sexta-feira, abril 14, 2006

A Páscoa

Continuando a trabalhar na minha profunda e muito desejada análise do obra "A Peste", que prometo reatar, vou agora mudar de registo, adaptando assim o Meia Livraria ao carácter fragmentário do seu autor. Vou falar novamente da auto-estrada A1, que liga Lisboa ao Porto!

Sendo certo que esse tema é pedra basilar deste espaço, há muito que por cá não aparecia. O leitor perguntar-se-ia, intrigado: Será que o Cláudio ficou sem carta? Descanse o leitor, sempre ávido de histórias da A1, que ainda tenho a carta de condução, pesem embora duas contra-ordenações graves por excesso de velocidade, que exibo com orgulho parolo a quem quer que comigo fale de multas e polícias e brigadas e coisas quejandas.

Ombreando com o futebol, o tema "Estrada" é o tipo de conversa que desbloqueia os habitualmente entupidos canais de comunicação verbal entre os homens. "Então o nosso Sporting?" pergunta um. "Uma desgraça!" responde outro. "Não falemos disso então... Olha, sabes que há bocado, ali no nó da A13, estava um gajo encostado à berma! Os tipos da brigada vinham num BMW azul escuro carrinha!". E a conversa segue, trocando-se avistamentos de Audis pretos e radares ocultos em arbustos e rotundas sempre com a guarda à coca de balão em punho. "Quando um gajo bebe uns copos, o melhor é ir pelos cabos de Ávila..."

Não me esqueci do que ia a dizer sobre a mítica A1! Cá vai:

Ontem ao final do dia, ao rumar a Sul vindo de Coimbra, vi a Páscoa. Uma imensa lingua amarela, com centenas de quilómetros de comprimento. Dos pontos altos, vi-a claramente, longa e serpenteante, iluminando a noite que é sempre escura na A1! A língua movia-se silenciosamente levando os que fazem a vida ateia por terras de Lisboa e arrabaldes para a terra que se diz santa e onde a cruz aguarda, nas mãos do padre ou seminarista, pelos lábios, pintados uns, à sombra de bigodes outros, das nossas gentes. E essa língua longa, que se esconde por trás dos lábios que beijam a cruz, é, meus amigos, a Páscoa. É a morte de Cristo que veio para nos salvar.

3 comentários:

Bina Ladina disse...

Então tu dizes com muito orgulho que és um dos tais pecadores do excesso de velocidade?!
Já foste ter com o sr. Prior da Catedral de Alverca?
Na Catedral não fazem confissões?...

Mas é um facto, o futebol e a estrada são óptimos desbloqueadores de conversa como diria o Nuno Markl nas dentadas ao cão... mas eu ultimamente é mais os "Novos Pecados" e vilanias da Igreja - acho adequado para a época :P

rita disse...

por isso é q vou pela A8. visões do inferno: não obrigada.

olga disse...

Se é para nos salvar porque é que sinto que continuo sem salvação?? Há aqui algo q n bate certo!! E se começar a ir por outros caminhos?? IC 16? EN 10? Enfim... Outras vias...