segunda-feira, janeiro 21, 2008

Bobby Fischer

Diz a comunicação social, e lê-se na internet, que Bobby Fischer morreu na passada semana. Com 64 anos. Tantos como os quadrados de um tabuleiro de xadrez. Talvez tenha morrido e, infelizmente, com ele, o encanto do jogo, o encanto do génio, o encanto da guerra fria, o encanto da conspiração, o encanto da magia. Daquela magia que é, mesmo. Vale a pena saber jogar xadrez para se conhecer as partidas de Bobby Fischer. É, infelizmente, um prazer vedado à massa, que, ainda assim, nos anos 70, o seguia com admiração genuína. Fischer era um tipo de aparência normal e quebrava o estereotipo do xadrezista (que, de resto, só cumpre quem não é xadrezista, do tipo... nem sem bem que tipo) e trouxe ao xadrez um prestígio que se quebrou no início dos anos 90, com os computadores a crescer e com o colapso da União Soviética (e posterior abandalhamento do meio elitista do xadrez no Ocidente, com a invasão de hordas de grandes mestres do lado de lá da cortina a jogar por uma garrafa de vinho e um bife mal passado).
Fischer era Fischer e era tudo o que o xadrez agora não é. Goste-se ou não, os homens precisam de grandes homens. E, parvo ou não, apetece-me chorar.

5 comentários:

Santos Passos disse...

Belo texto. Abração.

Walter Tarira disse...

Bom texto. Tão bom que nada sobrou para mim. Apenas te esqueceste de um pormenor. Melhor dito; não te esqueceste, porque ainda não eras nascido.

Foi graças a ele e ao Spaski, que há hoje xadrez em Alverca!

O campeonato do mundo que ambos jogaram em 1972, passava todos os dias na TV, ainda a preto e branco, com o João Cordovil fazendo as análises das partidas, que depois eram comentadas e apresentadas na imprensa daquele tempo.

Foi desta forma que surgiu o Manuel Rocha, Vítor Franco, João Franco e muitos outros que a minha já velha e desgastada memória não se lembra…dirás que este «movimento» não foi só em Alverca, que foi em todo o País e até podes dizer em todo o mundo, que talvez tenhas razão…

Mar Arável disse...

Quem acredita

com fortes convicções

é referência

Fëaraniâ disse...

Efectivamente morreu um dos grandes mestres do xadrez de sempre. Com ele morre um passado ainda recente, em que a guerra passou a utilizar armas "pacíficas". Muita d aguerra fria passou dos palcos militares para os tabuleiro de xadrez.

Saudações.

Carlos Barros disse...

Tenho saudades do meu amigo João Cordovil.