quinta-feira, março 09, 2006

O Cavalheiro

No restaurante, o cavalheiro que acabara o prato principal da refeição, chamou o empregado, sujeito muito simpático, e pediu-lhe, para sobremesa, uma laranja. O empregado, minutos depois, apareceu com uma laranja descascada e cortada às fatias, pedindo-lhe, acto contínuo, o cavalheiro um pacote de açúcar. O empregado, mantendo-se simpático, trouxe o pacote de açúcar mas advertiu que uma laranja daquelas, tão docinha, teria tanta necessidade de açúcar como de água o mar.

Assim advertido, o cavalheiro esboçou um sorriso e, ao ver as costas do empregado, provou uma pequena rodela do sumarento fruto. Amarguíssima, concluíu o cavalheiro que pegou sorrateiramente no pacote de açúcar e o espalhou com destreza sobre os discos de laranja.

Concluída a operação, ocultou o pacote vazio e, chamando de novo o empregado, pediu-lhe café. Chegada a chávena de café, que o cavalheiro bebeu sem açúcar, trocou os pacotes, pondo o vazio no pires do café e o cheio junto ao prato da laranja. Pedida a conta, comentou com o empregado: "Era, de facto, dulcíssima, esta laranja!"

Satisfeito, o cavalheiro despediu-se do empregado, que lhe retribuíu o gesto cortês.

6 comentários:

olga disse...

Há verdades que n valem a pena ser demonstradas desde que, na nossa mentira, sejamos mais felizes!!

Cláudio disse...

Sem dúvida!

Anónimo disse...

O Cavalheiro consegue tomar o café sem açucar e a laranja... devia de ser ácida :)))

Antônio Alves disse...

Genial a forma como você trata o cotidiano, a dicotomia verdade-mentira, que pode acabar sendo homogêneo de acordo com a perspectiva. Responda-me: de onde surgiu o outro pacote? Abraços.

Cláudio disse...

Caro Antônio,

Rosado pelo elogio, esclareço que veio um pacote com a laranja e outro com o café. Café bebido pelo cavalheiro sem açúcar.

spirito disse...

Dulcíssima é esta tua forma de espelhar o que todos poderiamos fazer para tornar mais agradáveis os dias. Mas uma pergunta subsiste. Porque é que comem laranja com açúcar?