terça-feira, dezembro 26, 2006

Cintos nos Comboios e o Teatrinho do Féria

Para quando cintos de segurança nos comboios? E cadeirinhas especiais, para crianças e adultos com menos de metro e meio? Para quando o uso obrigatório de capacete e botas de palmilha e biqueira de aço nos automóveis? A azáfama securitária está ainda muito aquém do desejado: Portugal tem de se civilizar. Em breve proibir-se-á o fumo em qualquer local fechado, público ou privado. Em breve terão os fumadores de carregar guizos ao pescoço para que a sua presença seja notada pelas gentes que assim se poderão precaver dos novos leprosos fugindo ou atirando pedras!

Aguardo com paciência o tempo, que não tardará, em que os passageiros do cacilheiro tenham de envergar coloridos coletes salva-vidas e galocha pelo joelho! O singelo peão terá de usar, sempre que saia de casa, o colete reflector e não apenas nas santas peregrinações a Fátima! Peregrinações que, por referendo, se tornarão compulsivas: assim o determinará a Santa Inquisição. Aos prevaricadores, ateus, biscaínhos e outros judeus, restar-lhes-á a correcção dos seus ínvios caminhos ou a purificadora e incandescente pira no Terreiro do Paço. Onde se juntarão às mulheres que façam o IVG! Findo o aroma a sardinha assada na falecida Feira Popular, venha o cheirinho a entrecosto na Baixa de Lisboa!

Em breve será La Féria o ministro da cultura e do entretenimento. Ou Berardo. Em breve se decretará ser cultura apenas o que é economicamente viável! Se Brecht tem cinquenta espectadores, se Féria enche casa atrás de casa, que conclusão se pode tirar? Evidentemente, Brecht vale menos que Féria! Ouçam o Rio do Porto e aprendam! Vejam o Féria no seu Politeama, confortavelmente sentados nas suaves cadeiras, com cinto de segurança, livres de fumo, seguros, quentinhos, com coletes reflectores, botas de segurança e bóias salva-vidas. Não vá o Tejo subir e inundar-lhes o teatrinho.

domingo, dezembro 17, 2006

Mais Dominicais

No Alverca-X, há mais do mesmo: Mais Dominicais! A infame história continua!

sábado, dezembro 02, 2006

A Lei e Marques Mendes

Um destes dias, Marques Mendes informou o burgo que votaria "Não" no próximo referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez. Tal como votou em 1998. Disse que não encontrou razões para alterar o seu sentido de voto. Admito que seja, para Marques Mendes, difícil, impossível, encontrar razões para alterar a lei. Admito até que seja difícil a Marques Mendes encontrar razões para alterar o que quer que seja.

Nada disto seria digno de nota... mas Marques Mendes avançou: é pena que a lei (que é tão boa) não seja cumprida! Esta é a opinião do líder do PSD! Destas inteligentes palavras conclui-se que Marques Mendes tenha pena de não ver as criminosas e ímpias mulheres que cometem o hediondo crime de interromper a sua gravidez atrás das grades! Tem pena que os médicos, enfermeiras e restantes cumplices não vejam agora o Sol aos quadradinhos! Tem talvez ainda mais pena de que brigadas pró-vida do puritano e muito nosso Portugal não invadam as sinistras clínicas de Badajoz e Madrid empunhando paus e atirando pedras! Tem muita pena, o nosso Marques Mendes.

Eu tenho muita pena também. Do nosso Marques Mendes. E, mais ainda, do nosso puritano Portugal. Que Deus nos ajude e guarde!