terça-feira, abril 10, 2007

O Curso de Sócrates

Anda meio Portugal azafamado com a eventualidade de José Sócrates ter um curso superior de duvidosa validade. Muito me espanta tal azáfama, devo confessar aos leitores. Conhecido por "Engenheiro", título outorgado apenas pela Ordem dos Engenheiros, Sócrates nunca o foi, sendo tal facto público e notório. Não sendo membro da OE, não é engenheiro. Seria apenas licenciado em engenharia civil. De resto, como nunca trabalhou (como engenheiro), nunca tal questão lhe terá causado grande transtorno.

Neste edifício, só como convidado ou visitante poderá Sócrates entrar...

Aquilo que se discute agora é absolutamente enigmático: Sócrates teria um curso de engenharia civil da UNI... Agora descobre-se que talvez tenha havido irregularidades nesse seu curso. Pensarão os cidadãos portugueses que isso tem alguma importância? Que diferença existe entre um curso de engenharia da UNI ou não ter qualquer curso? Pelo amor de deus! É indiferente!

O homem até se ajeita a parlamentar em São Bento, tem mão nos seus ministros, poderia ser um rico padeiro ou um excelente modista. É primeiro-ministro e foi eleito a votos. Engenheiro civil é que ele não é, nunca foi, e nunca sequer ninguém suspeitou que tivesse sido. Tendo sobre o assunto opinião isenta, mas avalizada, informo o leitor que, em Portugal, apenas uma instituição lecciona o curso de engenharia civil (vá, três... a FEUP e Coimbra também, ainda que timidamente): o Instituto Superior Técnico. Vale mais uma cadeirinha foleira de opção do Técnico que 56 da UNI e quejandas.

Deixem-se de pantominas e olhem lá para as maternidades e centros de saude que "eles" andam a encerrar! E para o custo dos remédios: as reformas do magro idoso vão inteirinhas para o bolso do anafado farmacêutico!




(E o resto é paisagem!)


Se querem ser engenheiros, estudem!

13 comentários:

Isabel-F. disse...

... o que está em causa não é ser licenciado ou não ...

o que está em causa é ter mentido a Portugal ...

ou não é???

Eduardo P.L. disse...

Claudio, independentemente dessa celeuma sobre a mentira do ano, quero cumprimenta-lo pelo bom gosto, no comentário hoje no blog do Francis! Concordo.

Francis C. Afonso disse...

Esta conversa sobre a forma como o Primeiro-Ministro obteve o diploma é conversa para boi dormir e disso percebo eu. Abraço

Cláudio disse...

isabel-f: uma mentirinha de nada, cara Isabel!;

eduardo p.l.: bom gosto e económico! Obrigado, Eduardo!

francis c. afonso: belíssimo assunto para perceber! Outro, caro Francis!

olga disse...

É só mais uma mentirita no meio de tantas, n entendo tanta surpresa. Em Angola ninguém se importa com as contradições do país e são felizes assim.
Isto é falta de hábito dos Portugueses, é o que é!!

Bina Ladina disse...

.. E eu que sempre julguei que tu eras do ISEL, ou na volta enganei-me o Paulão de Sacavém é que era do ISEL..
Mas sinceramente qual é a importância do homem ser ou não engenheiro?
Ele no cargo que desempenha actualmente safa-se bem, então qual é a crise?!
É tal e qual o que eu disse no meu blog - só neste país de aparências é que se dá importância a títulos em vez de acções e desempenho!
Coisas de gente pequenita demais que ainda liga a drs e engs antes do nome!

Cláudio disse...

Paulão de Sacavém? Estou sempre a ser confundido com o Paulão de Sacavém!! :)

O Raio disse...

O curioso é que o Sócrates até deve ter uma boa formação em Engenharia Civil. O curso do ISEC (Instituto Superior de Engenharia de Coimbra) tal como o do ISEL (de Lisboa) ou o do ISEP (do Porto) são cursos bastante exigentes embora só acabem dando o título de engenheiro técnico (bacharelato em engenharia).
Não duvido que o valor de um diploma do ISEC no mercado de trabalho seja muito superior ao do diploma de engenharia de uma tal Universidade Independente.
E o Sócrates, além do diploma do ISEC, ainda tem dez cadeiras da licenciatura no ISEL.
Os ataques que se fazem ao Sócrates ser ou não engenheiro são ridículas. Qualquer engenheiro técnico é tratado por engenheiro no mercado de trabalho.
O problema é outro, o problema é que o Sócrates para ter uma licenciatura beneficiou de favores de uma Universidade privada que se vê agora ser um grupo assim um pouco para o mafioso.
E, o que é ainda pior, é que o Sócrates não foi o único, as Universidades privadas estão transformadas em fábricas de diplomas e pouco mais.
O que não quer dizer que não existam bons alunos em Universidades privadas, quer dizer é que há por aí muita gente que tem um canudo onde diz licenciado e que foi um papel comprado que não atesta de nenhuma forma a capacidade do "licenciado" para exercer qualquer tipo de profissão.
No fundo estes ataques ao Sócrates poderão abrir uma imensa caixa de Pandora que acabará liquidando o ensino superior privado em Portugal. Ou, pelos menos, tirar-lhe toda a credibilidade.

Cláudio disse...

Uma observação muito pertinente e, infelizmente, certeira, caro raio!

Klatuu o embuçado disse...

Tás a pensar com que parte do cérebro?

Cláudio disse...

Estarei, caríssimo klatuu, a pensar com a parte do meio. Um pouco descaída para a direita, temo!

cidadão profissional disse...

Segundo a Wikipedia:
Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
The Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto is the engineering faculty of the University of Porto, in Porto, Portugal. With its origins in the 18th century, the institution became known as Faculdade de Engenharia in 1926. It belongs to the University of Porto and is among the highest regarded engineering schools in Portugal and in Europe.


claro que isto não é nada comparado com a "faculdade" de engenharia de Lisboa...

Cláudio disse...

A FEUP é das melhores, certamente... mas o Técnico... é um bocadinho melhor!