segunda-feira, janeiro 03, 2005

Um Conto de Natal (4)

Na manhã do dia seguinte o grupo encontrou-se na oficina da firma "Mabé". Os da casa chegaram naturalmente primeiro. Logo chegou Alfredo e pouco depois Silveira, que trazia consigo três novos elementos para o combate que agora se desenhava. E foi um desses homens, recrutados por Silveira, o Lopes, que de imediato se apresentou dizendo: "Sou o Lopes e sei como vamos resolver o problema. Nada de violências nem de sabotagens. Combater-se-á o fogo com mais fogo". E porque sempre que se termina uma frase com gotas de sabedoria popular todos acatam o que nela se disse, e porque desta vez não foi excepção, os presentes acomodaram-se o melhor que puderam e prepararam-se para ouvir o que Lopes tinha para dizer.

Não havia água que lavasse tanto unto, de tanto frito, e Lucinda afadigava-se em vão para me desmentir. Mas nada feito. Resignada, saiu de casa mesmo assim, buscando mais óleo e mais farinha para um novo dia de trabalho. Arreliada com o unto e preocupada com o Alfredo fez-se à mercearia, esquecida até do avental que exibiu pelas ruas.

Todos concordaram com Lopes. Silveira, tomando a liderança, afirmou "Comecemos de imediato a construir a Roda!" Apoiado na imagem da Roda que Lopes trouxera, Barnabé, homem habilidoso para o desenho, esboçou o projecto, todos contribuiram, todos participaram e, pela hora de almoço, todas as tarefas necessárias estavam distribuídas.

Tudo estava a postos para que, na penúltima segunda-feira do ano, pela manhã, se levasse a Roda já pronta para a entrada da fábrica. Nada poderia falhar, e nada falharia. Ainda que restasse menos de uma semana para concluir o trabalho. A sua determinação seria bastante.

3 comentários:

mfc disse...

E... amanhã cá estaremos!

Anónimo disse...

Olha lá Claudio, nao estas a pensar em manter a malta em suspenso durante muito tempo, pois nao?

homem das neves

Francisco disse...

O Silveira que tomou a "liderança" podia ter dito:

-Há quatro anos que andamos com isto, eu não consigo resolver os mesmos problemas de sempre e como tal...vou-me embora.