares de pessoas. Ao mesmo tempo, outras aeronaves eram desviadas por islamitas nos céus dos EUA, visando outros alvos, vindo igualmente a cair, levando a vida de mais algumas centenas de seres humanos.

Estes actos bárbaros ocorreram no dia 11 de Setembro de 2001, terça-feira. Acontece que, volvidos 3 anos, o dia 11 de Setembro é um sábado. Registe-se, ainda que sem excessiva euforia, o avanço que a luta contra o terrorismo registou neste período: Se o atentado fosse hoje, 11 de Setembro de 2004, muitas vidas seriam poupadas em relação ao assalto de 2001. É que há muito menos gente a trabalhar ao sábado e as torres teriam uma ocupação reduzidíssima, logo, as baixas seriam substancialmente inferiores.

sexta-feira, setembro 10, 2004

Precauções

Hoje é dia 10 de Setembro, véspera do "nine eleven" de má memória. E a propósito dessa efeméride andaram as gentes das rádios em busca da vox populi no jeito de quem caça pérolas com a certeza de sucesso. E se ouviram a Dona Cecília confessar que, desde o 11 de Setembro de 2001, tem tomado mais precauções, que tem andado mais alerta, de olhos mais abertos, se ouviram, dizia eu, a Dona Cecília partilhar os seus compreensíveis medos e métodos preventivos com a assustada população, então, quase que se pode dizer, e passo a monstruosidade, que valeu a pena.

quarta-feira, setembro 08, 2004

Só?

A Associação Portuguesa Maternidade e Vida (APMV) pediu ao Procurador Geral da República, o Inefável Moura, que mandasse prender de imediato a malvada Rebecca Gomperts! Repito: a APMV defende que Rebecca deve ser "detida de imediato"!

O Meia Livraria acha pouco e pede mais: Vague-se o Terreiro do Paço; Arrebanhe-se lenha; Acenda-se a fogueira! Queime-se a bruxa; Oremos ao Senhor!

segunda-feira, setembro 06, 2004

Os Marinheiros

Imagino como será a vida a bordo da corveta que vigia o nefasto barco do aborto, o comandante Ildefonso Pires, ou Adérito Assunção, ou Simplício Antunes, ou lá como se chama, deve estar ufano com esta sua nobre e difícil missão. A azáfama na sala dos radares deve ser mais que muita! O Mendes das 8 às 16, o Lopes das 16 às 24 e o Mendonça das 0 às 8, asseguram o controlo de todos os passos do inimigo. Na ponte, o Comandante Pires, coordena a sala de radares e o centro de lançamento de torpedos. O botão vermelho está a postos. Basta um gesto do Comandante e o botão é premido. O torpedo dividirá o casco da embarcação inimiga em duas partes aproximadamente iguais. Em menos de hora e meia nada restará do veículo do Mal. De joelhos, com um terço de quilo na mão, perto da sua boquinha delicada de lábios finos, o ministro fechará delicadamente os olhos e orará a Nossa Senhora, oferecendo-lhe o sacrifício dos ímpios.

Mais longe, nalguma inauguração de alguma casa do povo, o Senhor Presidente Almirante Américo Sampaio será posteriormente informado. Se algum dos seus assessores estiver em casa, a ver televisão.

Ditosa a Pátria que tais filhos tem.

domingo, setembro 05, 2004

Os Flamingos de Picasso

Na semana passada visitei a casa de Pablo Picasso em Málaga. Muito bonita e lindamente decorada com litografias do próprio dono, estava bem guardada por gente fardada e possuía no hall uma luzente placa de bronze com o nome dos reis João e Sofia! Mesmo assim, o que mais me impressionou foi a decoração do seu estúdio: em cima de um móvel estava um casal de flamingos embalsamados (ou empalhados)!

O intrigante de tudo isto é que, dois dias antes, estive no Parque Natural de Cabo de Gata - Níjar (costa de Almería), onde pude avistar ao longe uns quantos flamingos (ou semelhantes aves pernaltas, ornitologia e taxidermia não são especialidades da Meia Livraria) ainda por embalsamar. Falem-me agora em coincidências!


Ao fundo, em cima do armário, lá estão eles!

Desconfiança Blogosférica

Tenho este hábito: Desconfiar de todos os blogues com mais linhas de enlaces que de texto blogado. E quero cultivar nos leitores este espírito crítico e, não vale a pena escondê-lo, perspicaz.