segunda-feira, julho 11, 2005

Terrorismo

Londres teve uma nova oportunidade de mostrar ao Mundo o que o Mundo já sabia: Os londrinos são as pessoas mais calmas e civilizadas do Planeta. Após os atentados da passada semana, lá estavam eles, os londrinos, em fila indiana, aguardando pacientemente a sua vez de escapar ao flamejante inferno em que os míticos túneis do metropolitano se transformaram.

Por todo o lado, na parte civilizada do Mundo, claro está, surgiu a interrogação: E se fosse aqui? Seríamos capazes de reagir da forma ordeira e exemplar dos cidadãos de Londres?

Um pouco por toda a parte, vão-se tomando medidas: Em Pau, Sul de França, duplicaram-se as rondas dos gendarmes pelas imediações do seu belo jardim muncipal, prestando especial atenção às casas de banho públicas, posicionadas por baixo do mesmo jardim, alvo fácil e evidente para a colocação de uma carga explosiva capaz de rebentar latrinas por baixo e bancos de jardim por cima, some-se este devastador efeito a uma soalheira manhã de domingo, com o jardim apinhado de gente, e veja-se o que dá.

Também em Inguias, concelho de Belmonte, as necessárias precauções avançam: as silvas por baixo do tabuleiro da sua famosa ponte serão ainda antes do fim do Verão removidas, de forma a mais facilmente se poder detectar qualquer objecto estranho que contenha a monstruosa carga explosiva. Assim que o Sr. Oliveira, manobrador de rectroescavadora da Junta de Freguesia das Inguias, regresse de férias, será essa a sua primeira e fundamental tarefa. O combate ao terrorismo assim o exige.

Na Noruega, em 00en4sen, o sistema de levantamento de livros da biblioteca local está a ser rigidamente alterado. Cada leitor poderá agora levar apenas dois volumes e deverá devolvê-los espaçadamente, distando a data das devoluções de um período não inferior a seis dias, de forma a que os serviços possam analisar cuidadosamente cada um dos livros. Também as devoluções de livros dentro de embrulhos passaram a ser rigorosamente proíbidas.

Acima de tudo, o Mundo prepara-se para o pior, mas nunca, mesmo nunca, alterará os seus modos de viver e o pleno respeito pelas liberdades individuais e colectivas. Por isso mesmo, em Lanfratini, Sul de Itália, as cobranças mais dificeis, antes feitas com um célebre procedimento, a saber, o depósito de uma cabeça de porco à porta do devedor, são agora feitas com apenas um dos hemisférios da dita cabeça, de modo a que nenhuma carga explosiva seja ocultada no espaço onde antes estava o cérebro do animal

2 comentários:

Karin disse...

és terrivel! e ainda assim tens razão :)

Anónimo disse...

Saudações :)
stela