domingo, março 27, 2005

Togo (2)

Inchado, com a tez de um camarão cozido, o capataz, um rubicundo checo carregado de pústulas e de careca luzidía, olhava enfadado para a azáfama em redor do buraco. O calor era tanto que o checo tentava respirar mantendo o imenso abdómen estável, para que não descolassem as costas dele das da cadeira de palha onde se sentava. Era doloroso aquele processo de colar e descolar. Sempre estavam mais frescas as costas inundadas de suor quando solidárias com a cadeira. Não havia dinheiro que chegasse para pagar esta aventura, pensava muitas vezes o checo. E sempre que isso lhe ocorria, chamava um dos seus rapazes e gritava-lhe no dialecto local, Traz-me um gin tónico, meu rapaz! Dissessem o que dissessem, o paludismo ria-se à grande do gin tónico, mas não eram esses efeitos terapêuticos que buscava o europeu. Eram os outros.

(Continua)

1 comentário:

Francisco disse...

Isto anda um pouco depressivo, não?
se calhar e melhor falares de futebol?