quarta-feira, agosto 04, 2010

O Nasser foi Campeão: Parte I, Onde se Conta o Porquê da Viagem

Há mais de um mês atrás, quase dois, com o fito sólido e determinado de ouvir uns fados e beber uns tintos na embaixada de Portugal (era o 10 de Junho), voei, com uns colegas que manterei anónimos, a Tripoli, vencendo os mil quilómetros que separam a cidade de Benghazi, onde vou estando e por vezes sendo, da capital líbia. Após o pequeno acidente aéreo sem vítimas, como costumam ser as aterragens por estas bandas, lá chegámos à transpirada cidade tripla, não sem ter dado oito voltas ao circuito de descida do aeroporto, esperando vaga onde coubesse o avião, o que nos custou mais de meia hora de atraso.

Chegados já bem depois da hora, seriam mais de dez e meia da noite, iniciando-se a festa às sete ou oito, num táxi sem ar condicionado, sendo o grupo de quatro, alguns deles bem constituídos, enfrentámos os cerca de quarenta graus centígrados com a boa disposição de sequiosos que oásis avistassem.

Convencidos que a festarola se realizaria na embaixada, a ela nos fomos, num lufa-lufa controlado, até pela exiguidade do espaço. Já na porta suspeitámos, sendo sagazes e de inteligência média, que a ausência de viaturas, luzes, sinal de vida que fosse, na cercania do edifício, talvez indiciasse estarmos no local errado... E com efeito, quase rebentada a fechadura do portão, esmagada a campainha, e com as gargantas secas de tanto gritar, lá nos decidimos a fazer uns telefonemas.

(Continua, claro.)