sábado, novembro 05, 2005

Juventude e Veterania

Há dias falei aqui da vitória do jovem Wang Hao no Torneio Aberto de Kuala Lumpur. Trata-se de um rapaz de 15 anos, que ainda não tinha o título de Grande Mestre (atribuído pela FIDE de acordo com um conjunto de critérios definido) e que o ganhou nesta prova.

Confesso que me sinto um pouco irritado quando a canalhada imberbe vinga, ainda que episodicamente, no circuíto internacional de Xadrez. É certo que neste caso se trata de um torneio aberto, onde as hipóteses de surpresa são mais prováveis, mas penso que estes acontecimentos descredibilizam de alguma forma o Nobre Jogo.

Crianças prodígio, máquinas que jogam Xadrez, são números de circo, tal como o torneio Melody Amber jogado anualmente no Mónaco, patrocionado pelo milionário pai de uma menina chamada Melody Amber (!) em que parte da elite mundial joga umas partidas às cegas e umas rápidas. Toda essa parafernália circense contribui para que uma boa parte da Humanidade veja o Jogo como uma excentricidade, deixando de ver a grande contribuição que o Xadrez pode dar, e dá, para o desenvolvimento das capacidades intelectuais e carácter dos seus praticantes.

Aos grandes campeões Gary Kasparov e Anatoly Karpov nunca puderam os euros do Sr. Amber comprar números de circo.

Amanhã desenvolverei o tema das crianças prodígio seguindo um recente artigo publicado por Kasparov na publicação New in Chess.

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