terça-feira, maio 31, 2005

Não!

Os franceses disseram não ao tratado constitucional. Por pouco, é certo, mas disseram não. Não à política interna de Chirac, não às deslocalizações das empresas para Leste, não ao tratado em si, não à Europa, não à carestia de vida, não ao desemprego, não à selecção de futebol francesa, não à programação televisiva do seu país, não aos massacres no Darfur, não à fome no Mundo e não à guerra.

Os seus ideais foram mais fortes! Todos os homens franceses são iguais! Todos os homens franceses são livres! Todos os homens franceses são solidários com os outros homens franceses!

A França disse sim à França e não à Europa. O grande problema é que a França ainda pensa que é a França e isso é duplamente preocupante. Por um lado, se realmente ainda existe a França, então não pode existir Europa Una e Indivísivel. Portugal, a Letónia e a Eslovénia podem ser o que são, ser europeus, e tudo está bem, nada há que o impeça, as suas identidades nacionais em nada beliscam a Grande Pátria Europeia. O caso francês é absolutamente distinto. A existência orgulhosa e nacionalista de países como a Alemanha, a Inglaterra e a França é precisamente o oposto do conceito europeu, é a sua antítese. É a génese de todos os males, crónicos, deste continente.

Repete-se sempre a mesma história: Uma pequena crise económica gera nestes países a estigmatização acéfala dos nacionalismos idiotas, aparecem os partidos de extrema direita, agiganta-se a esquerda folclórica e trauliteira. Enfraquece-se consequentemente a democracia com estes avanços niilistas, com os efeitos do costume: intolerância, acentuamento do declínio económico, falta de confiança generalizada, surgimento de conflitos e guerra.

Se, por outro lado, a França realmente não existe, então o caso ainda é pior. Se até lá, na grande França, se deixa fugir o bem estar social, os direitos adquiridos e até as liberdades, o que acontecerá aqui, em Portugal, eternamente sentado no chão, atrasado e rural, com a mão direita estendida?

3 comentários:

O Micróbio disse...

Deixa-os lá ficarem com o "Não"... têm direito à diferença... :-)

Francisco disse...

"Allons, enfants de Patrie,
Le jour de gloire est terminé"

Carlos Barros disse...

e o holandeses também. e nós vamos atrás...hihihih