quarta-feira, março 23, 2005

Togo (1)

Com pás e picaretas, carros de mão e largos cestos de vime, arrastaram para longe a terra e o lodo que retiraram do buraco. Eram dezenas de trabalhadores para tão pequena obra. A braço, descarregaram sacas de mágicos polímeros que depositaram na cova tão a custo aberta, agora cheia de água. Para a encherem, rolaram barris, cheios de água do rio com o auxílio de um balde, rolaram mais barris, agora meios de água do rio, e acabaram de encher a cova a balde. Não podiam os braços com mais. A estranha reacção que faziam os polímeros na água maravilhava os homens e as mulheres do Togo. Com grandes pás, calçando barbatanas e valendo-se dos intrumentos que improvisavam, esforçavam-se por manter a mistura agitada, garante de sucesso posterior. Se a lama não ficasse bem mexida, de nada serviria. Ainda que fossem iletrados, os do Togo sabiam muitas coisas e esta era só mais uma.

(Continua)

1 comentário:

Francisco disse...

Mais um moeda, mais uma volta, mais uma novela.

Pelo menos não é o futebol.