sábado, julho 30, 2005

Adágio Intraduzível

Vive a tua vida como se não houvesse daqui a oito.

sábado, julho 23, 2005

Uma Troca

Deitado na praia há um par de horas, apertou-me a fome e atacou-me a sede. Desprevenido, sem nada que se comesse ou bebesse, olhei para o lado onde uma mulher com uma mão cheia de filhos se afadigava a distribuir bolinhos, maçãs e pacotes de leite vitaminado. Invejoso, olhando faminto para as belas maçãs, lembrei-me de uma velha campanha que vira no dia do não fumador e tentei: "Minha senhora, não me trocava uma dessas belas maçãs por este lucky strike?"

Enquanto eu mitigava a fome com o fruto, a senhora regalava-se, de olhos fechados e alma apaziguada, fumando o seu cigarro.

domingo, julho 17, 2005

O Senhor Paulo Trindade e o Raio que o Parta

Paulo Trindade, da Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública, anunciou com mal disfarçado orgulho e comoção na voz que os efeitos da greve da função pública foram excelentes. Ufano, começou por dizer que 95% do lixo ficou por recolher. Claramente orgulhoso disse ainda que a maior parte das consultas externas dos hospitais ficaram por realizar e, alegria das alegrias, até os blocos operatórios, quase todos, pararam! Estava feliz, o Paulo Trindade.

Eu também estaria feliz, Paulo, quase tanto como você está, se o meu bom amigo precisasse de um daqueles blocos operatórios para lhe desencravar o intestino. E, graças à greve, a tivesse de aguentar mais uns dias. Até que o governo cedesse, claro!

segunda-feira, julho 11, 2005

Terrorismo

Londres teve uma nova oportunidade de mostrar ao Mundo o que o Mundo já sabia: Os londrinos são as pessoas mais calmas e civilizadas do Planeta. Após os atentados da passada semana, lá estavam eles, os londrinos, em fila indiana, aguardando pacientemente a sua vez de escapar ao flamejante inferno em que os míticos túneis do metropolitano se transformaram.

Por todo o lado, na parte civilizada do Mundo, claro está, surgiu a interrogação: E se fosse aqui? Seríamos capazes de reagir da forma ordeira e exemplar dos cidadãos de Londres?

Um pouco por toda a parte, vão-se tomando medidas: Em Pau, Sul de França, duplicaram-se as rondas dos gendarmes pelas imediações do seu belo jardim muncipal, prestando especial atenção às casas de banho públicas, posicionadas por baixo do mesmo jardim, alvo fácil e evidente para a colocação de uma carga explosiva capaz de rebentar latrinas por baixo e bancos de jardim por cima, some-se este devastador efeito a uma soalheira manhã de domingo, com o jardim apinhado de gente, e veja-se o que dá.

Também em Inguias, concelho de Belmonte, as necessárias precauções avançam: as silvas por baixo do tabuleiro da sua famosa ponte serão ainda antes do fim do Verão removidas, de forma a mais facilmente se poder detectar qualquer objecto estranho que contenha a monstruosa carga explosiva. Assim que o Sr. Oliveira, manobrador de rectroescavadora da Junta de Freguesia das Inguias, regresse de férias, será essa a sua primeira e fundamental tarefa. O combate ao terrorismo assim o exige.

Na Noruega, em 00en4sen, o sistema de levantamento de livros da biblioteca local está a ser rigidamente alterado. Cada leitor poderá agora levar apenas dois volumes e deverá devolvê-los espaçadamente, distando a data das devoluções de um período não inferior a seis dias, de forma a que os serviços possam analisar cuidadosamente cada um dos livros. Também as devoluções de livros dentro de embrulhos passaram a ser rigorosamente proíbidas.

Acima de tudo, o Mundo prepara-se para o pior, mas nunca, mesmo nunca, alterará os seus modos de viver e o pleno respeito pelas liberdades individuais e colectivas. Por isso mesmo, em Lanfratini, Sul de Itália, as cobranças mais dificeis, antes feitas com um célebre procedimento, a saber, o depósito de uma cabeça de porco à porta do devedor, são agora feitas com apenas um dos hemisférios da dita cabeça, de modo a que nenhuma carga explosiva seja ocultada no espaço onde antes estava o cérebro do animal

quinta-feira, julho 07, 2005

História Cor-de-Rosa ou Togo (6)

Era uma vez um príncipe do Mónaco que namorou durante anos uma moça, hospedeira, natural do Togo. Engravidou-a e é hoje pai de uma bela criança de lindos caracóis com dois anos.

Como não casou com a moça togolesa, não poderá a criança ostentar o sobrenome Grimaldi. Para desgraça dos bloquistas, não haverá finalmente um chefe de estado europeu mulato. São episódios destes que fazem a história do nosso amado Togo.

terça-feira, julho 05, 2005

Religião e Capital

O tecido produtivo e comercial das sociedades tem um papel decisivo na religiosidade dos cidadãos. É obscena esta ligação, é certo, é seguramente polémica e será negada com veemência pelos CEO das multinacionais. Mas perante as evidências, nada há a fazer.

Tome-se o meu exemplo. Sou moço de fraca fé, pouco dado à doutrina do Senhor e li, sem nada compreender, parte do Envangelho. Mas gosto do Natal. É sabida a grande mobilização da economia das nações nesta efeméride, e essa mesma actividade, pouco religiosa, levou-me, desde a infância, a contar, assim que caiem as primeiras folhas, os dias que faltam para o Natal.

No que respeita à religião quotidiana, militante, há, infelizmente, um grande défice de investimento. Há um lamentável afastamento do Capital a Deus. A coisa até se resolvia facilmente: Se na quadra natalícia posso comer um Pai Natal de chocolate, porque não posso eu comer um bolicao em forma de Menino Jesus na bucha da manhã?

sábado, julho 02, 2005

Concertos

Hoje ninguém anda pelos blogues. Estamos todos de olhos pregados na televisão, assistindo ao espectáculo Live 8. Podia ser pior, podíamos estar de olhos no concerto que os Queen dão hoje em Lisboa. Já vieram os Doors, agora os Queen... para quando os Joy Division? Ou a Janis Joplin?


Live 8. Visto por 5 biliões de pessoas, segundo Margarida Pinto Correia. 800 vezes mais que a população do planeta Terra.

sexta-feira, julho 01, 2005

Trabalhos

Francisco José Viegas recupera o ancestral significado de trabalho e, por razões sinistras que desconheço, tem agora um suplício monstruoso: Ler o Paulo Coelho... Todo! Que pestes terá o de Aviz trazido às gentes? Que águas terá inquinado? Que campos salgou? Que horrível segredo o obriga a tamanha atrocidade?

Por razões de trabalho, estou a ler Paulo Coelho. (...) O primeiro deu-me vontade de queimá-lo; o segundo, de rir. O Alquimista não volto a ler, recordo bem as consequências funestas. (...) Tenho dúvidas sobre o resultado desta semana e meia de dedicação a Coelho, mas a vida não é fácil.

À infausta tarefa, Viegas chama: Esfolar o Coelho!

Desejo boa sorte ao homem que, pelos vistos, não a tem... Coragem!