quinta-feira, abril 28, 2005

Fortunas

Os seus olhinhos, muito juntos, examinavam cautelosamente o papel. Lia devagar, nunca tivera gosto pelos livros, sempre preferira o ar livre, as brincadeiras com os amigos, o jogo da calhoada, do "lá vai alho" e jogar à bola. Aborrecia-se quando estava em casa, no seu tempo não havia televisão nem desenhos animados, e nunca lá entrara um jornal, muito menos um livro. Lia devagar, mas tinha visão apurada! Quando catraio, não havia ninho que lhe escapasse, por mais densa que fosse a ramagem. Depois de localizado o ninho trepava, ágil como um macaco, pelo tronco da árvore e, em dois tempos, estava o ninho no chão. Era assim que se divertia, imaginando o que pensaria o pássaro ao voltar! Tinha muita imaginação, apesar de ler pouco, era um sonhador.

Já crescido, sonhava ter um carro potente e uma casa grande. Era vivaço e facilmente fez fortuna no ramo das pavimentações betuminosas. Realizara os seus sonhos e era agora um homem satisfeito.

Releu o papel. Era um aviso da polícia. Rasgou-o em pequenos pedaços, fez as malas, entrou no carro potente e arrancou. A curta distância, o motor de um carro menos potente soou. Lá dentro, dois homens conversavam amenamente enquanto se preparavam para perseguir, e apanhar, o sujeito.

8 comentários:

Anónimo disse...

Olá!! Temos post magnífico (uma vez mais)!!
Terá continuação?

Abraço forte,
Pedro Farinha

Anónimo disse...

Olá!! Temos post magnífico (uma vez mais)!!
Terá continuação?

Abraço forte,
Pedro Farinha

Anónimo disse...

Olá!! Temos post magnífico (uma vez mais)!!
Terá continuação?

Abraço forte,
Pedro Farinha

Anónimo disse...

Eh pá, temos post magnífico (uma vez mais)!
Terá continuação?

Abraço,
Pedro Farinha

olga disse...

Gostei do início. Promete!!
Acho que não terei de dar ideias para este.

Leonor disse...

Desta maravilhosa história apetece-me retirar elações práticas: diria que só aos letrados se deve permitir ter sonhos, que às crianças que nascerem com os olhos juntos se deve de imediato desincentivar a subir às arvores, que os melhores carros são conduzidos por gente estupida e que a polícia continua a conduzir carros de merda...
Isto é uma história, eu sei, mas hoje, especialmente, sinto-me um pouco palhaça.
Aconselho que escrevas a vida do "sujeito" na prisão. Suas amizades, suas desavenças, os seus sonhos.

Cláudio disse...

Este texto está terminado e pretende revelar de forma curta e explosiva o Mito da Mãe de Todos os Males: A Ignorância. Humildemente, está claro!

olga disse...

Confesso que ao ler estes comentários, me sito uma grande Mãe... :(