domingo, setembro 30, 2007

Santidades

Há uns dias veio a Portugal o Sr. Lama. Este homem, o Dalai Lama, é uma Santidade como outra qualquer: ao seu nível estão Bento XVI, Pinto da Costa, o Islão também terá a sua Santidade, mais que uma até, o Ayatola, etc. No entanto, este Sr. Lama tem um problema com a imperial China. Os nossos amigos chineses não gostam do Lama porque há o Tibete e a China é dona desse território. Se não houvesse Tibete, a China gostava tanto do Lama como gosta do Bento XVI ou do Pinto da Costa ou mesmo do Eusébio. Ou até do Mourinho. Mas, infelizmente para o Sr. Lama, há Tibete. E há Tibete porque é bonito e alto e tem o Shaolin com aqueles tipos que dão mortais encarpados para trás, e com eles, com esses coloridos saltos, sobem a árvores que nem no jardim botânico de Lisboa se encontram. Muito menos no Parque Eduardo VII. Tem também o Tibete uma data de monges vestidos de laranja, como usam os prisioneiros de Guantanamo. Também em Guantanamo lhes rapam o cabelo, como é uso dos monges tibeteanos. Pode o leitor concluir que há algumas semelhanças entre ambas as regiões. Uma é chinesa mas tibeteana, outra é norte-americana mas fica em Cuba, e em ambas se traja de laranja e se rapa o cabelo. Também em ambas se dão mortais encarpados para trás quando a situação exige. Será que em Guantanamo também há alguma Santidade?
Certo é que, caso houvesse Santidade guantanamense, teria a mesma recepção oficial que teve o Sr. Lama. Nisto, somos exemplares. Não somos como esses convencidos desses canadianos que disseram aos chineses que na China mandam eles. Mas no Canadá mandam os canadianos. Temos muitos defeitos. Mas não somos mentirosos. E aqui mandam todos. Menos, talvez, o Dalai Lama.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Bin Laden Falhou

Ontem foi dia 11 de Setembro: dia de comunicado de Bin Laden ao mundo ocidental, momento aguardado com elevada expectativa.
Desta vez as sábias palavras da Besta Negra da humanidade cristã desiludiram. Nem uma alusão, uma opinião que fosse, sobre o caso "Maddie"! Eu, tal como o leitor, esperava avidamente pela opinião de Laden: foram os pais? Foi a Kate? O Gerry é de confiança? Dever-se-á tirar-lhe os gémeos? A polícia portuguesa merece crédito? Os cães pisteiros fazem prova em tribunal? O ADN será da menina? Terão os McCann transportado apenas o ursinho de peluche na mala do carro alugado, 25 dias depois do desaparecimento da menina? (Por sinal, um Renault: eles que se ponham a pau com os discos dos travões, aos 80 000 km estão todos comidos). Deveriam os McCann ter alugado um Nissan? Ou uma motorizada (que não tem mala!)?

Que disse Osama? Nada! Bin Laden nada disse que prestasse. Umas loas a um barbudo qualquer e pronto. Uma conversa sobre olhos e dentes... Apre! O homem é irritante!

terça-feira, setembro 11, 2007

Boa Escolha!

Já só faltava o Meia Livraria: tenho de falar do casal McCann e da sua filha desaparecida! Com efeito, é singela a minha contribuição para a grande construção mediática: resume-se ao assinalar da belíssima escolha que o casal fez. O advogado do Pinochet parece-me ser o homem certo para o caso. Não será essa escolha uma confissão? O Pinochet chegou a confessar?

sexta-feira, setembro 07, 2007

Financiamentos

A Entidade das Contas e Financiamentos Políticos vai investigar a Festa do Avante! Estarão convencidos que a Somague anda a construir os barracões à borla?

quinta-feira, setembro 06, 2007

Vigairada

Terá pouca importância em dia de efeméride maior, o aziago desaparecimento de Pavarotti, mas o Meia Livraria cumpre com este artigo o seu natural destino de educador de massas telemovilizadas em geral, internetificadas em particular. Perguntar-se-á, o leitor ávido de saber, será que foi desta que apanhei o Cláudio em falta? Vigairada? Não será "vida airada"?
Não, amigo leitor. Sinta o conforto e o tom paternal das minhas palavras. Não. Andou o leitor toda a sua vida (airada ou não) pensando que este ou aquele seria amigo da "vida airada"... Não lê suficiente Aquilino, meu caro. Pois é vigairada aquilo que julgava airado! Trata-se de mais uma das inúmeras expressões papagueadas, dialectais, em que boa parte de nós gasta a saliva e o ouvido alheio poupando a massa cinzenta para coisas outras que pensar, investigar, no que se diz.
Somos todos assim, meus caros. Não há excepções. Uns mais (nos casos extremos chega-se ao "novidades só no continente"), outros menos (afadigam-se repetindo a estúpida expressão "silly season" na silly season), mas o fim do mundo está próximo.