terça-feira, agosto 09, 2005

Catástrofes Naturais

Chove hoje em Portugal. Há poucos dias, ardia o país de Sul a Norte, sem perdão, levando concelhos inteiros na gigantesca voragem das chamas. Pombal desapareceu do mapa, a Beira Alta transformou-se num imenso amontoado de cinzas, magros milhares de bombeiros desunharam-se, impotentes, com os seus pequenos carros de brincar, mirando de baixo as chamas, fugindo, rodeando, cercando, sendo cercados, atacando aqui, defendendo acolá, dando o couro à refrega sempre perdida. Tudo quanto quis o fogo queimar, queimou.

Poder-se-ia tratar de uma calamidade natural, ou assim pareceria, mas não. Nada há de natural nesta tragédia. O desordenamento territorial, a selvajaria analfabeta dos poderes autárquicos, inábeis e incapazes de gerir os seus espaços, permitindo construções no meio de pinhais, cedendo a tudo e a todos, em troca de umas esmolas para construir rotundas que consomem num ano a água bastante para que tudo se apagasse na zona centro. São essas as nossas calamidades naturais.

A patética justiça portuguesa contribui também para o massacre, soltando no mesmo dia um incendiário apanhado em flagrante para que, no dia seguinte, incendeie outra mata, sendo outra vez apanhado e outra vez solto pela Senhora Doutora Juíza. A cretinice desta Juíza compete apenas com a dos jornalistas apresentadores de noticiários televisivos que, após o anúncio com voz séria das "lavradelas" incandescentes, noticiam, com sorriso imbecil e beatífico, o bom tempo para o fim de semana que chega: Nem uma nuvem no céu, diz o idiota, feliz como um lobotomizado. Pelo menos esta calamidade não tem efeitos tão perniciosos como as outras, mas consegue rebentar-nos com a fé nos homens.

Chove em Portugal. Apagam-se os incêndios por hoje mas, se parar de chover amanhã antes de almoço, ao final da tarde arderá de novo o país. E se tivermos o azar de se prolongar o "mau tempo" por uma semana, veremos seguramente nos telejornais a inevitável notícia: Três aleias no Ribatejo estão isoladas, prejuízos incalculáveis, colheitas perdidas no Alentejo e no Vale do Douro. Não pingará uma gota de vinho do Porto.

3 comentários:

meiekita disse...

E enquanto isto, o nosso primeiro, o tal de Sócrates, encontra-se num belo safari...

Ah rica vida! E assim se defende a nossa terra!

O Micróbio disse...

O mais curioso é que em 2003 culpava-se o governos, agora a culpa é de todos excepto do governo... :-)

Francisco disse...

A chuva pela manhã não foi lá muito agradável para mim. Estava na Costa de Caparica e bom...tive de ir fazer praia para o carro. Depois foi engraçado as pessoas todas a tentar sair da Costa e como os acessos são bons...houve um engarrafamento...de loucos.

Todos sabemos quais são as soluções para os fogos: limpeza de matas, ordenamento do território, blá, blá , blá...até os jornalistas lobotimizados as sabem de cor e salteado...só falta é cumprir.

É como a panaceira da educação à 150 anos que todos os nossos problemas se irão resolver se investimos em educação de um modo planeado...só falta é o plano.