segunda-feira, setembro 19, 2005

Um Rebuçado

"Uma vez um rapazinho de oito anos contou-me que tinha afogado a irmã pequenina no Paraná. As pessoas julgavam que ela escorregara nos penedos. Ora o rapazinho explicou-me que a menina comia muito e que ficava pouca comida para ele. Pouca mandioca!

_Deste-lhe um rebuçado?

_Dei. E três ave-marias como penitência."

Assim respondeu o Padre Léon Rivas a Charley Fortnum, O Cônsul Honorário de Graham Greene. Brilhantemente traduzida, na edição que cito, por Maria Ondina Braga, de Braga, trata-se de uma obra onde o embate entre a colossal ideologia revolucionária e a esmagadora fé católica se manifesta em todas as linhas, por todos os poros de uma aparentemente simples história de raptos e polícias, com revolucionários pelo meio.

À venda, por tuta e meia, em toda a parte.

2 comentários:

mfc disse...

Graham Green é um dos meus autores de mesinha de cabeceira.
É genial no que respeita ao tratamento dos sentimentos.

O Micróbio disse...

"Tanto os indivíduos como os acontecimentos são vistos como instrumentos de uma vontade superior e reflectem os intensos problemas religiosos do autor. Estes tornam mais estimulante o distanciamento, o autocontrole e o severo e sorridente pudor intelectual da escrita e a moralidade do romancista"...