sexta-feira, outubro 29, 2004

Aniversários

Poucas coisas serão tão patetas como comemorar aniversários. Poucas. E, por isso mesmo, não tenho o hábito de assinalar aniversários de blogues aqui no Meia Livraria. E, novamente por isso mesmo, não direi palavra sobre o aniversário do brilhante Rua da Judiaria. Ainda que por estes últimos tempos tenha passado as semanas por terras de Sabugal e de Belmonte.

E não direi como por lá se diz: Bem Haja, Nuno Guerreiro!

A Sibéria

Numa mina de carvão siberiana houve, esta semana, um tenebroso acidente que matou, pelo menos, treze pessoas e feriu mais de vinte. Vi as imagens desta catástrofe na televisão e, por mais que se repitam episódios deste tipo, não pude deixar de ficar surpreendido com o que vi: Ainda estamos em Outubro e já cai neve na Sibéria!

segunda-feira, outubro 25, 2004

Alinhamento

Aqueles que têm TV Cabo em casa, terão recebido na semana passada uma carta da TV Cabo, pois claro, com a inevitável continha. Mas, desta vez, trazia também uma pérola disfarçada de folheto informativo.

Essa circular visava o assunto: "Novo ALINHAMENTO de Canais no Serviço Analógico". Ao lê-la fica-se a saber que por estas razões e por aquelas, se altera o ALINHAMENTO dos canais, e por aí fora. E onde está então a pérola? Leia-se a última frase: "Continuamos a investir para lhe oferecer mais e melhor serviço. Por si, vamos ALINHAR com o futuro."

E assina: M. Cunha.

Não é preciso ninguém para ajudar o Meritíssimo Senhor Juíz? Leve o M. Cunha, da Direcção Geral de Marketing da TV CABO! E obrigue-o a ALINHAR!

sábado, outubro 23, 2004

Porque não?

E se o Presidente da República, nos seus tempos mortos, que ainda serão alguns, auxiliasse, no que fosse necessário, Luís Delgado? Sampaio seria valiosíssimo na laboriosa escolha da metáfora laudatória, do encómio elegante, para uso de Delgado nas suas lides de arauto e louvador-mor de Sua Senhoria o Primeiro Ministro Santana.

São conhecidas as técnicas literárias do Senhor Presidente! Ele podia ajudar! Assim, poupavam-se uns cobres, seguramente Sampaio não se importaria, receberia apenas o vencimento de Presidente. Aliás, ele não deve ter, sequer, livro de recibos verdes!

Resolver-se-ia o problema do Presidente. Mas, e os bolseiros universitários? Que apenas investigam sabe-se lá o quê e com que propósito? E que, às vezes, nem aulas têm que dar nem receber? Lembram-se dos incêndios? Lembram-se das matas por limpar? Já viram tudo: dois e dois são quatro, toca de limpar as matas, corja de calões! Com tanto tempo livre! E, de resto, como tão bem se pensava nos tempos em que Sua Santidade Sá Carneiro se alapava nos bancos da Assembleia Nacional, "Estudar para quê? Eu cá nunca estudei e sempre me soube governar! Estudar para burros, é o que é! Vão mas é limpar as matas!"

Deixo humildemente estas duas sugestões e espero que Sua Senhoria o Santana me leia a Meia Livraria e se, um destes dias depois da sesta, ainda que se não lembrando de onde lhe vieram as ideias, alvitrar à comunicação social qualquer um dos meus desvairados aventamentos, então terá valido a pena ter vivido!

E cá vai, para finalizar, a minha divisa: "Deus primeiro, a Pátria depois e, logo de seguida, muito perto da segunda, a Família."

quinta-feira, outubro 21, 2004

Pastelarias

Numa pastelaria moderna, algures no centro do Sabugal, um tipo de pêra branca e chapéu flácido mirava, sonolento, um bloco de notas de capa preta. Na mesma mesa, uma senhora de gola alta, roxa como as luzes da pastelaria, roxa a gola e a camisa, claro fique, não a senhora que por estas bandas são sempre as senhoras brancas e de róseas faces, olhava fixamente, por trás dos enormes óculos, com a cabeça estranhamente enfiada dentro de um cordão dourado, mirava, dizia eu, a vitrine dos bolos. Alguns bem vistosos, aliás. Ao balcão, de pé, sorvi um café em chávena fina, muito bem tirado. De onde se tirou não sei, sei que não dos pedregosos lameiros da beira longínqua.

domingo, outubro 17, 2004

Emocionante

O Mundo inteiro aguarda com ansiedade pelo final do encontro. Quem vencerá? A prova está ao rubro, ontem quase se resolvia, mas não, há que esperar por segunda-feira. Como passar este domingo? Cá me arranjarei, mas mal posso esperar pela última partida do match Kramnik-Leko, que determinará um dos finalistas do há muito esperado campeonato do Mundo de Xadrez reunificado. (Desde 1993)

Tenho a certeza que por este Portugal fora não se falará hoje de outra coisa!

quinta-feira, outubro 14, 2004

Prodigioso!

Ontem aconteceu, no estádio Alvalade XXI, algo de absolutamente inesperado. Algo que só acontece de 20 em 20 anos! Uma vitória da equipa da casa frente a um adversário de peso por 7-1!

7-1 no Alvalade XXI. Rima e deixa 4 000 000 de portugueses radiantes e cerca de 6 000 000 moderadamente satisfeitos (parece que os ouço, Chegavam 6... ou, Se fossem 8 era melhor...).

quarta-feira, outubro 13, 2004

Saloio

Tempos houve em que um tipo, só por ser saloio, sofria as mais atrozes humilhações, era alvo de chacota mais ou menos discreta, enfim, passava uns maus bocados às mãos dos da cidade. Esses tempos acabaram e a prová-lo esteve o comunicado de segunda-feira efectuado pelo Saloio. Com a fita no pulso e discurso de taberna, o Saloio ultrapassou-se, nisto imitando a selecção de todos nós no passado sábado. E mesmo mostrando-se assim, tão parolo, o Saloio foi à televisão, foi levado a sério e filmado até ao fim. E visto por muitos que não ousaram fazer chacota!

sexta-feira, outubro 08, 2004

Prefiro as Pastilhas

Sentado num café, na vetusta vila de Sortelha, aguardava o meu "mojito". Entretanto, um ancião enrolava um charuto que não tinha só folhas de tabaco. Ele mirava-me de soslaio. Fingi que não o vi, ou melhor, fiz de conta que não percebi o que aquelas nodosas mãos faziam.

Momentos antes, um autocarro fretado pelo lar "Mayores de Nueva Roda de Alicante" avariara na A23. A pé, fartos de esperar pela reparação, um bando de 7 almas chegara ao café onde ainda esperava o "mojito". Uma senhora idosa, de manga cava, vinha no grupo e apresentava, com a marca nicorette, um adesivo de nicotina no braço direito, quase no ombro. Deve ser canhota, pensei. E perguntei-lhe pelos sucessos da panaceia, respondeu-me em espanhol, Com a placa não dá para comer as pastilhas. Compreendi e, cúmplice, dei-lhe o meu "mojito" que entretanto chegara. Adivinhou o que eu lhe perguntaria de seguida! Ainda assim, disse-lhe no meu melhor castelhano, Cara amiga, comigo, as pastilhas foram tiro e queda. Eu, como ela, prefiro as pastilhas de nicotina aos adesivos. Pedi outro "mojito" para mim e a Dona Escolástica, dona do estabelecimento, lá teve de sair novamente para apanhar outro punhado de hortelã.

quinta-feira, outubro 07, 2004

Prémio Nobel

Pois é, caro Antunes, ainda não é desta. O bairro de Benfica ainda vai esperar pelo menos outro ano pela merecida projecção Mundial. E a tasca do Manuel e a mercearia da Dona Joana também.

É Pena.

Parabéns Elfriede Jelinek!

terça-feira, outubro 05, 2004

5 de Outubro de 19 e 104

94 anos de república. 30 dos quais em democracia plural. E tudo isto para quê? Para termos o Sr. Almirante a fazer de Raínha de Inglaterra? O 5 de Outubro de Mil nove e cento e quatro é o mais negro das últimas décadas.

segunda-feira, outubro 04, 2004

Pontes

Até à data, a maior e mais dispendiosa obra do governo de Barroso/Lopes foi uma ponte. Foi a ponte de hoje. É ciência conhecida: Nada como umas pontes para espevitar a economia!

sexta-feira, outubro 01, 2004

Outra Tentativa

"Só a falta de vento o aborrecia verdadeiramente. A um homem do litoral, nem mar, nem luz, nem gente, nem som, é o vento que lhe custa deixar. Nem amigos, nem família, nem a noiva que deixara de o ser, lhe faziam tanta falta. Nem mesmo os cafés onde bebia hoje e pagava amanhã o fariam percorrer as estradas que o separavam da grande urbe. Nem mesmo o Snack-Bar do Maneta!"

Irra!