sexta-feira, março 11, 2005

A Bancada Central

Numa destas sextas-feiras, atravessando o país na A23, chegadas as oito da noite, ouvidas as notícias na TSF, surgiu-me "A Bancada Central". Um senhor muito canastrão falava de forma muito canastrona e pediu a um outro senhor a que chamava "poeta" que declamasse. E foi então que ouvi alguns dos mais belos versos da minha vida: "A Balada do Vérilaite". Vieram-me as lágrimas aos olhos com algumas das rimas "nada fazia (...) praça da alegria (...) vérilaite levou(...) federação não pagou (...)". O esquema poético, simples na aparência, quadras de rima ora emparelhada, ora cruzada, suporta a temática do futebol (e não só, falava-se de Joaquim Agostinho ("O nosso Joaquim Agostinho (...) na subida ligeirinho (...)") e de Carlos Lopes: "O Lopes magrinho (...) na subida ligeirinho (...). Mas é o futebol a grande paixão deste poeta! "No relvado mole (...) jogava-se bom futebol (...)".

Foi um prazer muito grande,
Um enorme conforto espiritual,
Ouvir a bancada central,
Esperando por uma sande;

Ouvi ao conduzir o automóvel,
Mais companheiros de bancada,
O programa escutei imóvel,
Fiquei até com a alma inchada.

2 comentários:

Anónimo disse...

Ai a falta que eu sinto
do meu lindo país
dos enchidos e do vinho tinto
das moelas e dos pipis

Somos pobres sem vintém
e já perdemos Macau
temos Benfica e Sportém
e poetas a dar com um pau

Somos malta de bigode
bonita e genial
leiam este blogue
oiçam a bancada central

Anónimo disse...

Vivam os pobres e os ricos
e a malta das barracas
o que interessa é sermos bonitos
e pintarmos as matracas

Oh meu bom senhor das Águas
Manda chuva, aos montões
Vamos lavar as nossas máguas
E jantar a Covões

Sou maluca ou marada
Tenho uma vida de agitação
Vou ficar aqui parada
É já uma tradição

É uma contradição, sim senhor,
Quero lá saber disso
Quero passar e tenho pavor
Merda para este passadiço